Perdas por evaporação nos na “transposição” do São Francisco X Energia solar flutuante

As perdas por evaporação nos canais e reservatórios do sistema de “transposição” do São Francisco estão estimadas em 30%.  Água bombeada que se vai no semi-árido nordestino.

Ao final do ano passado, estimavam-se os custos operacionais da transposição do rio São Francisco em R$ 800 milhões por ano, principalmente em eletricidade para o bombeamento.  No início de 2019, a Agência Nacional de Águas – ANA resolveu definir tarifas (subsidiadas?) para a adução e disponibilização da água que indicam custos de R$ 433 milhões para o trecho já concluído.  Em tese, esses custos serão distribuídos entre os estados atendidos, proporcionalmente à vazão de água entregue a cada um deles.  Considerando as expectativas de aumento nos preços da energia, a conta pode subir e cair no colo do Tesouro Nacional.

Continuar lendo Perdas por evaporação nos na “transposição” do São Francisco X Energia solar flutuante

A morte anunciada das térmicas a carvão… e o Brasil na mesmice

O título de uma notícia não poderia ser melhor – e por isso foi, aqui, apenas traduzido: Assim morre o carvão – Com energias renováveis super baratas e sistemas de estocagem de energia.

A notícia foi publicada inicialmente por Think Progress e logo reproduzida por outros meios de comunicação.  Ela pode ser lida aqui (em inglês).

A noticia é sobre a última concorrência feita no Colorado para aquisição de energia firme – isto é, de fornecimento constante, 24 horas por dia – que resultou em preços de energias renováveis mais baixos do que os meros custos operacionais das termelétricas a carvão existentes (e já amortizadas).  E isso no Colorado, onde os índices de insolação não são tão altos quanto na região nordeste do Brasil.

Continuar lendo A morte anunciada das térmicas a carvão… e o Brasil na mesmice

Agência regulatória de energia dos EUA rejeita proposta anacrônica de Trump – Como seria algo assim no Brasil?

Em países onde as agências regulatórias são sérias, “ordens” presidenciais são rejeitadas como sugestões e propostas de quaisquer outras organizações e entidades.  Isso ocorreu há dias com uma proposta de Trump voltada para subsidiar a geração de eletricidade de fontes térmica a carvão e nuclear.  A decisão dos 7 conselheiros da agência regulatória de energia dos EUA foi unânime, mesmo com 4 deles tendo sido indicados pelo atual presidente.

Continuar lendo Agência regulatória de energia dos EUA rejeita proposta anacrônica de Trump – Como seria algo assim no Brasil?

Mudanças climáticas – Temendo a “esterilização” do texto, cientistas vazam documento oficial

O pensamento retrógrado de Trump fez com que, pela primeira vez, funcionários das agências governamentais norte-americanas vazassem para a imprensa a minuta do minuta do último relatório do Relatório do Programa Norte-Americano de Mudanças Climáticas Globais.  O que vazamento para a imprensa de informações de interesse público sonegadas pelos governos deveria ser uma prática ética amplamente adotada.  É o que deveriam ter feito os responsáveis ou participantes do relatório brasileiro que já estava na gráfica quando o ministro Roberto Mangabeira Unger chateou-se e mandou tudo para o lixo.

Continuar lendo Mudanças climáticas – Temendo a “esterilização” do texto, cientistas vazam documento oficial

Aumentam em muito as projeções de vendas de veículos elétricos – E o Brasil?

“A revolução dos carros elétricos vai atingir o mercado de maneira mais impactante e rápida do que o previsto há um ano atrás.  Os veículos elétricos estão em rota de aceleração para chegar a 54% das vendas de novos automóveis já em torno de 2040.   A queda dos preços das baterias significa que os veículos elétricos terão preços menores ao longo de sua vida útil e serão mais baratos na aquisição do que os veículos a combustão interna na maior parte dos países já entre 2025-2029.”

A afirmação consta de um relatório do Grupo de Finanças para o Setor de Energia da Bloomberg, que pode ser encontrado no link abaixo, e que faz uma revisão das previsões do relatório anterior:

Electric Vehicle Outlook 2017

O principal motor para o crescimento acelerado das vendas de veículos elétricos (EV – na sigla em inglês), que deve ocorrer já a partir da segunda metade de 2020, é a rápida queda nos preços das baterias de lítio-íon, que deve chegar a 70% até 2030.

Já em 2040, os veículos elétricos leves corresponderão a 33% dos automóveis em circulação nas estradas do mundo.

Mesmo que os preços do petróleo se mantenham baixo, as vendas de novos veículos elétricos na Europa deverão corresponder a 67% do total até 2040, a 58% nos EUA, e a 51% na China.  Países que se posicionaram cedo em relação a esses veículos – comol Noruega, França e Inglaterra – estarão entre os líderes mundiais.  Em algumas economias emergentes, como a Índia, as previsões são de que as vendas de veículos elétricos só atinjam patamares significativos ao final da década 2020.

E isso tudo, mesmo que os preços do petróleo se mantenham baixos, como agora.

O banco Goldman Sachs já “apelidou” o lítio de “a nova gasolina”.  A Bolívia está entre os maiores detentores de reservas de lítio do mundo, mas não sabe como caminhar em direção à sua exploração e agregação de valor.

Um estudo recente dos Serviço Geológico do Brasil elevou a participação do país nas reservas mundias de 0,5% para 8%.  Se o país tiver uma boa política estratégica para o setor, não venderá o mineral em estado bruto, mas já purificado ou até mesmo na forma final de baterias conforme especificações/design das montadoras de veículos.  E acelerará a produção interna de veículos elétricos.

Mas, que nada.  Por enquanto o país se debate com esforços das concessionárias de distribuição de eletricidade e distribuidoras de combustíveis fósseis (postos de gasolina) que tentam aprovar lei ou norma federal de que lhes assegurem o monopólio da recarga de veículos.  Esse velho e roto corporativismo não interessa à retomada do dinamismo econômico do país.

No país do atraso mental, basta um deslize para as autoridades de trânsito proibirem até mesmo as caronas.