Archive for the 'Política' Category

Amazonian Forests, Brazilian “Environmental” Law and the Arguable Role of Foreign NGOs

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Brazilian franchises of international environmental NGOs are attempting to attack the Brazilian Congress and Executive Branch under the pretext that changing an old law on forestry and soil protection will result in great damage for the environment.  It is a lie, ocasionally with the intention of promoting international fund raising or even to protect US agribusiness interests.  Not to adapt the current so named “forest code” would result in the destruction of 30 million hectares – at least – of existing Brazilian agriculture, including most vineyards and fruit production in the Southern part of the country, coffee and also production in the State of Minas Gerais, and much more.  As for the Amazonian rainforest, it is worth hightlighting that about 50% of it is already totally protected and conservation units (parks and other) and indian reserves.  Therefore, one can say that these foreign NGOs – such as Greenpeace and WWF – are attacking the Brazilian agricultural production and food security.

The so called “forest code” was enacted in the early stage of military regime and its first article states that “forests and other forms of vegetation are of public interest when designated as such for the purpose of protecting the soil”.  This focus on erosion and soil losses was later “forgotten” on behalf of the mask of a “modern environmental law”.  It is not the case at all.  Even after the military regime, when the Congress had no effetive powers, several amendments were made to the law based on instruments of that regime such as Provisory Measures – Medida Provisoria (MP)-, a sort of decree issued by the Executive Branch which was turned into a law when NOT voted by the Congress within a certain short period.  In a later stage,  MPs had to be voted within a short period but could be reissued unlimitedly.  A from the US ambassador in Brazil published by Wikileaks expresses his suprise with the fact that a MP on the “legal reserves” in the Amazonian region was reissued more than 70 times and was strangely considered as effective although never approved by the Congress.]

A “legal” reserve is an old concept of the first version of the so called “forest code”, enacted in the 1930s: 20% of each individual property should be kept as a forestry reserve.  At the time, the Brazilian Government was concerned about fuel supplies – then existing railroads fuel supply was wood – and 20% of rural properties were expected to produce wood (the British navy had similar concerns about wood reserves for shippyards before the times of iron and steel).  This concept was kept in the version of the law passed by the military, except for the Amazonian region, where the legal reserve was 50% of individual properties.  Was that a signal of environmental concerns?  Not really.

As a matter of fact, in a previous period – in the 1950s – , the Brazilian government was promoting human occupation of the Amazonian region by donating land to farmers from the Southern part of the country who were willing to migrate, the rule of thumb to prove that such individuals were effectively settled they HAD TO remove 50% of the forested area.  Very similar to the occupation of the West in the US.  Then, in the 1990s, when the French Le Monde published data from sattelites demonstrating that rates of deforestation in the Amazonian region were very high, the government of then president Cardoso decided to enact… a Provisory Measure – a non-democratic provision created by the military rulers – increasing the “legal reserve” in the region to 80% from prior 50%.  It was just for international public image – a major concern of president Cardoso –, and this was the MP reported by the US ambassador as strangely “reenacted more than 70 times, never voted by usually considered as effective”.  As a result, farmers that were invited to colonize the Amazonian region went to bed at night in compliance with the law and woke up with their properties in illegal status.  Who cared?  Not even themselves, who live and work in remote áreas!

These are among the folks who foreign NGOs now claim that will be benefited by an “amnesty” for deforestation and even “environmental crimes”.

It is worth remarking that the last census indicated that there are about 25 million people Brazilians living in the Amazonian region.

(To follow… but WHO FUNDS these foreign NGOs’ activities against the Brazilian agriculture?)

Código Florestal, Autoritarismo, e Sabujice – Panis et Circensis

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No Brasil, o Executivo parece ter se habituado a achar que há uma “crise” todas as vezes que o  Legislativo não lhe é subserviente.  Coisa de república de bananas.  Não é assim que funciona nos países sérios que se organizam segundo a separação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.  Nos EUA, as administrações de Clinton e Obama foram derrotadas em todas as tentativas de estabelecer políticas que limitassem as emissões de gases considerados  causadoras de mudanças climáticas e nem por isso ocorreram crises políticas da tal “governabilidade”.

Outra dimensão da mediocridade do Executivo está sendo enfatizada na tentativa de que só sejam votadas matérias de “consenso”.  O consenso é coisa de idiotas, diria Nelson Rodrigues.  De fato, o princípio republicano, democrático, estrutura-se justamente na forma de solucionar o dissenso através do voto.  É assim que as coias funcionam nos países sérios.

O caso do assim chamado código florestal trás à tona essas “falhas de caráter” do Executivo federal.   E mais, envolvem uma percepção autoritária do princípio federativo: é a União querendo regular, segundo uma norma padrão, o que pode ou não pode ser feito nas mais diversos recantos do território nacional, com variados regimes hídricos e climatologia, formações geográficas e botânicas, e por aí afora.  A idéia é atropelar tanto a realidade – em nome de princípios gerais abstratos – quando a autonomia das unidades da federação, pretensamente em nome do interesse de todos.  Pura truculência.

E, o que é mais absurdo, truculência num domínio no qual a gestão pública federal não dá mínimos sinais de eficiência: o meio ambiente.  Fora a criação de unidades de conservação conhecidas no exterior como “parques de papel” – que não têm sequer o perímetro claramente demarcado -, de que pode se vangloriar a administração federal na área de meio ambiente?  Há que se buscar as exceções como agulha num palheiro.  Se há alguém que não tem autoridade moral para falar em gestão ambiental, esse alguém é a União!

Como se não bastasse a grande fraude que tenta atribuir à uma pretensa bancada ruralista o resultado de uma votação que não deixou qualquer sinal de dúvidas sobre onde estava a maioria esmagadora dos deputados no momento da única votação sobre essa lei – uma votação de 410 X 63 votos é uma manifestação de vontade de uma maioria esmagadora, não é  coisa de “bancada ruralista” apenas, como quer a imprensa paulistana que finge ser informativa.  Depois é que veio a mamata mal-ajambrada feita nos bastidores do Senado, nas coxas, no tapetão, desconsiderando as centenas de audiências públicas e depoimentos promovidos pela Câmera para privilegiar os usuais conchavos que sempre marcaram os remendos nessa lei.

Como se não bastasse, vale dizer que nesse domínio do “código” que se pretende ambiental – sem sê-lo -, o temor do governo não tem qualquer relação com a gestão ambiental, mas apenas com a imagem do Brasil no exterior.

Como se, no curto prazo, isso fosse fazer diferença para os turistas que estarão no Rio de Janeiro em nome de mais uma conferência irrelevante da ONU sobre meio ambiente.

É bem triste ver a democracia representativa assim dilacerada em nome de um autoritarismo que se pauta apenas pela imagem midiática, e não por fatos ou resultados.   Nisso coincidiram FHC e Lula.  Jogou-se fora a soberania nacional quando foram impostas  modificações da lei mediante medidas provisórias – sem que jamais tenha existido urgência de nenhuma das MPs que alteraram essa lei.  Agora, Dilma e sua equipe tentam um “consenso” de algibeira, à base da força, também para dar a impressão de que o país tem políticas públicas de meio ambiente consistentes e efetivas.  Contra todas as evidências.

É tudo jogo de cena e pura demonstração de autoritarismo da pior espécie em nome da sabujice a uma hipotética opinão públca internacional na tentativa de dar uma certa impressão de que o país é “bem comportado”, ainda que incompetente na gestão de seus recursos ambientais.

Ou apenas Panis et Circensis do Executivo, agora em versão “ambientalóide”?  Para dar a impressão que existem coisas sérias em debate, com a tal “lei da Copa”.  Sério mesmo foi a isenção tributária dada às empreiteiras que estão fazendo as obras dos estádios…. depois de vencidas as concorrências.

***

Não NADA similar ao tal “código” nos países que resolveram os problemas nacionais de gestão de águas superficiais e subterrâneas, proteção da biodiversidade, processos erosivos, e outros da área ambiental.  O  WWF Brasil – financiado com grana externa – não vai propor um “código” florestal nos EUA!  É o cinismo em compotas, com ares de bom mocismo que salva o planeta.

 

Vende-se a Amazônia Por Um Punhado de Dólares

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Para aqueles que temiam a internacionalização da Amazônia, a hora é essa.  Só uma empresa de fachada irlandesa comprou os direitos sobre terras indígenas equivalentes a mais de duas vezes a área de Portugal!  Foram ao todo 16 contratos assinados por “lideranças indígenas”, contratos que retiram dessas etnias os direitos de cortar uma árvore ou de plantar.  A FUNAI informa que mais de 30 contratos desse tipo já foram “registrados”.

A notícia foi dada sem destaque pelo Estado de São Paulo.  As grandes ONGs “ambientalistas” cujas fontes de financiamento são sempre obscuras e que tanto discursaram sobre a necessidade de aprovação do REDD - sigla para o mega-trambique da redução das emissões pela manutenção das florestas em pé – mantiveram-se em silêncio.  Devem estar brindando com champagne.  Tim-tim!

A notícia pode ser assim resumida.  Numa operação de US$ 120 milhões, uma única empresa estrangeira de fachada comprou os direitos sobre as terras dos índios Mundukuru.  A empresa, que atende por um nome que seria melhor traduzido por Aventuras Verdes Celestiais já assinou outros 16 contratos do mesmo tipo que lhe asseguram direitos idênticos sobre uma área total de 200 mil quilômetros quadrados. (Venture capital em inglês refere-se a capital de risco, mas como nesse caso o risco é próximo de zero vale a “tradução” irônica).

Pelos contratos, foram cedidos também os direitos sobre a biodiversidade existente nas áreas.  A biopirataria torna-se, assim, oficial.

Os Mundukuru são cerca de 10.000. Então, por US$ 12.000 per capita a serem pagos em 30 parcelas de US$ 400 ao longo de um período de tempo que não está claro, os Mundukuru – ou algumas “lideranças” que assinaram o documento em nome de todos – venderam os direitos de viverem de acordo com as suas tradições.

E tudo com o aval da FUNAI que finge que apenas “registrou” os contratos.

O mecanismo conhecido como REDD vem sendo defendido há anos por ambientalistas brasileiros que repetem o que se diz lá fora como papagaios.

Agora, resta saber quem ficou com a parte do leão nessas operações financeiras, dinheiro que já deve estar depositado em alguma conta numerada na Suíça.  Afinal, para isso serve a Suíça!  Sim, porque essa é uma operação financeira na qual os investidores no fundo Verde Celestial esperam ganhar muito dinheiro às custas dos índios, não uma doação caritativa.  E para atingir seus objetivos o fundo Verde tem a expectativa de valorização rápida do carbono adquirido por valor fixo.  Eventualmente, essa expectativa tem origem em algum tipo de informação privilegiada sobre as restrições que serão impostas às emissões na Europa.

Finalmente, vale considerar que os contratos foram feitos diante dos olhos indiferentes da Secretaria Nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Que importa se foram negociados ativos que poderiam ter ficado retido pelo Tesouro Nacional, pelo BNDES ou de alguma forma em mãos brasileiras.

No mesmo estilo apático, a FUNAI agiu como um cartório de registro de títulos e documentos e não como um órgão de defesa dos interesses dos indígenas?  Que setor da tal da “base aliada” do governo terá indicado os dirigentes dessa FUNAI conivente com a ação desses “piratas do carbono e da biodiversidade”?

 ***

A ação desses “piratas do carbono” já havia sido comentada neste blog.  Também o financiamento nefando do agribusiness norte-americano ao REDD foi aqui analisado.

Dos irmãos Villas Boas ao general Augusto Heleno, não foram poucos os alertas sobre os riscos de internacionalização da Amazônia, que agora acontece sob o manto das medidas contra as mudanças climáticas.

 

Economia Verde, Rio + 20 e Turismo Ecológico – III

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Temerosos de que ninguém de peso no cenário político internacional compareça à Rio + 20, os funcionários da ONU encarregados de sua organização optaram por adiá-la em uma semana para evitar que coincidisse com o “jubileu de diamantes” da rainha da Inglaterra.  Afinal, o establishment inglês vai querer participar das comemorações das lembranças dos velhos tempos em que o país tinha colônias pelo mundo afora.

Considerando a agenda apertada dos governantes dos países altamente desenvolvidos – os EUA estará às vésperas de eleições presidenciais -, os burocratas da ONU já optaram, também, por reduzir para 3 dias o período de realização da Rio + 20.  A Rio 92 durou duas semanas!  A ocupação militar do Rio de Janeiro será reduzida proporcionalmente.  Que bom!

A conferência anterior do mesmo tipo, realizada em Joanesburgo em 2002 e apelidada de Rio + 10 durou 10 dias e não tomou nenhuma decisão.  George W. Bush a boicotou e por essa ausência foi aplaudido por grupos conservadores em seu país, que não enviou sequer uma delegação.  Lá, reuniram-se basicamente um grupo de ONGs e empresários.

Em janeiro deste ano, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNCSD, na sigle em inglês) divulgou um documento intitulado “rascunho zero” ou “versão zero do rascunho”.  Costuma ser bem divertido o idioma falado pela burocracia da ONU!  A interpretação geral dada ao tal documento foi de que nenhum país será sequer convidado a assinar nada.  A página da Rio + 20 na internet é divertida o suficiente para informar que os “eventos paralelos” durarão muito mais do que os eventos oficiais: 10 dias!

Na área sobre economia verde da página da Rio + 20 na internet há documentos com editoração gráfica de qualidade duvidosa e a palavra “roadmap” – “mapa do caminho” na tradução da delegação brasileira em Bali – foi substituída por “pathways” – expressão bem menos ambiciosa.  Nas palavras da ONG washingtoniana Iniciativa por Direitos e Recursos - uma dessas ONGs financiada por outras ONGs – “não há nada na minuta zero produzida pela organização da Rio + 20 que sequer mencione os direitos dos pobres à sua terra e às suas florestas”.

Espera-se, agora, pelo que resultará do encontro do Conselho Internacional para a Ciência que ocorrerá ao final de março em Londres com a denominação de Planeta Sob Pressão com o objetivo de induzir os políticos a terem algum contato com a realidade planetária não imediata e eleitoral.  Para isso, tentarão usar as credenciais da representação de grupos científicos de 140 países.  É bem difícil de prever o que resultará quando o Conselho Internacional para a Ciência discute um pouco de tudo, desde a patente sobre genes até nano-materiais.

Quem sabe, a necessidade maior é que a turma da “economia verde” comece a conversar com a economia real.  Afinal, se desconsideradas as grandes hidrelétricas, que agora sofrem a oposição dos movimentos ambientalistas, a participação das energias renováveis na matriz energética mundial é simplesmente desprezível (ainda que se possa falar em elevadas taxas de crescimento, já que é bem mais fácil ter um crescimento muito elevado quando se é bem pequeno).

O mais provável é que a Rio + 20 seja um grande evento turístico e as autoridades ambientais brasileiras talvez sejam mais efetivas se planejarem belas programas de “turismo ambiental” nas raras unidades de conservação que dispõe de ALGUMA infraestrutura (de verdade) para receber visitantes.  No momento, não ocorre ao autor deste blog nem uma só no estado do Rio de Janeiro.

 

Durban – A Farsa do REDD e a Pirataria do Carbono

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Dias antes do início do encontro turístico que se realiza neste momento em Durban, na África do Sul, a Associação Inter-Étnica de Desenvolvimento da Selva Peruana denunciou a nova farsa conhecida como REDD – Reduzindo Emissões do Desmatamento e da Degradação: comunidades de povos da floresta peruana vêm sendo induzidas a assinar documentos objetivando a preservação de milhões de hectares e  acabam perdendo os seus direitos sobre os recursos financeiros do próprio REDD e até ao uso da própria terra.

Algo muito similar ao que já acontece aqui, há tempos, no momento da criação de “reservas extrativistas”.

denúncia - cuidadosamente sonegada pelas grandes ONGs “ambientalistas” envolve dezenas de projetos com uma área total de 20 milhões de hectares.  Esta, sim, é uma verdade altamente inconveniente às vésperas do pré-naufragado encontro de Durban.

O documento, elabora em conjunto com a organização Forest People Programme, encontra-se disponível em inglês e em espanhol.  ONGs, consultores na área de carbono e investidores tem vasculhado as florestas peruanas convencendo comunidades e povos locais que algumas vezes mal dominam o espanhol para propor acordos com promessas de conseguir milhões de dólares em troca da cessão do controle de suas terras para terceiros.

Muitos desses contratos incluem cláusulas de confidencialidade e foram negociados sem qualquer assessoria jurídica para as comunidades vulneráveis à “pirataria do carbono”.

Segundo uma reportagem do The Guardian, esse tipo de pirataria já havia sido detectada em Papua Nova Guiné, na África e na Indonésia.  Mais recentemente, tornou-se uma febre na Amazônia, “comparável apenas à corrida de multinacionais para descobrir petróleo ou cultivar látex na região”.

É bem mais fácil para a meia dúzia de ongoleiros em Durban falar sobre mudanças na lei que se pretende um “código florestal” no Brasil e apenas fazer referências à extração de petróleo das areias betuminosas do Canadá do que falar nas dezenas de termelétricas a carvão que vem sendo implantadas nos EUA e das muitas novas frentes de mineração de carvão para exportação para a China que estão sendo desenvolvidas nos EUA e na China.

O “jornalismo ambiental” classe Y da Folha de São Paulo e de O Globo também sonegou esse relatório porque sabe que a juventude urbana “entende” melhor mensagens mais fáceis, já impregnadas na mente da juventude urbana.  Da mesma forma que nada fala sobre as emissões que decorreram da extração de óleo do pré-sal – assunto nada “conveniente”.

E que se danem os “povos da floresta”.  Recomenda-se às autoridades brasileiras – inclusive ao abúlico MMA – que estejam atentos às atividades desses “piratas do carbono” na Amazônia.  Afinal, TODO o problema do REDD e das doações ao miraculoso “Fundo Amazônico” consiste justamente em como fazer a grana chegar até os milhões de brasileiros que vivem na Amazônia sem saneamento, saúde, e outras “pequenas conveniências” tão acessíveis aos Klabins e “ambientalistas” de grandes ONGs estrangeiras ou por elas financiados.

“Desenvolvimento Socio-Ambiental” no Porto do Açu – Rio de Janeiro

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Esse é o exemplo máximo do ”desenvolvimento socio-ambiental“ à moda do chefe!

Vale assistir TODO o excelente trabalho dos estudantes de jornalismo cujos nomes se encontram ao final do documentário.  Qualquer comentário sobre o amontoado de leis e regulamentos jogados no lixo é redundante diante das imagens.  Parabéns, também, ao professor que os orientou os estudantes.

Os ongolóides do “desenvolvimento sócio-ambiental” ainda não se pronunciaram!

No Brasil, a mera expulsão de pessoas de suas propriedades sempre foi feita com o enchimento de barragens de hidrelétricas.  Mais tarde, também com a criação de parques de papel e de outras unidades de conservação, mas aí o roubo é gradual, ainda que igualmente “na mão grande”.

Mas o uso de recursos públicos para fazer desapropriações em benefício de uma única empresa é uma novidade!  Nesse caso, o interesse social foi apenas uma “ação entre amigos”.

 

Código Florestal – Enfim, Fatos! E Até Um Pouco de Bom Senso..

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São tantos os absurdos e visões parciais publicadas sobre a aprovação de uma proposta mínima de atualização do código florestal que vale ouvir um pouco de verdade!  Parabéns do jurista Luis Carlos Silva de Moraes.

Fora isso, num surto de bom senso, um membro de uma “OSCIP” (a sigla foi criada para disfarçar o americanismo que vinha de NGO, aqui transformado em ONG), num artigo hoje publicado no Estado de São Paulo, admite:

” (…) o texto votado na Câmara não atendeu a sociedade em geral, que deseja proteção, recuperação e uso das florestas, nem o produtor rural. A norma omite apoio ou incentivo econômico para recuperação. De nada adianta diminuir faixas de preservação ciliar de 30 para 15 metros: quem não possuía recurso para recuperar 30, não recuperará sequer 15. A questão não é normativa, é econômica. Vale também para a reserva legal: sem um mecanismo de mercado que viabilize a troca de ativos florestais, simplesmente não vai ter regularização, seja o que for que a lei reze.”

Ou seja, o tal do “bioma” está se lixando para o código que não é código mas uma mera lei.  A natureza não cabe numa lei.  Esse “mecanismo de mercado” não existe.  As grandes empresas norte-americanas andaram preocupadas com o “compensação” das emissões de carbono através da conservação de florestas enquanto havia riscos de que o Congresso dos EUA aprovasse algum tipo de lei determinando a sua redução progressiva.  Como isso não aconteceu – e nem acontecerá! -,  as ofertas mágicas de recursos para um fantástico “fundo amazônico” ficaram no papel.   E tanto EUA quanto muitos outros países que tanto falavam em florestas – Inglaterra, Noruega – optaram mesmo foi por avançar na exploração do petróleo do Ártico, em prol da “sustentabilidade das emissões de carbono”.

Sobre o Rigor na “Gestão Ambiental” da Amazônia – Quando a Realidade e a Lei São Incompatíveis

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O Brasil nunca teve uma política ambiental séria e consistente, para nenhum setor: florestas, solos, recursos hídricos, qualdiade do ar, resíduos, saneamento, unidades de conservação, nada! Teve, sim, iniciativas isoladas que ocasionalmente são elevadas à condição de símbolos.   Mas a prova final e contundente dessa imensa lacuna é o estado em que se encontram os diversos aspectos aqui relacionados.  Como dizem os ingleses, “a prova do pudim ocorre quando ele é comido”.  São os resultados práticos, reais, que provam que o pudim foi bem feito.  Nada além.

O Brasil tampouco teve uma política consistente para a Amazônia, nem mesmo depois do advento das Marinas Silvas da vida com as suas naufragadas reservas extrativistas.  E, aqui, é conveniente ter a prova do pudim.

Santarém, conhecida como a Pérola do Tapajós, localiza-se na margem direita deste rio, na sua confluência com o rio Amazonas.  Pelo censo de 2010, a população do município está na faixa dos 300.000 habitantes.

Ao longo de sua história, para simplesmente poder existir, ergueu-se em sua uma alta muralha de contenção das cheias anuais.  De outra forma, a cidade simplesmente ficaria totalmente submersa durante boa parte do ano.  A parolagem da faixa marginal de proteção e todo o lero-lero em torno do assunto não se aplica à realidade das áreas urbanas da região amazônica: as pessoas não podem viver longe da água porque dela necessitam não apenas para beber como para se alimentar e para o transporte.

Assim, como praticamente todo o transporte é hidroviário, em 2002 o governo resolveu construir um porto fluvial para o comércio.  As estruturas mais caras do porto foram feitas – aquelas de sustentação, cravadas no fundo do rio Tapajós – e abandonadas em 2002.

Abandonada essa obra e havendo demanda de um porto comercial, as autoridades ambientais concederam a licança para um porto à Cargill.  Coisas do tal do mercado e do tal do desenvolvimento.  O porto graneleiro da Cargill foi construído e encontra-se em plena operação.

O Ministério Público (do Pará?) andou implicando com o licenciamento desse porto mas ninguém parece ter-se preocupado com o desperdício de milhões dos cofres públicos com o outro.

Enfim, existindo praias lindíssimas na região – Alter do Chão é distrito de Santarém -, a turma resolveu fazem um terminal turístico eco-sustentável, verde e tudo o mais.  Um pior de madeira com um nome bem bonito, bolado por marqueteiro.  Mas que não pode ser usado pela população da região, que utiliza as velhas embarcações precárias e sem segurança para o transporte regional.   E o “terminal interpretativo” foi inaugurado em grande estilo, com honras e pompas circunstanciais.

Esqueceram-se apenas de um pequeníssimo detalhe: o terminal turístico eco-tudo encontra-se exatamente ao lado de uma imensa boca de esgotos.  Santarém, é claro, sonha com um sistema de coleta e tratamenteo de esgoto, há muito tempo.

A foto acima – com todas as outras deste artigo – foi feita pelo autor do blog exatamente de cima do terminal eco-desenvolvimentista verde e sustentável dessa turma.  Ali, na boca do esgoto, a pesca de rede e crianças se banhando, tranquilamente.  Como se sabe, a transmissão de doenças por via hídrica em meio salino é inexistente ou quase, enquanto na água doce é intensa.

O tamanho da criança que atravessa o fluxo de esgoto no momento da foto e a a muralha de contenção dá uma excelente noção da altura desta última.

Espera-se, agora, que dona Dilma anistie a turma que construiu a muralha na Faixa Marginal de Proteção.

Ou pelo menos que o MMA determine que sejam retirada do topo do único morro da cidade a tancagem de combustível que lá se encontra.

Que se restaure a moralidade!  Ou que todos se locupletem igualmente!

Código Florestal – Como os Ruralistas dos EUA Influenciam Decisões sobre a Nação Brasileira

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 De que lado está o Executivo federal na questão do Código Florestal?  Do lado do voto, da Nação brasileira, da “imagem” do Brasil no exterior (como ocorreu com FHC) ou dos interesses dos “produtores rurais” norte-americanos?  É bem difícil de saber, já que o Executivo não apresenta números, não conhece e nem quer saber de fatos (não ouve a EMBRAPA, por exemplo) e move-se apenas no pântano das conveniências de um “consenso” indecente que dispensaria a própria existência do Congresso Nacional apenas para não dar a impressão de que houve uma “derrota”.  Um pouco de tudo!

“Produtores rurais” norte-americanos vai entre aspas porque eles são altamente subsidiados, e uma grande parte – senão a quase totalidade – desses subsídios vai para o bolso dos fabricantes de equipamentos altamente sofisticados, pesticidas químicos muito danosos ao meio ambiente, fertilizantes derivdos do petróleo, e sementes transgências controladas por empresas do tipo Monsanto.

Aqui, é possível ver como o agri-business gringo se organizou para influir nas decisões sobre o Código Florestal brasileiro!  Essa peça publicitária foi produzida juntamente com um estudo em que se demonstra o quanto o agri-business dos EUA ganharia com a imobilização do território brasileiro em nome de “princípios” de gestão ambiental que lá não existem (eles são bem mais sérios e a prova disso são os resultados alcançados).  O estudo indica números na faixa de US$ 200 a US$ 300 bilhões de ganhos nas áreas de óleos vegetais, soja, carne e madeira.  Além de empregos assegurados no setor do agro-negócio dos EUA, o estudo, aqui encontrado na versão original em ingles, poderia ser intitulado os interesses do agro-negócio norte-americano no Código Florestal brasileiro!

Ambos foram posteriormente mascarados com interesses sobre a proteção da biodiversidade e do combate às mudanças climáticas – e outros trololós -, para que não ficasse evidenciada a indecência absoluta dos propósitos puramente comerciais da ONG dos ruralistas dos EUA (que, vale dizer novamente, inclui interesses nos mais diversos setores da economia daquele país, já que derivados de milho encontram-se presentes em grande parte dos alimentos processados industrialmente no país).

O vídeo fala por si mesmo e o uso de imagens de uma Amazônia pristina, sem gente, é exemplo da mais pura calhordice.  Até mesmo o uso de um curto trecho da mesma filmagem do corte de uma árvore, ora num sentido, ora no outro (ou seja, as imagens são as mesmas, apenas revertidas), é mais um “detalhe” desse tipo de pressão comercial à qual o Executivo brasileiro se rendeu.

Parabéns para eles!  Aos vencedores, as batatas.

***

No “princípio”, essa turma fez Obama levou à farsa programada da Conferência de Copenhagen ao final de 2009  a “promessa” de um compromisso de US$ 1 bilhão para a preservação de florestas.  A própria Noruega fingiu ter o mesmo compromisso doando uns trocados que sumiram na poeira da estrada (mas que à época eram apenas uma fração do que o país havia investido na compra de caças militares para proteger os seus interesses na extração de petróleo no Ártico).  Aqui, anunciou-se a constituição de um mitológico Fundo Amazônico.  Tudo foi logo esquecido e não se tocou mais no assunto. 

O “Código” Florestal e a Omissão Política Geral

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Não existem Áreas de Preservação Permanente – APPs ou Faixas Marginais de Proteção – FMPs em países sérios, que tiveram políticas de gestão ambiental bem sucedidas.  As questões dos processos erosivos dos solos é tratada em função das características dos solos, e os reservatórios de hidrelétricas ou outros têm usos múltimplos, incluindo o lazer.

Aqui é que o poder público – com minúsculas mesmo – finge que age seriamente quando discute uma revisão de um Código Florestal mais do que antiquado, na verdade demente, quando está mesmo é em busca do melhor proveito eleitoral!  O governo não ouve os seus melhores profissionais – a EMBRAPA, por exemplo -, mas ONGs gringas e interesses gringos que dão mais espaço na imprensa urbana.  O judiciário frequentemente não se interessa pelo espírito das leis, restringindo-se à métrica e ao papel de bedel de textos.  O MP que atua na área parece preferir o salto alto.

Por falar em reservatórios, vale assistir a duas reportagens curtas do Canal Rural sobre a mão de ferro do MP e da lei contra os mais fracos e outra sobre a total omissão das empresas de eletricidade, inclusive estatais.

Enquanto a coisa rola assim para os mais fracos, os muito ricos se divertem, como noticiado hoje pelo Estadão, em excelente reportagem que é comum nas mais diversas regiões do país: a ocupação das margens dos reservatórios pelos mais ricos.

Diante dos absurdos e do circo sobre a revisão do Código Florestal – que, na verdade, não “revê” nada e invade qualquer noção de pacto federativo, só mesmo citando o belíssimo poeta Bruno Tolentino – e fica aqui a minha homenagem ao amigo – que, por sua vez, abre o poema citando Alberto Torres.

 “Este estado não é uma nacionalidade. Este país não é uma sociedade; esta gente não é um povo.  Nossos homens não são cidadãos.”  (Alberto Torres)

 Um Interlúdio – Torres e Deuses (Bruno Toletino)

 
AlbertoTorres

há muitos anos

disse de nós

que não formamos

uma união

ainda não;

que, como os símios

que trocam os ramos

pelos cipós,

nos enredamos

com o ilusório

e confundimos

o bem e o mal;

que porque temos

um território

nos persuadimos

de que há um país

neste local.

 

Que nesses termos

nunca faremos

uma nação

de um matagal,

pois se não dermos

comida, teto, 

lugar, raiz

e dignidade 

ao cidadão,

ao branco e ao negro,

nosso projeto,

nossa retórica

nacional,

não passarão

de uma inverdade,

de uma ilusão

escrita a giz

no quadro-negro.

O circo em andamento ajuda um bocado a ocultar a imundície dos rios, a abundância de lixões, a inexistência de sistemas de coleta de águas pluviais nas cidades, e muito mais que serve como comprovação tácita do fracasso de nossas políticas ambientais.  Como disse minha filha, ontem, eles têm o máximo controle sobre o imposto de renda e sobre a coleta de impostos em geral, mas fazer algo parecido, por exemplo, para controlar o cronograma físico-financeiro de obras públicas, ou o agendamento de consultas em hospitais….