Archive for the 'Segurança Alimentar e Energética' Category

Crise Alimentar e Meio Ambiente – Existem ONGs Sérias

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Como as franchises locais das ONGs gringas que tentam falar em nome dos “ambientalistas” brasileiros tomam o máximo cuidado para ocultar as suas fontes de financiamento e os processos decisórios que as levaram à atual obsessão por um “código” florestal ultrapassado e sem similar nos países sérios, vale mostrar uma reportagem feita por uma ONG séria, a Oxfam, que cuida de gente real num mundo real, e não de abstrações num mundo de abstrações conceituais, como fazem Greenpeace, WWF e similares no Brasil.

A Oxfam tem denunciado a verdadeira invasão de países africanos por “investidores internacionais” interessados em terras baratas para a produção de alimentos e de produtos madeireiros, com a expulsão dos habitantes dessas regiões.  Essa é uma nova face da crise alimentar mundial.  Num caso específico – o de uma empresa que “atende pelo codinome” de New Forest Company (ou Nova Companhia Florestal), inglesa, imersa em “responsabilidade sócio-ambiental” (o cinismo desenfreado pode ser visto na descrição contida no campo conservação de sua página), um pequeno vídeo feito pela Oxfam durante uma investigação no mundo real – e não nos tapetões do poder – é suficiente para mostrar a verdadeira face desses “novos ambientalistas”.

O documento foi resultado de uma investigação sobre as atividades da tal Nova Companhia Florestal em Uganda e não é preciso muito domínio do inglês para entender o que se passa: as pessoas são expulsas de suas terras pelos governos corruptos locais que as “cedem” para a empresa apoiada por instituições financeiras como o HSBC, que tem 20% de suas ações e 6 assentos em seu conselho de administração.  Toma a terra dos outros “na mão grande”  (nada muito diferente do que é feito quando ocorre a criação de unidades de conservação no Brasil, mas esse é outro assunto).

O mesmo vem acontecendo em muitos países da África.  Uma galeria de fotos organizada pela mesma Oxfam disponibiliza imagens bastante chocantes.

Já é tempo de quem quer realmente trabalhar com meio ambiente e se auto-denominar “ambientalista” com orgulho e objetivos reais deixar de lado a impostura e buscar ONGs sérias como a Oxfam e muitas outras.

 

 

 

“Código Florestal” e “Bioma Cerrado” em Moçambique

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Parte para Moçambique o primeiro grande grupo de produtores rurais brasileiros.  Seguem no mesmo rumo de grandes empresas inglesas, espanholas, e européias em geral, além de estatais chinesas: dar um “chega prá lá” nas populações locais e para expandir a produção de alimentos, de biocombustíveis, de soja para alimentar porcos e frangos, de algodão, de madeira.

Como em muitos países da África não existe a propriedade da terra, é só corromper os governos locais e assenhorar-se dela mediante um pagamento no oficial e outro no paralelo (em dinheiro ou sob a forma de prestação de serviços auxiliares).

Os incomodados que se mudem e os países da África subsaariana ricos em petróleo – como Angola e a Nigéria – são exemplos típicos dessa corrupção crônica: um grupo de ricaços no poder e uma população de miseráveis.  Depois, os países da OTAN fingem interesse em derrubar ditaduras existentes há décadas onde for de seu interesse…  em nome dos direitos humanos.

No caso das negociações há muito iniciadas pelas autoridades brasileiras com o grupo no poder em Moçambique – e que motivaram várias viagens de Lula ao país e até mesmo a abertura de uma representação da EMBRAPA (sempre com o discurso populista  da “ajuda aos mais pobres”), o que agora se anuncia é a concessão de 6 milhões de hectares - isso mesmo! – por um prazo de 50 anos renováveis por igual período, ao preço de R$21/ha/ano, quase certamente com os  direitos de outorga sobre os recursos hídricos já incluídos (ou seja, R$ 10.500 pelo ciclo de 50 anos).

Se tudo der certo, logo o BNDES estará financiando cleptoempreiteiros brasileiros para construirem estradas de acesso e portos em Moçambique (empréstimo que não será pago, é claro; dona Gleisi Hoffman não sabe, mas esse é dinheiro público SIM).

A região de Moçambique que será concedida a produtores rurais brasileiros – seria mais fácil fazer um programa de assentamento dos sem-terra brasileiros em Moçambique?) não está sujeita às regras da lei que aqui resolveram denominar “código florestal”.  O tal do “bioma” – tão ao agrado do mini-Sarney – e seus asseclas é do tipo Cerrado e irá para o beleléu em tempo recorde.

De fato, no início da ocupação produtiva do Cerrado brasileiro o que se necessitava era coragem e muito trabalho, já que não existiam as modernas máquinas agrícolas ou mesmo estradas de acesso.

Os ongolóides brasileiros e internacionais com franchise no Brasil -  WWF, Greenpeace, Nature Conservancy -, que em seus países de origem nada fazem para incluir reservas legais ou APPs na legislação ambiental por saberem inúteis essas figuras de retórica – silenciarão.  Que se dane o “bioma” – que, perdoem-me os leitores, está cagando para o código florestal*.

Os ongolóides certamente não proporão um “código florestal” válido internacional, aplicável a todos os países, na Rio + 20, que se aproxima.  Fingirão que o assunto não existe.

***

Em meados de junho de 2011, o governo de Moçambique anunciou para breve a divulgação “para breve” a divulgação dos editais para áreas de concessão de exploração de gás que devem estar terminando de ser elaborados nos escritórios de advocacia das petroleiras em países estrangeiros.  O “modelo” adotado deverá ser semlhante ao de Angola e da Nigéria: royalties e todos os ganhos para a quadrilha no poder e a quase totalidade da população na miséria.

* – Felizmente, o tal do “bioma” não cabe em nenhuma codificação legal, ainda que possa caber num livro descritivo de biologia (sem coincidência com a hidrologia ou com a geologia).

 

 

EUA X China – Uma Nova Guerra Climática, na Líbia, por Água e Alimentos

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Há fatos curiosos sobre a Líbia (além do súbito desaparecimento das fabulosas quantias investidas por Kadaffi nos EUA): imensas reservas de água!  No subsolo de quatro países africanos – Chade, Egito, Líbia e Sudão – encontra-se o maior reservatório de água fóssil do planeta: o Sistema Aquífero de Arenito da Núbia (NSAS na sigla em inglês).  Essas reservas de água se espalham por 2 milhões de quilômetros quadrados e estima-se que totalizem 150.000 quilômetros cúbicos de água.

“As razões pelas quais os Estados Unidos lançaram as forças da OTAN pare forçar uma mudança do regime político da Líbia começam a ficar claras.  Enquanto especialistas da mídia e da política ainda discutem se as gangs rebeldes estão sendo apoiadas por serviços de inteligência dos EUA, da Inglaterra e de Israel, os objetivos de longo prazo do Ocidente em relação à Líbica ainda continuam sendo ignorados.” – escreveu Patrick Henningsen, do excelente jornal eletrônico  21st Century Wire, que tem como lema “Notícias para uma geração que desperta”.

O título da análise vai direto ao ponto: “Oeste X China: Uma Nova Guerra Fria Começa em Solo Líbio.”

“Basta ler os resumos dos documentos estratégicos do Comando EUA-África (conhecido com o AFRICOM para se dar conta do verdadeiro objetivo ocidental na Líbia: o controle de recursos valiosos e a expulsão da China do norte da África.  Quando os Estados Unidos formaram o AFRICOM em 2007, 49 países subscreveram à estratégia militar norte-americana para a África, à exceção da Líbia.  Essa decisão foi considerada uma traição e abriu caminho para o conflito militar que se iniciou em 2011. “

Ou alguém acha que de repente o governo dos EUA passou realmente a se interessar por democracia e direitos humanos na África?

Segundo a aprofundada análise de Henningsen, “a Líbia poderia começar um agro-negócio similar ao do Vale de São Joaquim, na Califórnia.  Como a Líbia, a Califórnia é essencialmente um deserto, mas com massivos investimentos em estruturas hidráulicas e irrigações o vale desértico se transformou no maior produtor mundial de alimentos e de algodão, a na nona maior economia do mundo”.

Em 1983, Kadadi deu início a um mega projeto de irrigação que foi objeto de ampla divulgação com a designação de “Grande Rio Feito pelo Homem”, GMMR – na sigla em inglês.  Inicialmente, o projeto destinava-se a levar mais de 5 milhões de metros cúbicos de água para as cidades na costa da Líbia.

Ivan Ivecovic, professor de ciência política na Universidade Americana do Cairo explica que o projeto completo foi concebido para ser desenvolvido em 4 fases, com um custo estimado de US$ 30 bilhões, uma rede de tubulações de 5.000 quilômetros transportando água de mais de 1.300 poços de 500 metros de profundidade, destinando-se ao abastecimento de população de ao rápido aumento da disponibilidade de terras agriculturáveis.

De acordo com o Ministério do Comércio da China, o país tinha 50 grandes projetos em negociação ou já em desenvolvimento com a Líbia, num montante superior a US$ 18 bilhões.  Com a instabilidade desencadeada pelos EUA na região, esses contratos despencaram ladeira abaixo: apenas nos dois primeiros meses do ano, uma redução de 97% dos investimentos chineses previstos na Argélia.

A ditadura de Kadafi começou em 1969.  Durante esse tempo todo, ele circulou livremente pelo mundo.  De repente, com os novos projetos de desenvolvimento em escala massiva de terras agriculturáveis com base nas disponibilidades de água e os avanços dos investimentos chineses, EUA e Inglaterra acordaram para a necessidade de “restabelecer a democracia” no país.

Essas já são guerras climáticas, para o controle de recursos naturais.  Ou das ”riquezas”, como sempre ocorreram.  A Europa sabe que aquela região pode se transformar numa importante de alimentos e de água.

 O texto integral do editor do editor do jornal online “para as gerações que estão despertando” pode ser lido no original em inglês clicaando em 21CenturyWire e os documentos da aliança espúria de países africanos liderada pelos EUA podem ser acessados em Comando Africano.

***

O Brasil continua sem uma política de segurança alimentar, sem estratégias para os recursos hídricos por região, e se espojando nos debates estéreis sobre uma lei que resolveram chamar de “código” e só define conceitos abstratos genéricos que permitem ao poder público a mais total omissão em relação ao que se deveria fazer, onde e como.

Escassez de Alimentos – Uma Tendência à Crise Permanente

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A Oxfam, uma confederação de 15 ONGs tradicionalmente sérias, divulgará amanhã um relatório indicando que o preço dos alimentos básicos mais do que dobrará nos próximos 20 anos, conduzindo a um retrocesso sem precedentes no desenvolvimento humano.

As populações mais pobres do mundo, que gastam cerca de 80% de seus rendimentos com a compra de comida, serão as mais fortemente atingidas.  Segundo o relatório, o mundo está entrando numa era de crise alimentar permanente com inevitáveis turbulências políticas.

O relatório indica que o preço do milho aumentará em cerca de 180% até 2030, em grande parte como decorrência das mudanças climáticas.

Depois de décadas de redução na fome em todo o mundo, os números estão aumentando rapidamente, à medida que a demanda cresce mais do que a produção.  As taxas médias de crescimento da produção de alimentos foi reduzida quase à metade desde 1990 e está destinada a se reduzir a menos de 1% na próxima década.

“Uma combinação devastadora de fatores criaram as condições para o crescimento da extrema pobreza.  As mudanças climáticas, uma luta global por terra e água, a aceleração da transformação de alimentos em biocombustíveis, o crescimento da população global, mudanças nas dietas dos países, e a escassez dos recursos naturais – são esses fatores.”

A principal executiva da Oxfam, Barbara Stocking, criticou a excessiva concentração de poderes das corporações que atuam no setor alimentar, em particular no comércio de grãos de na produção de agroquímicos.

A divulgação do relatório da Oxfam acontece logo após um alerta da ONU sobre a possível elevação dos preços dos alimentos a patamares sem precedentes nas próximas semanas, desencadeando tensões sociais nos países em desenvolvimento.

Esse relatório merece reflexão no Brasil que se encontra numa bifurcação entre a segurança alimentar e uma hipotética proteção ambiental resultante da gradativa ampliação das restrições ao uso da terra através de Medidas Provisórias que alteraram o Código Florestal e Resoluções casuísticas do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA.

A manutenção dessas regras nunca antes votadas pelo Congresso Nacional é defendida por instituições como a obscura Academia Brasileira de Ciências – ABC, cuja posse da nova diretoria ocorreu recentemente com um coquetel no Golden Room do Copacabana Palace.  É bem fácil falar na proteção da biodiversiddade e em “biomas” sem seres humanos tomando um drinque e comendo salgadinhos em lugares refinados.  Enquanto isso, os agrônomos que realmente conhecem a produção rural não são consultados e/ou permanecem em silêncio.

A hipótese de um “desenvolvimento sustentável” nunca foi sequer considerada pelos cientistas de verdade que elaboraram os estudos que deram origem às conferências mundiais de meio ambiente em 1972 e em 1992.  Não há indícios de que o crescimento da população e o crescimento econômico possam ser “sustentáveis”.

O Brasil continua sem uma política de segurança alimentar além das bolsas isso e aquilo.  Sistemas de apoio à alimentação e outros não são – ao contrário do que alguns tentam fazer acreditar – um invenção de Lula; existiram e esxistem até mesmo em países hoje altamente desenvolvidos, ainda que com maior ênfase em períodos de guerra ou de crise econômica e similares; nunca com características eleitoreiras e de permanência.

Código Florestal e Números Cabalísticos – Produção de Alimentos nas Encostas

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Quando aqui se afirma que o conceito GENÉRICO de proteção integal das encostas é uma bobagem sob QUALQUER ótica, os ambientalistas ongueiros sempre tentam associar a ocupação de encostas a algum deslizamento ocorrido em áreas urbanizadas.  O  generalismo do Código Florestal – sem prazo ou flexibilidade para que sejam consideradas situações locais, características específicas da geomorfologia ou do tipo de uso que se pretende – não faz sentido e é de aplicação impossível, até porque continua sendo um conceito juridico indeterminado. 

No caso das encostas, por exemplo, o que fazer quando um trecho correspondente a 1/5 de uma encosta tiver declive superior a 45 graus e no restante tiver declives inferiores?  Se bobear, o CONAMA mete a mão na cumbuca novamente e estabelece que tem que haver uma área de proteção do entorno dos 3 metros da encosta cujo declive é superior a 45 graus e a utilização da área volta ao limbo em que essa turma meteu o país depois que resolveu que regulamentar o morro e o topo do morro, sempre com números cabalísticos.

A substituição de regras cabalísticas – para utilizar a expressão de Feranando Gabeira, a quem ninguém pode acusar de “ruralista” – por diretrizes seria uma iniciativa mais sensata.  Mas os ambientalistas gostam mesmo é do tapetão do Planalto e encobrem a sua falta de conhecimento com a noção de que se adaptações locais forem permitidas aos entes federativos tudo se transformará numa grande bagunça – como se a existência do Código tenha impedido a grande bagunça em que a antiquada e abúlica gestão ambiental do Brasil se tornou.

Para evitar explicações técnicas sempre rebatidas com abstrações, vale ver imagens de situações reais de ocupação de encostas por práticas agrícola totalmente sustentáveis na Ásia.

Na China, imagens de apenas uma de muitas áreas de terraceamento para a produção de arroz: a Espinha Dorsal do Dragão, na Província de Lonji.

Nas Filipinas, uma área de 20.000 quilômetros quadrados (se incluídas áreas terraceadas contíguas) já considerada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO: em  Banaue e províncias vizinhas encontram-se terraceamentos feitos há cerca de 2.000 anos, e que se encontram numa altitude média de 1.500 metros.  Aí se cultivam arroz e vegetais, sem indícios de problemas de erosão e com grandes cuidados na proteção das nascentes.

http://www.youtube.com/watch?v=FstpKez2o1c&feature=related

Em Bali, se a delegação brasileira tivesse saído dos luxuosos hotéis da capital onde foram a conferências internacionais sobre o meio ambiente para passear no interior, nas montanhas, teria pelo menos visto o que se faz nas encostas em Tegallalang ou noas cercanias de Ubud, bem mais famosa por seu Tempor dos Macacos.

Divirtam-se!  Sabendo que não há normas genéricas rígidas para a natureza.

***

A produção de olivas na Itália e em outros países da região também não é proibida nas encostas mais íngremes, como se vê na imagem abaixo.  Eles devem nos achar um tanto ridículos por aceitarmos o engessamento cabalístico de nosso território: é o novo Sebastianismo ambientalista sob a forma de um Código Florestal apenas ligeiramente atualizado para se amoldar à realidade da produção agrícola brasileira.

Plantação centenária de olveiras na costa da Itália

O Anarcopetismo, a Vontade de Poder e o “Código” Florestal

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ANARCOPETISMO
De uma víbora, ao ver a decomposição da base do governo na Câmara durante o vota-não-vota do Código Florestal:
“O presidente da Casa, Marco Maia, se entende com José Dirceu e Rui Falcão, que não se entendem com o líder do governo, Cândido Vaccarezza, que se entende com Antonio Palocci e Dilma Rousseff”.
Todos petistas.
(publicado na coluna de Elio Gaspari de domingo, 15.05.2011)

O poder, na maioria das vezes, não tem qualquer relação com o interesse público ou com os interessess estratégicos de uma nação.  Bastante ao contrário, ele se nutre de si próprio e se consuma nos sentimentos mais medíocres de derrota X vitória.  É amplamente autista, com momentos de orgias grupais que se alternam com desejos de vingança.  O poder pelo poder é o que caracteriza, no momento, o tal “debate” sobre o inútil e apenas emblemático Código Florestal.  Tudo o que os profissionais mais sérios de meio ambiente afirmaram ao longo de dezenas de depoimentos no Congresso e em audiências públicasa ficou para trás nesse confronto de egos mal definidos.  E essas vaidades supérfluas tem sido usadas com frequência pelo oportunismo das ONGs e pelos  políticos ecofascistas que tampouco querem ouvir a opinião de ninguém, ou melhor, odeiam o contraditório.

Aqui, vale citar o excelente artigo de Dora Kramer, intitulado Zona de Risco, publicado no Estado de São Paulo na mesmo dia 15.

“Os líderes do governo, do PT e do PMDB na Câmara, deputados Cândido Vaccarezza, Henrique Eduardo Alves e Paulo Teixeira, oficializaram no início da madrugada de ontem sua condição de meninos de recados do Palácio do Planalto.

“Ignorando a autonomia dos mandatos, os mandamentos do Congresso e o preceito da respeitabilidade pessoal, os três mudaram de posição em pleno encaminhamento de votação do novo Código Florestal e passaram a defender o descumprimento de acordo assinado horas antes.

“Por quê? Porque o governo mandou, diante da possibilidade real de vitória do destaque da oposição que retirava do texto a prerrogativa de o Executivo comandar o setor agrícola por decreto.

“Não foi um recuo qualquer. O processo de votação havia sido iniciado com o exame de requerimento do PSOL e do PV pedindo a retirada do projeto de pauta.  (…)

“Bastou um telefonema de Antonio Palocci, da Casa Civil, para que com a mesma cara lisa de quem antes defendera o acordo, o líder do governo, Cândido Vaccarezza, voltasse à tribuna para denunciar o acordo. Alegou a existência de pontos obscuros e passou a orientar as bancadas a – como as manadas – caminhar no rumo oposto e votar “sim” ao adiamento.

Não havia nada de obscuro, apenas o governo percebeu que perderia no voto e resolveu desrespeitar a maioria.” (os grifos são nossos; a cordial expressão de Dora Kramer “comandar o setor agrícola por decreto” pode ser compreenedida como “o poder de chantagear o setor agrícola com ameaças de decretos”).

Alguém, sinceramente, acha que os personagens ignóbeis citados acima estão interessados em pareceres técnicos ou em estratégias de longo prazo para a Nação brasileira, ou para a segurança alimentar, ou para pequenos ou grandes produtores rurais?  Tsc, tsc, tsc.  Querem o poder que se nutre de si mesmo, numa autofagia insana.

A solução sensata seria estabelecer diretrizes e exigir que também o poder público estadual ou municipal fizessem a sua parte , como nos países sérios.  Mas não, eles querem leis cuja especificidade é tamanha que a sua aplicação se torna inviável.  Faixas marginais de proteção?  Todos concordam!  Onde e com que dimensões?  No Brasil, o poder público que deveria se encarregar da gestão ambiental jamais conseguiu sequer determinar às hidrelétricas que definissem, em campo, as áreas sujeitas à erosão e que devem ser reflorestadas, e nelas reguladas as atividades que podem ser exercidas.

Enfim, Palocci temeu mais o caseiro que sabia das coisas do que se interessou pelos destinos da Nação e pelo bom senso.  E Dilma, omite-se.  Eles – assim como as Marinas Siva da vida e seus acólitos, que sempre preferirram Medidas Provisórias – não gostam de votações e de Congressos Nacionais com um mínimo de autonomia.  Olham para tudo sob a ótica anêmica e emburrecida do “ganhar X perder” nos detalhes irrelevantes.  Mas não estabelecerão prazos para que o MMA faça, por exemplo, o georreferenciamento das nascentes e muito menos dos parques nacionais, ainda que isso seja exigido dos produtores rurais de todos os tamanhos.  Para eles, o pau que bate em Chico só bate em Chico mesmo.

***

É preciso chegar a TV Al-Jazeera para mostrar algo que a TV Globo nunca mostaria sobre a Amazônia, e que as Madres Marinas de Xapuri e seus acólitos preferem não ver.  Entre outras coisas, o trabalho perigosíssimo e pessimamente remunerado de crianças na Amazônia.   Divirtam-se, se conseguirem!  E ainda bem que a Al Jazeera não mostrou a disseminada prostituição de menores.

Código Florestal – Como os Ruralistas dos EUA Influenciam Decisões sobre a Nação Brasileira

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 De que lado está o Executivo federal na questão do Código Florestal?  Do lado do voto, da Nação brasileira, da “imagem” do Brasil no exterior (como ocorreu com FHC) ou dos interesses dos “produtores rurais” norte-americanos?  É bem difícil de saber, já que o Executivo não apresenta números, não conhece e nem quer saber de fatos (não ouve a EMBRAPA, por exemplo) e move-se apenas no pântano das conveniências de um “consenso” indecente que dispensaria a própria existência do Congresso Nacional apenas para não dar a impressão de que houve uma “derrota”.  Um pouco de tudo!

“Produtores rurais” norte-americanos vai entre aspas porque eles são altamente subsidiados, e uma grande parte – senão a quase totalidade – desses subsídios vai para o bolso dos fabricantes de equipamentos altamente sofisticados, pesticidas químicos muito danosos ao meio ambiente, fertilizantes derivdos do petróleo, e sementes transgências controladas por empresas do tipo Monsanto.

Aqui, é possível ver como o agri-business gringo se organizou para influir nas decisões sobre o Código Florestal brasileiro!  Essa peça publicitária foi produzida juntamente com um estudo em que se demonstra o quanto o agri-business dos EUA ganharia com a imobilização do território brasileiro em nome de “princípios” de gestão ambiental que lá não existem (eles são bem mais sérios e a prova disso são os resultados alcançados).  O estudo indica números na faixa de US$ 200 a US$ 300 bilhões de ganhos nas áreas de óleos vegetais, soja, carne e madeira.  Além de empregos assegurados no setor do agro-negócio dos EUA, o estudo, aqui encontrado na versão original em ingles, poderia ser intitulado os interesses do agro-negócio norte-americano no Código Florestal brasileiro!

Ambos foram posteriormente mascarados com interesses sobre a proteção da biodiversidade e do combate às mudanças climáticas – e outros trololós -, para que não ficasse evidenciada a indecência absoluta dos propósitos puramente comerciais da ONG dos ruralistas dos EUA (que, vale dizer novamente, inclui interesses nos mais diversos setores da economia daquele país, já que derivados de milho encontram-se presentes em grande parte dos alimentos processados industrialmente no país).

O vídeo fala por si mesmo e o uso de imagens de uma Amazônia pristina, sem gente, é exemplo da mais pura calhordice.  Até mesmo o uso de um curto trecho da mesma filmagem do corte de uma árvore, ora num sentido, ora no outro (ou seja, as imagens são as mesmas, apenas revertidas), é mais um “detalhe” desse tipo de pressão comercial à qual o Executivo brasileiro se rendeu.

Parabéns para eles!  Aos vencedores, as batatas.

***

No “princípio”, essa turma fez Obama levou à farsa programada da Conferência de Copenhagen ao final de 2009  a “promessa” de um compromisso de US$ 1 bilhão para a preservação de florestas.  A própria Noruega fingiu ter o mesmo compromisso doando uns trocados que sumiram na poeira da estrada (mas que à época eram apenas uma fração do que o país havia investido na compra de caças militares para proteger os seus interesses na extração de petróleo no Ártico).  Aqui, anunciou-se a constituição de um mitológico Fundo Amazônico.  Tudo foi logo esquecido e não se tocou mais no assunto. 

Código Florestal – A Quem Realmente Interessam os Créditos de Carbono?

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Há coisas que as ONGs brasileiras e seus financiadores preferem manter escondidas.  E BEM escondidas.  Uma delas é a ação das petroleiras e das maiores empresas de geração de eletricidade com carvão – as maiores emissores de gases causadoras de mudanças climáticas – com a aquisição de áreas no Brasil para a “preservação” enquanto elas ficam com os créditos de carbono.

Se as áreas adquiridas ficam em nome de uma ONG de fachada ou dessas empresas estrangeiras, e quais os contratos de gaveta que eles têm entre si, são fatos irrelevantes.  O relevante é a imobilização do território segundo critérios que só interessam a essas multinascionais – já que o resgistro em cartório dessas áreas como “de preservação” é condição imposta pelos doadores.

Para evitar dar excesssivas opiniões, aqui vão as várias partes da reportagem do jornalista Mark Schapiro, divulgada em maio de 2010, e que permaneceu oculta da mídia brasileira – ou foi deliberadamente ocultada por ela – até o pressente, quando foi legendada.

O fato é que numa primeira tacada, A American Electric Power – AEP (1) adquire, no Brasil, uma área do tamanho de Manhattan!   A AEP é uma das maiores emissoras de gases causadores de mudanças climáticas do mundo, já que a sua geração de eletricidade é fundamental – senão exclusivamente – proveninente da queima de carvão.  E essas empresass americanas comprarm áreas no Brasil literalmente “a preço de banana”.  Ou menos.  E logo os tais “povos da floresta” começam a ser educados at gun pont, isto é, pela mira de armas de fogo.

Para efeitos de upload no YouTube, a reportagem legendada foi dividida em 4 partes, que merecem ser vistas com atenção.  No total, ela tem algo como 20 minutos.

Sugerimos, enfaticamente, aos leitores, que façam od download das várias partes para disseminá-las entre os seus amigos, bem como entre vereadores, prefeitos, deputados, cooperativas de crédito e de produtores rurais, e muito mais.

A questão central de Mark Schapiro é simples: quem fica com a grana dos créditos de carbono?  Certamente não são os tais “povos da floresta”!  Se o dinheiro for para os cofres do governo, então, nada muda.  As pequenas cidades da Amazônia continuarão sem os serviços básicos de saneamento, educação e saúde.  A a madeira de boa qualidade, cortada legal ou ilegalmente, continuará viajando para os países mais ricos, que por ela podem pagar.

Há outras questões e  pontos abordados pela reportagem que merecem análise,o que pode ser feito por cada um.  Mas uma coisa é certa: ao contrário dos zumbientalistas lobbistas, na Amazônia que ele foi capaz de ver e filmar vive gente de verdade!

À reportagem, portanto!

Parte I

http://www.youtube.com/watch?v=2u5hmYv0-ZY

Parte  II

http://www.youtube.com/watch?v=SPxd8LoV0cU

Parte III

http://www.youtube.com/watch?v=X0RcKTJfFZM

Parte IV

http://www.youtube.com/watch?v=kU5jiczJ1jM

***

Informações sobre Mark Schapiro podem ser encontradas em http://centerforinvestigativereporting.org/reporters?profile=199, que é um Centro de Jornalismo Investigativo (coisa que aqui ainda não temos quando se trata da área de meio ambiente, e em outras áreas incomoda em demasia aos políticos e mantem o Estado de São Paulo, sob censura há 647 dias por incômodos causados à gente da facção Os Amigos dos Amigos).  Ainda sendo estrangeiro, Mark Schapiro aprofunda-se no tema bastante mais do que as estrelas do jornalismo brasileiro que têm posição pre-definida pelas expectativas de suas clientelas.

***

Na Conferência de Copenhaguem, em dezembro de 2009, os EUA prometeram US$ 1 bilhão para as florestas. Depois, esqueceram do assunto.  Como a própria Noruega, que anunciou ‘uns trocados” para um “Fundo Amazônico”, e outros, optaram pela exploração do petróleo na Antardida, onde só a Groenlândia tem reservas muito maiores do que o tão decantado pré-sal brasileiro.

***

A American Electric Power – AEP é indicada pelo Environmental Defense Action Fun (uma das ONGs sérias dos EUA, que não fica só se metendo na vida alheia) como a maior poluidora do país, e a que mais lobby faz para evitar que o país tenha leis de controle  das emissões de gases gausadores de mudanças climáticas.  Abaixo, um trecho de um relatório dessa ONG:

AEP is America’s #1 polluter. But, instead of working proactively to clean up its act, AEP is spending tens of millions of dollars to lobby against life-saving clean air standards.  The newest wish-list bill written by AEP’s lobbyists would halt implementation of America’s clean air laws for the single largest source of air pollution: the oldest, dirtiest coal-fired power plants.

O “Código” Florestal e a Omissão Política Geral

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Não existem Áreas de Preservação Permanente – APPs ou Faixas Marginais de Proteção – FMPs em países sérios, que tiveram políticas de gestão ambiental bem sucedidas.  As questões dos processos erosivos dos solos é tratada em função das características dos solos, e os reservatórios de hidrelétricas ou outros têm usos múltimplos, incluindo o lazer.

Aqui é que o poder público – com minúsculas mesmo – finge que age seriamente quando discute uma revisão de um Código Florestal mais do que antiquado, na verdade demente, quando está mesmo é em busca do melhor proveito eleitoral!  O governo não ouve os seus melhores profissionais – a EMBRAPA, por exemplo -, mas ONGs gringas e interesses gringos que dão mais espaço na imprensa urbana.  O judiciário frequentemente não se interessa pelo espírito das leis, restringindo-se à métrica e ao papel de bedel de textos.  O MP que atua na área parece preferir o salto alto.

Por falar em reservatórios, vale assistir a duas reportagens curtas do Canal Rural sobre a mão de ferro do MP e da lei contra os mais fracos e outra sobre a total omissão das empresas de eletricidade, inclusive estatais.

Enquanto a coisa rola assim para os mais fracos, os muito ricos se divertem, como noticiado hoje pelo Estadão, em excelente reportagem que é comum nas mais diversas regiões do país: a ocupação das margens dos reservatórios pelos mais ricos.

Diante dos absurdos e do circo sobre a revisão do Código Florestal – que, na verdade, não “revê” nada e invade qualquer noção de pacto federativo, só mesmo citando o belíssimo poeta Bruno Tolentino – e fica aqui a minha homenagem ao amigo – que, por sua vez, abre o poema citando Alberto Torres.

 “Este estado não é uma nacionalidade. Este país não é uma sociedade; esta gente não é um povo.  Nossos homens não são cidadãos.”  (Alberto Torres)

 Um Interlúdio – Torres e Deuses (Bruno Toletino)

 
AlbertoTorres

há muitos anos

disse de nós

que não formamos

uma união

ainda não;

que, como os símios

que trocam os ramos

pelos cipós,

nos enredamos

com o ilusório

e confundimos

o bem e o mal;

que porque temos

um território

nos persuadimos

de que há um país

neste local.

 

Que nesses termos

nunca faremos

uma nação

de um matagal,

pois se não dermos

comida, teto, 

lugar, raiz

e dignidade 

ao cidadão,

ao branco e ao negro,

nosso projeto,

nossa retórica

nacional,

não passarão

de uma inverdade,

de uma ilusão

escrita a giz

no quadro-negro.

O circo em andamento ajuda um bocado a ocultar a imundície dos rios, a abundância de lixões, a inexistência de sistemas de coleta de águas pluviais nas cidades, e muito mais que serve como comprovação tácita do fracasso de nossas políticas ambientais.  Como disse minha filha, ontem, eles têm o máximo controle sobre o imposto de renda e sobre a coleta de impostos em geral, mas fazer algo parecido, por exemplo, para controlar o cronograma físico-financeiro de obras públicas, ou o agendamento de consultas em hospitais….

A “Bagulheira” Que Vem da China e Outros “Detalhes” da Segurança Alimentar e das Políticas de Mudanças Climáticas

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Há dias,  a presidente Dilma declarou que “o Brasil é exportador de commodities para a China, mas importa muita bagulheira (sic).  Noves fora o palavreado chulo, não muito adequado ao cargo – ao menos em declarações públicas – e ainda menos às relações exteriores, a dúvida é se ela não sabia o que estava dizendo ou se estava jogando para a arquibancada.

Essa frase foi dita poucos dias antes do anúncio de que a China desbancou os EUA como maior potência industrial do mundo.  A produção de manufaturas da China representou 19,8% dos produtos industriais do mundo, contra 19,4% dos EUA.  Nada mal.

No caso das relações comerciais entre o Brssil e a China, alguns fatos e números são melhores para colocar as coisas em perspectiva adequada.

Em maio de 2010, a estatal chinesa State Grid anunciou a compra de sete concessionárias de transmissão de energia elétrica por R$ 3,1 bilhões: Ribeirão Preto, Paracatu, Poços de Caldas, Itumbiara e Serra da Mesa, além de 75% da Expansión Transmissão de Energia Elétrica, que opera no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, e da Expansión Tansmissão Itumbiara Marimbondo.  Nada mal para uma primeira entrada no setor elétrico brasileiro.  No caso, a bagulheira é capital e tecnologia que permite a redução significativa das perdas na transmissão de eletricidade em longas distâncias.

No Brasil, essas linhas de transmissão operam no máximo em corrente contínua de 600 KV, enquanto a China é o único país a deter tecnologia que permite alcançar um padrão de 1.000 KV, muito mais eficientes nas transmissões a distâncias de até 2.000 km.

Em outubro, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, Nelson Hubner, viajou para Pequim e constatou que uma linha de transmissão chinesa consegue substituir quatro linhas similares convencionais com a tecnologia utilizada no Brasil. Nelson Hubner reconheceu que a adoção dessas novas tecnologias possibilitá aos chineses um mais rápido retorno sobre o capital investido.

Para evitar o usual lero-lero sobre a transferência de tecnologia – como se fosse possível transplantar cérebros -, os chineses preferiram liquidar a dívida quea as concessionárias que compraram tinham com o BNDES.

A State Grid cobre 88% do território chinês e é a maior empresa de transmissão e distribuição de energia do mundo, com faturamento de US$ 164 bilhões em 2008. Com 1,5 milhão de empregados, a estatal é a 15º maior companhia do planeta de acordo com o ranking da revista Fortune.

Na área de energia, o Brasil também anda buscando tecnologia chinesa para os chamados smart-grids (linhas de transmissão inteligentes), iluminação de alta eficiência energética – LED, energia eólica e outras.

Até então, os chineses haviam concentrado os seus investimentos no Brasil nas áreas de petróleo, mineração e de siderurgia.   De fato, em 2009 o Banco de Desenvolvimento da China fez um empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras tendo como garantia a entrega de petróleo por um período de 10 anos.

Poucos meses depois da aquisição das empresas de transmissão de eletricidade, entraram na produção de soja em Goiás e na Bahia.

Em novembro de 2010, o governo de Goiás assinou com o governo chinês um termo de cooperação prevendo investimentos de até US$ 7,5 bilhões para expandir a produção de soja do estado em pelo menos 6 milhões de toneladas.  Em fevereiro de 2011, a estatal chinesa Chongging Grain Group anunciou investimentos de US$ 900 milhões para a produção e a industrialização de soja na Bahia.  Em entrevista ao canal de televisão estatal da China, o prefeito de Chongging – isso mesmo, o prefeito de um município com 32 milhões de habitantes, situado a 2.000 km de Pequim – declarou:  “assim teremos disponíveis 200 mil hectares de terra” (ainda não comprando a terra, ao controlar o beneficiamento e a comercialização da soja, controla-se a produção e os preços).   Eles definem, com iniciativas desse tipo, uma política de segurança alimentar.

Já aqui, se toda a região do noroeste da Bahia for transformada numa grande “plantation” de soja, sem qualquer cuidado com a segurança alimentar da população local, essa população terá a opção de mudar-se para a periferia das grandes cidades ou de comprar comida mais cara vinda de locais distantes.

Esses são alguns exemplos da bagulheira que a China anda exportando para o Brasil: capital e tecnologia.  Há outros, como a aquisição de composições de trens feitas há cerca de dois anos pelo governador Sergio Cabral há cerca de 2 anos para a Supervia – que deverão chegar em breve, para a alegria da Odebrecht, que comprou a concessão e assim poderá receber créditos pela melhoria da operação desse sistema de transporte de massa.  Vale dizer, os trens chineses adquiridos pelo governo do Rio de Janeiro consomem apenas uma fração da eletricidade dos que ainda se encontram em operação.   O Rio de Janeiro já teve uma pujanta fábrica de vagões ferroviários.

***

Aqui, falando na soja e outras commodities agrícolas que o Brasil exporta sob o controle de grandes grupos de comercialização estrangeiros, vale dizer que a “política de segurança alimentar” do Brasil se restringe à bolsa-família.  Vale dar uma espiada no que está acontecendo com a pegada carbônica – e o preço – dos alimentos de consumo dos brasileiros em decorrência desse modelo… ou falta de modelo.  Basta olhar para a imagem publicada no ano passado numa reportagem de um jornal de São Paulo, na qual são mostrados apenas aqueles alimentos de consumo diário da maior parte da população (o famoso PF, sigla popular para o prato-feito).