Archive for the 'Pensamentos e Revisão de Estudos Científicos' Category

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Zeitgeist – O Espírito de Nossa Civilização

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Reverter o processo que conduz às mudanças climáticas seria, hoje, a prioridade número 1 da humanidade.  Mas como essa reversão não é mais possível – e há consenso sobre isso -, a comunidade científica propõe cortes drásticos nas emissões de carbono de maneira a que o aquecimento global não seja superior a 2 graus Celsius, o que já causará problemas bastante graves em áreas costeiras e à produção de alimentos.

Acelerar a conversão da matriz energética para as fontes não poluentes não será tão fácil assim se mantidos as atuais taxas de crescimento populacional e o “modelo” de sociedade na qual o consumo é o motor da economia e o paradigma do “sucesso”, da felicidade, do reconhecimento social.

Aí reside uma importante questão de natureza filosófica, histórica, sociológica, antropológica, e mesmo biológica: a história da humanidade é uma história de guerras e conquistas mesmo quando elas eram totalmente desnecessárias.  Similar ao processo de adaptação para chegar ao “topo da cadeia alimentar”.

Talvez o “poder” tenha uma raiz biológica, uma simetria com o impulso de expansão da vida que o ser humano levou a extremos, sem nunca, de fato, reconhecer “uma humanidade”.  Matar os outros em guerras e invasões nunca foi considerado crime, e algumas das maiores barbáries foram sancionadas tanto pelo direito quanto pelas religiões.

De acordo com essa mesma lógica, os países mais fortes – ou mais altamente industrializados – já tratam as questões de mudanças climáticas como relacionadas à segurança nacional.  Se possível, do planeta; mas sem descuidar de suas próprias prioridades nacionais… ou tribais.

O acesso aos recursos naturais já é, há muito, um business como qualquer outro, envolvendo invasões e lucros; agora, os problemas mais especificamente ambientais também já se tornaram um business comum – business as usual -, sujeito a lobbies, grupos de interesse políticos e econômicos, e a estratégias militares.

Como no próximo encontro internacional sobre mudanças climáticas, em Copenhague, é mais provável que não se tome nenhuma decisão relevante, as tensões em torno dos recursos naturais e da segurança territorial tendem a crescer.  Então, para entender um pouco melhor os poderes que movem o mundo em que vivemos, vale assistir Zeitgeist, legendado em português (ou fazer o download, se a velocidade da conexão for baixa, ou ainda transcrevê-lo para um DVD, caso o software para fazê-lo esteja disponível), em

http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024&ei=at7PSs2LEJOerALDwuj_Ag&q=zeitgeist&hl=pt-BR#

Zeitgeist, em alemão, significa espírito de época, espírito do tempo. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

O filme está dividido em três partes de aproximadamente quarenta minutos cada, que podem ser vistas separadamente após o download.  A primeira – que se inicia depois de alguns poucos minutos com imagens de guerras - descreve as origens e consequências atuais do cristianismo como estrutura de poder.  A segunda, contendo evidências de que o atentado de 11 de setembro às torres gêmeas foi planejado e executado pelo próprio governo norte-americano, avança na análise das técnicas de manipulação da percepção política dos povos.  A terceira parte é sobre o capitalismo financeiro e sobre como incentivou e ganhou dinheiro com as guerras.

Ao que parece, o documentário Zeitgeist foi simplesmente proibido no Brasil, ainda que na surdina.

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Clicando no primeiro ícone à esquerda do símbolo Google situado na parte inferior direita do documentário, é possível assistí-lo em tela cheia.

Desenvolvimento Não-Sustentável e Mudança de Paradigmas

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Num de seus excelentes artigos para o Estado de São Paulo, Washington Novaes narra como economistas que ganharam o Nobel de economia estão se debatendo para tentar rever os critérios econômicos para rever os critérios utilizados na avaliação do tal do desenvolvimento.

A iniciativa foi do presidente da França, país que tradicionalmente valoriza bens culturais e horas de lazer, ainda quando esses não sejam integrados aos cálculos um tanto limitados das ciências econômicas.  Calcular a depreciação – ou a depleção – dos recursos ambientais não é novidade nos países muito avançados.  A novidade é a tentativa de valorizar a qualidade dos recursos humanos – que podem representar 80% do valor do Produto Interno Bruto de uma nação – e outras atividades não contabilizadas, como o lazer e outros serviços – como cuidar de crianças.  Em resumo, a qualidade de vida não se mede apenas – e nem principalmente – pelas estatísticas econômicas e financeiras.  Simples assim!

De fato, como aplicar as bobagens do FMI e do Banco Mundial sobre a necessidade de integrar à sociedade de consumo amplos segmentos da população que vive com “menos de US$ 1 por dia” quando falamos, por exemplo, da população rural – ou não-urbana – da Amazônia que se alimenta muito melhor que a classe média norte-americana simplesmente pescando e coletando produtos da floresta?  O que está em jogo é o próprio conceito de riqueza e de desenvolvimento.  Afinal, não se gasta nada – ou não há geração de riqueza – quando se joga vôlei e futebol nas praias, ou passeando na Floresta da Tijuca e no Aterro do Flamengo.

A economia não é a ciência social adequada para resolver esse tipo de questionamento.  Nenhum desses economistas se atreverá a propor uma vida mais simples, com menos consumo, ainda que o imensos desperdícios materiais e morais do “desenvolvimento” já estivessem descritos por um dos melhores entre eles – John Kenneth Galbraith – em 1958, em seu livro A Sociedade de Afluência, escrito sem o uso do ”ecomomês” e questionando o uso da produção como única medida de avaliação da prosperidade de uma nação.

Depois, em 1971, com a publicação de sua obra definitiva – A Lei da Entropia e os Processos Econômicos –  Nicholas Georgescu-Roegen demoliu a idéia de um crescimento econômico infinito da produção de bens materiais.  Nela encontram-se justificativas suficientes para fechar instituições como o Banco Mundial que servem para “enxugar gelo”.  Enxugar gelo, aliás, é o que esses economistas laureados estão fazendo por encomenda de Sarkozy.  O proposta poderia se chamar, também, de “como enganar as pessoas sem perder a pose”.

O que está em questão, hoje, é a própria sobrevivência da sociedade de consumo.  Só mesmo na cabeça de gente como o presidente da Companhia Vale do Rio Doce é que “o investimento é sagrado” – esse é o título de um artigo de Roger Agnelli na Folha de São Paulo no qual fica evidente que essa gente não tem a mais vaga idéia do que significa o conceito de “sagrado” e nem mesmo de “gerações futuras”.

O crescimento econômico entendido como o contínuo crescimento da produção de mais é uma mesmice não sustentável e, por exemplo, a produção de veículos híbridos pode reduzir as emissões de gases causadores de mudanças climáticas nos países detentores dessa tecnologia e capazes de pagar por ela, mas não reduzirá a demanda por aço e outros materiais resultantes da simples mineração de recursos naturais.

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Vale ressaltar que esses economistas laureados ainda desconsideram a dimensão populacional e o abandono dos programas de controle da natalidade, essenciais para que se evite ou adie um colapso do atual e de qualquer outro “modelo econômico”.

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A imprensa de São Paulo há muito superou a do Rio de Janeiro no dinamismo e na capacidade de análise crítica. O artigo de Washington Novaes pode ser lido em  http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090724/not_imp407539,0.php.  Nele, há uma referência ao fato de que se as remessas de capital para o exterior fossem contabilizadas de maneira apropriada, o PIB de Irlanda se reduziria em cerca de 10%.

 No caso do Brasil, então, reduziriam de maneira drástica a classificação da economia brasileira e a tão festejada capacidade de atrair capitais externos não resultaria nas mesmas celebrações atuais.  Comprar vagões de trem e de metrô na China – como fez, recentemente, o governo do Rio de Janeiro –  tampouco seria algo encarado com naturalidade pela imprensa, ainda mais se considerarmos que os vagões de um dos sistemas de metrô mais modernos do mundo – o de Washington, capital dos EUA – foram, no passado, fabricados no Brasil.

Transferem minério de ferro e empregos do Brasil para a China, orgulham-se disso, e a imprensa nem nota, tal o grau de deterioração moral e intelectual atingido pelo Brasil.  Assim, conseguem desvalorizar e anarquizar os recursos humanos brasileiros em nome da suruba global.

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É risível a decisão do governo federal de denunciar a Inglaterra perante a Conveção da Basiléia por conta de alguns conteineres de lixo.  Em particular quando a Inglaterra tem leis que proibem a exportação de lixo e foi muito mais rápida que o Brasil no que se refere à prisão dos responsáveis.  É desprezível a atitude das autoridades brasileiras que tentam, com isso, ganhar uns votinhos e dar a impressão de rigor.  Em particular num país que não tem aterros sanitários na quase totalidade dos municípios.

Regularização Fundiária na Amazônia e ONGs "Ambientalistas"

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Está de parabéns o presidente Lula pelo envio ao Congresso da MP que permite a regularização fundiária de centenas de milhares de famílias de amazônidas e, agora, com a promulgação da lei que dela resultou.

As congratulações devem ser estendidas aos ministros Roberto Mangabeira Unger, que a concebeu e convenceu o governo de sua importância, e Carlos Minc, que teve a coragem de apoiá-la e a competência de convencer o governo a acrescentar algumas salvaguardas relacionadas à proteção ambiental.

O veto à regularização fundiária de áreas em nomes de pessoas jurídicas foi sensato, mas irrelevante, na prática, quando considerados os amplos benefícios que a implementação apropriada da lei trará para a população rural da região.  A “posse” – uma figura historicamente reconhecida no direito brasileiro – exercida por uma pessoa jurídica seria uma exorbitância inaceitáel em qualquer situação.

A única ressalva importante a todo o processo foi a infindável tolice da imprensa que amplificou protestos de grupos e organizações ambientalistas que não representam ninguém exceto elas próprias e os grupos de amigos.  Se a imprensa quer ouvir alguém, seria mais sensato ouvir representantes legítimos da população rural da Amazônia (vale esquecer de vez essa bobagem estranha aos amazônidas que é o conceito de “povos da floresta”).

Felizmente, foi inútil a tentativa de “grilagem do imaginário dos incautos” feita por essas organizações usando teatrinhos do tipo “guerrilha midiática” um tanto obsoletos e spams informando o email do Palácio do Planalto.

Essas ONGs gringas funcionam como se não existissem 25 milhões de brasileiros na Amazônia, cerca de 5 milhões dos quais em áreas de florestas ou rurais. 

Que tal, então, se elas propuserem que os países altamente industrializados replantem florestas nativas de forma a alcançar o mesmo percentual de seus territórios que têm as florestas nativas brasileiras?  Ou, se o problema são os bens comuns da humanidade e as mudanças climáticas, que tal a transferência gratuita de tecnologia na área de energias renováveis e de eficiência energética?

Lula e Carlos Minc tiveram a coragem de não ser reféns da mídia internacional e das ONGs estrangeiras, como fizeram FHC e Marina Silva.

Ocasionalmente, fica no ar a pergunta: essa “monocultura” das ações ambientais não teria por objetivo desviar a atenção de outros problemas ambientais, tais como a rápida expansão da Monsanto na cafetinagem da agricultura brasileira (e de boa parte do mundo), os contratos da Coca-Cola para que sejam selecionadas variedades de açaí mais produtivas – suprimindo a imensa variedade genética do açaí nativo -, ou a incompetência generalizada para evitar a contínua degração da qualidade das águas de nossos rios?

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O excesso de ênfase em grandes infratores – como foi o caso do Grupo Bertin – apoiado por outros grandes infratores – como é o caso da Corporação Financeira Internacional – IFC, do Banco Mundial – não pode mesmo ser justificativa para insinuar que 1 milhão de famílias que vivem na floresta sejam infratoras.

Mudanças Climáticas – Boas Notícias nos Países Sérios

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“Os cidadãos gerando a sua própria energia” – esse é o lema de uma exposição e de uma série de palestras/apresentações sobre micro-geração de energia que se realizará em Bruxelas nos próximos dias.

Não se trata de uma idéia mágica, nascida ontem, ou de um factóide “ambientalista” ao estilo brasileiro, mas da continuidade das estratégias de redução das emissões de gases  causadores de mudanças climáticas e de aumento da eficiência energética de acordo com diretrizes já definidas pela União Européia em 2007 e que determinaram a formulação de planos concretos para alcançar o que lá ficou conhecido como 20-20-20: 20% na redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas e 20% de participação de energias renováveis na matriz energética, além de 10% de energias renováveis nos combustíveis utilizados pelos meios de transporte, metas a serem alcançadas até 2020.

A Europa quer, também, garantir a sua segurança energética, importando menos combustíveis.

E, como os países sérios não estão brincando de ambientalistas, os planos acima referidos enfatizam que o apoio a essas tecnologias criará um mercado lucrativo de produtos, materiais e exportações, com a criação de empregos liderada pelo setor privado.  Os cálculos indicam investimentos de € 8 bilhões por ano até 2020 resultarão na economia de € 25 bilhões anuais.  Nada mal.Em 2020, 0 Brasil estará, então, entre os países importadores dessas novas tecnologias e materiais de alto valor agregado e elevada eficiência econômica.Na Europa, as edificações residenciais e comerciais consomem 40% da energia utilizada e são responsáveis por 36% de suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  Os governos europeus apoiarão pequenas e médias empresas locais, já que os investimentos em eficiência energética demandarão uma imensa quantidade de projetos de renovação das edificações.

A União Européia já havia decidido investir em construções de baixo consumo de energia, de consumo zero, e em construções que geram energia para a rede (como já ocorre amplamente na Alemanha).

Além de todos os avanços na área dos materiais de construção e isolamento térmico, os europeus estão apostando na massiva implantação de uma tecnologia conhecida como “bombas de calor” (heat pumps), que combinando a geração de eletricidade e de energia térmica (calor/frio) reduzem em pelo menos 30% o consumo de uma residência ou prédio comercial típicos.

Já os EUA avançam rapidamente em direção ao uso da energia geotérmica associado às bombas de calor.

Por energia geotérmica entendia-se, até o presente, o já difundido uso da temperatura constante – independente das estações do ano – da água do lençol freático de pequenas profundidades para o aquecimento e a refrigeração das edificações.  Agora, na era Obama, o governo norte-americano já se prepara para iniciar a implantação da primeira grande unidade de geração utilizando a temperatura da água em maiores profundidades.

O  MIT já produziu o seu primeiro relatório sobre esse tipo de tecnologia – denominada “mineração de calor” – ainda na era Bush.  Lá, encontrar soluções para os grandes problemas ambientais é assunto de cientistas, e não apenas dos políticos que miram os eleitores com o simplismo da dualidade bem X mal, “eixo do mal”, ambientalista bonzinho X ruralista mal e similares.  A diferença é que, lá, a atual administração ouve o que os cientistas têm a dizer.

O relatório completo do MIT está disponível para os mais interessados em inglês, em http://web.mit.edu/newsoffice/2007/geothermal.html.  Vale a leitura do Sumário Executivo, já que o relatório completo envolve temas científicos de maior complexidade – como sismologia – e tem cerca de 400 páginas.

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Quando as empresas norte-americanas e européias, com o apoio massivo de seus governos, dominarem totalmente essas novas tecnologias, seguramente assinarão os tratados internacionais sobre mudanças climáticas.  E as exportarão para os países periféricos, ainda reféns das energias sujas, como o petróleo.

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No Brasil, o que é mesmo que fazem o Ministério de Minas e Energia e a ANEEL para aumentar a eficiência energética do país.  Nada, ou quase nada.  Para enfrentar as mudanças climáticas, ainda ficamos no eterno e monótono lenga-lenga sobre o desmatamento na Amazônia e o governo de pires na mão pedindo dinheiro para manter a floresta em pé, apesar de toda a falação vazia e, também, de excelentes estudos feitos pela EMBRAPA  sobre a exploração econômica sustentável das florestas amazônicas (mas que não encontraram os caminhos para a sua disseminação).

Dia Mundial do Meio Ambiente e o Oba-Oba Brasileiro

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Hoje, através da internet, é possível percorrer os principais jornais do mundo sem encontrar qualquer referência ao tal Dia Mundial do Meio Ambiente, que entre nós é motivo de algum badalo. E, ainda menos, notícias de franchises de ONGs estrangeiras criticando decisões do Senado ou do governo dos países sérios.

The New York Time, The Washington Post, Le Monde, The Guardian e The Independent (estes dois últimos que usualmente têm a melhor cobertura do assunto) nada falam sobre esse “Dia da Árvore” travestido de disputas sobre o imaginário.

Aqui, inaugurações e quermesses. Fernando Gabeira, com o seu usual otimismo, afirma ter esperanças de que em Copenhaguem, no final do ano se chegue a um acordo internacional sobre as mudanças climáticas – o que é um tanto irrelevante pois a União Européia já tem a sua decisão interna favorável e obrigatória para os seus membros, enquanto os EUA de Barack Obama negociam febrilmente com a China um acordo bilateral sobre o mesmo tema.

O The Independent continua publicando interessantes reportagens sobre a continuidade do excesso de captura de espécies marinhas de grande valor comercial. E, o mais interessante, é a sequência de fotos sobre o rápido recuo das neves dos Himalaias publicada pelo The Guardian e que pode ser vista em www.guardian.co.uk/environment/gallery/2009/may/29/himalayas-glaciers-everest-changing-landscapes?picture=348304432.

Fora isso, espera-se que o presidente Lula siga firme em seu propósito de devolver a Amazônia aos brasileiros que lá habitam, depois de sua corajosa decisão de facilitar o processo através de Medida Provisória.

No futuro próximo, se o governo brasileiro quiser enfrentar as questões relacionadas às inevitáveis mudanças no antiquado e ilusório Código Florestal, recomenda-se que sejam ouvidos os melhores profissionais do país, cientistas, que estão na EMBRAPA e em alguns poucos sobreviventes órgãos estaduais de pesquisa agronômica, como o IAPAR, do Paraná. Eles, sim, entendem de florestas e de conservação de solos e contenção de processos erosivos, recursos hídricos superficiais e subterrâneos, e muito mais. O resto é ideologia e blá-blá-blá eleitoreiro.

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Uma referência explícita ao Dia Mundial do Meio Ambiente no The Guardian limita-se a uma série de fotos sobre como os países pobres NÃO RESOLVERAM os problemas mais elementares de saneamento básico pode ser vista em www.guardian.co.uk/environment/gallery/2009/jun/05/waste-world-environment-day?picture=348339024.  Nada muito diferente do que se vê às margens dos rios em grande número de cidades da Amazônia, entre outros locais do país.

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Por um momento, talvez Marina Silva possa deixar de lado a sua usual vocação para vítima e parar de exercer o seu legítimo jus esperneandi no genérico, como faz ao vociferar contra a legalização de áreas de poss de pessoas jurídicas na Amazônia.  Para tanto, basta lembrar que as associações e cooperativas de extrativistas também são pessoas jurídicas.

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Ah, nesta semana, em compras acima de R$ 150,00 em cosméticos de marcas mais caras, , ganha-se uma “bolsa-ecológica” – ou “ecobag”- para compras.  Esse é o resultado da vulgarização do tema, que nos países sérios encontra-se nas mãos de cientistas.

Alumínio na Água de Abastecimento X Experiência Internacional

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A idéia de que a contaminação da água de abastecimento público por alumínio simplesmente não pode ocorrer porque esse metal se precipita durante o processo de floculação, depositando-se no logo de fundo das estações de abastecimento de água (ETA) não encontra respaldo na experiência internacional.

Assim, por exemplo, uma ONG norte-americana que trabalha com bases de dados oficiais informa que entre 1998 e 2003, nos EUA, 48,9 milhões de pessoas em 2.635 cidades beberam água contaminada por alumínio, ainda que dentro dos padrões estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental – EPA, sendo que 695 mil, em 89 cidades, o alumínio residual da água de abastecimento estava acima desses mesmos padrões.

Esses números se baseiam em dados reportados pelas próprias empresas prestadoras dos serviços de abastecimento de água, que realizam os testes para a detecção de alumínio uma vez a cada a cada 2 ½ anos, ainda que testes “rotineiros” sejam exigidos pela norma. EWG é a sigla para Grupo de Trabalho Ambiental e as informações acima citadas encontram-se em www.ewg.org/tapwater/contaminants/contaminant.php?contamcode=1002.

Como nos EUA existem quase 40 mil empresas de abastecimento de água, a EWG afirma que no período – 1998 – 2003 – apenas 0,1% das mesmas – ou 65 empresas – reportaram resultados com a violação dos padrões de alumínio.  Mas como o índice de medições era demasiadamente baixo, não é improvável que esse número seja bem maior.

Nos países sérios, os debates sobre este assunto ocorrem sem maiores constrangimentos e assim aconteceu na Irlanda do Norte em 1999 quando foi constatado que o padrão da União Européia para o alumínio residual na água de abastecimento era violado em 1 de cada 20 amostras realizadas. Um representante do Serviço de Águas do Departamento de Meio Ambiente apressou-se a dizer que os níveis encontrados não significavam um risco para a saúde, mas que era imprescindível que a empresa de abastecimento de água respeitasse os padrões da União Européia.

O governo também apressou-se a dizer que a maior parte do alumínio ingerido pelas pessoas vêm dos alimentos processados industrialmente e do próprio meio ambiente, colocando mais lenha na fogueira dos debates.  Consultada a Sociedade para a Doença de Alzheimer, uma especialista informou que ainda existindo evidências “apenas circunstanciais” da relação entre a contaminação por alumínio e a doença, era necessário ressaltar que “o cérebro é uma parte muito delicada do organismo e não tem condições de absorver grandes quantidades de substâncias tóxicas”.

O debate tornou-se mais acirrado quando um representante do governo afirmou que elevadas concentrações de alumínio já se encontravam presentes havia mais de 100 anos no lodo de fundo do reservatório no qual a empresa de água fazia a sua captação.  A contestação não tardou, ainda que se reconhecesse a possibilidade de que o alumínio estava sendo removido das rochas para o reservatório por chuvas ácidas.  Quanta complicação!

Também nesse caso os debates se transcorreram normalmente, com as partes se concentrando em argumentos técnicos, e tudo foi resolvido quando o governo decidiu alocar 500 milhões de libras esterlinas para melhorar os sistemas de tratamento de água.Uma década depois, a notícia ainda pode ser encontrada na BBC, no link abaixohttp://news.bbc.co.uk/1/hi/northern_ireland/441226.stm.   

Na Alemanha oriental, 2,7% das águas de abastecimento público excediam o padrão de 0,2 mg/litro, enquanto na Alemanha ocidental as concentrações encontradas eram de 0,01 mg/litro, conforme se pode ver em estudo preparado para a Organização Mundial da Saúde em 1998 (www.who.int/water_sanitation_health/dwq/chemicals/en/aluminium.pdf).

Aparentemente, não há nada de novo no ar sobre o assunto além dos aviões de carreira e formas mais acirradas de resistência aos debates públicos sobre assuntos de interesse coletivo.

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O fato da maior parte da absorção de alumínio por seres humanos nos países desenvolvidos se dar através da ingestão de alimentos industrializados não eliminou a norma para a água de abastecimento, ainda que possa demonstrar grande incoerência nas políticas públicas para esse contaminante neuro-tóxico.

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“O uso de sais de alumínio como coagulantes no tratamento de água pode resultar no aumento das concentrações de alumínio na água de abastecimento.  Quando as concentrações residuais são elevadas, o alumínio pode ser depositado no sistema de distribuição..  A alteração desses depósitos podem ocorrer pela mudança na velocidade no sistema conferindo cor e turbidez indesejáveis à água da torneira (OMS, 1996).  As concentrações de alumínio nas quais essas situações podem ocorrer são altamente dependentes de diversos parâmetros da qualidade da água e fatores operacionais na estação de tratamento de água.” (Aluminium in Drinking –water -  Background document for WHO Guidelines for Drinking Water, 1998)

Contaminação da Água de Abastecimento Público X Mal de Alzheimer

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“Como os demais países em desenvolvimento, o Brasil deverá igualar-se, nas próximas décadas, aos do primeiro mundo no que diz respeito ao mal de Alzheimer, a condição mais crítica que se conhece de degeneração cerebral…”.   A afirmação é do notável médico e pesquisador Helio Póvoa, em seu livro Nutrição Cerebral, leitura indispensável para epidemiologistas e, sobretudo, para as autoridades da área da saúde, bem como para os leigos. A doença de Alzheimer deveria ser objeto de políticas preventivas de saúde pública, e não apenas da gana dos laboratórios farmacêuticos por maiores lucros.

De fato, diversos estudos sugerem a ligação entre essa doença e a contaminação por alumínio.  Não há estudos conclusivos, mas há muito a Organização Mundial de Saúde – OMS reconhece que o alumínio tem efeitos negativos nas funções cerebrais, no desenvolvimento do sistema neurológico e nos ossos.

Ainda que estudos da OMS indiquem que a absorção de alumínio residual existente na água potável corresponda a apenas 5% a 10% da absorção total das pessoas, os países desenvolvidos têm sido cautelosos ao assunto, amplamente estudado e debatido.   O restante da absorção de alumínio por seres humanos viria de diversas fontes, incluindo desde as panelas usadas no cozimento de alimentos até anti-ácidos e aditivos amplamente usados nos alimentos industrialmente processados.

No Brasil, um estudo publicado em 2001 indicava a presença de níveis inaceitáveis de alumínio em 100% das amostras de água de abastecimento público nos municípios de São Gonçalo e de Duque de Caxias – no Rio de Janeiro – , abastecidos a partir de sistemas diferentes – Acari e Imunana-Laranjal.  Esses sistemas de captação, tratamento e distribuição de água não abastecem apenas esses dois municípios.

O estudo – intitulado “Importância da análise de água para a saúde pública em duas regiões do Estado do Rio de Janeiro: enfoque em coliformes fecais, nitratos e alumínio” é de autoria dos professores Marcelo Bessa de Freitas, do Núcleo de Saúde Coletiva da UFRJ, Liz Maria de Almeida, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, e Ogenis Magno Brilhante, do Instituto de Estudos Urbanos de Roterdam.  A versão integral da pesquisa pode ser encontrada em www.scielo.br/pdf/csp/v17n3/4647.pdf.

Os padrões de potabilidade de água para consumo humano estão definidos, no Brasil, pela Portaria no 518/2004 do Ministério da Saúde.  Essa norma permite que os programas e resultados do monitoramento sejam feitos pelas próprias concessionárias dos serviços, que usualmente não os divulga, ainda que algumas, como a SABESP, o faça em sua página na internet.  Esses programas deveriam ser auditados por instituições autônomas independentes das concessionárias de água e esgoto, por razões óbvias.  Auditar a si próprio não é uma prática recomendável em lugar nenhum do mundo, em nenhum setor da atividade humana.

A violação dos padrões de alumínio – entre outros – não é “privilégio” de nenhuma concessionária em particular e certamente pode ocorrer na água de muitas outras prestadoras de serviços de abastecimento de água, estaduais, municipais, públicas ou privadas.  Em Santa Catarina, o Ministério Público estadual abriu inquérito sobre o assunto em 2008.

Estudos feitos por solicitação da Organização Mundial de Saúde – OMS indicaram que na década de 90 as concentrações de alumínio na água distribuída à população na Alemanha variavam de 0,01 mg/litro a 0,2 mg/litro, enquanto 2,7% da população recebiam água com concentrações mais altas de alumínio.  Num amplo programa de monitoramento feito na Inglaterra nesse mesmo período, apenas 0,7% das amostras indicaram concentrações superiores a 0,2 mg/litro.  No entanto, episódios de concentrações residuais de alumínio mais elevadas ocorreram na Irlanda do Norte e em regiões dos EUA (onde foram constatadas concentrações máximas 2,5 vezes superiores aos limites máximos estabelecidos pela norma).  Nos países sérios, esses problemas são amplamente debatidos em público sem que ninguém ache que há qualquer difamação na divulgação de informações.

A OMS considera que a operação correta de uma grande estação de tratamento de água pode assegurar concentrações residuais de alumínio de 0,1 mg/litro.  Isso significa que desjustes temporários ou não na operação dessas estações pode deixar, na água, concetrações residuais mais elevadas.

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O uso de panelas de alumínio aumenta a ingestão desse metal tóxico, de acordo com estudos de pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, que detectou elevadas quantidades de alumínio na simples preparação de arroz e feijão.  O sal colocado na água durante a preparação de alimentos em panelas de alumínio aumenta a condutividade da água, resultando num aumento de 25% das concentrações de alumínio nos alimentos.  Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP também recomendam evitar que alimentos sejam cozidos ou armazenados em utensílios de metal.

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Outra interessante análise das questões relacionadas ao uso de alumínio no tratamento de água, feita por André Trigueiro, foi publicada em O Globo em maio de 2003 e pode ser encontrado em www.recicloteca.org.br/agua/trig-quim.htm.  André Trigueiro, que escreveu sobre as quantidades de sulfato de alumínio utilizado pela SABESP e pela CEDAE (na estação do Guandu) chama a atenção para um fato importante: “se o Guandu fosse um tecnicamente limpo, a quantidade de sulfato de alumínio necessária para tornar a água bruta própria para o consumo seria de apenas 28 toneladas por dia”, muito inferior às 280 toneladas diárias então utilizadas (que atingiriam 840 toneladas nos dias de chuva).

A Escassez de Água e a Tempestade Perfeita

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No governo inglês, há um cargo denominado “cientista-chefe” ou “cientista principal” -“chief scientist”.  O novo cientista-chefe, que fala em nome da comunidade científica, é o professor John Beddington, graduado em economia com especialização em biologia e economia aplicada à gestão sustentável dos recursos naturais.

Na última quinta-feira, 19 de março de 2009, o professor Beddington discursou na abertura da Conferência Britânica Sobre Desenvolvimento Sustentável.  Entre outras coisas, ele afirmou que haverá um crescimento de 50% na demanda de alimentos e de energia do planeta até 2030, quando a população do mundo alcançará 8,3 bilhões de pessoas.

“As reservas mundiais de alimentos alcançaram o seu ponto mais baixo em 50 anos; as estratégias de produção e estocagem de alimentos têm debilidades que podem se tornar fatais para grandes parcelas da população, que morrerão de fome” – afirmou.

Até 2030, a demanda de água será 30% superior aos níveis atuais.  Essa afirmação coincide com as do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que antecipa para 2025 o declínio acentuado das disponibilidades de água per capita em grande parte da Europa, da Ásia e da África.

“É mais do que concebível que a escassez aguda de recursos gerará uma instabilidade global e a guerra” – afirmou o professor Beddington.

É difícil falar em pessimismo quando milhares de cientistas dos mais diferentes países dizem a mesma coisa.  Ainda assim, os governos falam em retomar os níveis de produção e consumo!

Ninguém ainda fez a conexão entre a atual crise econômica e a mudança de percepção das pessoas – genericamente denominadas de “consumidores” pelos economistas – sobre o tal mercado, ou seja, sobre as suas prioridades de consumo.  Elas continuarão a querer mais do mesmo?  Um computador pessoal duas vezes mais rápido será uma prioridade, como no passado recente, ou naufragará como a migração do Windows XP para o Windows Vista?

Nos EUA, Obama acaba de dar o primeiro passo na direção da criação de sua “agenda verde” com a alocação de US$ 2,5 bilhões para a pesquisa e desenvolvimento de carros elétricos, juntamente com um desconto de US$ 7.500 para cada cidadão que comprar um desses veículos. 

Pode-se dizer que US$ 2,5 bilhões é bem pouco diante do trilhão que em breve alcançarão os recursos para salvar bancos – isto é, recursos disponíveis para o consumo, para a poupança que financia novos negócios e para a aposentadoria no país.  Ou do outro trilhão que já custa a insana invasão do Iraque segundo o Escritório Central de Contabilidade do Governo norte-americano (General Accounting Office).  Nada se fala, tampouco, sobre o fato de que carros, elétricos ou não, continuam a consumir a mesma quantidade de aço – e, portanto, de energia – e outros materiais em sua produção.

O professor Beddington, ainda apostando na ciência e na tecnologia para mitigar essa combinação de escassez de água, de alimentos e de energia, que ocorrerá antes mesmo dos problemas gerados pelas mudanças climáticas – a “tempestade perfeita”, nas palavras dele próprio -, conclui: “a humanidade não será extinta; a natureza encontrará os seus caminhos”.  Isso é óbvio.  Mas um tanto irônico em relação ao custo em vidas humanas e em sofrimento.

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Uma simulação do crescimento populacional e do consumo de recursos da Terra pode ser vista em www.peterrussell.com/Odds/WorldClock.php.

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Para muitos ambientalistas, a “tempestade perfeita”, que eliminará centenas de milhões de seres humanos, talvez seja encarada como uma bela solução.  Afinal, eles parecem querer uma natureza virgem, sem seres humanos, que são os verdadeiros causadores de todos os grandes problemas ambientais.

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A apresentação de Sir Beddington - sem os slides – pode ser encontrada, no original,  www.govnet.co.uk/news/govnet/professor-sir-john-beddingtons-speech-at-sduk-09

Crise, Consumismo, Nadismo e Mudanças Climáticas

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Com bom humor, vale lembrar que neste sábado, 13 de dezembro, é o Dia Nacional do Nadismo – de não fazer nada mesmo (www.marboh.com.br/clubedenadismo).  Esse  interessante movimento pode ser comparado às propostas de adoção do “ócio criativo”, sistematizadas pelo italinao Domenico de Masi, e tem pontos em comuns com o muito mais sofisticado movimento denominado Comida Lenta (Slow Food) e outros tantos, até bastante mais profundos, alguns com vigorosas conotações religiosas.

Em todos os casos, o objetivo é uma redução drástica do consumo, elevado a consumismo e transformado em dogma pela assim  chamada civilização contemporânea.  E um aumento do tempo disponível para coisas mais valiosas, como conviver com familiares e amigos, ouvir música, contemplar a paisasgem – entre outras coisas que os economistas não valorizam nada.

Nos EUA, ao longo do mês de outubro, com os preços da gasolina em queda livre, os norte-americanos dirigiram muito, muito menos, algo como 13 bilhões de quilômetros.  Os números são Departamento de Transportes do governo dos EUA (equivalente ao nosso ministério) e mostram tendências interessantes.  Entre novembro de 2007, quando a queda na quilometragem percorrida se iniciou, e outubro de 2008, os norte-americanos dirigiram cerca de 140 bilhões de quilômetros a menos.  E isso num período em que os preços dos combustíveis caíram 25%, o que, em tese, estimularia o aumento do consumo.

Será que os hábitos norte-americanos estão mudando?  E será que eles conseguirão dar continuidade à mudança de maneira a deixar de consumir toda a imensa quantidade de produtos inúteis e lixo tecnológico que se misturam às inovações realmente úteis?  Ou será que continuarão invadindo e cometendo genocídios em busca de petróleo ou pelo simples prazer de guerrear?

O fato é que se os hábitos de consumo do mundo dito desenvolvido e dos países em fase de acelerado crescimento econômico não mudarem, nenhuma medida para conter as mudanças climáticas será efetiva.  E não se trata apenas das mudanças climáticas, mas do consumo de muitos outros recursos naturais, hoje mais rápido do que a capacidade de recomposição até mesmo dos recursos renováveis – como já se disse aqui nos artigos intitulados Limites para o Crescimento I e II.

Disso já se sabe desde o início da década de 1980.  Mas só agora a mídia, ainda que timidadmente, começa a falar sobre a necessidade premente de um redirecionamento radical dos hábitos de consumo e de vida para conter tanto as mudanças climáticas, quanto o colapso dos recursos naturais. 

A crise atual certamente não é apenas financeira.  Decorre, também, da percepção de que a economia não voltará a crescer como no passado.  Não se integrarão 3 bilhões de novos consumidores ao mercado.  Nas palavras de Herman Daly, um dos raríssimos economistas que vêm alertando para essa realidade há algum tempo, ”o custo moral da atual crise dos mercados será muito mais elevado do que os seus custos financeiros”.

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Na saída dos banheiros de um bar em San Francisco, entre aqueles cartões nos moldes de postais distribuidos gratuitamente para os cllientes, um trazia a seguinte frase: “venda o lixo velho, compre lixo novo”.

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As fantasias de um convívio harmônico entre o ser humano e a natureza – algo sem precedentes históricos de realização efetiva - sempre existiu.  Mas as possibilidades de que haja algum avanço nesse sentido são praticamente nulas quando a população do planeta chegou a 6,7 bilhões em 2008, com previsões de 1,2 bilhões adicionais até 2025.  Mas os “ambientalistas” e os políticos não gostam de falar em programas de controle da natalidade.

A Petrobras e a Estratégia do Mimetismo na Gestão Ambiental

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A Petrobras desligou-se do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.  Bom para o Instituto Ethos, que pode, agora, pensar em critérios de aceitação e de afastamento de empresas associadas que tenham um comportamento tão enfaticamente irresponsável do ponto de vista ambiental quanto sempre teve a Petrobras.  Tentar comprar a opinião pública e as ONGs com apoios financeiros a projetos ambientais não é uma boa forma de compensação para as debilidades na gestão ambiental da empresa.

Recentemente, a Petrobras foi excluída do Índice de Sustentabilidade Empresaria – ISE da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo – BOVESPA, que refletiu, no Brasil, um pacto internacional envolvendo transparência e responsabilidades éticas nas relações com os fornecedores, consumidores, funcionários e acionistas, aí incluídas a responsabilidade social e ambiental.

A Petrobras foi, também, proibida pelo Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária – CONAR de fazer propaganda de suas práticas ambientais.  O CONAR decidiu que esse tipo de publicidade da Petrobras era propaganda enganosa.

Com uma notável monografia sobre esse tipo de marketing da Petrobras, em fase de conclusão, a jovem Raquel Valentini Bastos fez uma extensa pesquisa sobre os “acidentes” ambientais causados pela Petrobras.  A lista é impressionante.  A monografia faz um notável paralelo entre os esforços da Petrobras para tentar associar o seu nome a práticas de gestão ambiental sérias ao que, no mundo animal, denomina-se mimetismo.  Ou seja, tentar parecer algo diferente daquilo que se é verdadeiramente.

Desmascarada, a Petrobras talvez comece a repensar as suas práticas de gestão ambiental.  E, quem sabe, até mesmo a evitar os vínculos entre os seus pirotécnicos anúncios de descobertas de jazidas de petróleo ultra-profundas das conveniências eleitorais de ocasião. 

Até lá, talvez a Petrobras possa começar a divulgar índices de desempenho no campo da sustentabilidade, informando, por exemplo, quanto consome de água em cada uma de suas refinarias, por tonelada de petróleo processado, e comparando os seus números com refinarias de países sérios.