Igrejas católicas também “desinvestem” de combustíveis fósseis

Mais de 40 instituições religiosas anunciaram que retirarão todos os seus investimentos de empresas produtoras de combustíveis fósseis no aniversário da morte de São Francisco de Assis.  Além dessas organizações, um porta voz do Banco Alemão da Igreja e da Caritas – que têm cerca de US$ 5,3 bilhões em investimentos – também anunciaram o seu compromisso de remover todos os seus investimentos em empresas de produção de petróleo, areias betuminosas e xisto.  Tais recursos deverão ser reorientados para energias renováveis.

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Cedae – Crivella ouviu o galo cantar… bem ao longe

Marcello Crivela convidou prefeitos de municípios da Região Metropolitana para almoçar no Palácio da Cidade às custas dos cidadãos para – ao menos para a arquibancada – discutir a privatização da Cedae.  A imprensa não divulgou qualquer proposta oriunda do tal almoço e nem mesmo o cardápio.  Até o momento, Crivella não se pronunciou de maneira clara sobre a tal privatização, que até agora não passa da transferência das ações da empresa para o Banco do Brasil – ou seja, uma operação meramente contábil.  Até agora, em toda essa história, não se falou de saneamento ou do interesse público.

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O Brasil perdeu a oportunidade de tornar-se uma “sociedade de conhecimento”

“Foi o conhecimento que nos tirou das cavernas, e só o conhecimento nos tirará da atual confusão em que nos encontramos” – se não foram exatamente essas, foram próximas as palavras do presidente da Agência Espacial Européia ao final do bem sucedido pouso num asteroide, em 2014.

Evidentemente, nem todo conhecimento ocorre no quadro da ciência e da tecnologia no senso estrito dessas palavras.  Instituições de Direito, a evolução e a disseminação das noções de Ética, da Estética, o senso de comunidade.

A geração de riqueza material, no entanto, depende bastante umbilicalmente do conhecimento científico e tecnológico, e da capacidade de um grupo, etnia ou, mais modernamente, de uma nação, de organizar, de sistematizar e de utilizar esse tipo de conhecimento.

Construções como a Grande Muralha da China, Machu Pichu, toda a civilização hidráulica cujo centro se encontra em Angkor e por aí afora são exemplos de desenvolvimento científico e tecnológico, bem como de sua organização, disseminação e utilização.

Contemporaneamente, outras nações – e até com tradições muito mais conservadoras – compreenderam a importância da geração de conhecimento e de sua transformação em produtos de interesse do mercado para assegurar a geração de valor econômico e financeiro.  Entre elas, por exemplo, a Coréia do Sul, que há algumas décadas não tinha a mais vaga chance de ser vista como “o país do futuro”, como se dizia do Brasil.

Um dos exemplos mais surpreendentes encontra-se no pequeno país árabe o Qatar – que durante tanto tempo viveu apenas da receita do petróleo e há algum tempo resolveu investir em educação, pesquisa, ciência e tecnologia.  E assim foi criada a Cidade da Educação, em parcerias com dezenas de universidades estrangeiras, algumas dentre mais avançadas do mundo. de forma a criar exatamente uma “sociedade de conhecimento”.

As universidades norte-americanas convidadas para participar da iniciativa não apenas receberam grandes doações como, também, comprometeram-se a disponibilizar de professores – com melhores remunerações – até as estruturas organizacionais e administrativas necessárias para uma educação à altura daquela que essas instituições oferecem nos EUA.

Como se não bastasse, já há algum tempo que os os Emirados Árabes fecharam um acordo com o MIT para implantar o Instituto Masdar de Ciência e Tecnologia, focado em energias renováveis/novas energias e em eficiência energética.

Assim se constrói um futuro e se adiciona valor – numa época em que o petróleo perde valor.  Com uma boa noção de futuro, de estratégias, das parcerias necessárias, e investimento pesado em educação de excelente qualidade, com tudo o que ela requer no que se refere à gestão dos conhecimentos.

 

Concessionária é proibida de cobrar pela coleta de esgotos sem uma destinação adequada

Por unanimidade, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro proibiu a concessionária do governo do estado – a “Nova” Cedae – de cobrar pelos serviços de coleta de esgotos quando não houver tratamento ou destinação adequada.

Trata-se de uma grande reviravolta no entendimento dos desembargadores – para melhor, para muito melhor.  Resta saber, agora, se não mudarão de opinião – como já ocorreu anteriormente – e, na sequência, o que entenderão por “destinação adequada”.

De fato, as concessionárias dos serviços de água e esgotos encontram-se, em todo o Brasil, entre os maiores agentes poluidores dos recursos hídricos.  Por descaso, sobretudo, e não por mera escassez de recursos, já que as estações de tratamento de esgotos representam apenas uma pequena fração do valor total de um sistema de coleta e tratamento.

Todos sabem que são concessionárias pessimamente administradas sob todos os aspectos e que os órgãos de meio ambiente não têm sequer vestígios de poder sobre elas, que têm linha direta com o poder político em função das muitas e generosas oportunidades de negócios escusos que ainda representam (há exceções, é claro, sobretudo num ou noutro serviço autônomo municipal, mas isso é tudo).  Mas a obsessão dessas concessionárias pelo atraso tecnológico, pela falta de transparência, pelo descaso com o meio ambiente e com a coisa pública é não apenas injustificável como, também, inaceitável.

Haverá desdobramentos dessa decisão?  O lançamento de esgotos sem qualquer tratamento no mar, por emissário submarino, será considerado uma “destinação adequada” (ao contrário do que acontece nos países avançados e sérios)?  Manter as aparências de que uma estação de tratamento está em operação – como é o caso da estação da Barra da Tijuca – será possível ou serão exigidas auditorias externas e transparência sobre a qualidade dos esgotos “tratados”?

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro é válida para o caso específico ou se estenderá a todas as empresas – públicas e privadas – e serviços municipais que prestam esse tipo de serviço?

A decisão unânime dos desembargadores do TJRJ pode se transformar num importante passo inicial de uma grande transformação ou em letra morta.

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Sugere-se à imprensa que faça “inspeções” com drones na Estação de Tratamento da Barra da Tijuca para verificar se algum equipamento eletro-mecânico relevante – isto é, excetuadas as grades de contenção de sólidos grosseiros – encontra-se em operação!

A falta absoluta de transparência das concessionárias brasileiras do setor quanto a índices de perdas, vazão e eficiência das estações de tratamento,  vazões e características físico-químicas dos efluentes finais – inclusive daqueles lançados no mar sem qualquer tratamento, idade/depreciação/obsolescência das redes de abastecimento e coleta de esgotos, planos de investimento e por aí afora, é incompatível com um mínimo de seriedade na gestão de uma empresa pública e contribuiu de maneira decisiva para que ela não alcançasse a meta de ser listada em bolsa, o grande marketing papo furado da administração passada.

 

 

Porto de Tubarão – Interdição e Multas – Parabéns à Polícia Federal, à Prefeitura de Vitória e ao Juiz Federal

A lastimável gestão ambiental do porto de Tubarão inferniza, há décadas, a vida da população da Grande Vitória, com toneladas de pó preto de carvão e de minério que se depositam sobre as ruas, as casas, e dentro do pulmão das pessoas.  Tudo com o beneplácito das elites políticas e econômicas locais.

A exemplar ação da Polícia Federal que levou a Justiça a interditar o porto de Tubarão no Espírito Santo merece um entusiástico aplauso de todos os que se preocupam com a saúde pública e as boas prática de gestão ambiental no Brasil. Com essa iniciativa, somada ao indiciamento de altos executivos da Samarco por crime ambiental, a PF talvez ensine aos tão anódinos quanto truculentos fiscais do Ibama e do ICMBio que eles podem prender mais do que meros sertanejos que pegam calangos para comer e vendedores de passarinhos em feiras livres.

A interdição foi determinada pelo juiz Marcus Vinícius Figueiredo, da Primeira Vara Criminal Federal, com base em provas produzidas pela PF.

O recurso judicial da Vale – que emporcalha o próprio nome – e a francesa ArcelorMittal – usuárias do porto – mais provavelmente levará à suspensão da medida extrema por razões econômicas, mas a ação judicial deverá continuar para que ambas tomem um mínimo de vergonha na cara e contenham tanto as mega-emissões de pó de minério que empesteiam a Grande Vitória e causam graves danos à saúde da população.

A economista que enfatizou os riscos econômicos em entrevista ao Jornal da Band matou aula ou desaprendeu a pensar.

Um artigo sobre os elevados custos da poluição atmosférica para o conjunto da sociedade e para a própria economia foi publicado neste blog em 2006 e pode ser encontrado com uma busca pelo seu título – O Custos Sociais do Atraso Mental das Elites Políticas e Econômica no Brasil.  Nele, são citados estudos realizados a partir de 1913 que mostram que os custos sociais da poluição atmosférica pode chegar à casa de bilhões de dólares por ano (em valores de hoje; ver transcrição ao final deste artigo).

Está de parabéns, também, a Prefeitura de Vitória que multou ambas as empresas que operam no porto de Tubarão, evidenciando a prolongada e persistente omissão do órgão estadual de meio ambiente.

Como decisões desse porte nunca são tomadas sem apoio político incondicional, parabéns ao prefeito Luciano Rezende que, por ser médico, conseguiu compreender a importância de de dar um basta aos danos à saúde pública – sobretudo – e aos insuportáveis incômodos provocados pelo pó preto que há décadas cobre a cidade em decorrência, unicamente, da descarada omissão de duas grandes empresas e do próprio poder público estadual (e federal, que tem competência para agir em casos de omissão dos órgãos estaduais).

Não é comum prefeitos “peitarem” a teórica competência dos órgãos estaduais de meio ambiente, e este talvez se transforme num marco histórico desse tipo de asneira.  Os prefeitos – como os cidadãos em geral – podem, sim – e devem! – formalizar denúncias por crimes ambientais e mover ações judiciais – até mesmo contra os órgãos ambientais – por omissão.

Luciano Rezende termina, assim, de varrer para o lixo da história a já antiga polarização entre PSDB e PT, consolidando-se como um dos melhores e mais corajosos prefeitos das capitais brasileiras.  Ah, vale dizer, o portal oficial da prefeitura não é usado para fazer publicidade pessoal de Luciano Rezende.

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Os Custos Sociais da Incompetência na Gestão Ambiental e do Atraso Mental das "Elites"