O Rio Feio – A Esculhambação na Sinalização de Trânsito

Sempre caminho pela cidade. Mesmo tendo que driblar os infindáveis buracos e desníveis nas calçadas que nos obrigam a olhar para o chão – o que não ocorre nas cidades dos países sérios -, observo atônito as feiúras arquitetônicas e os numerosos absurdos oriundos da má gestão da cidade. Assim, veio-me à idéia da série “o Rio feio”. Nasci e fui criado no Rio e adoro a cidade, o estilo carioca, a espantosa beleza natural, o fenomenal encontro entre a montanha e o mar, que se estende até à s ilhas. Mas há que se falar sobre o caos urbano que prejudica muito a qualidade de vida.

Andei fazendo algumas fotos com uma câmara digital comum, dessas que vendem que nem banana e de onde saem fotos sem nenhuma qualidade, simplesmente porque não têm lentes. Então, procurei Zeca Linhares e sugeri o tema. Falamos, entre outras coisas, da sinalização de trânsito e das paisagens que o Rio de Janeiro vem perdendo! Saímos juntos para fotografar uma única vez. E logo vimos uma fenomenal quantidade de verdadeira “ofensas ao pudor”, resultantes de uma administração pública indecente.

Zeca Linhares, mestre do olhar e da fotografia, que inicialmente resistiu a fotografar o feio, mas acabou me dando a alegria da sua companhia. Estamos apenas iniciando a série. Às vezes, cada um faz as suas próprias fotos, em outras ocasiões, observamos a cidade juntos. E uma das coisas que imediatamente chamou a nossa atenção é a bagunça na sinalização de trânsito.

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A foto é divertida. E o pior é que a gente se acostuma com essas coisas. E aí, quem viaja para o exterior volta sem entender muito bem por que razão achou tudo tão bonito.

A boa sinalização de trânsito facilita o fluxo de trânsito, diminuindo os engarrafamentos e reduzindo o número de acidentes. Aqui, sempre fiquei impressionado com a insuficiência da sinalização e, o que é pior, com as informações sobre a direção a ser tomada colocada DEPOIS da bifurcação.

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E esses caras que se dizem “administradores públicos” ainda têm a coragem de multar os motoristas. Não seria mais o caso de serem processados pelos cidadãos, por descaso e mesmo por acidentes de trânsito. Suponho que a (ir)responsabilidade seja da Companhia de Engenharia de Trânsito da Prefeitura do Rio, que sabe multar e espalhar cobradores para que se possa estacionar nas ruas, ou colocar guardas na esquina olhando os sinais abrirem e fecharem. Um dia desses os japoneses inventam o sinal (semáforo) com apito e eles ficam sem emprego. Só rindo.

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O Rio Feio – A Grande Gambiarra Urbana

O Rio de Janeiro tem o céu mais bonito do mundo! Esse foi o resultado de uma pesquisa feita ao longo de anos, em cidades de muitos países, com base na percepção que os residentes e visitantes têm de várias características do céu – cor, luminosidade, transparência.

Agora, fica uma pergunta: quem enfeia mais a vista que o carioca pode ter do céu da cidade? A Light ou a Rio Luz?

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A foto acima foi tirada na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, um bairro considerado “nobre” e certamente um dos mais modernos da cidade! Ela não representa uma exceção, mais uma regra! Mesmo no canteiro central, onde a fiação dos postes de iluminação é subterrânea, há um sem número de postes abandonados, com ou sem transformadores, em muitos casos com a fiação dependurada que evidencia ser tudo uma grande gambiarra.

Para não falar no fato de que o canteiro central e mesmo os terrenos privados onde não há construções se enchem de gigantescos luminosos que fazem os motoristas se sentirem “abduzidos” pela publicidade que os distrai e talvez aumente o número de acidentes. Há, certamente, mais luminosos de publicidade do que sinalização de trânsito.

A sujeira da Light e/ou da Rio Luz – a Companhia Municipal de Energia e Iluminação – não termina aí! Vai até as calçadas, como se pode ver na foto abaixo. Gambiarra total!

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De uma “instalação elétrica” desse tipo certamente decorrem muitas perdas, seja como conseguência dos famosos gatos – mas aí seriam gatos de ricos – ou dos fios mal conectados, desencapados, ou simplesmente abandonados, por onde a eletricidade se vai numa sangria desatada.

Eles enfeiam a cidade, desperdiçam eletricidade, e depois colocam toda a “culpa” nos gatos das favelas para conseguir melhores reajustes de tarifas na ANEEL. Quem sabe há gatos nas grandes obras de prédios e condomínios ricos, gatos para as imensas e horrorosas publidades luminosas, gatos, gatilhos, e uma infinidade de gambiarras. Pode?

Ah – vale dizer que boa parte dessa “esculhambação” foi feita pela EDF – Elétricite de France, uma estatal francesa que comprou a Light com dinheiro do BNDES durante as privatizações ocorridas na dinastia FHC. Na França, é claro, a EDF não emporcalha a paisagem!