Ministério de Meio Ambiente – Questões em aberto

As questões ligadas à gestão federal de meio ambiente continuam amplamente em aberto às vésperas da posse da nova administração federal.  Entendem-se, em linhas gerais, que se deseja uma desburocratização e o abuso de poderes desnecessários que caracterizam a máquina estatal que se nutre de si mesma, de ampliar as suas atribuições em detrimento da cidadania, do interesse público e da nação.

Sem missão, atribuições e metas claras, nem mesmo na inciativa privada as coisas funcionam.  Aonde a sua empresa gostaria de estar dentro de cinco anos? – é uma pergunta clássica anglo-saxã para novas empresas.  Aqui, os órgãos governamentais perderam até mesmo o mínimo de “espirito público”.

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Congresso Nacional institucionaliza o roubo, estimulando a ineficiência do setor elétrico

O Mecanismo – como descrito na excelente minissérie sobre a Lava Jato, dirigida por José Padilha – age em muitas frentes simultaneamente.  São matilhas de lobos famintos no topo de todas as esferas de poder.  Agora, uma dessas matilhas age em prol de um pequeno grupo de concessionárias de energia elétrica.  E o Congresso Nacional prepara mais um bote nos bolsos dos brasileiros honestos, em detrimento de toda a economia do país.

A Câmara dos Deputados aprovou a institucionalização do roubo, da caridade com o dinheiro alheio, a ineficiência e a incompetência das concessionárias, ou tudo junto?

De fato, ao aprovar a gratuidade do fornecimento de eletricidade para as “famílias de baixa renda”, os parlamentares fizeram um pouco disso tudo e certamente beneficiaram as concessionárias com o repasse dessa conta para os consumidores residenciais em geral.

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Petrobras e IPHAN – Estragando a paisagem do Rio no Parque do Flamengo

O Parque do Flamengo é um dos mais belos integrantes do acervo paisagístico, turístico e de lazer da cidade do Rio de Janeiro.  Por essa razão, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN em 1965!

No Parque, está o Museu de Arte Moderna – MAM, belíssimo.  Um tour virtual da sua arquitetura e área do entorno pode ser feito aqui, movimentado-se o ícone no canto inferior direito.  Ao fundo, a bela paisagem da Baía de Guanabara.

Assim como quem não quer nada, a paisagem da baía nos fundos do Museu começa a ser ocupada por embarcações que trabalham para a Petrobras – a mesma Petrobras que se vangloria da “sustentabilidade” – como tantas outras grandes empresas – e do controle da cadeia de fornecedores.

Abaixo, mais algumas imagens da mutilação da paisagem por embarcações a serviço da Petrobras – que vem transformando a Baía de Guanabara em gigantesco estacionamento de plataformas de petróleo em manutenção (sim, há alternativas para a manutenção em outros lugares, inclusive em mar aberto).

E, como se não bastasse, já estocam material para melhorar ou ampliar os ancoradouros para essa agressão à paisagem e ao meio ambiente.

O IPHAN silencia, a Prefeitura nada diz, e se as coisas forem deixadas aos cuidados da Petrobras, logo farão ali um novo “ponto de apoio” às suas atividades.

Isso tudo numa área turística, de visitação que trás tranquilidade e amplitude às mentes, aos fundos do MAM e dos estupendos jardins de Burle Marx.

 

Cedae persiste com péssimo desempenho

 

 

http://oglobo.globo.com/rio/cedae-tem-lucro-de-52-em-2016-mas-tratamento-de-esgoto-so-avancou-066-21150500

Jerson Kellman o self promoter vazio

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/04/1872149-presidente-da-sabesp-quer-acordo-social-por-tarifa-de-agua-mais-cara.shtml

Amplia-se o “desinvestimento” na indústria de combustíveis fósseis

Encontra-se em curso uma campanha mundial para que os fundos de pensão e muitos outros retirem os seus investimentos do petróleo e dos combustíveis fósseis em geral.  A campanha se apoia nos já mais do que comprovados efeitos e riscos das mudanças climáticas, que a cada dia preocupam mais o próprio mundo dos negócios.  O sucesso desse tipo de iniciativa deve parecer improvável ou mesmo irracional para aqueles que acreditam que o “capitalismo” é o responsável por todos os problemas do mundo, mas torna-se bastante mais provável diante dos números que indicam que os preços do petróleo não voltarão a subir e que o endividamento ou a redução das margens da atividade petroleira tendem a aumentar.

A última grande pancada na cara da indústria petroleira foi anunciada agora, com a decisão da Fundação Bill e Melinda Gates de vender US$ 187 milhões em ações da British Petroleum (o cursor nos trechos sublinhados leva às fontes das informações).  A decisão foi tomada exatamente no quadro dessa campanha, por razões éticas.  Bill Gates afirmou que a venda de ações nas empresas de carvão, petróleo e gás é uma “falsa solução” para as mudanças climáticas, mas os investimentos da Fundação nesses setores caiu 85% desde 2014.  Anteriormente, a Fundação já havia vendido US$ 824 milhões em ações na Exxon Mobil (que se encontra sob investigação nos EUA por ter “mentido aos investidores” sobre as potenciais consequências das mudanças climáticas).

Gates tem razão quando afirma que apenas o desinvestimento em petróleo não é uma solução para as mudanças climáticas.  Há necessidade de que o capital se mova rapidamente na direção da eficiência energética e das energias renováveis. E e isso já vem acontecendo nos países sérios – leia-se, aqueles que pensam no médio e longo prazo, com estratégias e políticas públicas consistentes.  Em 2015, o crescimento das fontes renováveis nos EUA superou o crescimento das fontes fósseis.

Na mesma semana em que o último movimento da Fundação Gates foi anunciado, duas grandes universidade inglesas fizeram anúncios semelhantes: as universidades de Newcastle e de Southampton anunciaram planos de mudar o rumo de seus investimentos, passando a fazê-los através de fundos que, entre outras coisas, respeitem Princípios para Investimentos Responsáveis da ONU.

Para melhor compreender o peso dessas iniciativas, vale lembrar que as grandes universidades inglesas e norte-americanas são basicamente financiadas através de endowements, isto é, doações feitas ao longo de suas histórias por instituições e pessoas.  Essas doações são intocáveis e as universidade são sustentadas pelos rendimentos de suas aplicações, feitas através de empresas de gestão de recursos financeiros.

Um dos aspectos curiosos desse tipo de movimento – o desinvestimento no setor do petróleo – é o fato de ter sido originalmente lançado pelo jornal diário com a melhor cobertura de temas ambientais do mundo, o The Guardian, que há já bastante tempo iniciou uma campanha denominada “Mantenha-o no solo” (ou no subsolo), referindo-se ao petróleo.  A página da campanha sempre é muito interessante, com notícias sobre os avanços na área de energias renováveis e das iniciativas de desinvestimento em atividades que exploram combustíveis fósseis.

Desde então, grandes fundos de pensão vêm retirando os seus investimentos da área de combustíveis fósseis em muitos países altamente desenvolvidos, culminando com a aprovação de uma lei, na Califórnia, impondo esse tipo de decisão ao maior fundo de pensão do mundo.  Os congressistas do estado concluíram que seria muito arriscado para os aposentados se os seus fundos de pensão mantivessem recursos financeiros nessa área.

Movimentos defendendo o desinvestimento têm se espalhado por vários estados norte-americanos, assim como universidades inglesas e outros países.

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Em meio a essas variadas iniciativas e avanços, vale um questionamento sobre o que está fazendo o Brasil?  Considerados os diferentes custos de extração do petróleo, é difícil compreender que alguém ainda aposte no pré-sal, exceto às expensas do bolso dos brasileiros, dos imensos prejuízos à economia do país, e de um nacionalismo de algibeira.

De fato, os investimentos de capital para extração de petróleo em terra e no mar variam imensamente, indo de US$ 3 até US$ 40 milhões para o primeiro caso (em terra) e valores 15 a 20 vezes maior para o petróleo off-shore.  As plataformas mais baratas para extração de petróleo em alto mar custam em torno de US$ 200 milhões, enquanto a decisão da Petrobras de parar de alugar plataformas e fabricar as suas próprias elevou o preço das suas, em 2015, para US$ 900 milhões.

Não é hora de uma mudança de rumos, arquivando ideologias auto-denominadas “de esquerda”?