A Lagoa Rodrigo de Freitas – Soluções Insuficientes

A questão do lançamento de esgotos na lagoa Rodrigo de Freitas se arrasta há pelos menos 20 anos, quando a FEEMA multou a CEDAE pela primeira – e única? – vez como decorrência da poluição causada pelos esgotos, que era visível (sem necessidades laboratorieis)! Não se discutia as tais ligações “clandestinas” de esgotos na rede de águas pluviais, mas a mera falta de manutenção preventiva das estações de bombeamento instaladas no sistema coletor que circunda a lagoa. Paralisadas, essas estações faziam que o esgoto bruto fosse lançado por dias ou mesmo semanas nas águas da lagoa.

Ligações “clandestinas” são de fácil detecção, até mesmo com o uso de simples corantes ou “traçadores” nas saídas de esgotos das edificações em dias sem chuva. Em tempo seco, até mesmo a observação visual das saídas das redes de águas pluviais que desembocam na lagoa permite ver se há lançamento de esgotos.

Mas em tempo seco é possível observar, também, o lançamento de águas residuais na lagoa, muitas vezes proveniente da mera lavagem de calçadas ou de veículos, quando a água escorre para as “bocas de lôbo” situadas nas ruas e nas garagens das edificações situaas em toda a bacia drenante. Nessa caso, a água também contem coliformes fecais, óleos, graxas e outros poluentes, frequentemente em cargas tão elevadas quanto os esgotos domésticos.

Isso para não falar dos dias de chuva, quando a água que escorre superficialmente lava as ruas e é lançada na lagoa – ou melhor, nas lagoas -, com altíssimas cargas poluentes. Esse tipo de carga poluente já foi exaustivamente estudada nos países sérios, que em muitos casos adotaram sistemas de reservação ao longo da rede ou das galerias de água pluvial. Como a água de escorrimento superficial carrega a quase totalidade da carga poluente depositada nas ruas ao longo dos primeiros 20 minutos de chuvas máximas (dependendento do grau de urbanização), esses “tanques-pulmão” retêm esse volume de água, enquanto o excedente é então lançado nos corpos d’água. A água assim retida infiltra-se no solo ao longo dos dias subsequentes – procedendo-se, periodicamente, à limpeza dos tanques de retenção – ou é enviada para estações de tratamento de esgotos.

Durante um curto período, um secretário de estado de meio ambiente falou na construção de um “cinturão” em torno da lagoa para realizar a coleta das águas pluviais e seu lançamento no emissário submarino de Ipanema (onde é lançado, sem qualquer tratamento, todo o esgoto coletado desde a Glória até o Leblon). Trata-se de transferir a poluição de um local para o outro. E mal assessorado por engenheiros hidráulicos que não pensaram na possibilidade de coletar apenas o volume de água correspondente aos primeiros 15-20 minutos de chuvas máximas, o projeto foi abandonado em função dos diâmetros das tubulações que seriam necessários para conduzir toda a chuva para o emissário. Felizmente, já que com essa solução a água do mar ao longo dessa orla ficaria ainda mais suja.

Um trabalho sério pode e deve, então, começar pela medição das vazões e da qualidade da água lançada na lagoa em tempo seco e em dias de chuva média ou forte. Isso permitiria a clara identificação das responsabilidades da prefeitura, que finge desconhecer ou realmente desconhece a enorme carga poluidora da água proveniente da lavagem das ruas em dias de chuva.