Archive for the 'Mudanças Climáticas' Category

Código Florestal e Extinção de Espécies – Terrorismo Ambiental X Ciência

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Com os recentes debates sobre o Código Florestal, palpites e divagações sobre o potencial de extinção de espécies se disseminaram.  Isso torna os cidadãos urbanos comuns vulneráveis os aos abaixo-assinados feitos pela internet, ideológicos mascarados com previsões científicas.  E confunde o Ministério Público e o Judiciário - já que a lei brasileira inclui diversos conceitos jurídicos indeterminados, isto é, que requerem pareceres de cientistas para a sua aplicação.  E, nessa área, os cientistas certamente NÃO SABEM muito mais do que sabem.

Aos fatos!  Até Darwin, a noção de “espécie” tinha um caráter pragmático: um masculino e um feminino que produziam um ser semelhante, masculino ou feminino, num processo que poderia continuar para sempre até que algum evento externo ou relacionado à adaptação causasse a extinção da espécie.

Mais recentemente, criou-se o conceito de “árvore das espécies”, que inclui todo o processo de mutação gradativa que já havia sido anotado por Darwin desde as primeiras etapas da viagem do Beagle, quando observou a mudança gradativa de um pássaro – os fringilídeos -, família que inclui os pintassilgos, pintarroxos, papa-figos, e diversos outros.  Ou seja, dentro de uma mesma família com várias subfamílias existem diversas espécies.  E nessa observação encontra-se um dos fundamentos da Teoria da Evolução Através da Seleção Natural ou A Preservação das Espécies Favorecidas na Luta pela Vida.

Esses fundamentos não se alteraram.  Mas os avanços da genética – cromossomos, DNA, etc –  permitiram o surgimento de outras teorias com nomes que pressupõem uma “cientificidade”, com precisão apenas aparente, tais como a Teoria da Evolução Assíncrona ou a Teoria Combinatória das Espécies e das Estruturas de Ramificações (Tree-like).  Esta última, usando modelos computacionais, procura dimensionar as “espécies” que podem ou não ser denominadas como tais.

Com isso, os cientistas-pesquisadores ficaram excitados com a possibilidade de descoberta de uma nova espécie até mesmo na parte de trás do jardim de suas residências norte-americanas!  E os números ganharam proporções surpreendentes quando comparados com aqueles do período em que os naturalistas avançaram sobre novos domínios geográficos nos séculos XVIII e XIX.

Mais recentemente, o Projeto Árvore da Vida, da Fundação Nacional de Ciências do governo dos EUA vem se esmerando em tentar classificar tudo, em dar nome a tudo, incluindo um projeto de filogênese ou evolução das unidades taxonômicas de 1.700.000 espécies.

Mas o pretenso avanço do conhecimento “científico” termina por reconhecer que não tem a mais vaga idéia de quantas espécies realmente existem.  O projeto “Árvore da Vida” estima que podem existir entre 2 milhões e 10 milhões de espécies no planeta, e reconhece que são conhecidas apenas cerca de 10% dessas espécies.  E isso para não falar nas que se encontram em processo de mutação, de aparição ou desaparição.

E as pesquisas continuam, e as áreas geográficas pesquisadas se ampliam – os oceanos, o fundo dos oceanos, a Antártida, a copa das árvores.  Amplia-se, também, o campo do tamanho das espécies: insetos, bactérias, micróbios.

Assim, por exemplo, há poucos dias foram divulgados resultados de um trabalho de dez anos sobre espécies existentes nos oceanos, pesquisa que envolveu a colaboração de 360 cientistas do mundo inteiro.  A conclusão foi que estima-se que existem 230.000 espécies de plantas e animais nos oceanos.  Ao final do trabalho, alguns cientistas reconheceram que a maioria das espécies continuará sem uma denominaão e desconhecida.

A rápida extinção de espécies é atribuída a vários fatores, como a pesca excessiva e predatória.  As novas ameaças são o aumento da temperatura e a acidificação das águas.  Informações divulgadas há poucos dias sobre os resultados deste censo sobre a biodiversidade dos oceanos podem ser encontradas em www.coml.org.

Além disso, outras estimativas recentes indicam que a quantidade de fitoplancton – que está na base da cadeia alimentar dos oceanos – reduziu-se em 40% no século passado, em particular a partir dos anos 50.  Os resultados do estudo foram publicados pela revista Nature e os cientistas acreditam que esse decréscimo é amplamente decorrente do aumento da temperatura dos oceanos.  Um resumo do relatório pode ser encontrado, em inglês, em

http://www.independent.co.uk/environment/climate-change/the-dead-sea-global-warming-blamed-for-40-per-cent-decline-in-the-oceans-phytoplankton-2038074.html

Não é de se admirar, então, que leitores de textos de divulgação científica com maiores oportunidades profissionais nesse campo de pesquisa ou que podem obter rendimentos com campanhas de proteção dos ecossistemas se empolguem na direção de seus interesses pessoais ou tribais em detrimento de qualquer bom senso no campo das ciências humanas.  “Que se danem os humanos!” – poderia ser o seu lema.  Um grupo de interesse como qualquer outro.

Do ponto de vista jurídico, afirmar a necessidade de “proteção do fluxo gênico” no texto legal já tem gerado grandes impasses.  Um conceito tão abstrato só poderia mesmo ter sido incluído na lei através de Medida Provisória gestada nos gabinetes de ministérios ocupados por ONGs.

A esse tipo de questionamento deve-se acrescentar um pequeno detalhe: as grandes doações para as pesquisas são provenientes de países que não subscreveram à Convenção Sobre a Biodiversidade, e de corporações que pouco se interessam por princípios éticos ou por direitos humanos dos “povos da floresta’ quando se trata de auferir lucros.

Mas, para assegurar o marketing, esses grupos usam sempre imagens daquilo que o amazônida Ciro Siqueira denomina “macro-fauna carismática”: animais visíveis e bonitos, com ursos panda ou ursos brancos.  Os primeiros foram salvos por cientistas chineses – e não por ambientalistas.  Os últimos tendem a ser extintos pelas mudanças climáticas induzidas pela produção e pelo consumo excessivo dos países altamente industrializados (a China é grande fonte de emissão, mas a sua economia é voltada para a exportação e para o consumismo nesses países “avançados”).

É possível conhecer um número significativo de espécies sem paralisar o dinamismo natural da vida – inclusive humana – nos países em desenvolvimento?  Não é por menos que os muito ricos estão fazendo os seus “bancos de genes” que, é claro, não compartilharão com os demais.

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Como já expressei em MUITOS artigos publicados neste blog, não creio que o atual modelo de consumo de países altamente “desenvolvidos” associado ao crescimento populacional do planeta seja algo “sustentável”, com ou sem mudanças climáticas e ornamentos do tipo “responsabilidade corporativa” ou leis fraturadas sobre responsabilidade compartilhada pela geração de resíduos.  Mas tentar atribuir a “responsabilidade” por um eventual colapso ambiental às imprescindíveis mudanças no Código Florestal brasileiro é pura bobagem ou máscara para ocultar interesses escusos.

Limites às Emissões de Carbono – Senado dos EUA Abandona Projeto de Lei e Todos se Calam

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O Senado dos EUA decidiu abandonar qualquer tentativa para aprovar um projeto de lei que limitaria às emissões de carbono dos maiores poluidores do país. O projeto, aprovado por pequena margem pela Câmara dos Deputados, ficou engavetado no Senado por um bom tempo antes de ser definitivamente abandonado em decorrência da resistência tanto de republicanos quanto de democratas.

O silêncio das grandes ONGs sobre o assunto é ensurdecedor.  Nenhum “ativista” algemou-se a um poste diante do Congresso, nenhum senador foi acusado de “exterminador do futuro”.  Nada!  Uma parte do silêncio talvez se deva às dúvidas sobre se essa decisão resultará em aumento ou em redução das doações para as campanhas de proteção de florestas em outros países.

Os argumentos dos senadores para a decisão foram simplórios: a criação de uma taxa federal sobre as emissões de carbono seria passada para os consumidores elevando os preços da eletricidade e dos combustíveis, além de incentivar a indústria a transferir atividades para outros países colocando em risco empregos nos EUA. Ponto.

Os congressistas respondem, evidentemente, às pressões dos lobbies das petroleiras, das carvoeiras e das geradoras de eletricidade, mas se houvesse um clamor de uma parte significativa dos eleitores, a lei seria aprovada, ainda que com as usuais brechas para que a “compensação” fosse feita com as usuais promessas de uns trocados para proteger florestas tropicais.

Esta última hipótese, aliás, deve ganhar impulso. Afinal, Obama terá que se pronunciar de alguma forma no próximo encontro internacional sobre mudanças climáticas a ser realizado no México. Aí, muito provavelmente, a parolagem sobre a necessidade de preservação das florestas deve ser útil para mascarar o usual e radical desinteresse dos EUA pelo “bem comum da humanidade”.

Falar sobre preservação das florestas dos outros e nunca sequer mencionar a recusa dos EUA no que se refere  subscrever à Convenção Sobre a Diversidade Biológica tem sido uma marca registrada dos discursos tanto do governo quanto das grandes ONGs internacionais.

Certa vez, à época em que o Congresso norte-americano recusou-se, pela primeira vez, a ratificar a Convenção Sobre a Biodiversidade, uma subsecretária (vice-ministra) de Justiça do governo dos EUA comentou entre amigos:

“Eu não compreendo. Afinal, tudo o que a Convenção diz é que os países de onde se originarem os recursos biológicos para a produção de bens com valor de mercado terão direito a uma participação justa nas receitas das empresas que produzirem esses bens. Uma participação justa é tão vago! Qual seria a contraproposta: uma participação injusta?”

Ela estava errada!  A proposta real é de participação zero na comercialização de produtos elaborados com base em material genético das florestas tropicais.

Com a decisão norte-americana, não é improvável que a Inglaterra continue a afrouxar as iniciativas relacionadas ao cumprimento de suas próprias leis sobre mudanças climáticas. Afinal, a Inglaterra há muito se comporta mais como uma província dos EUA do que como um país membro da União Européia.

Em ambos os casos, falar sobre florestas em outros países é mais fácil do que assumir responsabilidades com mudanças internas. E ninguém sequer menciona, por exemplo, outras iniciativas que poderiam auxilar a redução dos gases causadores de mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, tais como a transferência de tecnologias na área das energias renováveis e da eficiência energética.

Para não ficar “mal na fita”, o Senado dos EUA deverá aprovar uma lei ampliando a responsabilidade das petroleiras em caso de vazamentos de petróleo.

Os EUA continuarão a ser o segundo maior responsável pela emissão de gases causadores de mudanças climáticas do mundo. Até recentemente, quando foram superados pela China, eram o primeiro da lista. Mas há que se dizer que o orçamento do governo da China para energias limpas está sendo, em 2010, o dobro do orçamento dos EUA para os mesmos objetivos.

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Para quem quiser ver os dados internacionais disponíveis com o ranking das emissões por país e por capita (sem o ufanismo brasileiro até nesse campo), os links abaixo são muito esclarecedores:

http://www.nationmaster.com/graph/env_co2_emi_percap-environment-co2-emissions-per-capita

Os dados constantes da Wikipedia também são interessantes e, na página, há um link para as informações da Agência Internacional de Energia que podem ser visualizados tanto em PDF quanto em Excel (em ambos os formatos, disponíveis para dowload).

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_carbon_dioxide_emissions_per_capita

Junho – O Mes Mais Quente da Terra Desde 1860

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Artigo de John Vidal – publicado no The Guardian de 16 de setembro de 2010

Junho de 2010 foi o mês mais quente da Terra e o quarto mês consecutivo em que a temperatura combinada da terra e do mar bateu recordes de elevação, informou o Centro de Dados Sobre o Clima do governo dos EUA.

Os números divulgados ontem à noite pela Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) indicam que 2010 tende a ser o ano mais quente da história desde 1880, quando os registros de temperatura se iniciaram. A tendência a um mundo mais quente é agora inquestionável.

Segundo a NOAA, junho foi o 304o mês consecutivo em que a temperatura combinada da terra e do mar ficou acima da média do século XX. A última ocorrência de temperatura abaixo da média se de deu em fevereiro de 1985.

Todos os meses com a temperatura global mais elevada desde 1880 ocorreram nos últimos 15 anos, com o período mais quente anterior tendo ocorrido na primeira metade de 1998.

Temperaturas anômalas ocorreram na Espanha, com o mais frio mês de junho desde 1997, e em Guizhou, no sul da China, que teve o mais frio inverno registrado. De acordo com O Centro do Clima de Pequim, a Mongólia Interior, Heilogjiang e Jilin tiveram os meses de junho mais quentes desde o início dos registros, em 1951.

Os cientistas expressaram a sua surpresa com o fato da temperatura da terra exceder o recorde anterior em 0,11 graus centígrados.

“Essa grande diferença na área terrestre contribuiu muito para o total da anomalia da temperatura combinada da terra e da água” – afirmou John Leslie, um porta-voz da NOAA.

Medições de outro satélite, processados pelo Centro Nacional de Dados Sobre Neve e Gelo, no Colorado, mostram que a extensão do gelo no Ártico foi a menor, neste mês de junho, desde que essas medições começaram, em 1979.

A capa de gelo do Oceano Ártico cresce a cada inverno e diminui no verão, chegando à sua menor extensão em setembro. A média mensal em junho de 2010 foi 10,87 quilômetros quadrados.

A cobertura de gelo estava diminuindo a uma taxa média de 88.000 quilômetros quadrados por dia no mês de junho.

Em mais uma possível indicação do aquecimento global, a geleira Jokobshavn Isbrae, uma das maiores da Groenlândia, perdeu 2,7 milhas quadradas de gelo e recuou uma milha entre os dias 6 e 7 de julho, uma das mais elevadas reduções do glacial já registradas. O glacial, que é uma extensão da cobertura de geral da Groenlândia, reduziu-se 6 milhas desde o ano 2000 e 27 milhas desde 1850.

Acredita-se que essa geleira é a maior fonte de contribuição para a elevação do nível do mar no hemisfério norte. A cobertura de gelo da Groenlândia é uma grande placa de gelo antigo com 1.700 quilômetros quadrados está se reduzindo atualmente a taxas mais elevadas do que há poucas décadas.

Calcula-se que desde o ano 2.000 essa cobertura de gelo perdeu cerca de 1.500 km cúbicos de água, o suficiente para elevar o nível do mar em 5 milímetros.

Se toda essa camada de gelo se transformasse em água, o oceano subiria cerca de 6 metros. Os glaciologistas demonstraram surpresa com a velocidade das fraturas do glacial: “Isso não é usual, já que ocorre depois de um verão quente durante o que nenhum gelo se formou na baía… e nos leva a acreditar na teoria de que o aquecimento dos oceanos é responsável pela perda do belo observada na Groenlândia e na Antártida”, afirmou Thomas Wagner, cientista da NASA.

***

A leitura dessas informações nos leva a refletir sobre as razões pelas quais os países altamtente desenvolvidos não se enpenham em transferir tecnologias de energia renovávais e de eficiência energética – incluindo os marcos regulatórios e os esquemas de financiamento – para os países em desenvolvimento.

Ao contrário, como se viu no artigo anterior, concedem créditos de carbopno mas novas usinas termelétricas a carvão que utilizam as tecnologias por eles desenvolvidas.  Business as usual.  Enganam apenas os trouxas e os ingênuos quando afirmam que estão verdadeiramente interessados no bem estar geral da humanidade.  Eles têm as suas políticas de segurança energética e alimentar, os seus programas de adaptação às mudanças climáticas, e os menos desenvolvidos se quiserem e puderem devem pagar pelas novas tecnologias;

Florestas Aqui, Emissões Lá – Os “Vazamentos” dos Créditos de Carbono

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A farsa do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e dos Créditos de Carbono criados pelos países altamente industrializados com forte apoio do Banco Mundial começa a resultar em novos e lucrativos negócios de implantação de termelétricas a carvão, altamente poluentes.

John Vidal, editor de meio ambiente do jornal inglês The Guardian, denunciou a brincadeira em artigo publicado na última quarta-feira, 14 de julho.

“A ONU se prepara para canalizar bilhões de dólares de dinheiro público dos países ricos para que as grandes empresas de energia construam 20 grandes termelétricas a carvão, altamente poluentes, na China e na Índia sob a alegação de que elas emitirão menos dióxido de carbono do que as atualmente existentes.”

As informações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas(IPCC, na sigla em ingles) mostram que 12 empresas já apresentaram projetos para obter créditos de carbono que subsidiarão essa iniciativa, e assim não terão que reduzir as suas emissões em seus países de origem. Essas empresas conseguirão subsídios de cerca de US$ 5,25 bilhões (ou R$ 9 bilhões) em créditos de carbono aos preços atuais desse mercado.

“A corrida das empresas para tirar vantagens dos Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL da ONU acelerou-se depois que da aprovação do projeto do grupo indiano Adami para a construção de duas grandes termelétricas em Mundra, na província de Gujarat. A Adami receberá US$ 37,5 milhões (R$ 63,8) por ano ao longo de toda a vida útil de suas novas termelétricas para adotar tecnologias denominadas ‘super-críticas’, que queimam carvão a temperaturas mais baixas e emitem 30% menos dióxido de carbono do que as tecnologias convencionais.”

Na verdade, a tecnologia agora denominada ‘super-crítica’ teve a sua primeira patente concedida em 1922 e começou a ser testada na Alemanha em 1927. Desde então, aperfeiçoamentos foram introduzidos gradativamente até a construção da termelétrica de Yaomeng, na China, em 2001, considerada uma referência tecnológica.

Em abril deste ano, um gigante da mineração de carvão – a Eskom, da África do Sul – recebeu um controvertido empréstimo de US$ 5,6 bilhões do Banco Mundial para construir a maior termelétrica do mundo com o uso desse combustível sujo. Sozinha, essa nova termelétrica emitirá mais dióxido de carbono do que o total emitido por 115 países do mundo.

A Eskom já informou que apresentará proposta para se credenciar a receber créditos de carbono para “compensar as emissões” de uma nova termelétrica a carvão na Inglaterra de maneira a assegurar que este país atinja as suas metas de redução de emissões.

De fato, um recente relatório da União Européia relativo ao comércio de créditos de carbono em 2009 mostrou que uma grande parte do total de US$ 1,2 bilhão em créditos de carbono adquiridos por empresas européias para compensar as suas emissões de carbono para subsidiar a redução das emissões de indústrias do mesmo ramo em países em desenvolvimento.

As termelétricas a carvão competem, assim, com recursos que deveriam ser destinados à promoção de energias limpas.  Os “vazamentos” do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo parecem tão grandes ou maiores do que o vazamento da BP no Golfo do México, ainda que mascarados de políticas públicas internacionais para a redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  E tudo com as bençãos dos governos dos paises altamente desenvolvidos, do IPCC e do Banco Mundial.

Inglaterra – O Lema É: Emissões Aqui, Florestas Lá

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O governo da Inglaterra – que tanto fala sobre a necessidade de proteção das florestas amazônicas e das reservas indígenas – não está adotando medidas suficiente para cumprir com as metas legais do pais para a redução da emissão de gases causadores de mudanças climáticas.

É o que afirma um recente relatório do Comitê sobre Mudanças Climáticas   entregue ao Parlamento: “da maneira que está agindo, o governo não atingirá as metas legais para 2020”.

Resumindo, a Inglaterra se prepara para descumprir a sua própria lei sobre mudanças climáticas. “Florestas lá, Emissões Aqui” – poderia ser o lema dos governos da Inglaterra e dos EUA (onde uma lei sobre a redução da emissão de gases causadores de mudanças climáticas permanece engavetada no Senado).

Os cientistas afirmam que a continuidade das emissões dos países altamente industrializados pode resultar na destruição de boa parte das florestas amazônicas, com amplas áreas se transformando em algo semelhante às savanas africanas.  Ou seja, não importa quais sejam as medidas adotadas no Brasil, essas florestas tendem a serem altamente impactadas pelas mudanças climáticas se os demais países não cumprirem metas de redução de suas emissões.

O relatório do Comitê Sobre Mudanças Climáticas – independente – pode ser encontrado em sua página na internet, em www.theccc.org.uk.

Nele, o Parlamento é informado que a redução de 8,6% nas emissões inglesas ocorrida no ano de 2009 decorre, em sua quase totalidade, da recessão econômica, e não da implementação de políticas consistentes com as metas.

O Comitê alerta para o fato de que com o fim da recessão as taxas de redução das emissões não serão compatíveis com a meta de redução de 34% do CO até 2020 em relação ao ano-base de 1990. E ainda ressalta que o cenário é bastante pior se a meta for de uma redução de 42%, que está sendo negociada com a União Européia.

“A recessão criou a ilusão de que estão sendo feitos progressos em direção ao cumprimento das metas” – declarou Lord Turner, presidente do Comitê e ex diretor geral da Confederação da Indústria Britânica.

O Comitê, independente, foi estabelecido exatamente para monitorar as ações do governo e reportar ao Parlamento sobre a adoção e a implementação de políticas consistentes com as metas legais.

No relatório, o Comitê manifesta a sua preocupação com o fato de que o orçamento do Ministério do Transporte para subsidiar a infra-estrutura necessária ao aumento do número de carros elétricos, bem como a substituição da frota atual de veículos seja insuficiente e mesmo de que seja drasticamente reduzido em função das medidas de contenção de despesas que o governo britânico pretende adotar.

O interessante – para os que tentam acusar a ‘bancada ruralista” no Congresso de propor mudanças no caduco Código Florestal brasileiro – é que o Comitê enfatiza a necessidade de que sejam estabelecidas novas regras para o uso de fertilizantes nitrogenados pela agricultura britânica, já que esses fertilizantes liberam óxidos de nitrogênio, que também contribuem de maneira significativa para as mudanças climáticas.

Em resumo, o governo inglês está na rota de descumprimento de sua própria lei enquanto fala sobre o “desmatamento ilegal’ em outros países.

O Greenpeace da Inglaterra permaneceu em silêncio depois de divulgado o relatório do Comitê.

The Nature Conservancy – Cai a Máscara da Proteção Ambiental?

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Abaixo, em “azul petróleo”, a tradução integral de uma notícia recentemente publicada pelo The Washington Post, o principal jornal da capital dos Estados Unidos.  A notícia mostra alguns dos vínculos da The Nature Conservancy – também conhecida como TNC – com a British Petroleum – BP.

A The Nature Conservancy tem forte presença no Brasil e não perde a oportunidade de se meter nos debates do Congresso Nacional sobre o Código Florestal, algo que, em seu país de origem, já teria motivado uma investigação sobre as suas fontes de recursos financeiros.

Entre as suas inúmeras peraltices já feitas no Brasil, The Nature Conservancy ganhou dinheiro intermediando a aquisição de terras no Brasil para assegurar créditos de carbono para a General Motors, para American Electric Power – AEP e para a Chevron Oil.  Só a ADP, que é responsável pelas mais elevadas emissões de carbono nos EUA com o uso de carvão muito sujo, financiou a compra de uma área maior do que a ilha de Manhattan.

 Um curto documentário sobre o assunto, em inglês mas com trechos em português, foi feito por Mark Schapiro para a rede pública de rádio e televisão pública dos EUA: PBS.  O vídeo, no qual estão sendo colocadas legendas em português, pode ser visto no link ao final deste post.

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A NATURE CONSERVANCY SE DEFRONTA COM POTENCIAIS DANOS DECORRENTES DE SUAS LIGAÇÕES COM A BRITISH PETROLEUM.  

 
Nos dias que sucederam à evidência de quer era imenso o derramento de óleo no Golfo do México, muitos dos que apoiavam a Nature Conservancy nos EUA usaram a sua própria página na internet para expressar a sua raiva.
 
 ”A primeira coisa que eu fiz foi vender as minhas ações da BP, não querendo manter qualquer tipo De relação com uma empresa tão irresponsável” – escreveu um.  O outro adicionou: “Eu gostaria de forçar todos os executivos da BP, as secretárias e os acionistas a sairam para o litoral para recolher óleo e para limpar os pássaro”.  Reagan De Leon, do Havai, conclamou a um boicote de “tudo o que a BP tocar”.
 
“Oh, waw”, De Leon disse quando soube da profundidade de relação entre a ONG sem fins lucrativos que ela ama e a companhia que ela odeia.  “Isso é muito perturbador”.
 
A Nature Conservancy, já lutando para proteger os bancos de ostras do vazamento de óleo, agora se defronta com um novo problema: a forte impacto da percepção negativa que as pessoas que a apoiam tem quando ficam sabendo que o gigante do petróleo e uma das maiores ONGs ambientalistas do mundo forjaram, há muito tempo para emprestar à BP a imagem de amiga da Terra e ajudar a Nature Conservancy a lutar pelas causas que ela ama.
 
O oléo que vaza do poço da BP agora ameaça um bom número de alianças entre conglomerados de energia e ONGs sem fins lucrativos.  Pelo menos um grupo, o Conservation International, reconhece que deve reavaliar as suas conexões com as empresas petroleiras, de maneira a proteger a sua própria reputação.
 
“Esse vai ser o verdadeiro teste para as doações que recebem grupos como a Nature Conservanc”, declarou Dean Zerbe, um advogado que vem investigando as relações da ONG com os seus doadores desde que trabalhou para o Comitê de Finanças do Senado norte-americano.
 
“O vazamento não apenas mancha a BP, mas se não tivermos respostas apropriadas, também mancha aqueles que receberam as doações e o apoio.”   Alguns puristas acreditam que os grupos ambientalistas deveriam manter uma razoável distância de alguns tipos de corporação, particularmente daquelas cujo principal negócio causa riscos ambientais.
 
Eles argumentam que se o vazamento da BP mostrar o seu lado mais negativo eles serão vistos como teno feito acordos com o demônio.   No lado oposto encontram alguns que se descrevem como pragmáticos que, como a Nature Conservancy, afirmam que é através de parcerias como essas que se cria a mudança em larga escala.
 
“Qualquer pessoa séria sobre o conservacionismo nessa região deve unir-se a essas empresas, de maneira a que não sejam apenas uma parte do problema mas possibilitando a que essas corporações restaurem uma parte significativa desse incrível ecossistema”, o escreveu o presidente da Nature Conservancy, Mark Tercek, na página da ONG na internet depois das críticas daqueles que apoiam a ONG.
 
A ONG, baseada em Arlington, não fez segredo de suas relações com a BP, um entre muitos que forjou com grandes corporações multinacionais.
 
A página da Nature Conservancy na internet lista a BP como membro do Conselho de Lideranças Internacionais da Nature Conservancy.   A BP foi um dos maiores doadores para um projeto da Nature Conservancy que teve por objetivo a proteção de uma floresta na Bolívia.
 
Em 2006, a BP doou à ONG cerca de 300 hectares de terra no Condado de York, na Virgínia, onde se planeja fazer uma gestão da vida silvestre.  No Colorado e em Wyoming, a Nature Conservancy trabalhou com a BP para limitar os danos ambientais da extração de gás natural.
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Uma pergunta “indiscreta”: qual será o salário de Mark Tercek, presidente da The Nature Conservancy.  Ainda entendendo e aprovando o princípio adotado nos EUA de que diretores de instituições sem fins lucrativos, o salário do presidente de um WWF-US – na faixa de US$ 30.000 / mês – parece bem elevado, mesmo para padrões norte-americanos.
Vale notar que uma ONG pode ajudar pouco ou nada em matéria de “limitar danos ambientais” de uma grande petroleira.    Aqui, o vídeo da PBS – Public Broadcasting System – dos EUA.

Nele, representantes da The Nature Conservancy se recusam a falar com o jornalista norte-americano diante das câmeras, enquanto o “parceiro” brazuca deita falação. 

http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/video/flv/generic.html?s=frow03n3f67qead

Ambientalistas Gringos “Salvam o Planeta”?

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Voce sabe o que é um “endowment”?  Acha que as ONGs (sem fins lucrativos) são apenas essas de meio ambiente?  Então, vale ir aos fatos, como me foram sumariamente descritos por um membro do Conselho de Administração do WWF numa cerimônia na embaixada do Brasil em Washington): ”it is all about money, my friend”, ou “é apenas um questão de grana, meu amigo”.

Aos fatos! 

As grandes universidades norte-americanas são ONGs, isto é, são organizações sem fins lucrativos.   Harvard, Yale, todas!  Não são, como no Brasil, máquinas de fazer dinheiro com a crendice popular e de vender diplomas.  Destinam-se realmente à educação!  Elas recebem doações que vão para um fundo que não pode ser tocado – esse é o endowment.  A cada ano, para pagar as suas despesas correntes, essas ONGs utilizam apenas os rendimentos de seus respectivos fundos..

Por que alguém faria doações tão vultosas?  Bem, é simples: a lei norte-americana permite aos doadores de grandes fortunas receberem, após uma certa idade, os rendimentos de suas doações SEM IMPOSTOS até o final de suas vidas.  Assim, se o cara chegou a US$ 100 milhões e já deu a parte dos filhos, e ele quer parar de trabalhar, vale mais doar e ficar com os rendimentos do que investir como pessoa física e pagar impostos.  Parece claro, não?  It is all about money!  E o doador ainda fica com as “honras da casa” – a universidade construirá um laboratório ou biblioteca com o seu nome!

Ocorre que nas últimas décadas as ONGs que atuam na área de meio ambiente ganharam grande visibilidade, e assim um WWF, por exemplo, chegou a ter um endowment total de US$ 22 bilhões – um dos maiores dos EUA.  Até há alguns anos, esse rio de dinheiro chegou a render até 20% ao ano ou mais, ou seja US$ 2,2 bilhões por ano para serem gastos com meio ambiente.

E aí, saiu dinheiro pelo ladrão, e eles começaram a criar filiais em outros países.  Mas foram espertos o bastante para colocar a “séde” na Suiça, para evitar confusões tributárias com os países que recebem essa grana de fora.  E também foram espertos o suficiente para procurar estabelecer conselhos de administração locais com representantes das famílias mais ricas de cada país.  Assim, ficam todos com as consciências tranquilas.

Assim vivem, aqui, os Greenpeaces, as TNCs (The Nature Conservancy), Conservation International e outras cujos coquetéis para arrecadação de fundos em seus países de origem, há que se dizer, são maravilhosos.

O assunto chama mais atenção quando um deles coloca um anúncio na televisão brasileira, em horário nobre, falando da importância de preservar a Mata Atlântica – anúncio em que se vêem caboclos ou caiçara ou similares em canoas pescando em meio a paisagens luxuriantes.  Tudo sobre o “bom selvagem” – o mito da humanidade pura nos tempos modernos ou quase -, sem nada sobre a vida real atual deles.  E, menos ainda, sobre a importância de que os EUA assinem a Convenção Internacional Sobre a Biodiversidade de maneira a começar a pagar pelo material genético surrupiado da mesma Mata Atlântica.  Quanta impostura!

A pergunta é: de onde vem esse dinheiro e o processo decisório?

Como Brasília parece não gostar de perguntas complicadas e ninguém aponta o dedo na origem espúria dessas granas, vale apenas olhar o vídeo que está no link abaixo.  Será que essa turma acha MESMO que vai “salvar o planeta” ou há uma agenda oculta nesse lero-lero todo?

http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0

Evidentemente, há ONGs sérias também, de todos os tipos.  É apenas a mesmice do bom selvagem aqui e do Volvo híbrido lá que chama a atenção para o duplo padrão moral de algumas.

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Por precaução, não assine petições online sobre temas ambientais quando contenham apenas slogans e outras ameaças de fim do mundo!  E nunca acredite nos “bancos mundiais” da vida.  Eles são apenas bancos e nenhum país jamais se desenvolveu com base em seus empréstimos.

“Florestas Tropicais – Uma Solução para a Agricultura dos EUA”

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O título deste artigo pode ser encontrado numa campanha desencadeada pelo agro-negócio norte-americano para evitar a competição de produtos agrícolas importados de países como o Brasil e cuja página na internet pode ser visitada em http://www.adpartners.org.  Aí, rasga-se a fantasia da grande fraternidade dos países ricos com os nobres objetivos da proteção das florestas tropicais como fator de redução das mudanças climáticas.

Na página de mais essa “máfia” que finge ter interesses legítimos na proteção das florestas tropicais há um relatório contundente onde se pode ler:

“A destruição das florestas tropicais para a produção agrícola, de gado e de madeira levou a uma dramática expansão da produção de commodities que competem diretamente com produtos dos EUA. A proteção das florestas tropicais aumentará a renda dos produtores norte-americanos em US$ 221,3 bilhões.  Neste relatório podem ser encontrar dados estado por estado, e por setores do agronegócio tais como carne, soja, óleos vegetais, madeira, e etanol.”  O relatório pode ser baixado clicando-se em sua capa em http://adpartners.org/agriculture/.  O título é “Fazendas Aqui, Florestas Lá – Desmatamento nos Trópicos e a Competitividade do Agronegócio e da Indústria Madeireira dos EUA”.  É o jubileu do cinismo”

No vídeo,  que pode ser visto em http://adpartners.org, para o qual infelizmente não há subtítulos ainda que a página na internet mencione como parceiros vários atores de outros países, encontra-se uma farsa que se já se tornou usual: a responsabilização das queimadas em florestas tropicais para as mudanças climáticas utilizada como forma de ocultar as elevadíssimas emissões dos países altamente industrializados como os EUA. 

Entre essas emissões, as provenientes da produção agrícola totalmente mecanizada e dependente de insumos derivados de petróleo, desde os combustíveis até os fertilizantes.

Mas o resumo do que é dito no vídeo que serve de âncora para a campanha é simples, demasiadamente simples:

“As queimadas em florestas tropicais são responsáveis por mais emissões do que aquelas geradas pela totalidade dos carros, caminhões, aviões e navios” – afirma a peça publicitária do agro-negócio norte-americano.

 “Você sabia que salvando as florestas podemos economizar bilhões de dólares para os consumidores norte-americanos? Você sabia que salvando as florestas empregos nos EUA serão protegidos? Que salvando as florestas criam-se oportunidades de trabalho nos EUA?”

As imagens de queimadas nas florestas são sucedidas de imagens de americanos felizes dirigindo os seus tratores!

E continua a publicidade impostora: “não são necessárias novas tecnologias, não são necessários novos sistemas”.  E aí, imagens do Congresso norte-americano, como instância que pode proteger o agronegócio dos EUA.

Esses são apenas alguns dos grupos de interesse que sempre impediram que os EUA subscrevessem ao Protocolo de Kyoto ou adotasse qualquer meta de redução da emissão de gases causadores de mudanças climáticas e que agora lutam para que não seja aprovada a lei sobre o assunto que se encontra parada no Senado norte-americano.

Entre os parceiros dessa iniciativa são listadas algumas ONGs dos EUA que atuam no Brasil. Agora é possível saber quem financia quem no jogo de lobbies em torno do Código Florestal brasileiro. 

Ninguém de bom senso acredita que o inverso seria possível, isto é, que ONGs brasileiras ou financiadas por brasileiros possam fazer lobby junto a congressistas norte-americanos e dar palpites em questões de política interna sem terem as suas fontes de receita vasculhadas pelo FBI e pela CIA.

***

Vale evitar a demagogia “ambientalista” em torno de um debate sereno sobre o Código Florestal no Congresso Nacional.  Até porque os profissionais, pesquisadores e cientistas altamente qualificados que trabalham diariamente no controle da poluição nos órgãos estaduais de meio ambiente, os da EMBRAPA, os do INPE, e outros, não são otários e não se auto-denominam “ambientalistas”.  Os ambientalistas sérios não ficam por aí fazendo teatrinho de guerrilha para dar a impressão de que são muitos.

Bloom Boxes – Grandes Avanços em Células de Combustível

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Arnold Schwarzenegger, Colin Powel, altos executivos da Google e do Walmart estiveram entre as personalidades que compareceram há dois dias ao lançamento oficial de uma nova e promissora fonte de energia renovável desenvolvida por um ex-cientista da NASA e testada ao longo dos últimos 8 anos: um novo tipo de célula de combustível denominada Bloom Boxes.

Trata-se de uma célula de combustível – fuel cell, é o nome em inglês -, um tipo de “bateria” que converte hidrogênio e oxigênio em eletricidade através de reações eletroquímicas, com grande vantagem sobre as que já vem sendo desenvolvidas e testadas há bastante tempo em diversos países desenvolvidos, agora com a enorme vantagem de utilizar, em sua fabricação, um material abundante na natureza: areia.  Os modelos anteriores utilizam materiais raros como a platina, e altamente corrosivos.

Com a nova tecnologia, uma célula do tamanho de um tijolo é suficiente para gerar energia suficiente para assegurar o suprimento de energia de uma casa média, considerados os padrões de consumo dos países altamente industrializados.  Um equipamento desse tipo do tamanho de um congelador comum é suficiente para abastecer 100 casas, com o potencial de tornar obsoletas as linhas de transmissão e de distribuição de eletricidade.

Uma unidade desse tipo com a potência de 400 kW já se encontra instalada e em operação há 18 meses na sede da Google, tendo gerado energia durante 98% do tempo em que foi mantida em operação, com a geração medida de 3,8 milhões de kWh de eletricidade.  A Coca-Cola, o Walmart e o Federal Express incluem-se entre os clientes que já estão testando a nova fonte de energia.  O fabricante – Bloom Energy – já levantou US$ 400 milhões junto a investidores privados para continuar o desenvolvimento de sua tecnologia e iniciar a produção em escala comercial.

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As “Bloom Boxes” também emitem CO, mas como são duas vezes mais eficientes que as fontes convencionais de energia existentes nos EUA, pode-se afirmar que as emissões de CO cairão em 50% se a tecnologia de disseminar rapidamente.  No atual estágio de desenvolvimento, uma célula de combustível desse tipo ainda custa US$ 700.000, mas o fabricante prevê uma significativa queda nos preços à medida que a produção ganhar escala.   “Os usuários poderão recuperar o investimento inicial num prazo estimado entre 3 e 5 anos” – afirma o cientista que desenvolveu a tecnologia.

“Em poucos anos, esse tipo de célula de combustível será usada nas edificações como um provedor de energia, tão simples quanto um painel fotovoltaico, com a vantagem de gerar energia dia e noite.”

A tecnologia sempre foi a grande vantagem dos países ricos.   E o governo brasileiro se orgulha por estar se preparando para comprar trens de alta-velocidade da China ou da Coréia para ligar o Rio de Janeiro a São Paulo, de olho nas eleições, quando não resolveu sequer o problema fundamental de assegurar o amplo acesso à educação primária gratuita.

Se não houver uma solução tecnológica para a redução das emissões de gases causadores das, não haverá solução nenhuma.  Só num quadro de subestimação do papel do desenvolvimento tecnológico e de falta de políticas públicas para assegurar o aumento da eficiência energética é que preservação das florestas pode continuar sendo a única contribuição do Brasil para esse problema planetário.  Nesse passo, vamos terminar exportando areia para importar geração de energia com alta tecnologia.

Mais informações e imagens sobre as Bloom Boxes podem ser encontradas – em inglês – na página da empresa na internet – www.bloomenergy.com.

Arquitetura Ambiental e Casas Flutuantes – A Holanda Se Adapta às Mudanças Climáticas

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Ao longo de toda a sua história, os holandeses conviveram com esforços para se proteger do mar e ampliar o seu território, construindo comportas e fazendo aterros.  Utilizaram moinhos de vento para bombear a água continuamente para fora, e assim criaram espaços para novas cidades e até mesmo para pastagem de seu gado bem como para a agricultura.  Sem esses essas iniciativas de muito longo prazo e sistemas, metade do território da Holanda estaria submerso.

Ainda assim, em 1953 mais de 1.800 pessoas morreram em decorrência de grandes inundações no sul da Holanda, lá chamadas de dilúvio.  Essas inundações ficaram na memória do país como ‘”o desastre”.  O resultado foi a construção de uma mega-barragem que pode ser vista na foto abaixo

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Não se tem notícias de que durante essa mega-obra ativistas do Greenpeace – organização sediada na Holanda – tenham aparecido lá para protestar contra os impactos sobre a vida marinha ou a paisagem, e ainda menos que tenham invadido o parlamento para se algemar a cadeiras e mesas.   

Na década passada, duas novas inundações ocorreram, em 1993 e em 1995, causando prejuízos de bilhões de dólares.  Isso alertou ainda mais a consciência dos holandeses para os riscos das mudanças climáticas e, considerando-as inevitáveis, as autoridades passaram ao planejamento de longo prazo, com programas de décadas – a principal diferença entre os países sérios e os países periféricos.

As iniciativas locais também se multiplicaram e lá começaram a surgir casas flutuantes ou casas-embarcações, uma forma de aprender a conviver com as mudanças climáticas.  Não é algo de se espantar, pois que a maioria dos barcos ancorados nos canais de Amsterdam já são mesmo residências.  A grande diferença está na arquitetura e nos níveis de conforto.  Tais casas são construídas em terra firme e estão sendo desenhadas para flutuar quando o nível das águas subir, ainda que por um ciclo.

Sem fundações, as casas ficam atadas por cordas a pontos de fixação e têm os seus sistemas de eletricidade, abastecimento de água e esgotamento sanitário feitos através de tubulações mais longas e flexíveis.

Na verdade, vilarejos inteiros estão sendo assim projetados, tendo Maasbommel sido o primeiro – é fácil copiar e colar o nome no software de busca do computador e ver imagens como a de abaixo.

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Vilarejos flutuantes existem na Ásia há muito tempo como uma forma de adaptação às enchentes periódicas, e também é possível encontrar um grande número de casas flutuantes em toda a Amazônia.  Mas essa abordagem feita por um país altamente desenvolvido não deixa de ser muito interessante.

Agora, vá alguém sugerir algo semelhante nas áreas mais sujeitas aos impactos das mudanças climáticas no litoral do Brasil ou mesmo nos grandes afluentes do rio Amazonas, onde casas flutuantes e sobre palafitas já existem, ainda que mais frequentemente como favelas flutuantes.  Como seria vista uma proposta semelhante pelo “exército da salvação” ambientalista que tenta transformar as amarrações do Código Florestal  em sinal do fim dos tempos.  Começariam dizendo que as casas estão nas faixas marginais de proteção dos canais com todo o blá-blá-blá vazio subsequente, sem qualquer consideração sobre as especificidades locais – como o potencial de erosão dos solos – ou da engenharia adotada, para não falar nos aspectos culturais.

Quanto aos aspectos culturais vale elogiar as posições recentes da Comissão Pastoral da Terra em defesa das populações ribeirinhas!