Archive for the 'Mudanças Climáticas' Category

Florestas Amazônicas, Florestas Boreais e Verdades Inconvenientes para as Grandes ONGs “Ambientalistas”

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As grandes ONGs internacionais mentem de acordo com as conveniências de seus patrocinadores, nunca informados ao público.  Mentem pelo que dizem e também pelo muito que ocultam cuidadosamente.   Mentem quando falam sobre a importância das florestas amazônicas para as emissões de carbono e sonegam informações sobre as florestas boreais.  Elas sabem que essas florestas situam-se  em países que não as levam a sério: os escandinavos e os EUA, o Canadá e a Rússia (sempre logo abaixo do Ártico).

A estocagem de carbono por florestas não é relevante num mundo em que a produção de combustíveis fósseis tende a se elevar rapidamente.  Nem que todas as áreas agrícolas do planeta fossem reflorestadas,  o carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis seria capturado.  As autoridades dos países sérios sabem disso.  Mas sempre é bom dizer que as florestas boreais estocam muito mais carbono por unidades de área do que as florestas tropicas!

 

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As verdades jogadas para baixo do tapete pelas grandes ONGs que licenciam franchises em outros países, como WWF e Greenpeace, salta mais aos olhos quando a NASA vem a público para mostrar imagens do que está sendo feito com as florestas boreais do Canadá.  E, o que é pior, para extrair um combustível fóssil extremamente sujo – muito mais sujo do que o petróleo – conhecido como areais betuminosas (tar sands em inglês).  Na página da NASA sobre a extração de areias betuminosas – ou asfalto – no Canadá, é possível ver o rápido avanço dos estragos entre 1984 e 2011 movendo o cursor nos pontos logo abaixo da imagem.  Essa é apenas uma das muitas áreas de extração desse petróleo ultra-sujo nesse país que se retirou recentemente do protocolo de Kyoto.

Hoje, as grandes empresas de petróleo do mundo aceitam que as reservas de contidas nas areias betuminosas do Canadá – 173 bilhões de barris de petróleo – só são superadas pelas da Arábia Saudita.  Com o atual ritmo de concessões de novas áreas para mineraçã0, projeta-se a remoção de até 145 mil quilômetros quadrados de florestas boreais para a extração de areais betuminosas.  Nada mal!  Até 2011, apenas cerca de 663 quilômetros quadrados haviam sido atingidos por esse tipo de mineração.

A NASA ressalta que o processo de extração de petróleo dessas reservas no Canadá requer tanto a mineração de superfície quanto quanto a extração das areias a até 80 metros de profundidade.  É necessária a extração de duas toneladas de areia para produzir um barril de petróleo, usando imensas quantidades de água que depois fica estocada em reservatórios (visíveis nas imagens).

“Legalmente, as companhias devem restaurar as áreas depois que terminam de minerá-las.  Na série de imagens, os reservatórios de água foram gradualmente drenados e preenchidos a partir de 1967 (início das operações).  Embora as empresas mineradoras tenham plantado variedades de grama nos locais, as imagens não mostram qualquer sinal de crescimento vegetal nessas áreas (recuperadas) até 2011.”

Bingo!  A imprensa sempre engole fácil as notícias sobre o desmatamento na Amazônia, que acaba servindo para encobrir o que é de interesse das grandes petroleiras, bem como do Canadá e… dos EUA.

De fato, o Canadá já é, hoje, o maior fornecedor individual de petróleo dos EUA!  E logo será aprovado um projeto para a construção de 3.500 quilômetros de oleoduto (numa primeira fase)para o transporte de areias betuminosas diluídas de Alberta, no Canadá, até refinarias norte-americanas.  O compromisso de Obama para com as energias renováveis foi engolido pelas razões de “segurança energética”!  Que político se posicionaria contra tal segurança para os cidadãos dos EUA, responsáveis pelo mais alto consumo per capita de petróleo no mundo?

E, como se não bastasse, o Ministro dos Recursos Naturais do Canadá (equivalente ao nosso Ministério do Meio Ambiente) divulgou há dias uma carta acusando organizações estrangeiras radicais e celebridades da mídia de “tentarem sequestrar o governo”.

“Eles usam fundos de grupos de interesse estrangeiros para enfraquecer os interesses econômicos nacionais do Canadá.  Eles atraem celebridades da mídia que tem algumas das mais elevadas pegadas carbônicas do mundo para dizer aos canadenses para não desenvolverem os seus recursos naturais. (…)  O objetivo deles é paralisar qualquer grande projeto, não importando o custo para as famílias canadenses que perdem empregos e crescimento econômico.  Nenhuma extração de florestas.  Nenhuma mineração.  Nenhum petróleo.  Nenhum gás.  Basta de hidrelétricas.” – atacou o ministro Joe Oliver numa carta-aberta aos cidadãos.

Alguém, sinceramente, tem dúvida sobre quem vencerá essa disputa entre a destruição das floresta boreais para a produção de um combustível que é entre 10 e 45% mais poluente do que o petróleo convencional em termos de emissões de carbono, de um lado, e os clamores da sociedade norte-americana e canadense por mais empregos e mais consumo?

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Na Venezuela,  espertamente, a coalizão entre petroleiras e governo optou pela designação “petróleo extra-pesado”.  Tanto no Canadá quanto na Venezuela, as concessões às grandes petroleiras já foram feitas e a produção tende a crescer rapidamente nos próximos anos.

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Um vídeo sobre os impactos da extração de areias betuminosas produzido por grupos ambientalistas sérios como o Environmental Defence contem imagens e informações interessantes.  Numa verdadeira guerra de informações, a Associação Canadense de Produtores de Petróleo reagiu com outra peça publicitária.

Ainda o Naufrágio de Durban – Em Aceleração Avançada!

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Primeiro, a Folha de São Paulo, com o seu “jornalismo ambiental” ideológico – que tenta fazer o mundo caber num conjunto de idéias - apresentou Durban um sucesso, ainda que parcial.  Ministros e delegações que se esforçavam até a madrugada e o dia seguinte para chegar a um acordo.

Depois, diante do noticiário da imprensa internacional que faz jornalismo para valer, admitiu que o sucesso não havia sido tão grande,e até noticiou a decisão do Canadá de se retirar do Protocolo de Kyoto… sem grande estardalhaço e enfatizando críticas de ONGs ao Canadá.

Depois, silenciou sobre a decisão da Rússia de também se retirar, o que pode tornar nulo o Protocolo nulo, já que foi a adesão da Rússia – em 2005 - que marcou a data de sua efetivação  Para que o Protocolo entrasse em vigor, era necessário que os países responsáveis por 55% das emissões de gases causadores de mudanças climáticas o ratificassem.  E a Rússia só o ratificou em troca de outra moeda política, totalmente estranha às mudanças climáticas: o apoio da Europa para a sua entrada na Organização Mundial do Comércio – OMC.  Politics and business as usual.

No Protocolo de Kyoto, o ano base para o cálculo das emissões totais é 1990, quando só a Rússia era responsável por 17% das emissões totais.

Em Durban, o Japão também se mostrou reticente a estender a sua adesão ao Protocolo, mas como manteve uma discreção cautelosa, entende-se que a imprensa internacional tenha evitado especulações.  O Brasil disse que não aceitaria submeter-se às metas de redução em vigor para os países desenvolvidos pelo menos até 2020 e alegou que já tem as suas próprias metas.

Outra questão que permanece na penumbra - ainda que já pudesse ter sido esclarecida - está na necessidade de nova ratificação do Protocolo agora que um grupo de ministros e representantes diplomáticos de diversos países optaram por subscrever à sua extensão.  Entre subscrever e ratificar um tratado vai uma imensa diferença.  Até os EUA assinaram o tratado original, mas nunca o ratificaram.  No caso de uma extensão, a ratificação pelos parlamentos nacionais será necessária?

A pergunta ocorreu depois que uma fonte do Pentágono – que preferiu se manter discreta – disse a um jornalista norte-americano que achava “estranho”  ver um grupo de ministros de meio ambiente discutindo assuntos que envolvvem prementes questões geo-políticas e de segurança energética – leia-se de segurança tout court, ou seja, de segurança nacional.

Os grandes avanços na área de eficiência energética das últimas décadas não se deram por razões “ambientais” ou sequer relacionadas às mudanças climáticas, mas sim por razões consideradas de segurança nacional.  Na sequência de dois ”choques do petróleo” – aumento abrupto de preços pelos países produtores, na década de 1970 - os EUA aprovaram uma lei que recebeu a denominação de “segurança energética”.  Lei para valer, com mais de uma centena de páginas – diferentemente dessas leis chinfrim que andam por aí buscando a sua aplicabilidade -, foram estabelecidas metas e importantes incentivos econômicos para energias renováveis e para eficiência energética.

Agora, no momento em que as petroleiras dos países altamente industrializados planejam expandir a produção de óleo do Iraque dos 1,6 milhões de barris/dia para 6,8 milhões de barris/dia só nos três campos ao sul de Basra, falar em redução das emissões globais é apenas brincadeira e pensamento positivo.  As ONGs que discordarem podem dirigir as suas questões para os executivos da BP (que já até tentou convencer os otários que a sigla signficaria Beyond Petrol), Shell, Exxon, ENI (Itália) e Lukoil (Russa) que no mês passado se reuniram em Basra.  Ah – os números referem-se a t4res campos; a projeção é de que nos próximos 5 anos a produção iraqueana atinja 12 milhões de barris/dia, superando a Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, com seus 10 milhões de barris/dia.

Afinal, não foi esse o objetivo da invasão do Iraque?  Questões de “segurança energética” de um grupo de países aliados, arrebanhados pelos EUA!  Os ministros de meio ambiente que estiveram em Durban, as ONGs com o seu usual lero-lero, e o “jornalismo ambiental” podem voltar para a escola.

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 Para os que entendem inglês, vale ver um dos muitos vídeos da Shell sobre as maiores instalações de produção, liquefação e exportação de gás natural do mundo, no Qatar, denominada Pearl.  Para eles, como para muitos, o gás natural é uma “energia limpa” (quando comparada com o petróleo).  Como na Shell o comando não está nas mãos de clepto-empreteiros, o projeto foi concluído em 6 anos com orçamento aprovado no ínício do ciclo.

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Greenshit, WWF e outros que cafetinam as florestas tropicais em nome das mudanças climáticas ainda não se pronunciaram.  Como nunca se pronunciam sobre assuntos substantivos.

Folha de São Paulo – Prêmio de Pior “Jornalismo Ambiental”

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Ao final do encontro turístico em Durban, a Folha de São Paulo deu as mais alvissareiras notícias: nos momentos finais, após um esforço hercúleo noite adentro, os participantes da jornada haviam conseguido não apenas um grande sucesso e, o que foi mais divertido, tudo devido a um genial coelho que havia sido tirado da  artola pelo líder da delegação brasileira.

Esse tom otimista e o conteúdo  “jornalístico” da notícia divergia totalmente do que nos mesmos  dias era publicado pelos jornais mais sérios do mundo: Le Monde, The Guardian, The San Francisco Chronicle, New York Times e, segundo  estes, o jornal (governamental) de Pequim e os jornais indianos.

Pouco a pouco, o “jornalismo ambiental” da Folha de São Paulo moveu-se na direção de maior contato com a realidade: o Brasil havia sido contrário a qualquer novo acordo até 2020 – já que, em tese, tem metas próprias de redução de emissões -, o que se conseguiu em Durban foi irrelevante – um acordo segundo o qual é preciso se buscar um acordo -, e alguns “detalhes”adicionais: o tal protocolo de Kyoto não impõe qualquer regra para países como Brasil, China e Índia,  e não foi – e nem será – subscrito pelos EUA.

Fora isso, um tal fundo ambiental ou verde (ao gosto do fregues) que atingiria US$ 100 bilhões por ano  até 2020… mas que ninguém sabe de onde virá a improvável bufunfa tendo em vista a crise econômica que não dá sequer  indícios de ceder e a marcada incapacidade de muitos países em  desenvolvimento de administrarem recursos financeiros até mesmo para coisas elementares como educação, saúde e saneamento (como é o  caso do Brasil).

A saída do Canadá do natimorto Protocolo de Kyoto – serviu para dar alguns rocados para corretores e para transferir emissões de países ricos para economias periféricas – já havia sido anunciada antes do encontro de Durban, mas o “jornalismo ambiental” da Folha de São Paulo – marcadamente “verde” preferiu não dar a informação o necessário destaque.

Enfim, com a cobertura do encontro de turismo ecológico de Durban, a Folha de São Paulo conseguiria o prêmio de “pior jornalismo ambiental do mundo”, se tal prêmio existisse.  Trata-se, apenas, da tentativa de enquadrar a realidade num conjunto de conceitos “verdolengos”.  Mas, será que isso importa para a Folha de São Paulo?  Talvez o objetivo seja vender notícias para o público jovem da papulicéia…

O que se decidiu em Durban foi NA-DA!  Isso não significa que todo o noticiário sobre as mudanças climáticas – não o de ONGs, inúteis, mas o de cientistas – não tenha tido qualquer resultado.  Ao contrário: a eficiência energética vem crescendo muito nos países desenvolvidos, que já começam a vender essas tecnologias para os países de economia periférica (em termos científicos e tecnológicos, a China já pode ser colocada entre os países desenvolvidos.  As mudanças climáticas certamente não foram a única razão para que isso acontecesse, até porque países como os EUA e a Alemanha estão muito mais preocupados com a própria segurança energética preocupação que também influi – e muito – na busca de eficiência energética e de energias alternativas.

 

Mudanças Climáticas – Rasgando as Fantasias

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A lastimável qualidade da cobertura jornalística da Conferência de Durban, e em particular da grande imprensa paulistana, repetindo press releases de ONGs e dando a impressão de que o fracasso se deve apenas à má vontade X boa vontade dos países, obriga à repetição de considerações já aqui feitas no passado: o que esteve e está em jogo não são questões relacionadas apenas à decisão de investir, mas às noções fundamentais de como “contabilizar” responsabilidades pela emissão de gases causadores de mudanças climáticas.

Há maneiras muito diferentes de avaliar as emissões desses gases!  O total emitido por um país ou as emissões per capita – que representam à grosso modo o consumo per capita de derivados de petróleo?  Pelas emissões desses gases ou pelo consumo dos produtos cuja produção requer o uso de energias fósseis?  Pelas emissões acumuladas ao longo da história do desenvolvimento econômico desde o início da era do petróleo ou apenas pelas emissões atuais?

Como há uma forte correlação entre o assim chamado desenvolvimento econômico e o consumo de energia, primeiramente há que se falar de emissões per capita, deixando completamente de lado a idéia de emissões totais atuais de um país.

Desconsideradas as mudanças no uso da terra, que de toda forma tendem a se estabilizar no futuro próximo e para as quais a margem de erro é muito grande, em 2008 as emissões per capita consideradas apenas o carbono encontravam-se assim: EUA – 17,5 toneladas (t); Canadá – 16,4 t; Austrália – 18,9 t; Rússia – 13,7 t; a maior parte dos países europeus na faixa de 9 a 11, com variações decorrentes do uso intensivo de energia nuclear, como ocorre com a França – 6,1 t; China – 5,3 t; Índia – 1,4 t; Brasil – 1,9 t.

A tabela do Departamento de Enegia dos EUA mas elaborada com base na Divisão de Estatísticas da ONU, é suficiente para evidenciar as disparidades nas emissões per capita dos países e, daí, as dificuldades em se chegar a qualquer acordo.  O que a Índia alega, claramente, é que boa parte de sua população não tem sequer acesso à energia e que não seria justo propor ao país metas similares às dos países altamente desenvolvidos.

Essa tabela já nos coloca diante de outra questão: como contabilizar as emissões ligadas ou mesmo inerentes à extração do petróleo?  Sim, porque dependendo dessa concepção, os maiores responsáveis por emissões per capita são países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Antilhas Holandesas, Bahrain, Brunei e Kuwait.

Mas essa é apenas a ponta do icerberg de uma questão mais profunda!  Quando o Brasil exporta ferro e aço – produtos intensivos em energia, com a queima de carvão – para a fabricação de carros que serão vendidos em outros países, onde devem ser contabilizadas as emissões?  Ou se os EUA abrem novas minerações de carvão para exportar para a China para depois comprar os seus produtos manufaturados, as emissões da queima desse carvão devem ser contabilizados na China ou nos EUA?

Como nem todos são tão simplórios quanto o “jornalismo ambiental” paulistano, estudos já foram feitos sobre a pegada carbônica real por país, e simulações mostram as emissões reais por país baseadas no consumo efetivo de bens, per capita e por setor de atividade.

São esses questionamentos estruturais, essas divergências de princípios que comprometem qualquer acordo.  E justamente em decorrência dessa percepção é que o naufragado Protocolo de Kyoto – cujo texto foi elaborado por “crentes na mão invisível do mercado” – já previa que países como Brasil, Índia e China não teria que fazer reduções em suas emissões durante a vigência do acordo.  Naufragado parece uma palavra forte, mas o fato é que apesar dele e dos grandes investimentos em energias renováveis, as emissões globais continuaram a crescer, e alguns países europeus conseguiram alcançar ou superar as suas metas simplesmente exportando indústrias “sujas”.

Agora, os países altamente industrializados já perceberam que mesmo que eles cortem drasticamente as suas emissões – para além do que as tecnologias disponíveis possibilitam - as emissões globais continurão a crescer se não forem impostos limites às emissões dos países em desenvolvimento.  Em seu discurso em Oslo, Obama colocou essa questão de forma direta.  Agora, Rússia, Canadá e Austrãlia juá disseram que não subscreverão a um outro tratado.  E a Índia sabe que seus líderes não podem voltar para casa e dizer – “ei, vocês que não têm acesso à energia, continuem como estão”.

O Brasil lá ficou de pires na mão sonhando com um fundo global ambiental que atingiria a fenomenal quantia de 100 bilhões de dólares por ano, em particular para a proteção de florestas.  Num cenário de crise, é no mínimo altamente improvável que isso aconteça.  Mas, em especial num cenário em que países não conseguem assegurar transparência na prestação de contas e a efetividade dos investimentos nem em áreas prioritárias do interesse nacional, como a saúde pública - que não funciona, como ocorre  com o SUS, no Brasil -, esses potenciais doadores tendem a deixar a visão caritativa del lado e investir em outras áreas.

O Brasi finge, também, que não sabe que mesmo que o desmatamento na Amazônia seja zerado, as emissões da extração de petróleo e gás das novas reservas profundas o colocará no topo dos países que mais emitem.  É a política do avestruz.  E isso para não falar no acelerado aumento da frota de veículos – o Brasil é fraquinho quando se trata de transporte de massa por trilhos – e da total inexistência de políticas de estímulo a veículos híbridos (eletricidade e combustível fóssil).  Quanto ao álcool, bem, com as contínuas restrições ao desmatamento logo o crescimento da produção para atender até mesmo o mercado interno estará comprometido.  E o governo sabe disso.

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Prorrogar Kyoto é prorrogar algo que já fracassou.

Durban e o Naufrágio Antecipado da Rio + 20

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O turismo diplomático / temático sobre mudanças climáticas que está sendo finalizado em Durban é risível.  E, segundo John Vidal, editor de meio ambiente do jornal diário que dá a melhor cobertura nessa área, a não mais do que 5 km de Durban, o ar fede.

“Ali, duas refinarias de petróleo, as duas maiores fábricas de papel e o maior terminal de containers da África do Sul; além disso, uma dúzia de indústrias químicas, diversos grandes lixões, 80% da produção industrial de derivados de petróleo do país e uma boa parcela de suas emissões industriais. Os moradores da parte sul de Durban bem sabem o que são as tosses, as tonteiras, as crises de vômito e as dores de cabeça advindas de toda a poluição ali produzida.”

John Vidal cita Desmond D’As, líder da Aliança Ambiental da Comunidade do Sul de Durban, um ex-trabalhador da indústria química.

“Aqui temos todas as substâncias químicas do mundo: etanol, metanol, solventes, toxinas, benzeno, sulfetos, compostos clorados; duas vezes por semana ocorre a queima de gases; vazamentos, explosões e incêndios são comuns; e a poucos dessas fábricas e refinarias vivem 285.000 pessoas.  (…)  Aqui temos as mais elevadas taxas de câncer e de asma da África do Sul.  Um estudo recente mostrou que quase a metade das crianças da área sul de Durban têm asma.  E os níveis de poluição seriam inaceitáveis nos EUA ou em qualquer país rico.”

Os turistas da diplomacia e das ONGs que visitam Durban em nome de um acordo qualquer em torno das mudanças climáticas – ou de qualquer coisa que possa dar a impressão de que alguma decisão importante foi ali tomada – não verão essa área de Durban.

Durban está sendo uma piada!  O Japão, o Canadá e a Rússia já disseram que não apoiarão a extensão da farsa que foi o Protocolo de Kyoto.  A China já deixou claro que terá apenas suas metas internas de redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  Os EUA nunca assinaram qualquer tratado internacional na área de mudanças climáticas; e só está disposto a contribuir para o REDD – a nova moda – se houver transparência na aplicação dos recursos, uma transparência que os países do terceiro mundo não conseguem em nenhum campo de seus investimentos internos em áreas básicas como educação e saúde.

O encontro de Durban antecipa o naufrágio da Rio + 20, que tende a ser um encontro de ONGs que podem ser barulhentas mas confundem movimento com ação e não têm poderes para tomar qualquer decisão.  A Rio + 20 será apenas outro encontro turístico, com a presença mínima e irrelevante de chefes de estado: apenas 12 presidentes e primeiros-ministros esta semana em Durban, contra 120 deles em Copenhague, onde também nada foi decidido.

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No exato momento em que este post é publicado, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) fala nas importantes relações entre o “código”  florestal e o cacau-cabrunca.  A versão remendada do antigo “código” não chega a caracterizar um “novo código”.  A maior parte das bobagens subsistem no “novo”.

Durban – A Farsa do REDD e a Pirataria do Carbono

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Dias antes do início do encontro turístico que se realiza neste momento em Durban, na África do Sul, a Associação Inter-Étnica de Desenvolvimento da Selva Peruana denunciou a nova farsa conhecida como REDD – Reduzindo Emissões do Desmatamento e da Degradação: comunidades de povos da floresta peruana vêm sendo induzidas a assinar documentos objetivando a preservação de milhões de hectares e  acabam perdendo os seus direitos sobre os recursos financeiros do próprio REDD e até ao uso da própria terra.

Algo muito similar ao que já acontece aqui, há tempos, no momento da criação de “reservas extrativistas”.

denúncia - cuidadosamente sonegada pelas grandes ONGs “ambientalistas” envolve dezenas de projetos com uma área total de 20 milhões de hectares.  Esta, sim, é uma verdade altamente inconveniente às vésperas do pré-naufragado encontro de Durban.

O documento, elabora em conjunto com a organização Forest People Programme, encontra-se disponível em inglês e em espanhol.  ONGs, consultores na área de carbono e investidores tem vasculhado as florestas peruanas convencendo comunidades e povos locais que algumas vezes mal dominam o espanhol para propor acordos com promessas de conseguir milhões de dólares em troca da cessão do controle de suas terras para terceiros.

Muitos desses contratos incluem cláusulas de confidencialidade e foram negociados sem qualquer assessoria jurídica para as comunidades vulneráveis à “pirataria do carbono”.

Segundo uma reportagem do The Guardian, esse tipo de pirataria já havia sido detectada em Papua Nova Guiné, na África e na Indonésia.  Mais recentemente, tornou-se uma febre na Amazônia, “comparável apenas à corrida de multinacionais para descobrir petróleo ou cultivar látex na região”.

É bem mais fácil para a meia dúzia de ongoleiros em Durban falar sobre mudanças na lei que se pretende um “código florestal” no Brasil e apenas fazer referências à extração de petróleo das areias betuminosas do Canadá do que falar nas dezenas de termelétricas a carvão que vem sendo implantadas nos EUA e das muitas novas frentes de mineração de carvão para exportação para a China que estão sendo desenvolvidas nos EUA e na China.

O “jornalismo ambiental” classe Y da Folha de São Paulo e de O Globo também sonegou esse relatório porque sabe que a juventude urbana “entende” melhor mensagens mais fáceis, já impregnadas na mente da juventude urbana.  Da mesma forma que nada fala sobre as emissões que decorreram da extração de óleo do pré-sal – assunto nada “conveniente”.

E que se danem os “povos da floresta”.  Recomenda-se às autoridades brasileiras – inclusive ao abúlico MMA – que estejam atentos às atividades desses “piratas do carbono” na Amazônia.  Afinal, TODO o problema do REDD e das doações ao miraculoso “Fundo Amazônico” consiste justamente em como fazer a grana chegar até os milhões de brasileiros que vivem na Amazônia sem saneamento, saúde, e outras “pequenas conveniências” tão acessíveis aos Klabins e “ambientalistas” de grandes ONGs estrangeiras ou por elas financiados.

Banco Mundial – Garantia de Mentira

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Balanço fechado, o Banco Mundial informa que no ano passado investiu US$ 3,4 bilhões no combustível fóssil mais sujo: o carvão.

Mas como essa instituição sempre mascara fatos e números, e a mentira tem pernas curtas, o Centro de Informações do próprio Banco discordou da informação e informou que pelo menos US$ 1 bilhão a mais foram gastos com o mega-sujo carvão.  O Centro de Informações incluiu em seus cálculos os investimentos em linhas de transmissão de novas unidades de geração de eletricidade que utilizam carvão como combustível.  Faz sentido.  Fatiar os investimentos que fazem parte de um conjunto é um hábito do Banco para mascarar os seus trampos, assim como no Brasil se fatiam projetos para fins de licenciamento ambiental.

Malandro é o gato, que rouba a sardinha e esconde o próprio cocô!  Ou alguém já ouviu falar de grandes centrais de geração de eletricidade sem linhas de transmissão?  Mentiras vis…  ou infantis!

Como a vida útil de uma termelétrica situa-se na faixa de 40-50 anos, os países induzidos e/ou apoiados pelo Bloody Bank nesses projetos são reféns da energia muito suja por igual período.  Isso no caso otimista de que as unidades de geração térmica não continuem a funcionar além de suas vidas úteis, como é bem o caso de boa parte da geração térmica em sistemas isolados na Amazônia brasileira.

Acrescentem-se a esses investimentos em energia ultra-suja, um bilhãozinho de dólares em extração de petróleo.  Como se sabe, a indústria petroleira é a que mais subsídios recebe no mundo – US$ 470 bilhões em 2010, noves-fora as despesas militares com invasões – e necessita muito de uma “mãozinha” do Banco Mundial.

O Greenpeace e o WWF não se pronunciaram.  Mas a organização Christian Aid - bem mais séria e não comprometida com fontes de financiamento com interesses ocultos – botou a boca no trombone.

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Os números relativos aos empréstimos do Banco Mundial variam ligeiramente em função das fontes, devido à conversão de moedas.

O valor dos subsídios ao petróleo e ao gás tem fonte segura: a Agência Internacional de Energia.  É a tuma dos subsídios que depois fala em “créditos de carbono” através da preservação de florestas.  Eles não têm qualquer pudor em relação ao cinismo deslavado, pelo menos enquanto isso estiver sendo útil para os seus eleitores.  Ao contrário, os subsídios à indústria petrolífera cresceram em US$ 110 bilhões de 2009 para 2010.  É preciso salvar florestas para deter ou adiar mudanças climáticas – insistem!  Esses valores de subsídios não incluem, é claro, as gigantescas despesas militares necessárias às invasões para assegurar os interesses da indústria petroleira.

Um Duto da Sujeira Garante a Liderança dos EUA na Emissão de Gases Causadores de Mudanças Climáticas

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Grandes manifestações populares relacionadas às mudanças climáticas estão programadas para ocorrerem na capital dos EUA nas próximas duas semanas.  O estopim para essa série de eventos foi o intenso lobby que vem sendo feito para que a administração Obama aprove a construção de um novo duto com cerca de 2.500 km – já conhecido como TransCanada.

Se autorizada a construção, esse duto transportará o mais sujo tipo de oleo do planeta: aquele extraído das areias betuminosas da provincial de Alberta, no Canadá.

Os manifestantes, evidentemente, se opõem à construção desse “duto da sujeira” que, se aprovado, transportará 1,1 milhão de barris do petróleo por dia, enriquecendo ainda mais algumas grandes corporações ao custo de tornar os EUA bem mais dependente de combustível fossil da pior qualidade.  Afinal, a invasão do Iraque para assegurar suprimentos de petróleo não deu aos EUA a “segurança energética” que a motivou.

Essas manifestações estão planejadas para ocorrer entre 20 de agosto e 3 de setembro e incluirão a presença de representantes dos mais diversos grupos sociais: de pequenos produtores rurais do Nebraska a grandes latifundiários do Texas, de professores de Wisconsin até líderes indígenas canadenses, de renomados cientistas a celebridades do mundo das artes.

Os manifestantes sabem que se arriscam à prisão por desobediência civil se ocuparem os espaços em torno da Casa Branca.  E mais de 1.500 já confirmaram que estão dispostos a isso.  De fato, a licença para a construção desse “duto da sujeira” significará o abandono de outras alternativas de segurança energética propostas pela administração Obama e rejeitadas pelo Congresso norte-americano.

Um renomado cientista/especialista em climatologia norte-americano – James Hansen – posicionou-se favoravelmente às manifestações afirmando só medidas muito drásticas evitarão um aumento catastrófico da temperatura  do planeta.  Entre essas medidas, a redução a zero do uso de carvão como fonte de enegia no prazo de 20 anos.

“Liberem as imensas reservas de carbono das areias betuminosas do Canadá e poderá ser declarado o fim do jogo para o combate às mudanças climáticas.”

Os moleques ongolóides que tanto fingem que as mudanças na lei brasileira cujo apelido é “código florestal” causarão um grande dano à imagem do Brasil no teatrinho da Rio + 20 que ocorrerá em breve ainda não se pronunciaram sobre a construção do duto da sujeira nos EUA.  Lá, como em outros países sérios, eles silenciam porque ninguém presta atenção no que dizem.

Estima-se que as emissões de CO do petróleo recuperado a partir das areias betuminosas seja 30% mais alta do que aquelas provenientes da queima do petróleo comum. 

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A exploração de areais betuminosas não era economicamente viável até há cerca de uma década.  Com o  novas tecnologias e a previsão de futuros aumentos nos preços do petróleo convencional, crescem os investimentos na produção desse tipo de combustível fóssil.  As reservas já dimensionadas e recuperáveis existentes só no Canadá e na Venezuela são duas vezes superiores às reservas ainda existentes de petróleo convencional no Oriente Médio - 3,6 trilhões de barris contra 1,75 trilhões de barris.

O “governo nacionalsita” de Hugo Chavez já concedeu a uma grande petroleira os direitos de exploração desse óleo na região do Orinoco.  Se alguém, sinceramente, acredita que as petroleiras vão recuar dianta das oportunidades dessa nova fonte de imensos lucros em prol de algum tipo de “energia renovável”, boa sorte.

Para os onolóides gringos no Brasil, é mais lucrativo bater o tambor sobre a floresta amazônica.  Assim, pelo menos, desviam a atenção desses outros “detalhes” como a produção de combustíveis fósseis de muito pior qualidade.

Abaixo, uma imagem do delta do Orinoco, bacia hidrográfica ainda razoavelmente intocada e que literalmente irá para o belelléu com o avanço da esploração de areias betuminosas na região.

Vazamentos de Petróleo “Secretos” e a Marcha da Hipocrisia

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“Vazamentos potencialmente letais de petróleo e gás ocorrem no Mar do Norte com freqüência semanal” – noticiou o jornal inglês The Guardian nesta semana.  As informações só foram fornecidas pelo governo da Inglaterra com base numa lei que assegura a liberdade de informações e de acesso a documentos do governo ou sob a sua guarda.

O império da hipocrisia não cessa de brindar o grande público com novidades desse tipo.  Há que proteger a Amazônia para evitar o caos climático… mas sem deixar de abrir novas fronteiras de exploração de petróleo no Ártico ou no tal do pré-sal (denominação marqueteira).  E sem rampouco deixar de abrir novas e imensas minas de carvão que será exportado para a China que depois será responsabilizada por emitir CO em demasia para produzir produtos que serão consumidos os países que mais se dizem engajados no combate às mudanças climáticas.

Os documentos obtidos pelo The Guardian fazem parte do banco de dados da autoridade de regulação da saúde e da segurança ocupacional na Inglaterra.  Esse banco de dados é alimentado voluntariamente desde um grande acidente ocorrido em 1988 no qual 167 trabalhadores morreram.   Tais documentos referem-se apenas a vazamentos classificados como “grandes” ou “significativos” – aqueles que podem resultar em muitas mortes.

A Shell (anglo-holandesa) e a Total (francesa) aparecem na lista como as empresas que causaram mais vazamentos no Mar do Norte.

Na opinião do jornal, essas novas informações representam um sério golpe para a credibilidade do governo que apóia o “fervoroso desejo” das petroleiras de explorarem o petróleo do Ártico.  Recentemente, o ministro da energia, Charles Cairn, afirmou que tais operações nas águas do Ártico são “totalmente legítimas” desde que respeitado a “robusta” regulação de segurança da Inglaterra. (as aspas são do próprio The Guardian).

“Outros acidentes são mantidos em silêncio, afirmam ativistas, porque os trabalhadores temem perder os seus empregos caso os reportem.  Segundo um veterano, ainda que a todos seja dito que qualquer coisa errada deve ser reportada, na prática as equipes aderem a um código de conduta informal para manter o silêncio e evitar paralisar o bombeamento de petróleo em função dos prejuízos que podem ocorrer para as empresas.”

Metas de redução de emissões de CO só podem ser alcançadas com a redução do consumo de combustíveis fósseis.   Isso ainda não foi alcançado apesar de signficativos avanços no uso de energias renováveis e no campo de eficiência energética.  A mera conservação de florestas como forma de assegurar que essas emissões não aumentem é tolice.

Nem mesmo plantando florestas em áreas maiores do que as originàis à época da chegada de Cabral seria possível ”compensar” as crescenes emissões de carbono.  Os países europeus que se comprometeram com metas investem em coisas rentáveis – seja na área de energias renováveis ou de eficiência energética, e exportam indústrias com altas emissões de CO.  Ou promovem a destruição de florestas na Ásia e na África para produzir bioombustíveis! 

Então, seria bem mais produtivo parar de fazer de conta com discursos de folhetim!

Dia Mundial do Meio Ambiente – Sobre Marina Silva Antes e Depois do Poder

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Em algum momento, Marina Silva teve uma preocupação saudável com o povo da Amazônia, com os Amazônidas.  Aparentemente, depois que começou a andar demais nos tapetões do poder e nos emaranhados de $alamaleque$ internacionais, esqueceu de suas origens.  Nada diferente de muitos outros.  Essa coisas inebriam e corrompem as percepções, as crenças, os sentimentos.

Num trecho da reportagem de Leonard Schapiro já aqui mostrada em diversas partes, há imagens anteriores à decadência moral e política na qual agora se encontra, uma fala em que expõe os seus “antigos”pontos de vista sobre questões fundamentais ligadas à proteção das florestas amazônicas:

“Como é que a gente faz para preservar essa floresta e ao mesmo temo você ter direito a alimentar os seus filhos, ter escola para o seus filhos, viver uma vida digna num lugar em que você escolheu para viver?

“Se não, nós vamos transferir o problema mais uma vez para os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos vão continuar com as mesmas práticas e os mesmos procedimentos.  E aí essa conta não vai fechar.”

Na época em que Leonard Schapiro veio ao Brasil fazer essa reportagem, encontrava-se pendente no Congresso dos EUA uma proposta de legislação limitando as emissões de carbono no país.  Obama tentou mais de uma vez fazer com que o Congresso aprovasse leis sobre energias renováveis, eficiência energética e emissões de carbono.  Levou uma sova dos Republicanos, as propostas não foram aprovadas e o assunto morreu.  Os recursos para manter as florestas nativas (dos outros) não apareceram ou apareceram como fração desprezível daquilo que foi anunciado ou estimado pela ONU como necessário para atingir metas aceitáveis nesse campo.

Agora, com as posições que adota sobre a manutenção de um Código Florestal que não será modificado porque nunca foi de fato promulgado – por ser inaplicável e insensato -, vale perguntar:  onde foi que Marina Silva se perdeu?

Sim, porque não há indícios de que ela ainda se preocupe com a pergunta original: como fazer para preservar florestas e ter recursos para alimentar os filhos e viver com dignidade nas florestas?  Por viver com dignidade entenda-se ter acesso não apenas à alimentação, mas a serviços básicos de saúde, habitação, saneamento e, modernamente, comunicações.

De fato, hoje em dia, ela parece ter feito a sua opção pelo Greenpeace, o WWF e outros chacais zumbientalóides gringos que a cada dia exercem mais influências sobre o já enfraquecido governo Dilma.  Esses,  injetam grandes quantidades de dinheiro no Brasil para impor idéias colonialistas, falando de uma Amazônia SEM GENTE, como o Éden deles.  Exceto, é claro, nas ocasiões em que precisam de minérios.

Essa é, também, a linha seguida pelo MMA que, como mostra a reportagem de Leonard Schapiro, cria Reservas Extrativistas com acenos de apoio aos antes chamados “povos da floresta” e depois os abandonam sem sequer considerar a alternativa dos sistemas agro-florestais já desenvolvidos pela EMBRAPA e apoiados por ONGs brasileiras sérias.

Divirtam-se com a parte final da reportagem e feliz Dia do Meio Ambiente.

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Ainda com o desprezo que os outros países tenham pelo Partido Republicano, talvez valha refletir sobre um “detalhe” desse combate às emissões de carbono através da preservação de florestas: não será excesso de cinismo falar nisso e omitir que o Brasil pretende avançar rapidamente na produção de petróleo?