A Índia comprova a viabilidade de barcas solares de passageiros

O estado de Kerala, na Índia, comprovou a viabilidade técnica e econômica de embarcações solares, com redução de 97% nos custos operacionais de embarcações de transporte público com capacidade para 75 passageiros sentados.

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Rocinha e São Conrado – O Abandono no Rio de Janeiro

Tudo bem, reduzir despesas é fundamental na situação em que se encontra o poder executivo em todos os níveis.  Mas há, também, que dinamizar a economia – e não apenas ou nem principalmente através das taxas de juros.  Boas políticas públicas não dependem necessariamente de investimentos diretos.

Em todo caso, enquanto se espera pelo fim da crise, que tal produzir projetos de boa qualidade, que não saiam de negociações espúrias com empreiteiras que desprezam a engenharia e querem mesmo é colocar mais concreto e faturar por maior número de metros cúbicos de escavação?

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Avançam as minerações sem barragens e sem descarte de águas contaminadas

A passos lentos, o Brasil avança em direção a uma mineração sem barragens e com menos danos às águas superficiais e subterrâneas.  Uma das razões para isso é o compreensível temor do rompimento dessas barragens, um tanto imprevisíveis ou mesmo inevitáveis nesses tempos de mudanças de regimes de chuvas.  Outra razão é a crescente escassez de recursos hídricos.  E uma terceira é a rápida diminuição dos custos de tratamento de água.

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Semana Mundial da Água em Estocolmo – E o Brasil, nada…

Neste domingo, inicia-se a Semana Mundial da Água, um dos mais amplos conjuntos de palestras, seminários, conferências e outras atividades internacionais relacionadas ao tema.  A Semana é promovida pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo, cidade que figura entre as lideranças mundiais em diversos aspectos da gestão ambiental, incluindo o que é talvez o mais importante Centro de Resiliência das Cidades, com seminários e conferências periódicas, além de seus cursos normais.

O Brasil parece muito afastado disso tudo.  A programação da Semana Mundial da Água sequer aparece nos calendários de eventos do MMA (segundo informações pessoais), e o evento tampouco parece ser de conhecimento da Agência Nacional de Águas – ANA, do improvável Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH (com suas múltiplas câmaras técnicas), das secretarias estaduais de meio ambiente, das concessionárias de serviços de água e esgoto, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, e de tantos outros órgãos que poderiam – ou devemos dizer deveriam? – manter-se atualizados na dinâmica de trocas de informações, conhecimentos, tecnologias com tais centros mundiais de referência.

O Brasil avalia-se pelo seu próprio umbigo e parece interessado apenas em consolidar-se como exportador de matérias primas de baixo valor agregado.  Em particular neste momento, no qual para além de uma crise econômica e institucional o país está imerso num torpor mental sem precedentes, a abertura para novas ideias, conceitos, conhecimentos, tecnologias seria fundamental para “arejar as ideias”.  A economia não é feita só e nem principalmente de números, mas de gente real que atua de forma dinâmica e criativa num mundo real.

Nesta Semana Mundial da Água será debatido um assunto que deveria ser de grande importância para o Brasil, em particular para Minas Gerais, se algum interesse existisse por uma gestão ambiental séria e inovadora: os impactos negativos da mineração sobre a água.  Abaixo, em tradução livre, um trecho da ementa dos debates sobre esse tema específico:

“Os recursos minerais e energéticos têm o potencial de impulsionar o crescimento em muitos países em desenvolvimento.  Um importante fator para as operações de mineração é a água.  De um lado, ela é fundamental para o desenvolvimento da indústria de mineração; mas, do outro, os recursos hídricos podem ser poluídos e sobre-utilizados pelos processos de mineração.  (…) Enquanto a indústria de mineração está fundamentalmente interessada na quantidade de água, para os países é essencial a sustentabilidade da água tanto em quantidade e qualidade suficientes os seus diversos usos.  (…) Regulamentos, monitoramento e soluções técnicas inovadoras são essenciais para proteger os recursos hídricos em áreas de mineração.” (os itálicos são nossos)

A ideia de barragens de resíduos minerais contaminantes misturados com água precisa ser banida gradualmente do “mapa das minas”.  De um lado, porque é uma aceitação tácita das contaminação das águas superficiais e subterrâneas sob a máscara da mera evaporação.  De outro, porque esse é o único segmento industrial que ignora sumariamente o princípio do poluidor-pagador ou, como dizem os economistas, da “internalização dos custos ambientais de suas atividades” – princípios fundamentais da legislação ambiental brasileira e de todos os países.  Em palavras simples, os custos de tratamento da água utilizada pelas atividades de mineração devem ser plenamente assumidos pelas mesmas, sem o que eles são “socializados”, isto é, rateados pela população – em geral pela mais pobre – sob a forma de escassez e de utilização de água altamente poluída.

O lero-lero barato e xucro de que isso colocaria o Brasil em desvantagem em relação a outros países fornecedores de minérios não se sustenta com base em nenhum tipo de argumento.  NE-NHUM, ZERO!  Em particular quando comparado com (a) as acentuadas quedas nos custos de tratamento de águas ocorrida nas duas últimas décadas, e (b) custos da poluição e de desastres ambientais como o “mar de lama” da Samarco.

Aos números – e não apenas aos lucros -, seus preguiçosos!

São Paulo – Promessas de reuso não saem do anúncio midiático

Em novembro de 2014, o governador Geraldo Alckmin anunciou que, até dezembro de 2015, São Paulo teria duas estações de tratamento de esgotos qualificadas para o reuso na produção de água potável.  Depois disso, nada.

Tratava-se daquilo que se denomina “reuso potável indireto”, ou seja, o tratamento dos esgotos a um nível de pureza que permite o seu lançamento para alimentar as fontes de captação ou para ser direcionado a um reservatório onde análises da água confirmem o seu grau de potabilidade.  Daí, para as estações de tratamento de água.

O que Alckmin anunciou tinha um efeito só “político”?

O tratamento de esgotos para reuso – incluindo o reuso potável direto, isto é, a reintrodução na rede de abastecimento – já não são mais uma novidade há algum tempo em alguns países, como os EUA e Cingapura (que já se planeja para 2060, como se pode ver na página da Agência Nacional de Águas neste último país; lá também se pode ver um croquis sumário de outros exemplos de reuso potável direto ou indireto nos EUA).

Na verdade, a SABESP tem – desde 2002 – estudos para o reuso da água das estações de tratamento de esgotos da região metropolitana, mas eles só saíram do papel com a força do lobby política da Odebrecht/Braskem, que levou à criação do Aquapolo, para abastecimento do polo petroquímico desta última.  E, ainda assim, com zero transparência no que se refere às práticas contábeis.

O que a turma aqui está esperando?  Uma nova e previsível “crise hídrica”?  Ou órgãos como a Agência Nacional de Águas – ANA, Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH, Ministério do Meio Ambiente e seus equivalentes estaduais… acordarem, saírem do marasmo?

Os custos de purificação/reuso de água em escala das concessionárias se reduziram tanto nas últimas duas décadas se reduziram tanto que seriam recomendáveis programas de cooperação técnica e de introdução de novas tecnologias como parte das políticas públicas na área de saneamento.  Fazer apenas mais do mesmo não levará o Brasil a avançar muito, se é que o país não está retrocedendo.