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	<title>Luiz Prado Blog &#187; Urbanismo</title>
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	<description>meio-ambiente e desenvolvimento</description>
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		<title>Cesar Maia &#8211; Engarrafando o Trânsito e Desperdiçando Dinheiro do Contribuinte</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 12:02:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente - Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente Urbano]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Tendo que conviver diariamente com um Rio de Janeiro abandonado, os cariocas partiram para a saudável reação que se assemelha à desobediência civil.  A a cada dia cresce o número daqueles que solicitam o depósito judicial do Imposto Predial e Territorial Urbano &#8211; IPTU.  Bela iniciativa!  Pagarão da mesma forma que o poder público paga os seus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/cidade-da-musica.jpg" title="cidade-da-musica.jpg"></a>Tendo que conviver diariamente com um Rio de Janeiro abandonado, os cariocas partiram para a saudável reação que se assemelha à desobediência civil.  A a cada dia cresce o número daqueles que solicitam o depósito judicial do Imposto Predial e Territorial <a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/cidade-da-musica.jpg" title="cidade-da-musica.jpg"></a>Urbano &#8211; IPTU.  Bela iniciativa!  Pagarão da mesma forma que o poder público paga os seus credores: depois de anos de tramitação judicial dos processos, criando algo como <em>precatórios da cidadania</em>.  Outros, como o autor deste blog, optou simplesmente por adiar o pagamento até o último dia do ano, o que dará ao próximo prefeito a chance de uma auditoria, já que os bancos retêm o dinheiro público por alguns dias.</p>
<p>O movimento surgiu da constatação cotidiana de que a cidade está completamente esburacada, mal iluminada, mal sinalizada, tendo se transformado numa grande gambiarra urbanística.  Hospitais e escolas públicas não se encontram em situação muito diferente.  As únicas coisas que funcionam de maneira notável são os pardais e uma guarda-municipal treinada para multar desabridamente, sem qualquer esforço para orientar o trânsito ou os motoristas.</p>
<p>Agora, nos últimos dias, a imprensa escrita finalmente despertou para desavergonhado desperdício de dinheiro público em grandes obras tão suntuosas quanto desnecessárias, para não dizer indecentes.  Em especial, a tal &#8220;Cidade da Música Roberto Marinho&#8221; foi denunciada pelo próprio jornal O Globo.  Uma obra inicialmente estimada em cerca de R$ 80 milhões deve ter custo final superior a R$ 480 milhões.  Se fosse executivo de uma empresa privada, Cesar Maia &#8211; que no passado chegou a ser considerado competente administrador financeiro &#8211; já estaria no olho da rua há muito tempo.</p>
<p>O que não foi dito, ainda, é que a escolha do local para implantar a tal &#8220;Cidade da Música&#8221; é totalmente inapropriado.  Situa-se na confluência de duas das avenidas de maior densidade de tráfego da cidade: América  e Ayrton Senna.  O local pode ser vista na imagem abaixo do Google Earth.</p>
<p><a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/cidade-da-musica-barra-da-tijuca.jpg" title="cidade-da-musica-barra-da-tijuca.jpg"><img src="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/cidade-da-musica-barra-da-tijuca.jpg" alt="cidade-da-musica-barra-da-tijuca.jpg" /></a>  <a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/cidade-da-musica.jpg" title="cidade-da-musica.jpg"></a><a href="http://www.luizprado.com.br/wp-content/images/cidade-da-musica.jpg" title="cidade-da-musica.jpg"></a></p>
<p>Na metade dessa área - denominada &#8220;Cebolão&#8221; pelos cariocas &#8211; já funciona um terminal de ônibus e um posto de vistoria do Detran.  Como fazer o contorno, ainda que em parte, é imprescindível para acessar a Linha Amarela ou a praia, atualmente os engarrafamentos já são gigantescos nos horários de pico.  Esses horários de pico também ocoorem nos fins de semana, em dias de sol, durante o acesso e a saída da praia.</p>
<p>No complexo espertamente denominado Cidade da Música, funcionará, também, um número indeterminado de lojas, talvez cinemas.  Ou seja, um shopping center disfarçado.  Isso, a poucos metros do Barra Shopping, o maior da cidade, e de sua extensão, o New York, onde já funcionam 18 cinemas.  Um pouco mais adiante, situa-se o Via Parque (felizmente em português mesmo), onde além de lojas e cinemas há uma casa de espetáculos &#8211; em geral musicais &#8211; com 8.500 lugares.  Bela escolha de localização para uma pirâmide: a localização mais visível, ainda que mais inconveniente.</p>
<p>Com essa façanha, Cesar Maia esculhambará ainda mais o Rio de Janeiro.  O tráfego que se torna mais sobrecarregado a cada dia ficará pior.  E o investimento em cultura que poderia ser orientado por um bairro necessitado de uma modernização, de maior dinamismo econômico, termina numa das áreas mais ricas da cidade.</p>
<p>***</p>
<p>Afirma-se, agora, que o estudo de viabilidade econômica da &#8220;Pirâmide Cesar Maia&#8221; só foi contratado depois de iniciada a obra.  O estudo indicou a necessidade de aporte de recursos públicos para a sua manutenção.  Esse estudo pode ter sido orientado nesse sentido!  Afinal, ninguém pode saber exatamente quais serão as despesas e receitas, que dependem do tipo de espetáculo musical e dos muitos patrocínios.  Mas como a gestão da pirâmide será feita pela iniciativa privada, nada como assegurar, desde já, um trocado a mais para os vencedores da licitação, que mamarão nas tetas do dinheiro público por décadas.  O Ministério Público, que segundo notícias da imprensa já investiga o super-faturamento na obra, faria melhor ainda se cuidar, também, de uma revisão cuidadosa do edital de licitação para a gestão da pirâmide de concreto.</p>
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		<title>Idéias, Conceitos, Projetos &#8211; Boas Notícias para o &quot;Carioca de Algema&quot;?</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 19:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Cidade Abandonada]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta penÃºltima semana do ano da graÃ§a de 2007, a cidade do Rio de Janeiro leu na imprensa local duas belas notÃ­cias! A primeira, uma decisÃ£o do prefeito de retirar da orla de Copacabana os postos de gasolina localizados em Ã¡reas pÃºblicas, no canteiro central. Segundo a imprensa, o prefeito alega razÃµes &#8220;ambientais&#8221;. Ã se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta penÃºltima semana do ano da graÃ§a de 2007, a cidade do Rio de Janeiro leu na imprensa local duas belas notÃ­cias!</p>
<p>A primeira, uma decisÃ£o do prefeito de retirar da orla de Copacabana os postos de gasolina localizados em Ã¡reas pÃºblicas, no canteiro central.  Segundo a imprensa, o prefeito alega razÃµes &#8220;ambientais&#8221;.  Ã se supor que &#8220;ambientais&#8221;, aÃ­, seja utilizado no sentido estÃ©tico, o que nÃ£o torna a decisÃ£o menos importante.</p>
<p>Mas Ã© curioso que a decisÃ£o nÃ£o tenha se estendido a <strong>toda a orla marÃ­tima</strong>, e tambÃ©m aos canteiros centrais de outras avenidas de trÃ¢fego intenso, jÃ¡ que Ã© evidente que <strong>esses postos de gasolina contribuem para tornar o fluxo de trÃ¢nsito mais lento</strong>.   AliÃ¡s, tambÃ©m seria interessante ter o mesmo cuidado com o aterro do Flamengo.  Isso para nÃ£o falar no canteiro central em frente Ã  &#8220;vila do Pan&#8221; e aos muitos na avenida das AmÃ©ricas.</p>
<p>Ã interessante notar que a quase totalidade desses postos de gasolina levam a bandeira Petrobras/BR, e mesmo sem a decisÃ£o do prefeito seria muito bom ver a empresa ter um olhar de <strong>responsabilidade social e ambiental</strong> para paisagem e o trÃ¢fego de veÃ­culos, e iniciasse o processo de remoÃ§Ã£o desses postos por iniciativa prÃ³pria.   <strong>Assim, nÃ£o restariam sombras sobre a natureza dos acordos feitos para a cessÃ£o dessas Ã¡reas pÃºblicas privilegiadas</strong> para os seus postos e todas os distribuidoras de combustÃ­veis auto-motores poderiam concorrer em igualdade de condiÃ§Ãµes.  E a BR Distribuidora evitaria o risco de receber o &#8220;PrÃªmio Nacional de Irresponsabilidade Social e Ambiental&#8221; que poderÃ¡ vir a ser concebido pelo Macaco SimÃ£o.</p>
<p>Desde jÃ¡, a populaÃ§Ã£o e a imprensa podem comeÃ§ar a contar o prazo de 6 meses que teria dado para a retirada, descartadas decisÃµes judiciais nas quais o grande pÃºblico nunca sabe se os advogados da prefeitura efetivamente trabalharam para fazer o que o prefeito anunciou ou se foi tudo jogo de cena.</p>
<p>A outra notÃ­cia refere-se Ã  decisÃ£o do governador de urbanizar a Rocinha &#8211; uma das maiores favelas do Rio de Janeiro.  A Rocinha jÃ¡ Ã©, hoje, de fato, um bairro, com os mais variados tipos de serviÃ§os &#8211; bancos, universidadades, e outros.  UrbanizÃ¡-la nÃ£o Ã© tÃ£o dificil, se houver um <strong>projeto</strong>, isto Ã©, uma definiÃ§Ã£o do percurso de novas ruas e ampliaÃ§Ã£o das jÃ¡ existentes, soluÃ§Ãµes aceitÃ¡veis para a relocaÃ§Ã£o de moradores para pequenos prÃ©dios a serem construÃ­dos no mesmo local ou nas proximidades, sistema de drenagem de Ã¡guas pluviais e coleta de esgotos, definiÃ§Ã£o de locais para a instalaÃ§Ã£o de serviÃ§os pÃºblicos essenciais como escolas e delegacias de polÃ­cia, etc.</p>
<p>Mas, Ã© possÃ­vel comeÃ§ar com algo muito, muito simples: o levantamento topogrÃ¡fico que permite definir o caminhamento das ruas e as Ã¡reas a serem desapropriadas, bem como aquelas destinadas Ã  relocaÃ§Ã£o de moradores.  Ã bom lembrar esse requisito pois no inÃ­cio da dÃ©cada de 90 um secretÃ¡rio de estado andou por aÃ­ todo &#8220;pimpÃ£o&#8221; com uns rolos de papel debaixo do braÃ§o dizendo que tinha o &#8220;projeto&#8221; de urbanizaÃ§Ã£o da Rocinha.  Dizem que foi atÃ© mesmo ao Banco Mundial para conversar sobre as possibilidades de um emprÃ©stimo, quando lhe explicaram, polidamente, que aquilo nÃ£o era um projeto, mas apenas alguns traÃ§ados com canetas de cores sobre uma foto aÃ©rea da Rocinha indicando ruas hipotÃ©ricas.  Ou seja, no mÃ¡ximo um conceito ou hipÃ³tese de trabalho.  Daquilo atÃ© um <strong>projeto</strong>, <strong>com custos, metas e uma anÃ¡lise de viabilidade econÃ´mica-social</strong>, ia e vai uma imensa distÃ¢ncia.</p>
<p>Nessa Ã©poca, os sistemas de posicionamento geogrÃ¡fico &#8211; GPS ainda nÃ£o eram de domÃ­nio pÃºblico, mas de uso reservado das forÃ§as armadas norte-americanas.  Hoje, com meia dÃºzia de equipamentos que custam R$ 500,00, Ã© possÃ­vel ter pelo menos o levantamenteo topogrÃ¡fico com curvas de nÃ­vel de 5 em 5 metros, mais do que o suficiente para dar inÃ­cio Ã  elaboraÃ§Ã£o de um projeto de verdade.</p>
<p>A cidade se anima com as boas notÃ­cias, e torce para que nÃ£o caiam no esquecimento, bem como para que nÃ£o se limitem a projetos &#8220;demonstrativos&#8221;, em Ã¡reas muito restritas, visÃ­veis apenas para os visitantes, como jÃ¡ ocorreu em outras Ã¡reas faveladas.  A urbanizaÃ§Ã£o da Rocinha pode e deve ser feita &#8220;pra valer&#8221;.</p>
<p>Recomenda Ã  grande imprensa um acompanhamento regular dos passos dados para que as idÃ©ias se transformem em projetos e os projetos em realidades.</p>
<p>***</p>
<p>A outra boa notÃ­cia seria a retomada do Programa de DespoluiÃ§Ã£o da BaÃ­a de Guanabara, que quase 15 anos depois de ter sido iniciado e jÃ¡ completando R$ 2 bilhÃµes em &#8220;investimentos&#8221;, resultou em vÃ¡rias grandes estaÃ§Ãµes de tratamento de esgotos abandonadas.  Nessa boa notÃ­cia ninguÃ©m acredita se a CEDAE nÃ£o mostrar as fontes de recursos financeiros para a implantaÃ§Ã£o da rede de coleta.  Exceto se quiserem apenas bombear a Ã¡gua de algum rio imundo para uma dessas estaÃ§Ãµes de tratamento para enganar os trouxas.</p>
<p>***</p>
<p>&#8220;Carioca de Algema&#8221; Ã© o tÃ­tulo de uma composiÃ§Ã£o de Carlos Lyra.  Ã Ã©poca, falando da liberdade do carioca; hoje, pode perfeitamente aplicar-se aos muitos medos e decepÃ§Ãµes dos cariocas, que Ã  noite se escondem em seus apartamentos.</p>
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		<title>Idéias, Conceitos, Projetos &#8211; Boas Notícias para o &#8220;Carioca de Algema&#8221;?</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 19:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Prado</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta penÃºltima semana do ano da graÃ§a de 2007, a cidade do Rio de Janeiro leu na imprensa local duas belas notÃ­cias!</p>
<p>A primeira, uma decisÃ£o do prefeito de retirar da orla de Copacabana os postos de gasolina localizados em Ã¡reas pÃºblicas, no canteiro central.  Segundo a imprensa, o prefeito alega razÃµes &#8220;ambientais&#8221;.  Ã se supor que &#8220;ambientais&#8221;, aÃ­, seja utilizado no sentido estÃ©tico, o que nÃ£o torna a decisÃ£o menos importante.</p>
<p>Mas Ã© curioso que a decisÃ£o nÃ£o tenha se estendido a <strong>toda a orla marÃ­tima</strong>, e tambÃ©m aos canteiros centrais de outras avenidas de trÃ¢fego intenso, jÃ¡ que Ã© evidente que <strong>esses postos de gasolina contribuem para tornar o fluxo de trÃ¢nsito mais lento</strong>.   AliÃ¡s, tambÃ©m seria interessante ter o mesmo cuidado com o aterro do Flamengo.  Isso para nÃ£o falar no canteiro central em frente Ã  &#8220;vila do Pan&#8221; e aos muitos na avenida das AmÃ©ricas.</p>
<p>Ã interessante notar que a quase totalidade desses postos de gasolina levam a bandeira Petrobras/BR, e mesmo sem a decisÃ£o do prefeito seria muito bom ver a empresa ter um olhar de <strong>responsabilidade social e ambiental</strong> para paisagem e o trÃ¢fego de veÃ­culos, e iniciasse o processo de remoÃ§Ã£o desses postos por iniciativa prÃ³pria.   <strong>Assim, nÃ£o restariam sombras sobre a natureza dos acordos feitos para a cessÃ£o dessas Ã¡reas pÃºblicas privilegiadas</strong> para os seus postos e todas os distribuidoras de combustÃ­veis auto-motores poderiam concorrer em igualdade de condiÃ§Ãµes.  E a BR Distribuidora evitaria o risco de receber o &#8220;PrÃªmio Nacional de Irresponsabilidade Social e Ambiental&#8221; que poderÃ¡ vir a ser concebido pelo Macaco SimÃ£o.</p>
<p>Desde jÃ¡, a populaÃ§Ã£o e a imprensa podem comeÃ§ar a contar o prazo de 6 meses que teria dado para a retirada, descartadas decisÃµes judiciais nas quais o grande pÃºblico nunca sabe se os advogados da prefeitura efetivamente trabalharam para fazer o que o prefeito anunciou ou se foi tudo jogo de cena.</p>
<p>A outra notÃ­cia refere-se Ã  decisÃ£o do governador de urbanizar a Rocinha &#8211; uma das maiores favelas do Rio de Janeiro.  A Rocinha jÃ¡ Ã©, hoje, de fato, um bairro, com os mais variados tipos de serviÃ§os &#8211; bancos, universidadades, e outros.  UrbanizÃ¡-la nÃ£o Ã© tÃ£o dificil, se houver um <strong>projeto</strong>, isto Ã©, uma definiÃ§Ã£o do percurso de novas ruas e ampliaÃ§Ã£o das jÃ¡ existentes, soluÃ§Ãµes aceitÃ¡veis para a relocaÃ§Ã£o de moradores para pequenos prÃ©dios a serem construÃ­dos no mesmo local ou nas proximidades, sistema de drenagem de Ã¡guas pluviais e coleta de esgotos, definiÃ§Ã£o de locais para a instalaÃ§Ã£o de serviÃ§os pÃºblicos essenciais como escolas e delegacias de polÃ­cia, etc.</p>
<p>Mas, Ã© possÃ­vel comeÃ§ar com algo muito, muito simples: o levantamento topogrÃ¡fico que permite definir o caminhamento das ruas e as Ã¡reas a serem desapropriadas, bem como aquelas destinadas Ã  relocaÃ§Ã£o de moradores.  Ã bom lembrar esse requisito pois no inÃ­cio da dÃ©cada de 90 um secretÃ¡rio de estado andou por aÃ­ todo &#8220;pimpÃ£o&#8221; com uns rolos de papel debaixo do braÃ§o dizendo que tinha o &#8220;projeto&#8221; de urbanizaÃ§Ã£o da Rocinha.  Dizem que foi atÃ© mesmo ao Banco Mundial para conversar sobre as possibilidades de um emprÃ©stimo, quando lhe explicaram, polidamente, que aquilo nÃ£o era um projeto, mas apenas alguns traÃ§ados com canetas de cores sobre uma foto aÃ©rea da Rocinha indicando ruas hipotÃ©ricas.  Ou seja, no mÃ¡ximo um conceito ou hipÃ³tese de trabalho.  Daquilo atÃ© um <strong>projeto</strong>, <strong>com custos, metas e uma anÃ¡lise de viabilidade econÃ´mica-social</strong>, ia e vai uma imensa distÃ¢ncia.</p>
<p>Nessa Ã©poca, os sistemas de posicionamento geogrÃ¡fico &#8211; GPS ainda nÃ£o eram de domÃ­nio pÃºblico, mas de uso reservado das forÃ§as armadas norte-americanas.  Hoje, com meia dÃºzia de equipamentos que custam R$ 500,00, Ã© possÃ­vel ter pelo menos o levantamenteo topogrÃ¡fico com curvas de nÃ­vel de 5 em 5 metros, mais do que o suficiente para dar inÃ­cio Ã  elaboraÃ§Ã£o de um projeto de verdade.</p>
<p>A cidade se anima com as boas notÃ­cias, e torce para que nÃ£o caiam no esquecimento, bem como para que nÃ£o se limitem a projetos &#8220;demonstrativos&#8221;, em Ã¡reas muito restritas, visÃ­veis apenas para os visitantes, como jÃ¡ ocorreu em outras Ã¡reas faveladas.  A urbanizaÃ§Ã£o da Rocinha pode e deve ser feita &#8220;pra valer&#8221;.</p>
<p>Recomenda Ã  grande imprensa um acompanhamento regular dos passos dados para que as idÃ©ias se transformem em projetos e os projetos em realidades.</p>
<p>***</p>
<p>A outra boa notÃ­cia seria a retomada do Programa de DespoluiÃ§Ã£o da BaÃ­a de Guanabara, que quase 15 anos depois de ter sido iniciado e jÃ¡ completando R$ 2 bilhÃµes em &#8220;investimentos&#8221;, resultou em vÃ¡rias grandes estaÃ§Ãµes de tratamento de esgotos abandonadas.  Nessa boa notÃ­cia ninguÃ©m acredita se a CEDAE nÃ£o mostrar as fontes de recursos financeiros para a implantaÃ§Ã£o da rede de coleta.  Exceto se quiserem apenas bombear a Ã¡gua de algum rio imundo para uma dessas estaÃ§Ãµes de tratamento para enganar os trouxas.</p>
<p>***</p>
<p>&#8220;Carioca de Algema&#8221; Ã© o tÃ­tulo de uma composiÃ§Ã£o de Carlos Lyra.  Ã Ã©poca, falando da liberdade do carioca; hoje, pode perfeitamente aplicar-se aos muitos medos e decepÃ§Ãµes dos cariocas, que Ã  noite se escondem em seus apartamentos.</p>
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