Segurança alimentar e produção de perecíveis em ambientes controlados – O atraso persistente, as necessidades e as oportunidades brasileiro

A utilização de alta tecnologia na agricultura em ambientes controlados ou não vem revolucionando a produção de alimentos no mundo inteiro.  O Brasil precisa rever a sua Política Nacional de Segurança Alimentar que, apesar de alguns belos textos programáticos, ficou um tanto limitada à Bolsa-Família e a aquisições pontuais, por órgãos públicos, de produtos da pequena agricultura familiar.

Entre as áreas de inovação mais importantes está a produção urbana de alimentos perecíveis, com redução de até 95% no uso da água, assim como redução significativa de perdas no transporte e no transbordo, bem como a supressão da necessidade do uso de pesticidas, além da significativa redução dos custos no transporte.  Da mesma forma, por esse caminho é possível compensar uma parcela dos altos custos das terras agrícolas.

Depois do início das operações de empresas originalmente de pequeno porte que se estabeleceram em prédios e galpões da periferia em países avançados –  como ocorreu com a Aerofarms, hoje um gigante do setor, em 2017, Jeff Bezos (Amazon), Eric Schmid e outros da mesma estatura no mundo financeiro e da inovação tecnológica anunciaram um aporte superior a US$ 200 milhões numa startup nessa área, a Plenty, que no início de 2018 informou a meta de implantação de 300 fazendas urbanas em regiões metropolitanas, inclusive da China.

Ainda nos EUA, vale citar a iniciativa de Kimbal Musk, irmão de Elon Musk, com a sua Square Roots, com a produção urbana em containers com muita tecnologia embarcada e empregando jovens empreendedores.

Iniciativas nessa nova área de negócios estão ocorrendo no Japão, Cingapura, Alemanha, Holanda, Canadá, China, EUA, Emirados Árabes Unidos, Rússia (onde, só em Moscou, tão projetadas dez novas fazendas urbanas verticais), e por aí afora.

Foram necessários muitos avanços tecnológicos para que esse novo setor se tornasse uma alternativa economicamente viável, desde lâmpadas de baixo consumo e que usam apenas as frequências de luz necessárias ao crescimento dos vegetais – todos os grandes fabricantes já estão no ramo – até a adoção da tão falada “Internet das Coisas – IoT” para regular parâmetros como temperatura, luminosidade, produção no ritmo dos pedidos, fluxos de água e nutrientes, tudo o que for necessário.

Também fabricantes de computadores, como a Dell Technologies , aliaram-se às empresas de maior porte para produzir os softwares ou aplicativos necessários a esse tipo de produção urbana, peri-urbana e que, na verdade, podem ser adotados em qualquer lugar para assegurar a proteção dos plantios contra as oscilações do clima ao longo do ano, chuvas torrenciais ou irregulares, e tudo o mais de interesse dos produtores.

Evidentemente, no Brasil, consideradas as características de cada região, não há necessidade de adoção de todas as tecnologias utilizadas nos países de clima temperado ou em regiões onde o inverno é muito frio.  Mas certamente é imprescindível que se revejam rapidamente os conceitos adotados na área de segurança alimentar, com amplas possibilidades de geração de emprego e renda com a produção de alimentos não destinados à exportação, mas ao consumo dos brasileiros de todas as faixas de renda.

Mas há que pensar em toda a linha de produção, do financiamento de estufas e sistemas de produção em ambiente controlado ao treinamento e à assistência técnica, passando pela coordenação dos prefeitos para que não atrapalhem a implantação das fazendas urbanas ou peri-urbanas, em áreas não designadas como agrícolas.

Afinal, a melhoria da estabilidade social e a redução de desigualdades passa tanto pelo acesso à alimentação e pelo emprego / sensação de fazer parte de um projeto maior de nação –  do que pela habitação e saúde.

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Se as autoridades tiverem dúvidas, que tal visitarem Holambra, onde várias dessas tecnologias já são plenamente adotadas, ainda que apenas na produção de flores?

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Um primeiro artigo sobre o tema foi aqui publicado ao final de 2016.  Mas os tempos de política tumultuada de então não permitiu maiores repercussões.  Vamos ver se os novos governos – federal e estaduais – resolvem agir na área de segurança alimentar de maneira mais efetiva, menos retrógrada do que simplesmente fazer mais do mesmo.

É óbvio que não dá para se pensar apenas em soja, gado e grandes números para financiamentos bancários.

Estocagem de energia – Mercado explosivo

O mercado de equipamentos de estocagem de energia continua “explodindo”, crescendo a taxas exponenciais.  Só nos EUA, as previsões são de que em 2017 as novas instalações atinjam 6.000 MW, saindo de uma base de apenas 340 MW em 2012-2013.  As previsões constantes da página da Associação de Estocagem de Energia dos EUA indicam que a instalação anual de capacidade adicional deve atingir 40.000 MW em 2022.

Os sistemas de estocagem de energia vêm avançando de maneira acelerada, viabilizando mais instalações solares e eólicas tanto para gestão eficiente das redes de transmissão e distribuição inteligentes quando para assegurar a autonomia dos clientes (após o medidor de consumo individual – industrial, comercial ou residencial).

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Agricultura urbana, hidroponia vertical e segurança alimentar

A agricultura urbana vem se expandindo nos países mais desenvolvidos, onde existe uma boa percepção da segurança alimentar e, também, dos custos de transporte de alimentos até os pontos de abastecimento de grandes cidades.

No torpor mental em que o Brasil se encontra, seria interessante que o poder público – em todos os níveis – incluindo prefeitos – e a iniciativa privada pensassem mais nessa alternativa.  Afinal, o país é um grande exportador de alimentos mas deles carece o consumo humano a preços menos sujeitos às oscilações do clima e do consumo de combustíveis.

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Notas sobre a quarta revolução industrial

O Brasil não está se preparando de maneira adequada para as mudanças climáticas e tampouco para a quarta revolução industrial.

Este post é a tradução de trechos de um texto preparado por especialistas em tecnologia da informação, com base em inovações que já estão se disseminando rapidamente.

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Em 1998, a Kodak tinha 170.000 empregados e vendia 85% do papel fotográfico do mundo.  Em poucos anos, a empresa foi à falência.

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O Chile dispara na energia solar e os preços da eletricidade caem

O Chile adotou uma política inovadora no campo da geração de energia: em leilões abertos, qualquer fonte concorre com qualquer outra fonte.  Uma concepção bem diferente da brasileira, na qual o poder público faz leilões periódicos para a aquisição de energia de cada fonte, mas não larga o osso das hidrelétricas de grande interesse das empreiteiras.

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