Archive for the 'Responsabilidade Sócio-Ambiental' Category

Rio de Janeiro – Lagoas da Barra da Tijuca – A Mesmice e o Trololó de Sempre

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Falta imaginação ou cultura à imprensa do Rio de Janeiro?

Morrem peixes com regularidade nas lagoas da Barra da Tijuca, que fedem o tempo todo!  No bairro, está a sede do Comitê Olimpico Brasileiro (COB).  Esse é mesmo o país da piada pronta, como diz o comediante José Simão!  Essas mortandades devem ser parte do “Programa Lagoas Sujas“!

Quando morrem peixes, o mesmo biólogo de sempre diz as mesmas coisas de sempre para o mesmo jornal de sempre: “a culpa é dos esgotos”.  ”Divinhão”, como dizia a garotada no colégio interno.   Sonega “apenas” o fato principal: a ÚNICA responsável pelo lançamento continuado de esgotos é a concessionária desses serviços, que atende pela alcunha de CEDAE!

A historinha dos condomínios com estações de tratamento é besteirol puro.  Em nenhuma grande concentração urbana do mundo – ou de países sérios – a opção por um grande número de estações de tratamento atendendo grupos de unidades residenciais poderia sequer ser concebida como uma solução!  Essa “alternativa” não faz sentido técnico ou econômico!

Não faz sentido técnico porque não removem nutrientes.  E porque é praticamente impossível assegurar a sua operação com níveis de eficiência adequados!  Não faz sentido técnico porque sem a remoção de nutrientes os processos de eutroficação das lagoas continuará no mesmo ciclo infernal: blooms de algas, redução abrupta de oxigênio, mortandade de peixes.

E não faz sentido econômico porque o custo total de um grande número de estações de tratamento de pequeno porte é maior do que uma rede de esgotos!

A implantação do sistema de esgotamento sanitário dessa área começou em 1986!  A mesma estação de tratamento já foi inaugurada diversas vezes, e não há notícias da saída de caminhões levando o lodo para algum lugar.  Depois, para tentar disfarçar a lerdeza, a inércia, a inoperância, inauguraram até mesmo meras unidades de recalque e bombeamento.

Mais de um quarto de século depois de iniciada a implantação dessa rede de esgotos, não há prazo para que ela seja concluída!  Não há um cronograma físico-financeiro final apesar do Rio de Janeiro ter uma tarifa elevadíssima de água e esgoto.  E a imprensa ouve novamente o mesmo biólogo que repete a mesma ladainha!  Que chatice!

Num país minimante sério essas lagoas já estariam limpas há MUITO tempo.  Na Barra da Tijuca, são abundantes os dois requisitos previstos na teoria econômica para viabilizar qualquer mercado – inclusive de prestação de serviços: a vontade de pagar e a capacidade de pagar.  Se não fazem, é por omissão e incompetência mesmo!

O MP não vai processar a tal da “Nova” CEDAE (“Nova” porque tentou vendeu a ideia de que teria como captar recursos na bolsa de valores e, é claro, depois esqueceu o assunto).   A imprensa parece acostumada a repetir a mesma notícia!  E a representação do bairro é de mentirinha.

Em meio à já antiga farsa, os cães não ladram mais… porque a caravana há muito nem finge que passa!

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Os condomínios e shoppings da região podem e devem melhorar as estações de tratamento de maneira a reutilizar a água para lavagem de pisos e de carros, para a rega de jardins e outras finalidades.  Assim, pelo menos reduziriam as suas elevadas e desarrazoadas contas de água.  E a cidade se modernizaria minimamente no que se refere à tal da sustentabilidade!  Mas para isso não há estímulos, só obstáculos.

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Na Inglaterra, os trabalhos de preparação para os Jogos Olímpicos terminaram um ano antes e o consórcio que fez a gestão dos trabalhos devolveu cerca de US$ 1 bilhão aos cofres do governo.

Código Florestal – Cheque em Branco para a Omissão

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Em todos os países que tiveram políticas sérias de meio ambiente (isto é, políticas que levaram a resultados), passagens para peixes foram implantadas sempre que um curso d’água foi bloqueado por uma barragem para a geração de eletricidade ou assegurar a navegação com a colocação de eclusas.

Quando essas passagens não existiam porque a interrupção do curso dos rios foi feita num período anterior a essa percepção da importância dos processos migratórios dos peixes, alternativas para atender a esse requisito (óbvio, básico, elementar) foram criadas no momento em que as empresas operadoras das hidrelétricas foram chamadas ao licenciamento ambiental.

Soluções diferenciadas e adequadas a cada caso surgiram nos EUA, no Canadá, na Europa, sempre envolvendo o monitoramento dos peixes.  Algumas imagens ilustram a facilidade com que tais soluções poderiam ser implantadas.

Passagem para peixes na Holanda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por que exigências semelhantes não foram feitas para TODAS as hidrelétricas existentes no Brasil a partir da aprovação da lei 6.938/81 que estabeleceu o sistema de licenciamento e já completou 30 anos?  Ou por força da Resolução CONAMA 001/86, que estabeleceu diretrizes para a realização de estudos de impacto ambiental e contra a aprovação da qual o setor elétrico lutou, à época, com todas as suas forças?  Pura omissão, covardia ou só ignorância?

Afinal, o próprio rio deveria ser muito mais “área de preservação permanente” do que a sua “faixa marginal de proteção”!  O rio É o bioma esquecido por essa gente.  E não se trata apenas do conceito abstraro de “fluxo gênico” – ah, como eles gostam do palavreado rococó -, mas da própria alimentação de muita gente.

Passagem para peixes em Uppasal, na Suécia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É curioso que as coisas continuem dessa forma no país que, segundo alguns, têm no “código” florestal uma das leis mais modernas do mundo.  E é de se questionar por que essa turma que agora faz “vigília” virtual depois de passar quase uma década no comando do Ministério do Meio Ambiente não tomou essas iniciativas elementares.  Ou mais de duas décadas se considerado o tempo decorrido desde a introdução de um sem número de alterações no “código”, todas gestadas nos gabinetes, encaminhadas ao Congresso Nacional por Medida Provisória e incorporadas à lei por decurso de prazo, sem qualquer votação.

 

Passagem para peixes na barragam de Johan Day, no Oregon, nos EUA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A turma da vigília e do lero-lero sobre autista sobre a intocabilidade da lei nunca votada uniu-se a grupos ligados ao setor elétrico.  O mesmo setor elétrico que até o presente só tomou raríssimas iniciativas para controlar os processos erosivos nas bacias hidrográficas à montante de seus reservatórios;  o mesmo setor elétrico que deu origem a um importante movimento de “atingidos por barragens”  por não conseguir sequer calcular qual será a área de enchimento desses mesmos reservatórios e ainda tem a petulância de falar em “faixa marginal de proteção”;  que fez e continua fazendo barragens que impedem a navegação (em lugar de viabilizá-la), e que continua enganando os otários com a farsa do “peixamento”.

Aqui, cabe pelo menos uma pergunta: qual o reservatório de hidrelétrica que teve o seu perímetro demarcado e a faixa marginal de proteção reflorestada com essências nativas às expensas das operadaras de hidrelétricas?  NEN-HUM!  E são esses os ambientlistas que querem servir de exemplo para alguma coisa?

Enfim, misturando a abordagem “Antonio Conselheiro” acreano com o mais puro oportunismo paulistano,  essa gente que cafetina a gestão ambiental sem apresentar resultados finge para os mais jovens que não tem nada com essa contínua omissão.  E vai levando o seu andor da mais pura enganação.

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As imagens deste artigo – como de um anterior sobre o tema – foram encontradas na internet e utilizadas apenas com objetivos de ilustrar as considerações sobre o tema. Qualquer um que queira visualizar outras imagens ou vídeos pode usar “fish ladder” na busca.  Fish ladders ou passagens para peixes continuam a ser feitas nos países sérios – onde ninguém perde tempo com masturbações sobre um pretenso “código” florestal que apenas justificam a inação.  A última iniciativa dessas que aqui a “gestão” pública de meio ambiente e as ONGs não têm pode ser vista em http://www.hydroworld.com/index/display/article-display/7996410848/articles/hrhrw/environmental/2011/09/us-approves-fish-passage-facility-for-washingtons-cle-elum-dam.html.

Pontes Vivas no Mundo Real X Tolices do “Código” Florestal no Brasil

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Como se demarcaria a tal da faixa marginal de proteção numa região em que riachos se transformam em rios caudalosos durante as chuvas torrenciais de verão?

No Brasil de hoje, organizações zumbientalóides do sétimo dia clamariam contra os riscos de total devastação planetária e mesmo interplanetária, formalizariam denúncias sobre a necessidade de proteger a humanidade de si própria, e emepéios moveriam processos contra aldeões por invasão da tão brasileira “faixa marginal de proteção” (não confundir com alguma faixa de proteção de marginais).  O Congresso Nacional convocaria mais uma audiência pública, um grupo de cientistas tão ilustres quanto desconhecidos e irrelevantes se pronunciaria sobre a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as relações entre a vegetação e o clima, e ilustres juristas falariam sobre a necessidade de regras de alcance nacional, impondo a mais avançada filosofia do direito do mundo sobre uma natureza que precisa ser domesticada para sobreviver.

Mas como o resto do mundo não perde tempo com tanta baboseira, ainda é possível encontrar iniciativas tão criativas e belas quanto pontes vivas na província de Meghalaya, na Índia, talvez a região mais úmida da Terra: até 25 metros de chuva num único ano, a quase totalidade nas monções que ocorrem no verão.  Aí, no mundo real, intocado por cientistas e juristas de bolso, é possível “plantar uma ponte” que sobrevive aos grandes dilúvios.  ”É um projeto épico que nenhum ser humano pode terminar ao longo de uma única vida” – nas palavras do narrador.

Algumas dessas pontes foram feitas há séculos, muitas têm “dois andares”, e elas são um modelo de “arquitetura sustentável viva”.

Vale discutir sobre a aplicação das mesmas regras à Província de Cheerapunji, no nordeste da Índia, e na área urbana de Nova Delhi?

A “judicialização” e a “cientifização” da gestão ambiental em detrimento das normas feitas para a vida real encontram-se entre as causas e as consequências do quase total naufrágio da gestão ambiental no Brasil.  Mas fiquemos com a beleza das pontes-vivas, que são bem mais férteis e inspiradoras.

 

 

Código Florestal e Pressões do Agronegócio dos EUA: Florestas Aqui, Empregos Lá

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Quando ficou claro que a administração Obama sonhava com o estabelecimento de limites para as emissões de gases causadores de mudanças climáticas, o agronegócio negócio norte-americano aproveitou os temores dos maiores responsáveis por tais emissões – geradores de energia, petroleiras, indústrias – e desencadeou forte campanha pela defesa das florestas tropicais, em particular no Brasil.  Essa campanha envolveu abertamente uma ONG de lá com atuação aqui, e talvez outras de forma mais discreta.

Ninguém com um mínimo de bom senso acredita que o agronegócio norte-americano esteja ou tenha estado em qualquer momento interessado em florestas de qualquer tipo e, ainda menos, num país distante.  Ou na biodiversidade, ou nas mudanças climáticas.  Mas… por que o Brasil?

Por uma razão simples, demasiadamente simples: o temor da concorrência com os produtos agropecuários brasileiros!  Eles querem a abertura do mercado brasileiro para os seus produtos de alta tecnologia mas fecham os seus mercados para as “commodities” agrícolas como o algodão e o etanol.

O uso de “cotas” e sobretaxas para atingir esses objetivos espúrios é o “normal” norte-americano – e o Brasil que se vire na Organização Mundial do Comércio (OMC), cujas decisões, de toda forma, não são lá muito respeitadas pelos EUA.

Essa campanha farsante incluiu a confecção e o envio para os congressistas de um vídeo curto sobre os riscos e potencias prejuízos para o agribusiness dos EUA diante do crescimento das exportações brasileiras.  Essa peça publicitária usada para que o Congresso norte-americano não aprovasse lei contendo metas de redução das emissões de CO já foi mostrada neste blog, mas no atual momento vale relembrar essas raízes da mentira.

Com a muita grana e descaramento dessa turma, não é de se admirar que tenham crescido os recursos financeiros para ONGs de lá com franchises aqui acirrarem campanhas mentirosas contra o trabalho que vem sendo feito pelo Congresso Nacional em relação ao nunca votado “código florestal” (que não é código de coisa alguma, mas um fuxico de conceitos abstratos e mal costurados).  Afinal, é tão fácil capturar o imaginário de adolescentes e jovens urbanos que nada conhecem da produção de alimentos e menos ainda de conservação de solos ou de recursos hídricos.

Com a derrota final das proposta de Obama no Congresso dos EUA, esse apoio ao lobby feito no Brasil deveria ter-se reduzido.  Mas as pressões continuaram porque a posição brasileira na produção agropecuária internacional continua a ameaçar os interesses da produção de alimentos lá altamente subsidiada e consumidora de combustíveis fósseis.

De fato, os pecuaristas norte-americanos desencadearam nova ofensiva para contingenciar a exportação de carne brasileira.  Alegam aftosa, doença da vaca louca, qualquer mentira – e até que o gado provem de áreas desmatadas ilegalmente.  Logo eles, que têm a mais antiquada e menos sustentável produção pecuária do mundo: 10 calorias de petróleo por caloria de alimento produzida.  Uma carne vagabunda, de gado criado em grandes campos de concentração, alimentado com milho, soja, hormônios e antibióticos.  Querem manipular o preço da soja mas não querem qualquer valor agregado fora de lá.

E financiam ONGs “ambientalistas”.  Os impostores, é como deveriam ser conhecidos.  Não é essa a agropecuária que queremos!

 

Código Florestal – Como os Ruralistas dos EUA Influenciam Decisões sobre a Nação Brasileira

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 De que lado está o Executivo federal na questão do Código Florestal?  Do lado do voto, da Nação brasileira, da “imagem” do Brasil no exterior (como ocorreu com FHC) ou dos interesses dos “produtores rurais” norte-americanos?  É bem difícil de saber, já que o Executivo não apresenta números, não conhece e nem quer saber de fatos (não ouve a EMBRAPA, por exemplo) e move-se apenas no pântano das conveniências de um “consenso” indecente que dispensaria a própria existência do Congresso Nacional apenas para não dar a impressão de que houve uma “derrota”.  Um pouco de tudo!

“Produtores rurais” norte-americanos vai entre aspas porque eles são altamente subsidiados, e uma grande parte – senão a quase totalidade – desses subsídios vai para o bolso dos fabricantes de equipamentos altamente sofisticados, pesticidas químicos muito danosos ao meio ambiente, fertilizantes derivdos do petróleo, e sementes transgências controladas por empresas do tipo Monsanto.

Aqui, é possível ver como o agri-business gringo se organizou para influir nas decisões sobre o Código Florestal brasileiro!  Essa peça publicitária foi produzida juntamente com um estudo em que se demonstra o quanto o agri-business dos EUA ganharia com a imobilização do território brasileiro em nome de “princípios” de gestão ambiental que lá não existem (eles são bem mais sérios e a prova disso são os resultados alcançados).  O estudo indica números na faixa de US$ 200 a US$ 300 bilhões de ganhos nas áreas de óleos vegetais, soja, carne e madeira.  Além de empregos assegurados no setor do agro-negócio dos EUA, o estudo, aqui encontrado na versão original em ingles, poderia ser intitulado os interesses do agro-negócio norte-americano no Código Florestal brasileiro!

Ambos foram posteriormente mascarados com interesses sobre a proteção da biodiversidade e do combate às mudanças climáticas – e outros trololós -, para que não ficasse evidenciada a indecência absoluta dos propósitos puramente comerciais da ONG dos ruralistas dos EUA (que, vale dizer novamente, inclui interesses nos mais diversos setores da economia daquele país, já que derivados de milho encontram-se presentes em grande parte dos alimentos processados industrialmente no país).

O vídeo fala por si mesmo e o uso de imagens de uma Amazônia pristina, sem gente, é exemplo da mais pura calhordice.  Até mesmo o uso de um curto trecho da mesma filmagem do corte de uma árvore, ora num sentido, ora no outro (ou seja, as imagens são as mesmas, apenas revertidas), é mais um “detalhe” desse tipo de pressão comercial à qual o Executivo brasileiro se rendeu.

Parabéns para eles!  Aos vencedores, as batatas.

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No “princípio”, essa turma fez Obama levou à farsa programada da Conferência de Copenhagen ao final de 2009  a “promessa” de um compromisso de US$ 1 bilhão para a preservação de florestas.  A própria Noruega fingiu ter o mesmo compromisso doando uns trocados que sumiram na poeira da estrada (mas que à época eram apenas uma fração do que o país havia investido na compra de caças militares para proteger os seus interesses na extração de petróleo no Ártico).  Aqui, anunciou-se a constituição de um mitológico Fundo Amazônico.  Tudo foi logo esquecido e não se tocou mais no assunto. 

Mudanças Climáticas – Inventários “Dinâmicos” e Muito Parciais

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No Brasil, as tais políticas para mudanças climáticas têm se limitado ao blá-blá-blá sobre a Amazônia e à realização de inventários voluntários.  Felizmente – ou não! – o assunto agora saiu da esfera dos ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia, que nunca conseguiram se entender, e passou para as mãos do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, de maneira a assegurar que caminhamos para a inércia em nome do consenso.

Os inventários são no máximo divertidos e estimativos, ao contrário de medidas efetivas no campo do desenvolvimento e da disseminação de novas tecnologias como forma de combater as emissões de gases causadores de mudanças climáticas.

Divertidos?  Aos fatos!

Um estudo que será divulgado na íntegra em maio – mas cuja versão preliminar já se encontra disponível para download –  mostra que o gás natural não é tão limpo quanto se pretendia, ou pelo menos escapa para a atmosfera a taxas muito mais elevadas do que aquelas antes consideradas nos tais inventários.  De fato, um professor da Universidade de Cornell acaba de demonstrar que pelo menos 7,9% do gás natural “produzido” está apenas escapando de poços mal fechados ou através de juntas e válvulas, além daquele que está sendo inutilmente direcionado para queimadores (flares) por conveniência das petroleiras.

O problema é que o principal componente do gás natural é o metano, cuja contribuição para as mudanças climáticas é 20 vezes superior à do CO2 resultante da queima dos combustíveis fósseis.  E a preocupação com o metano, até o presente, não se limitava à queima adequada de sua produção em lixões e em aterros sanitários, mas estendia-se ao “peido” dos bois e vacas.  Ufa, que caras chatos!

Os representantes da indústria petroleira norte-americana tentam dizer que há um exagero nos trilhões de metros cúbicos de gás que o novo estudo estima que escapam diretamente para a atmosfera.  Como é o hábito da indústria petroleira!  Mas não apresentam dados.  Um bom indicador de que os escapamentos de metano vinham sendo amplamente subestimados é o fato da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em ingles) ter recentemente duplicado as suas estimativas desses vazamentos nos gasodutos do país.   Um aumento de 100% - nada mal!

No caso dos inventários brasileiros, onde estão mesmo esses vazamentos de metano que ocorrem em todas as fases da produção, do transpporte e da comercialização do gás natural?  Em lugar nenhum!

A versão preliminar e resumida do estudo dos pesquisadores da Universidade de Cornell sobre estimativas de vazamentos de metano nos EUA é mais uma prova de que o lero-lero da organização dos produtores rurais norte-americanos sobre a necessidade de conter o desmatamento na Amazônia tem endereço marcado: evitar a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros.

Agora, com Dilma negociando a exportação de suínos e de soja para a China, vamos ver como Palloci reage.  Ou se faz a usual cara de paisagem.

O Greepeace, as ONGs associadas e financiadas por madeireiras que criam desertos verdes e exportam celulose de baixo valor agregado, e similares ainda não se pronunciaram.  Eles nunca se pronunciam sobre nada que possa decorrer do conhecimento, da realidade, da pesquisa científica, quando isso não corresponde aos seus interesses monotemáticos mais imediatos.

Minas Gerais, Mineração e Corrupção Institucional

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Há poucos dias, o Valor Econômico, que tem excelente cobertura dos temas ambientais, publicou reportagem intitulada “Siderurgia transforma região do Alto Paraopeba”, em Minas Gerais.  O parágrafo inicial evidencia um jornalismo da melhor qualidade devido à capacidade de síntese do desastre em andamento e anunciado.

“Do alto das colinas que cercam Congonhas, a visão é nítida: no fim da tarde, quando sopra um vento forte, ergue-se uma grande nuvem escura da área escavada da mina Casa de Pedra e, em poucos minutos, a sombra de minério cobre a cidade que ganhou fama pelo conjunto arquitetônico de Bom Jesus dos Matozinhos, marcada pelas 12 estátuas de profetas de Aleijadinho.  A ampliação da mina Casa de Pedra, da CSN, onde se extrai ferro com altíssimo teor de pureza, é apenas um dos muitos investimentos programados para a região do Alto Paraopeba, que a médio prazo devem tornar a área de cinco municípios a cerca de cem quilômetros de Belo Horizonte no principal polo minerador e no segundo polo siderúrgico do Estado.” (o grifo é nosso)

Minas Gerais tem muitas belas tradições culturais – inclusive artísticas e arquitetônicas.  E, também, um passivo ambiental esplendoroso, no qual se incluem muitas barragens de rejeitos de resíduos de mineração, com a aceitação indecente e uma destinação inadequada e inaceitável para centenas de milhares de toneladas de lama tóxica.

No caso da violência premeditada e anunciada a um dos mais belos conjuntos arquitetônicos e patrimônios artísticos do Brasil – expresso na estatuária do Aleijadinho -, ninguém sequer tem a vaga esperança de uma ação preventiva do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (de excelentes serviços prestados à nação, mas sem nunca ter aplicado uma só multa) e, ainda menos, do inepto IBAMA, que só exerce as suas tais competências concorrentes, supletivas, indispensáveis nos casos de omissão dos órgãos estaduais, quando politicamente conveniente ou oportunisticamente possível.

É fácil – demasiadamente fácil – medir a presença de material particulado danoso às esculturas do Aleijadinho, bem como sua origem.  Um mero pires ou prato colocado sob a cabeça de uma das estátuas, com a poeira sendo observada pelos visitantes, e cidadãos locais – basta passar o dedo! – e, depois, pesada e feita a análise química (do óbvio) por um grupo de estudantes.  Essa atividade poderia passar a fazer parte do roteiro turístico, para mostrar o quanto a poluição devido ao descaso danifica as esculturas em pedra!

Isso contribuiria para mandar os órgãos ambientais com os seus padrões e critérios de avaliação às favas, já que eles sempre permitem demonstrar que até o ar no entorno das refinarias da Petrobras ou das regiões metropolitanas é de boa qualidade.

Estudos da Universidade de Minas Gerais – UFMG estimam um crescimento populacional de 70% em 15 anos em decorrência dos diversos investimentos na região, passando a população de 200.000 para 300.000 habitantes.  Os efeitos já se fazem sentir no mercado imobiliário.

Segue a reportagem do Valor Econômico:

“A poluição provocada pela extração é o maior problema. Mas nós topamos o ônus da mineração e da sobrecarga sobre a infraestrutura, diante do bônus da industrialização”, comentou o prefeito Anderson Cabido (PT), de Congonhas, cidade que concentra a maior parte dos investimentos projetados. Ele teme que o mercado de minério aquecido leve a CSN a retardar os investimentos em siderurgia.  O Cabido quer mesmo é um cabide, já que não consegue pensar em qualquer outra alternativa econômica para a região!

De fato, desde 2007 a empresa negocia com o governo de Minas Gerais um PACote de incentivos fiscais, leia-se isenções tributárias opostas à política econômica oficial dos governos para os interesses maiores da nação ou dos cidadãos.

“De acordo com a siderúrgica, uma outra empresa foi contratada especificamente para analisar a origem da poeira que cobre a cidade e propor um plano de ação.”  Se contratados bons capachos, eles vão conseguir elaborar um “modelo de dispersão atmosférica” que ninguém compreenderá mas demonstrará que a contribuição da nova mineração será insignificante e, o que é mais importante, os ventos predominantes ocorrem de baixo para cima, em direção à Lua!

Aliás, de toda forma as ” políticas ambientais” brasileiras nunca levam em conta o somatório dsa fontes de poluição no momento do licenciamente de uma atividade.  Com a mineração fazendo a lambança sem controle, virá o trâfego de milhares de carretas e o trem que, igualmente sem regras para evitar o arraste do pé de minério, já demonstrou os estragos que faz em pouco tempo nas praias de Mangaratiba, no Rio de Janeiro.

Curiosamente, a mineração não paga os mesmos royalties que o petróleo ou mesmo que as áreas de alagamento dos municípios onde se instalam hidrelétricas e seus reservatórios.  E o Brasil projetando ampliar portos para exportar mais minério bruto ou com baixíssimo índice de processamento (ferro gusa ou, melhor dizendo, minério cozido).

 E, havendo aumento indireto de arrecadação, as últimas prioridades são educação e saúde pública de boa qualidade.  De fato, resssalta a reportagem, “na expectativa de atender a demanda crescente, os prefeitos programam investimentos. Surge, contudo, entre as prioridades, a construção de novas prefeituras. ‘O novo centro administrativo será o cerne de tudo’ – disse o prefeito de Jeceaba, Júlio César Reis (PT). A prefeitura teve um grande acréscimo de arrecadação nos dois últimos anos, em função do pagamento de ISS pelas empreiteiras que fizeram as obras de construção civil da siderúrgica da VSB.” (os grifos são nossos)

Para atender a esse grande afluxo, que inclui não apenas população, mas dezenas de carretas passando pela rodovia e composições ferroviárias na metade do tempo atual abarrotadas de minério, todo o esforço das prefeituras será pouco, de acordo com Cabido. ‘Temos várias parcerias com o setor privado e com os governos do Estado e federal, mas nada que se aproxime da realidade que se avizinha. Seriam necessário R$ 3,5 bilhões em investimentos, sobretudo em logística de transporte e habitação. Não há esse dinheiro’, disse.”

Como de hábito, privatizam-se os lucros e socializam-se os custos e prejuízos.  Inclusive os danos ambientais, “efetivos e potenciais” – como consta da lei (ah, a lei cheia de conceitos abstratos).

O Rap do “Orgânico e Sustentável” – Mas Sem Reserva Legal ou APP

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Para quem ainda acredita no slogan que dá $ e até uns votinhos – “sustentável” – e no que já foi bom – “orgânico” – mas aos poucos foi absorvido pela grande produção de laticínios dos muito ricos que ditam regras para os periféricos (como faz a Inglaterra com o Brasil), vale dar uma olhada numa divertidíssima publicidade de yogurt “orgânico e sustentável” , sem reserva legal ou area de preservação permanente, é claro, porque lá ninguém é tão otário a ponto de falar nessas coisas.

No princípio, as vaquinhas até aparecem se alimentando num pasto ralo, mas depois elas vão mesmo é para o seu estábulo estilo “operação de alimentação concentrada” (como dizem os norte-americanos, com maior sinceridade).

Essa publicidade para atrair a juventude para os slogans “ambientalistas” pode ser assistida em Orgânico e Sustentável.

Fora o que, é morno quase frio o debate na Inglaterra sobre a decisão do governo de privatizar as já minguadas reservas florestais do país.  A justificativa é a necessidade de enfrentar a crise financeira que já atingiu a Irlanda, está sendo mantida nos bastidores em Portugal (para dar a impressão de que abandonar o Euro foi um ato de coragem do governo), e da qual a Inglaterra não está conseguindo escapar (sem colônias, fica bem mais difícil manter os antes exuberantes padrões de consumo).

As Petroleiras Destroem a Nigéria – E o Silêncio Intencional é Ensurdecedor

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O fotojornalista Ed Kash documentou as conseqüências das atividades das petrolíferas no delta do rio Niger. Algumas das fotos, mostradas pelo jornal inglês The Guardian, foram expostas na galeria The Host, em Londres, em 2010.

Na região, as pessoas já não conseguem viver em decorrência da água envenenada e da impossibilidade de cultivar a terra cuja produtividade caiu drasticamente em decorrência das chuvas ácidas.

Cerca de 20 mil hectares de manguezais desapareceram do delta do Niger, com efeitos devastadores sobre a pesca, ainda que exista um tratado internacional sobre a proteção de manguezais que está em vigor e foi subscrito até mesmo pelos EUA, que não gostam de acordos externos que não lhes sejam favoráveis, e pela Inglaterra, que ainda não se decidiu se é um país membro da União Européia ou uma província norte-americana.

As estimativas são de que 9 milhões de barris de petróleo vazaram nos últimos 50 anos, contaminando a terra e a água.

Da série de fotos que podem ser vistas no link abaixo, a 8/20 mostra trabalhadores de uma empresa terceirizada da Shell em caricata operação de limpeza de um poço abandonado. Em caso de dúvida, é isso mesmo que se vê: o único com uniforme da Shell, em primeira plano, é uma espécie de capataz armado com um facão.

Na todo 6/20, a legenda informa que centenas de pontos de queima encontram-se em constante atividade, liberando gases causadores de mudanças climáticas.

Esses gases não constam de nenhum inventário internacional desses que colocam o Brasil entre os principais países responsáveis por essas emissões.

A foto 1/20 trás na legenda a informação de que o vazamento continua num poço abandonado pela Shell há 25 anos.

Na foto 2/20 é possível ver as condições de trabalho e da legenda consta a informação de que a destruição do delta e as chuvas ácidas liquidaram com a pesca que historicamente alimentou essa população.

Este tema já foi objeto de um artigo no blog à época do vazamento de petróleo no Golfo do México, mas como as imagens falam por si mesmas e mais alto, vale vê-las clicando aqui.

As petroleiras responsávei por tal devastação têm ISO 14.000, estão listadas nas bolsas dos países desenvolvidos como socio-ambientalmente corretas, fazem marketing usando a “sustentabilidade da cadeia produtiva”, etc.  E tambem fazem doações a ONGs com atuação internacional na defesa das florestas tropicais, que silenciam e se omitem quando se trata de algo que não seja visível para a opinião pública.

No Brasil, a Shell investe pesadamente no setor de produção de etanol e afirma querer transformar o país numa plataforma internacional para a exportação sesse combustível.  Os tais créditos de carbono vão para os países importadores, é claro.

Nigéria – Um “Acidente” Como o do Golfo do México por Ano

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Se o acidente da British Petroleum no Golfo do México, que ganha as páginas dos jornais dos EUA e internacionais, tivesse acontecido num país pobre da África, o que aconteceria?  Nada!  Como, de fato, esses “acidentes” são incessantes e não acontece absolutamente NADA.

 Essa questão – ignorada pelas ONGs ambientalistas do estilo “midiático” ou que desejam desviar a atenção do público desses assuntos mais graves – foi descrita e analisada nos últimos dias pelo editor de meio ambiente do jornal inglês The Guardian, John Vidal, num longo artigo cujo título já é um murro no estômago dessa gente que finge não saber: “A Agonia da Nigéria Torna Pequeno o Vazamento de Óleo no Golfo – Os EUA e a Europa Ignoram Este Fato”.

 Da região do delta do rio Niger saem 40% do petróleo hoje consumido pelos EUA.  Nessa delta, os vazamentos de petróleo são constantes. causados pela Shell, pela Exxon (no Brasil, Esso), pela mesma British Petroleum.  Tanto as florestas e manguezais quanto as áreas de plantio ficam cobertas por petróleo pegajoso, a água dos poços se torna imprópria para o consumo humano, mas as petroleiras seguem impunes, e os cidadãos dos países  importadores – cujos governos se omitem – nem ficam sabendo de nada.

 Tendo ido até essa região durante um desses vazamentos, John Vidal relata as palavras do líder de um vilarejo que lhe serviu de guia:

 “Aqui era onde nós pescávamos e tínhamos as nossas plantações.  Nós perdemos a nossa floresta.  Nós informamos a Shell sobre o vazamento em poucos dias, mas durante 6 meses a empresa não fez nada.”

Um local de pesca e cultivo até há poucos anos – segundo cientistas, escritores e grupos ambientalistas nigerianos –, o delta do Niger foi devastado por petroleiras que agem com total impunidade e descaso em sucessivos vazamentos causados, entre outras coisas, por tubulações antigas, algumas com mais de 40 anos, já corroídas.  Essas tubulações cruzam o delta do Niger em todos os sentidos para dali retirar o petróleo leve de melhor qualidade do mundo.  Lá, a população pobre convive com um permanente golfo do México, afirma John Vidal.

 Durante a sua visita à região, um outro líder comunitário afirmou:

 “As empresas de petróleo não valorizam as nossas vidas; elas querem a nossa morte. Nos dois últimos anos, nós tivemos 10 vazamentos e os pescadores já não podem mais sustentar as suas famílias. Isso é intolerável.”

 O delta do Niger, com 606 campos de petróleo,  é a “capital mundial da poluição por óleo”, afirma afirma Vidal.    A expectativa de vida nas comunidades rurais, onde não existe acesso à água potável, caiu para pouco mais de 40 anos em cerca de duas décadas.

 “É impossível saber a quantidade de óleo que vaza no delta do Niger a cada ano porque as petroleiras e o governo mantém a informação em segredo.  Mas duas grandes investigações independentes feitas nos últimos quatro anos indicam que a mesma quantidade que já vazou no Golfo do México neste último acidente é despejada no mar, nas áreas pantanosas e no terra na região do delta do Niger anualmente.”

Outro líder comunitário afirma:

“As petroleiras agem com total descaso, o Legislativo não se importa, e a população é forçada a conviver diariamente com a poluição.  Quando vemos o que está acontecendo agora nos EUA temos um sentimento de tristeza por vermos dois padrões de comportamento.  O que eles (as petroleiras e os governos) fazem na Europa e nos EUA é muito diferente do que fazem aqui”.

O artigo completo de John Vidal pode ser lido na versão original em

www.guardian.co.uk/world/2010/may/30/oil-spills-nigeria-niger-delta-shell

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Essas são as petroleiras que, nos países desenvolvidos e outros, afirmam agira com total “responsabilidade sócio-ambiental”.  Todas devem ter ISO 14.000, 15.000, 16.000 e outras imposturas para enganar trouxas.

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Um dos estudos sobre os vazamentos de óleo no delta do Niger foi conduzido pelo WWF da Inglaterra, pela World Conservation  Foundation e pela Nigeriam Conservation Foundation.  Nesse estudo, estimou-se que no último meio século os vazamentos de óleo no delta do Niger totalizaram o equivalente a 50 vezes o volume de óleo que vazou no caso do Exxon Valdez por ano.

A Anistia Internacional calculou, em 2009, o vazamento em 9 milhões de barris e acusou as petroleiras de ultrajarem os direitos humanos.

Estas estão entre as ONGs que não jogam apenas para as arquibancadas, como é o caso da franchise do Greenpeace no Brasil.

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Para quem se interessar mais, mesmo não compreendendo ingles, valem as imagens que podem ser vistas em http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoID=1731796864.