Archive for the 'Mudanças Climáticas' Category

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Compre-se a África! – A Europa Quer Biocombustíveis…

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“Empresas inglesas compraram mais terras na África para fazer as tão controvertidas plantations para a produção de biodiesel do que empresas provenientes de qualquer outro país” – demonstrou uma investigação do jornal The Guardian (onde ainda existe jornalismo investigativo).  Cerca de 1,6 milhão de hectares ou a metade das plantações para a produção de biodiesel identificadas em países africanos como Moçambique e Senegal pertencem a empresas inglesas.  Rápido! – precisamos de um jornalista ou político cretino do Brasil para converter a área para calcular o número de campos de futebol que caberiam nessa área.  Mas isso seria inútil, porque o que se tentou não foi dimensionar as áreas totais em todos os países africanos, mas usar alguns para ver em que proporção a velha Inglaterra voltou a saquear a África.

De fato, mesmo as ONGs ambientalistas mais sérias reconhecem que o uso de terras agrícolas para a produção de biocombustíveis está entre as principais causas dos aumentos nos preços dos alimentos e do crescimento do número de famintos.  Em especial na África, onde em muitos países a propriedade da terra não existe e governos corruptos podem simplesmente alocar, alugar, arrendar terras para grandes corporações, expulsando as populações tradicionais para áreas marginais.  Quem se importa?  É preciso que a Europa anuncie que atingiu metas de uso de energias renováveis!  Depois as ONGs inglesas vão lá estimular a repressão para que essas populações não cortem árvores.

Não existe um sistema de cálculo da área total já ocupada por empresas inglesas e de outras nacionalidades na África sub-saariana – constata o The Guardian -, mas a investigação indicou a existência de 100 projetos de 50 empresas em 20 países.  Uma única empresa inglesa – que se diz produtora de “energia verde”, a Crest Global Green Energy – detem o total de 900.000 hectares em tres países.  O governo brasileiro que não cosnegue fazer uma reforma agrária minimamente decente precisa mandar representantes do MST para lá, para lutar contra os grandes latifundiários!  Enquanto isso, a Crest Global continuará se dizendo uma empresa com responsabildiades socio-ambientais!  Eles não são umas gracinhas?

Uma outra empresa inglesa – a Sun Biofuels (os nomes de fantasia são ótimos) – abocanhou 8.000 ha na Tanzânia onde plantou pinhão manso (Jatropha curcas) para a produção de biodiesel destinado ao mercado europeu.  A empresa alega que a produção de pinhão manso não compete com a produção de alimentos porque… a noz dessa planta não é comestível.  A cara de pau consegue se superar!  Ah – o outro argumento é relacionado ao fato do pinhão manso poder ser produzido em “terras marginais”, “inadequadas para outros tipos de agricultura”.   Mentira!  Exatamente como a mamona, o pinhão manso até cresce em terras marginais, mas par para que isso ocorra de maneira economicametne viável é preciso água, fertilizantese e pesticidas!

E, por falar nisso, onde é mesmo que foi parar o Programa Nacional de Biodiesel que iria utilizar mamona?  Afinal, a Brasil Ecodiesel pegou caminhões de dinheiro com o Banco do Nordeste do Brasil para fazer isso e sumiu, deixando produtores e os cofres do banco de mãos abanando.

Os “investidores externos” convenceram o governo da Tanzania a aprovar, em 2010, diretrizes para o plantio destinado à produção de biocombustíveis:   eles não têm que fazer o refino no país e nem reservar uma parte da produção para consumo local.  Depois a Transparência Internacional inglesa vai dizer que esses governos são corruptos!

Além disso, há o mito dos benefícios dos biocombustíveis para o combate às mudanças climáticas!  O Instituto Europeu de Políticas Ambientais estima que o deslocamento de pessoas para a produção de biocombustíveis resulta em desflorestamento em níveis que farão com que as emissões de carbono superem os benefícios do uso desse tipo de combustível em 35%, já em 2011 e em 60% em 2018.  Atualmente, esse impacto direto não é nem considerado nas diretrizes européias sobre as reduções de emissões de gases causadores de mudanças climáticas.

O Greenpeace e o WWF ainda não se pronunciaram!

O capital para investir na expulsão dos africanos de suas terras é frequentemente levantado no Mercado de Investimentos Alternativos da Bolsa de Londres.   É isso que chamam de “perversão de valores”?

Há outros países europeus investindo em projetos de biocombustíveis na África, como Itália, Alemanha e EUA.  Empresas brasileiras também estão investindo na África para a produção de alimentos e de biocombustíveis!  Lá não existe Código Florestal e se a população afastada das terras mais férteis for derrubar florestas os números não serão nem percebidos.  No momento, o que os “ruralistas americanos” temem para valer é a competitividade dos produtos agro-pecuários brasileiros!

Em alguns dos projetos analisados os arrendamentos são feitos por 100 anos por valores irrisórios e com prioridade no uso dos recursos hídricos!

Mas o presidente da Sun Biofuels, Richard Morgan, insiste: “Nossa empresa produz biocombustíveis de maneira sustentável e ética.  Nós aceitaríamos de bom grado padrões mais elevados de sustentabilidade, mas há que se considerar o desenvolvimento econômico.  Se voce é “um local” (da Tanzânia ou de Moçambique) e precisa de um emprego, voce provavelmente não se interessa por saber onde os orangutangos dormem à noite.  Além disso, é insultuoso afirmar que os governos africanos não sabem gerenciar os seus próprios países”.

Divirtam-se com a “sustentabilidade” dos europeus e dos ingleses em particular!  E façam bom uso de suas doações para ONGs que defendem a Amazônia.  Aliás, onde é mesmo que foi parar o tão decantado “Fundo Amazônico”?

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A empresa estatal chinesa de agro-negócios Beidahuang também participa da busca global por terras produtivas e recursos hídricos.  Assim, discretamente assinou um contrato com o governo da Patagônia, na Argentina, que permitiu a aquisição de 320.000 hectares de terras privadas, juntamente com os direitos para captação de água para irrigação e a concessão de um porto para a exportação dos alimentos a serem produzidos nessas terras.

 

Escassez de Alimentos – Uma Tendência à Crise Permanente

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A Oxfam, uma confederação de 15 ONGs tradicionalmente sérias, divulgará amanhã um relatório indicando que o preço dos alimentos básicos mais do que dobrará nos próximos 20 anos, conduzindo a um retrocesso sem precedentes no desenvolvimento humano.

As populações mais pobres do mundo, que gastam cerca de 80% de seus rendimentos com a compra de comida, serão as mais fortemente atingidas.  Segundo o relatório, o mundo está entrando numa era de crise alimentar permanente com inevitáveis turbulências políticas.

O relatório indica que o preço do milho aumentará em cerca de 180% até 2030, em grande parte como decorrência das mudanças climáticas.

Depois de décadas de redução na fome em todo o mundo, os números estão aumentando rapidamente, à medida que a demanda cresce mais do que a produção.  As taxas médias de crescimento da produção de alimentos foi reduzida quase à metade desde 1990 e está destinada a se reduzir a menos de 1% na próxima década.

“Uma combinação devastadora de fatores criaram as condições para o crescimento da extrema pobreza.  As mudanças climáticas, uma luta global por terra e água, a aceleração da transformação de alimentos em biocombustíveis, o crescimento da população global, mudanças nas dietas dos países, e a escassez dos recursos naturais – são esses fatores.”

A principal executiva da Oxfam, Barbara Stocking, criticou a excessiva concentração de poderes das corporações que atuam no setor alimentar, em particular no comércio de grãos de na produção de agroquímicos.

A divulgação do relatório da Oxfam acontece logo após um alerta da ONU sobre a possível elevação dos preços dos alimentos a patamares sem precedentes nas próximas semanas, desencadeando tensões sociais nos países em desenvolvimento.

Esse relatório merece reflexão no Brasil que se encontra numa bifurcação entre a segurança alimentar e uma hipotética proteção ambiental resultante da gradativa ampliação das restrições ao uso da terra através de Medidas Provisórias que alteraram o Código Florestal e Resoluções casuísticas do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA.

A manutenção dessas regras nunca antes votadas pelo Congresso Nacional é defendida por instituições como a obscura Academia Brasileira de Ciências – ABC, cuja posse da nova diretoria ocorreu recentemente com um coquetel no Golden Room do Copacabana Palace.  É bem fácil falar na proteção da biodiversiddade e em “biomas” sem seres humanos tomando um drinque e comendo salgadinhos em lugares refinados.  Enquanto isso, os agrônomos que realmente conhecem a produção rural não são consultados e/ou permanecem em silêncio.

A hipótese de um “desenvolvimento sustentável” nunca foi sequer considerada pelos cientistas de verdade que elaboraram os estudos que deram origem às conferências mundiais de meio ambiente em 1972 e em 1992.  Não há indícios de que o crescimento da população e o crescimento econômico possam ser “sustentáveis”.

O Brasil continua sem uma política de segurança alimentar além das bolsas isso e aquilo.  Sistemas de apoio à alimentação e outros não são – ao contrário do que alguns tentam fazer acreditar – um invenção de Lula; existiram e esxistem até mesmo em países hoje altamente desenvolvidos, ainda que com maior ênfase em períodos de guerra ou de crise econômica e similares; nunca com características eleitoreiras e de permanência.

Mudanças Climáticas – Aumentam as Emissões de Carbono

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A possibilidade de conter as emissões de carbono nos limites considerados seguros pelos cientistas para que não seja ultrapassada uma elevação de 2º C nas temperaturas da Terra pode ser apenas uma “bonita utopia” – na expressão do economista-chefe da Agência Internacional de Energia.  Há unanimidade na comunidade científica internacional de que a mencionada elevação de 2º C é o limite para mudanças climáticas “potencialmente perigosas” (a turma do IPCC gosta do dialeto diplomático; a NASA é mais contundente, não precisa de tantos salamaleques).

Em 2010, apesar da mais forte recessão econômica global dos últimos 80 anos, as emissões alcançaram um recorde histórico de crescimento.  Investimentos massivos em energias renováveis tampouco foram suficientes para conter o crescimento contínuo das emissões globais de carbono.  Esse crescimento resultou sobretudo do aumento do consumo de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional de Energia, considerada a referência internacional para as estimativas de emissões de carbono.  O crescimento foi de 1,6 Gt (giga-toneladas).

Nos relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, que o governo brasileiro deveria ler, com essa elevação as chances de amplas áreas da Amazônai se transformarem em savana são significativas.  O efeito será de lá para cá.

O renomado Nicholas Stern, ex-vice-presidente do Banco Mundial e hoje professor da London School of Economics, que coordenou o mais aprofundado estudo sobre os impactos das mudanças climáticas para a economia e para a sociedade, afirmou que as perspectivas são “desesperadoras” (ou mesmo horrorosas, dependendo da tradução da palavra “dire”).  O eatudo, conhecido como  O relatório resultante do trabalho de dezenas de cientistas com diferentes formações foi patrocinado pelo Tesouro da Inglaterra e, publicado em 2006, ficou conhecido como Relatório Stern.  No mínimo o Sumário Executivo é de leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto.

“As mudanças climáticas levarão a migrações massivas e a conflitos”  afirmou Stern.  Com isso, é bem fácil compreender porque a Europa está fechando cada vez mais as suas fronteiras.

Com esses novos resultados e as tendências que dele se deduzem, as mudanças climáticas serão inevitáveis e resultarão em graves abalos no modo de vida de centenas de milhões de pessoas.

Já é devida à Nação brasileira a formulação de uma política de segurança alimentar e energética com base no potencial de cada região.  E os governos estaduais não precisam esperar pelos dinossauros do governo federal para fazerem isso.

Fatih Birol, economista-chefe (ou principal) da Agência Internacional de Energia, disse que além dessas más notícias, 80% das novas plantas de geração de energia que estarão em operação em 2020 serão térmicas que utilizam energia fóssil, já em operação ou em fase de implantação.  Elas não serão desativadas até 2020, e em conseqüência “as reduções das emissões terão que ocorrer em outros setores”.

Entrevistado sobre o assunto, Sir David King, ex-chefe do conselho de cientistas do governo da Inglaterra, declarou que os resultados agora divulgados mostram que o elo entre o crescimento econômico e o crescimento das emissões de carbono não foi quebrado.

“Os únicos que duvidavam disso eram aqueles que não estavam lendo a situação de maneira apropriada” – afirmou.

Segundo ele, as pesquisas em curso mostram que o principal caminho utilizado pelos países altamente industrializados para reduzirem as suas emissões foi transferir a produção para outros países, como a China. (No Brasil, talvez o melhor exemplo seja a Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro, que ganhou “créditos de carbono” para vir da Alemanha para cá.)

O relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) ainda não foi publicado e as informações foram conseguidas pelo jornal inglês The Guardian.

Segundo o jornal, os vazamentos das usinas nucleares japonesas tornam as perspectivas ainda piores.

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A Inglaterra está entre os países que não conseguem reduzir as suas emissões de carbono mas com frequência manda uns trocados, uns recados, e até príncipes e ministros para falar ou pagar para que falem sobre a necessidade do Brasil proteger as florestas amazônicas em nome do combate às mudanças climáticas.

Com a palavra, a turma que acha que o desmatamento na Amazônia é uma das principais causas das mudanças climáticas.

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Em suas projeções,  a Agência International de Energia – IEA não contabilizou os mega-projetos de exploração de novas reservas de carvão para exportação que estão sendo licenciados nos EUA e na Austrália.

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Os que cantam em prosa e verso a necessidade de replantio de reservas legais nas florestas amazônicas em função das mudanças climáticas não têm mais este argumento farsante.  Entre eles, a estranha aliança entre os ruralistas norte-americanos e ONGs ambientalistas “brasileiras” (manda quem paga, obedece que tem juízo).

 

Código Florestal – Enfim, Fatos! E Até Um Pouco de Bom Senso..

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São tantos os absurdos e visões parciais publicadas sobre a aprovação de uma proposta mínima de atualização do código florestal que vale ouvir um pouco de verdade!  Parabéns do jurista Luis Carlos Silva de Moraes.

Fora isso, num surto de bom senso, um membro de uma “OSCIP” (a sigla foi criada para disfarçar o americanismo que vinha de NGO, aqui transformado em ONG), num artigo hoje publicado no Estado de São Paulo, admite:

” (…) o texto votado na Câmara não atendeu a sociedade em geral, que deseja proteção, recuperação e uso das florestas, nem o produtor rural. A norma omite apoio ou incentivo econômico para recuperação. De nada adianta diminuir faixas de preservação ciliar de 30 para 15 metros: quem não possuía recurso para recuperar 30, não recuperará sequer 15. A questão não é normativa, é econômica. Vale também para a reserva legal: sem um mecanismo de mercado que viabilize a troca de ativos florestais, simplesmente não vai ter regularização, seja o que for que a lei reze.”

Ou seja, o tal do “bioma” está se lixando para o código que não é código mas uma mera lei.  A natureza não cabe numa lei.  Esse “mecanismo de mercado” não existe.  As grandes empresas norte-americanas andaram preocupadas com o “compensação” das emissões de carbono através da conservação de florestas enquanto havia riscos de que o Congresso dos EUA aprovasse algum tipo de lei determinando a sua redução progressiva.  Como isso não aconteceu – e nem acontecerá! -,  as ofertas mágicas de recursos para um fantástico “fundo amazônico” ficaram no papel.   E tanto EUA quanto muitos outros países que tanto falavam em florestas – Inglaterra, Noruega – optaram mesmo foi por avançar na exploração do petróleo do Ártico, em prol da “sustentabilidade das emissões de carbono”.

O Anarcopetismo, a Vontade de Poder e o “Código” Florestal

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ANARCOPETISMO
De uma víbora, ao ver a decomposição da base do governo na Câmara durante o vota-não-vota do Código Florestal:
“O presidente da Casa, Marco Maia, se entende com José Dirceu e Rui Falcão, que não se entendem com o líder do governo, Cândido Vaccarezza, que se entende com Antonio Palocci e Dilma Rousseff”.
Todos petistas.
(publicado na coluna de Elio Gaspari de domingo, 15.05.2011)

O poder, na maioria das vezes, não tem qualquer relação com o interesse público ou com os interessess estratégicos de uma nação.  Bastante ao contrário, ele se nutre de si próprio e se consuma nos sentimentos mais medíocres de derrota X vitória.  É amplamente autista, com momentos de orgias grupais que se alternam com desejos de vingança.  O poder pelo poder é o que caracteriza, no momento, o tal “debate” sobre o inútil e apenas emblemático Código Florestal.  Tudo o que os profissionais mais sérios de meio ambiente afirmaram ao longo de dezenas de depoimentos no Congresso e em audiências públicasa ficou para trás nesse confronto de egos mal definidos.  E essas vaidades supérfluas tem sido usadas com frequência pelo oportunismo das ONGs e pelos  políticos ecofascistas que tampouco querem ouvir a opinião de ninguém, ou melhor, odeiam o contraditório.

Aqui, vale citar o excelente artigo de Dora Kramer, intitulado Zona de Risco, publicado no Estado de São Paulo na mesmo dia 15.

“Os líderes do governo, do PT e do PMDB na Câmara, deputados Cândido Vaccarezza, Henrique Eduardo Alves e Paulo Teixeira, oficializaram no início da madrugada de ontem sua condição de meninos de recados do Palácio do Planalto.

“Ignorando a autonomia dos mandatos, os mandamentos do Congresso e o preceito da respeitabilidade pessoal, os três mudaram de posição em pleno encaminhamento de votação do novo Código Florestal e passaram a defender o descumprimento de acordo assinado horas antes.

“Por quê? Porque o governo mandou, diante da possibilidade real de vitória do destaque da oposição que retirava do texto a prerrogativa de o Executivo comandar o setor agrícola por decreto.

“Não foi um recuo qualquer. O processo de votação havia sido iniciado com o exame de requerimento do PSOL e do PV pedindo a retirada do projeto de pauta.  (…)

“Bastou um telefonema de Antonio Palocci, da Casa Civil, para que com a mesma cara lisa de quem antes defendera o acordo, o líder do governo, Cândido Vaccarezza, voltasse à tribuna para denunciar o acordo. Alegou a existência de pontos obscuros e passou a orientar as bancadas a – como as manadas – caminhar no rumo oposto e votar “sim” ao adiamento.

Não havia nada de obscuro, apenas o governo percebeu que perderia no voto e resolveu desrespeitar a maioria.” (os grifos são nossos; a cordial expressão de Dora Kramer “comandar o setor agrícola por decreto” pode ser compreenedida como “o poder de chantagear o setor agrícola com ameaças de decretos”).

Alguém, sinceramente, acha que os personagens ignóbeis citados acima estão interessados em pareceres técnicos ou em estratégias de longo prazo para a Nação brasileira, ou para a segurança alimentar, ou para pequenos ou grandes produtores rurais?  Tsc, tsc, tsc.  Querem o poder que se nutre de si mesmo, numa autofagia insana.

A solução sensata seria estabelecer diretrizes e exigir que também o poder público estadual ou municipal fizessem a sua parte , como nos países sérios.  Mas não, eles querem leis cuja especificidade é tamanha que a sua aplicação se torna inviável.  Faixas marginais de proteção?  Todos concordam!  Onde e com que dimensões?  No Brasil, o poder público que deveria se encarregar da gestão ambiental jamais conseguiu sequer determinar às hidrelétricas que definissem, em campo, as áreas sujeitas à erosão e que devem ser reflorestadas, e nelas reguladas as atividades que podem ser exercidas.

Enfim, Palocci temeu mais o caseiro que sabia das coisas do que se interessou pelos destinos da Nação e pelo bom senso.  E Dilma, omite-se.  Eles – assim como as Marinas Siva da vida e seus acólitos, que sempre preferirram Medidas Provisórias – não gostam de votações e de Congressos Nacionais com um mínimo de autonomia.  Olham para tudo sob a ótica anêmica e emburrecida do “ganhar X perder” nos detalhes irrelevantes.  Mas não estabelecerão prazos para que o MMA faça, por exemplo, o georreferenciamento das nascentes e muito menos dos parques nacionais, ainda que isso seja exigido dos produtores rurais de todos os tamanhos.  Para eles, o pau que bate em Chico só bate em Chico mesmo.

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É preciso chegar a TV Al-Jazeera para mostrar algo que a TV Globo nunca mostaria sobre a Amazônia, e que as Madres Marinas de Xapuri e seus acólitos preferem não ver.  Entre outras coisas, o trabalho perigosíssimo e pessimamente remunerado de crianças na Amazônia.   Divirtam-se, se conseguirem!  E ainda bem que a Al Jazeera não mostrou a disseminada prostituição de menores.

Código Florestal – Como os Ruralistas dos EUA Influenciam Decisões sobre a Nação Brasileira

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 De que lado está o Executivo federal na questão do Código Florestal?  Do lado do voto, da Nação brasileira, da “imagem” do Brasil no exterior (como ocorreu com FHC) ou dos interesses dos “produtores rurais” norte-americanos?  É bem difícil de saber, já que o Executivo não apresenta números, não conhece e nem quer saber de fatos (não ouve a EMBRAPA, por exemplo) e move-se apenas no pântano das conveniências de um “consenso” indecente que dispensaria a própria existência do Congresso Nacional apenas para não dar a impressão de que houve uma “derrota”.  Um pouco de tudo!

“Produtores rurais” norte-americanos vai entre aspas porque eles são altamente subsidiados, e uma grande parte – senão a quase totalidade – desses subsídios vai para o bolso dos fabricantes de equipamentos altamente sofisticados, pesticidas químicos muito danosos ao meio ambiente, fertilizantes derivdos do petróleo, e sementes transgências controladas por empresas do tipo Monsanto.

Aqui, é possível ver como o agri-business gringo se organizou para influir nas decisões sobre o Código Florestal brasileiro!  Essa peça publicitária foi produzida juntamente com um estudo em que se demonstra o quanto o agri-business dos EUA ganharia com a imobilização do território brasileiro em nome de “princípios” de gestão ambiental que lá não existem (eles são bem mais sérios e a prova disso são os resultados alcançados).  O estudo indica números na faixa de US$ 200 a US$ 300 bilhões de ganhos nas áreas de óleos vegetais, soja, carne e madeira.  Além de empregos assegurados no setor do agro-negócio dos EUA, o estudo, aqui encontrado na versão original em ingles, poderia ser intitulado os interesses do agro-negócio norte-americano no Código Florestal brasileiro!

Ambos foram posteriormente mascarados com interesses sobre a proteção da biodiversidade e do combate às mudanças climáticas – e outros trololós -, para que não ficasse evidenciada a indecência absoluta dos propósitos puramente comerciais da ONG dos ruralistas dos EUA (que, vale dizer novamente, inclui interesses nos mais diversos setores da economia daquele país, já que derivados de milho encontram-se presentes em grande parte dos alimentos processados industrialmente no país).

O vídeo fala por si mesmo e o uso de imagens de uma Amazônia pristina, sem gente, é exemplo da mais pura calhordice.  Até mesmo o uso de um curto trecho da mesma filmagem do corte de uma árvore, ora num sentido, ora no outro (ou seja, as imagens são as mesmas, apenas revertidas), é mais um “detalhe” desse tipo de pressão comercial à qual o Executivo brasileiro se rendeu.

Parabéns para eles!  Aos vencedores, as batatas.

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No “princípio”, essa turma fez Obama levou à farsa programada da Conferência de Copenhagen ao final de 2009  a “promessa” de um compromisso de US$ 1 bilhão para a preservação de florestas.  A própria Noruega fingiu ter o mesmo compromisso doando uns trocados que sumiram na poeira da estrada (mas que à época eram apenas uma fração do que o país havia investido na compra de caças militares para proteger os seus interesses na extração de petróleo no Ártico).  Aqui, anunciou-se a constituição de um mitológico Fundo Amazônico.  Tudo foi logo esquecido e não se tocou mais no assunto. 

Amazônia, Mudanças Climáticas e Código Florestal

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Enquanto o Brasil perde tempo com o debate infindável sobre um “Código” Florestal inútil, absurdo, com traços de Ordenações Manoelinas, tem gente fazendo pesquisa séria, e não são as ONGs.

A “suspeitíssima” NASA acaba de divulgar uma análise dos impactos da seca de 2010 sobre as florestas amazônicas.

“Entre julho e setembro de 2010, uma seca severa atingiu a bacia Amazônica. O rio Negro, tributário do rio Amazonas, atingiu o seu mais baixo nível em 109 anos. E incêndios espontâneos foram de controle esparramaram fumaça nas áreas de seca. Mas como isso tudo afetou as árvores?”

Os cientistas – e não as ONGs – já observaram que um maior número de brotos de folhas de árvores ocorre durante os períodos de vazante. Talvez uma reação da vegetação à escassez de água. Mas a seca de 2005 matou árvores e reduziu esse crescimento em locais cuidadosamente monitorados. Com essas observações conflitantes, os cientistas têm um novo desafio: obter indicadores sobre o que acontece com essas florestas nos períodos de seca.

Uma análise mais apurada ”permitirá estimar o que acontecerá em decorrência da aceleração das mudanças climáticas, quando os períodos de seca serão mais freqüentes e mais acentuados” – afima a NASA.

Há anos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE entregou ao Governo brasileiro – e, em particular, à Marina Silva – um extenso relatório sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil, indicando a tendência à transformação das florestas amazônicas em savanas.  Mas quem cuida de “política partidária” ou é “defensor da lei” não se importa nadinha com a opinião de cientistas, e o relatório foi para a gaveta.

Talvez, aí, haja necessidade do IBAMA intensificar a sua fiscalização e determinar que os proprietários façam o replantio das áreas atingidas por incêndios, e que o MP leve à prisão os proprietários que não forem bem sucedidos nessa empreitada.  Afinal, eles devem ser considerados os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas.  E que se danem, juntamente com a tal da realidade.   Que ela – a tal da realidade – adeque-se às leis!

A imagem abaixo mostra as áreas monitoradas pelos satélites da NASA depois de feitas as correções necessárias em decorrência da presença de nuvens e aerossóis.

Seca na Amazônia em 2010

Os pontos em tons vermelhos indicam os de maior redução da vegetação e da fotossíntese em relação às médias normais.

A NASA disponibiliza imagens e suas interpretações através de seu Observatório da Terra.  Com frequência, enchentes anormalmente duradouras e incêndios espontâneos até mesmo em áreas de pastagens podem ser vistas.  E uma newsletter encontra-se disponível para subscrição.

As imagens em vários graus de definição, o artigo e a bibligrafia – que certamente não são de interesse eleitoral dos Pallocis da vida – podem ser encontrados en  2010 Drought in the Amazon Forest.

A NASA também disponibiliza as imagens consolidadas de seus satélites superpostas à imagem Google Earth, para uma melhor localização das áreas afetadas e também para a melhor visualização daqueles que não “curtem muito” essa tal da realidade.

Código Florestal e o Plantio Direto “na Palhada” – Quando o Agricultor Protege o Meio Ambiente e o Jornal Nacional Descobre a Pólvora

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“O fanático  é um novo tipo humano que não quer dar razões nem quer ter razão, mas, simplesmente,  mostra-se diposto a impor as suas opiniões sem nenhuma justificativa além de sua vontade.”Ortega y  Gasset, La rebelión de las massas, 1930)

 

Agora, com a proximidade da votação da revisão do inútil Código Florestal, aumentam as notícias genéricas sobre os tais dos “biomas” – um escapismo para não falar da péssima gestão dos recursos naturais no Brasil – e sobre a necessidade de preservar nascentes e recursos hídricos  -, estes ainda mais abandonados e impactados sobretudo pela omissão do poder público: falta de coleta e tratamento de esgotos, de investimentos em aterros sanitários, de diretrizes para sistemas de drenagem em áreas urbanas que conduzam à recarga dos aquíferos subterrâneos e à redução das enchenntes, e por aí afora.

Entre essas omissões, nunca mencionadas por ONGs e nem mesmo por órgãos do governo, destaca-se, também, a falta de um programa pragmático – isto é, de campo, com metas – para identificar e proteger as áreas de recarga do lençol freático e as tão decantadas nascentes.  Essa, afinal, foi a linha adotada, desde sempre, pela gestão ambiental dos países sérios, que tiveram políticas consistentes e efetivas de proteção de seus recursos hídricos.  Não há por que reinventar a roda!  Mas esssa turma parece não gostar de nada prático e muito menos de trabalhar.

De fato, o conhecimento dos ciclos hidrológicos no Brasil se restringe, na prática, às vazões dos rios para fins de construção de hidrelétricas “unidimensionais”, isto é, projetadas apenas para geração eletricidade.  Nada de contenção de enchentes, assegurar o abastecimento de água para a irrigação ou outra finalidade, e nem mesmo para viabilizar a navegabilidade dos rios.  Isso para não falar nas atividades de lazer e piscicultura.  As hidrelétricas mais antigas nunca foram objeto de licenciamento ambiental, ao contrário das indústrias mais antigas e da prática correntes nos países sérios, onde as passagens para peixes já se encontram implantadas há muito.

Então, voltando às “áreas de mananciais” – expressão genérica – , com as tecnologias hoje à disposição dos “gestores”dos órgãos ambientais, não haveria qualquer dificuldade em estabelecer um programa sério de delimitação em campo e em plantas das áreas de nascentes, de recarga dos aqüíferos subterrâneos, e outras informações relevantes, em tempo relativamente curto, contando com estudantes de geografia, hidrologia, engenharia ambiental, agronomia, etc.  Uma espécie de “projeto Rondon das águas” já foi proposto.  Mas, se aceito, a coisa perderia o charme discreto das idéias abstratas, vagas, sem materialização.

E note-se que a delimitação física, in loco, das diversas categorias de florestas, já estava prevista no Código Florestal de 1934!

Na série de reportagens que o Jornal Nacional iniciou, ontem, sobre o Código Florestal, dá-se o exemplo de um produtor rural do Cerrado que usa o plantio direto “na palhada” como se fosse um caso isolado.  Conveniente para a reportagem superficial e para uma rede de TV que tenta se posicionar como inovadora.  Bobagem para dar a impressão de que a Globo é que descobriu alguma novidade.

O plantio direto na palha é o que preserva efetivamente solos, águas subterrâneas e, em conseqüência, águas superficiais, protegidas dos processos de erosão e de sedimentação pela cobertura permanente dos solos até mesmo com culturas sem valor comercial.  Ao garantir a infiltração lenta de água, ocorre a regularização natural da vazão dos rios!  Nao se trata de um ponto da nascenteou da largura genérica da mata ciliar, mas de toda uma vasta área que contribuiu para a recarga do aquífero que abastece os rios!  E a prática não é novidade, mas encontra-se amplamente difundida no Brasil.

De fato, a área agrícola que utiliza essa técnica de conservação dos solos passou de 260 mil hectares na safra de 1982/1983 para 25.5 milhões de hectares na safra de 2005-2006.  E isso sem a intervenção do governo – ou com apoio limitado a alguns agrônomos dos órgãos estaduais de pesquisa e extensão na região Sul do país.  Os órgãos do governo federal só começaram a “pegar carona” na disseminação dos benefícios ambientais dessa prática muito recentemente, e ainda assim sob a ótica da redução das emissões de carbono.

O plantio direto também contribui para reduzir significativamente a necessidade de aporte de adubos químicos e de uso de pesticidas, por manter a estrutura dos solos e a sua microbiologia.

Aqui, mais uma vez, foram e são os agricultores que protegeram o meio ambiente e os recursos hídricos, e não os órgãos governamentais de meio ambiente ou por ONGs autodenominadas “ambientalistas”.   Evidentemente, há muito por fazer e grandes madeireiras (dessas que apóiam ONGs ambientalistas) e outras empresas agropecuárias de grande porte preocupem-se, em geral, pouco ou nada com gestão de solos e de recursos hídricos.

Vale visitar a página da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha em www.febrapdp.org.br para ver o que é trabalho sério de gestão ambiental integrada!  Na área de PD encontram-se as estatísticas de evolução da área agrícola total que já incorporou práticas de conservação de solo, bem como outras informações relevantes para quem afirma se preocupar com a gestão dos recursos naturais no meio rural… ainda que sem sair das cidades e dos bons restaurantes.

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Vale dizer que Dilma Roussef ouviu atentamente uma apresentação feita pela Federação durante um evento patrocinado por Itaipu Binacional.  Seria interessante lembrá-la disso, e chamar a turma do plantio direto para as mesas de negociação sobre o tal projeto de “consenso” do governo.

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Até o momento, o mais ridículo das entrevistas do JN foi o representante do WWF falando contra a redução de 30 metros para 15 metros nas “faixas marginais de proteção” nos rios de pequena largura.  Afinal, na matriz de fato do WWF, os EUA, não existe qualquer regra genérica para faixas marginais de proteção ou reserva legal.   E nem há razão para tanto.  Os processos erosivos dependem da natureza do terreno, isto é, declive, formação geológica, pedologia, e não de qualquer largura burocraticamente definida pelo Congresso Nacional.

Mudanças Climáticas – Inventários “Dinâmicos” e Muito Parciais

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No Brasil, as tais políticas para mudanças climáticas têm se limitado ao blá-blá-blá sobre a Amazônia e à realização de inventários voluntários.  Felizmente – ou não! – o assunto agora saiu da esfera dos ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia, que nunca conseguiram se entender, e passou para as mãos do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, de maneira a assegurar que caminhamos para a inércia em nome do consenso.

Os inventários são no máximo divertidos e estimativos, ao contrário de medidas efetivas no campo do desenvolvimento e da disseminação de novas tecnologias como forma de combater as emissões de gases causadores de mudanças climáticas.

Divertidos?  Aos fatos!

Um estudo que será divulgado na íntegra em maio – mas cuja versão preliminar já se encontra disponível para download –  mostra que o gás natural não é tão limpo quanto se pretendia, ou pelo menos escapa para a atmosfera a taxas muito mais elevadas do que aquelas antes consideradas nos tais inventários.  De fato, um professor da Universidade de Cornell acaba de demonstrar que pelo menos 7,9% do gás natural “produzido” está apenas escapando de poços mal fechados ou através de juntas e válvulas, além daquele que está sendo inutilmente direcionado para queimadores (flares) por conveniência das petroleiras.

O problema é que o principal componente do gás natural é o metano, cuja contribuição para as mudanças climáticas é 20 vezes superior à do CO2 resultante da queima dos combustíveis fósseis.  E a preocupação com o metano, até o presente, não se limitava à queima adequada de sua produção em lixões e em aterros sanitários, mas estendia-se ao “peido” dos bois e vacas.  Ufa, que caras chatos!

Os representantes da indústria petroleira norte-americana tentam dizer que há um exagero nos trilhões de metros cúbicos de gás que o novo estudo estima que escapam diretamente para a atmosfera.  Como é o hábito da indústria petroleira!  Mas não apresentam dados.  Um bom indicador de que os escapamentos de metano vinham sendo amplamente subestimados é o fato da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em ingles) ter recentemente duplicado as suas estimativas desses vazamentos nos gasodutos do país.   Um aumento de 100% - nada mal!

No caso dos inventários brasileiros, onde estão mesmo esses vazamentos de metano que ocorrem em todas as fases da produção, do transpporte e da comercialização do gás natural?  Em lugar nenhum!

A versão preliminar e resumida do estudo dos pesquisadores da Universidade de Cornell sobre estimativas de vazamentos de metano nos EUA é mais uma prova de que o lero-lero da organização dos produtores rurais norte-americanos sobre a necessidade de conter o desmatamento na Amazônia tem endereço marcado: evitar a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros.

Agora, com Dilma negociando a exportação de suínos e de soja para a China, vamos ver como Palloci reage.  Ou se faz a usual cara de paisagem.

O Greepeace, as ONGs associadas e financiadas por madeireiras que criam desertos verdes e exportam celulose de baixo valor agregado, e similares ainda não se pronunciaram.  Eles nunca se pronunciam sobre nada que possa decorrer do conhecimento, da realidade, da pesquisa científica, quando isso não corresponde aos seus interesses monotemáticos mais imediatos.

Mudanças Climáticas e “Segurança Naval” dos EUA

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“Atendendo a uma determinação do Comando de Operações Navais (CNO, na sigla em ingles), o Conselho Nacional de Pesquisas designou um um comitê que trabalhou sob a orientação do Consellho de Estudos Navais para avaliara as implicações das mudanças climáticas sobre as forças navais dos EUA. Com o estudo, o comitê concluiu que se mesmo as mais moderadas tendências atuais no clima continuarem, elas resultarão em desafios para a Marinha dos Estados Unidos, para os Corpos de Marinheiros (Marine Corps) e para a Guarda Costeira. Ainda que dimensões temporais, de grau e as consequências futuras dos impactos das mudanças climáticas sejam incertas, muitas mudanças já estão ocorrendo em regiões do mundo, tais como o Ártico, e demandam ações da liderança naval dos Estados Unidos.”

Esse não é um texto de ficção mas um relatório oficial do governo norte-americano! O relatório afirma que as disputas sobre fronteiras e zonas econômicas exclusivas ocorrerão em decorrência da abertura de novas rotas marítimas e da competição por recursos (econômicos). Aumentará a demanda sobre a capacidade militar naval para resposta rápidas em novas áreas marítimas nacionais e internacionais. Da mesma forma, instalações navais costeiras serão colocadas em risco pela elevação do nível dos oceanos e pela maior frequência de eventos climáticos extremos, como tempestades. Será necessário o fortalecimento das alianças e a formação de parcerias das forças militares navais.

Se o leitor acha que eles estão alucinados ou buscando criar uma situação de pânico para obter mais recursos do governo norte-americano, vale ressaltar que o relatório enfatiza a necessidade de que os EUA subscrevam à Convenção das Nações Unidas proposta pela primeira vez em 1967, o que resultou em negociações formais iniciadas em 1973. Essas negociações tiveram a participação de 160 países ao longo de 9 anos, ao fim dos quais, em 1982, foi adotada a Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar, à qual os EUA nunca subscreveram (como de hábito, quando os seus interesses não são imediamente evidentes). Em 2010, o Comando de Operações Navais dos EUA continuava a insistir na necessidade de que o país aderisse à Convenção, sem sucesso.

O relatório aqui citado prossegue afirmando que “a situação geopolítica do Ártico tornou-se complexa e com muitas nuances, à despeito do fato da região ter sido ignorada desde o final da Guerra Fria”.

“O Conselho do Ártico, do qual participam o Canadá, a Noruega (a mesma que vive falando que vai fazer doações ao Fundo Amazônico), Dinamarca e Rússia, com a adesão posterior da Islândia, da Suécia e da Finlândia, é um veículo diplomático para lidar com os problemas na região. No entanto, disputas sobre fronteiras marítimas são abundantes. Assim, por exemplo, há disputas sobre o mar territorial e as zonas de interesse econômico exclusivas entre o Canadá e a Dinamarca, bem como entre os Estados Unidos e o Canadá. A Rússia e a Noruega discordam sobre áreas off-shore no entorno de Svalbard. A situação da Passagem Noroeste através do Arquipélago Canadense – áreas territoriais canadenses ou ou um estreito internacional? – constituem-se numa preocupação do Canadá pelo menos desde 1985. O assunto não está resolvido e o tráfego de embarcações só é permitido com base em acordos bilaterais para o uso de embarcações quebra-gelo.”

De fato, o Comando de Operações Navais, os Corpos de Marinheiros (Marine Corps) e a Guarda Costeira concordam sobre o impacto potencial das mudanças climáticas sobre a capacidade e as operações navais norte-americanas, em particular no que se refere à região do Ártico.

“Mudanças dramáticas estão acontecendo na região do Ártico em decorrência das mudanças climáticas, incluindo reduções significativas na cobertura de gelo do Oceano Ártico e o desaparecimento do gelo mais espesso formado ao longo do tempo. O comitê espera que o degelo ocorrido durante o verão na região continue a crescer a uma taxa de 10% ou mais a cada dez anos ao longo das próximas décadas. Isso permitiria o acesso a zonas sem gelo em amplas áreas do Ártico no verão de 2030.”

Como resultado, aponta o Serviço Geológico dos EUA, grandes depósitos de petróleo, gás natural e minérios poderão ser explorados. E o comitê expressa a sua preocupação com a capacidade militar naval dos EUA no Ártico: ela é muito limitada qauando comparada à crescente demanda de segurança nesses novos domínios marítimos.

Para quem acredita em acordos internacionais de interesse global no que se refere às mudanças climáticas, a transcrição desses trechos do Sumário do relatório pode ser útil, ao menos para um teste do nível de ingenuidade de setores “neo-socialistas” e ambientalitas das nações de menor poder militar.

O download da versão preliminar do relatório sobre as mudanças climáticas na visão das forças navais militares dos EUA, na versão original em ingles, pode ser feito aqui.

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Há poucos meses, quando foi concedido autorização para sondagens de petróleo e gás no Artico a uma empresa inglesa, quatro ativistas do Greenpeace subiram numa das plataformas que ainda se encontrava ancorada, numa baía na Groenlândia.  O governo ingles – esse que tanto fala nas florestas amazônicas – enviou uma pequena embarcação de guerra para afastá-los.  Pano rápido, é claro!  Não se tem notícia de que o Greenpeace daqui tenha feito algo semelhante em relação as sondagens do pré-sal em profundidades equivalentes àquela do recente acidente no Golfo do México.