Aumentam em muito as projeções de vendas de veículos elétricos – E o Brasil?

“A revolução dos carros elétricos vai atingir o mercado de maneira mais impactante e rápida do que o previsto há um ano atrás.  Os veículos elétricos estão em rota de aceleração para chegar a 54% das vendas de novos automóveis já em torno de 2040.   A queda dos preços das baterias significa que os veículos elétricos terão preços menores ao longo de sua vida útil e serão mais baratos na aquisição do que os veículos a combustão interna na maior parte dos países já entre 2025-2029.”

A afirmação consta de um relatório do Grupo de Finanças para o Setor de Energia da Bloomberg, que pode ser encontrado no link abaixo, e que faz uma revisão das previsões do relatório anterior:

Electric Vehicle Outlook 2017

O principal motor para o crescimento acelerado das vendas de veículos elétricos (EV – na sigla em inglês), que deve ocorrer já a partir da segunda metade de 2020, é a rápida queda nos preços das baterias de lítio-íon, que deve chegar a 70% até 2030.

Já em 2040, os veículos elétricos leves corresponderão a 33% dos automóveis em circulação nas estradas do mundo.

Mesmo que os preços do petróleo se mantenham baixo, as vendas de novos veículos elétricos na Europa deverão corresponder a 67% do total até 2040, a 58% nos EUA, e a 51% na China.  Países que se posicionaram cedo em relação a esses veículos – comol Noruega, França e Inglaterra – estarão entre os líderes mundiais.  Em algumas economias emergentes, como a Índia, as previsões são de que as vendas de veículos elétricos só atinjam patamares significativos ao final da década 2020.

E isso tudo, mesmo que os preços do petróleo se mantenham baixos, como agora.

O banco Goldman Sachs já “apelidou” o lítio de “a nova gasolina”.  A Bolívia está entre os maiores detentores de reservas de lítio do mundo, mas não sabe como caminhar em direção à sua exploração e agregação de valor.

Um estudo recente dos Serviço Geológico do Brasil elevou a participação do país nas reservas mundias de 0,5% para 8%.  Se o país tiver uma boa política estratégica para o setor, não venderá o mineral em estado bruto, mas já purificado ou até mesmo na forma final de baterias conforme especificações/design das montadoras de veículos.  E acelerará a produção interna de veículos elétricos.

Mas, que nada.  Por enquanto o país se debate com esforços das concessionárias de distribuição de eletricidade e distribuidoras de combustíveis fósseis (postos de gasolina) que tentam aprovar lei ou norma federal de que lhes assegurem o monopólio da recarga de veículos.  Esse velho e roto corporativismo não interessa à retomada do dinamismo econômico do país.

No país do atraso mental, basta um deslize para as autoridades de trânsito proibirem até mesmo as caronas.

 

As vantagens do fim do ciclo das grandes empreiteiras brasileiras

As mentes mais obscurantistas tentam alegar que o fim do ciclo das grandes empreiteiras brasileiras representa uma perda econômica ou de poder das empresas nacionais.  Qual nada!  Representa, sim, uma significativa oportunidade de avanço e de redução da corrupção institucionalizada.

Basta uma única observação para para comprovar essa fato: as grandes empreiteiras só foram contratadas pelo poder público, nunca para grandes obras da iniciativa privada.

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A espalhafatosa privatização da Cedae e danem-se os municípios… e o saneamento básico

Meirelles é a única voz do governo – fora as usuais disputas por cargos em Brasília.  Em tempos de crise, um mero contador tenta aparecer como economista, quando na verdade só quer que as colunas da direita e da esquerda se encontrem (o que, convenhamos, é o mínimo).  Nada sobre o aumento do dinamismo econômico que possa resultar em geração de emprego e em aumento da arrecadação.  Nada de sério na saúde pública ou na educação.

Até as mais caretas agências de classificação de risco já divulgaram notas informando que não se trata apenas do deficit público, mas da incapacidade do governo para fazer a economia crescer

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Reuso de água na agricultura – Quando municípios pobres têm mais iniciativa do que os governo federal e estaduais

(os trechos sublinhados levam aos links)

Algum nível de equilíbrio nas contas do poder público é imprescindível, mas está longe de ser suficiente para recuperar a economia brasileira.  Da forma que estão sendo colocadas, as propostas mais parecem iniciativas de contadores, que buscam um encontro da “coluna da direita” com a “coluna da esquerda”, sem nenhuma iniciativa que cause impactos sobre a economia real, aquela que efetivamente move a produção, a geração de renda e a própria geração de receitas públicas.

São imensas as possibilidades e necessidades de dinamização da economia real, mas o Executivo – federal e na maioria dos estados, senão em sua totalidade – parece limitar-se às autoridades financeiras.

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Tarifas de pico e fora do pico na energia elétrica – o Brasil avança ou a ANEEL coloca a mão no freio?

Sem sombra de dúvidas, a adoção da assim denominada “tarifa branca” pela ANEEL representa algum avanço, ainda que tardio, de implantação lenta, e sem especificações mínimas sobre que tipos de medidores de eletricidade serão adotados.

Além disso, de um modo geral, o populismo prevalece e tenta-se vender a iniciativa como de interesse apenas do consumidor, e não do conjunto do sistema elétrico, da nação (se esse conceito ainda existe no país) ou, em particular, das concessionárias (tal é a elevação das tarifas nos horários de pico).

Afinal, a arrecadação das geradoras e das concessionárias de distribuição aumenta, permanece estável… ou a ANEEL vende gato por lebre ao afirmar que os consumidores serão beneficiados (se deixarem para tomar seus banhos com chuveiro elétrico  ou usarem suas máquinas de lavar roupa depois das 10 da noite, apesar de terem que acordar às 5 da manhã)? Alô, alô, ANEEL, queremos os números, as planilhas, ainda que com estimativas.

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