Pontes Vivas no Mundo Real X Tolices do “Código” Florestal no Brasil

Como se demarcaria a tal da faixa marginal de proteção numa região em que riachos se transformam em rios caudalosos durante as chuvas torrenciais de verão?

No Brasil de hoje, organizações zumbientalóides do sétimo dia clamariam contra os riscos de total devastação planetária e mesmo interplanetária, formalizariam denúncias sobre a necessidade de proteger a humanidade de si própria, e emepéios moveriam processos contra aldeões por invasão da tão brasileira “faixa marginal de proteção” (não confundir com alguma faixa de proteção de marginais).  O Congresso Nacional convocaria mais uma audiência pública, um grupo de cientistas tão ilustres quanto desconhecidos e irrelevantes se pronunciaria sobre a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as relações entre a vegetação e o clima, e ilustres juristas falariam sobre a necessidade de regras de alcance nacional, impondo a mais avançada filosofia do direito do mundo sobre uma natureza que precisa ser domesticada para sobreviver.

Mas como o resto do mundo não perde tempo com tanta baboseira, ainda é possível encontrar iniciativas tão criativas e belas quanto pontes vivas na província de Meghalaya, na Índia, talvez a região mais úmida da Terra: até 25 metros de chuva num único ano, a quase totalidade nas monções que ocorrem no verão.  Aí, no mundo real, intocado por cientistas e juristas de bolso, é possível “plantar uma ponte” que sobrevive aos grandes dilúvios.  “É um projeto épico que nenhum ser humano pode terminar ao longo de uma única vida” – nas palavras do narrador.

Algumas dessas pontes foram feitas há séculos, muitas têm “dois andares”, e elas são um modelo de “arquitetura sustentável viva”.

Vale discutir sobre a aplicação das mesmas regras à Província de Cheerapunji, no nordeste da Índia, e na área urbana de Nova Delhi?

A “judicialização” e a “cientifização” da gestão ambiental em detrimento das normas feitas para a vida real encontram-se entre as causas e as consequências do quase total naufrágio da gestão ambiental no Brasil.  Mas fiquemos com a beleza das pontes-vivas, que são bem mais férteis e inspiradoras.

 

 

Rio de Janeiro e Choque de Ordem

Durou relativamente pouco tempo o tal do “choque de ordem” no Rio de Janeiro.  Não que ele tenha sido mal intencionado, mas não  houve persistência, perseverança, continuidade.  Passada a fase midiática, a Prefeitura mudou de assunto.  Ou não houve uma correta avaliação do tamanho do problema, da mesma forma que nas ocupações das favelas.

A população de rua no Centro do Rio de Janeiro é visível para qualquer um que resolva dar uma volta por lá a partir das 20 horas.  Mas essa população anda acordando tarde.  E a Centro, ficando sujo ate mais tarde. 

As fotos abaixo não foram feitas em nenhum subúrbio, mas em plena rua Pedro Lessa, quase esquina com a movimentada avenida Rio Branco, em torno das 9 da manhã de uma sexta-feira (recente).  Ali fica o imponente prédio da Justiça Federal, com o seu centro cultural.  E, a menos de uma quadra, o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, a Câmara dos Vereadores – um dos mais lindos conjuntos arquitetônicos do Rio de Janeiro.

 

Esse tipo de coisa não se resolve só – ou nem principalmente – com “bolsa-família”.  Esse programa, concebido originalmente pelo Banco Mundial e adotado em muitos países da América Latina com diferentes nomes, tinha na sua origem o objetivo de assegurar o aumento da frequência escolar, dando às famílias o sentimento de que era bom “investir” na educação.  Sem os correspondentes investimentos massivos na educação pública de qualidade, o programa encerra-se no discurso populista e transforma-se num mega-curral eleitoral.  E as pessoas que se virem.

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Falar do Rio de Janeiro lindíssimo é fácil.  De fato, o Rio é escandalosamente bonito.  Ressaltar essas mazelas que a todos doem, é chato, mas é imprecindível para que elas sejam sanadas.

 

Rio de Janeiro – Cuidados com as Lagoas

Nada como acordar com o dia amanhecendo, porque não há trânsito e é possível observar melhor a cidade – todas as coisas, tanto as lindíssimas quanto os absurdos.

Às margens do complexo lagunar ao longo da Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, a movimentação de terra feita pela prefeitura ou pela empreiteira – dá na mesma, já que a primeira deveria estabelecer normas e fiscalizar a segunda – fazem com que a quase-montanha de terra seja depositada de maneira a ser lavada para o leito do canal na primeira chuva.  Que importa?  Depois, as caríssimas dragagens pagas por metro cúbico mas nunca medidas. cidades sustentáveis

 

Chamem os zambientalóides que vivem de mostrar o lixo nas lagoas.   Afinal, a “culpa” é do lixo jogado pela população, ainda que a maior parte do esgoto continue sendo lançado sem qualquer tratamento no sistema lagunar (afinal, o projeto de coleta de esgotos da região só começou há 25 anos e continua sem data para terminar).  Isso para não falar na tal “faixa marginal de proteção”, tão ao gosto da equipe infanto-juvenil do Ministério Público “ambiental”.

Rio de Janeiro – Bagunça Administrativa e a Arte da Feiura

Do Rio, já se disse que é um espetáculo da natureza cercado de caos urbano por todos os lados.

O Rio passa, hoje, por um tipo de caos especial: explosões de bueiros.  Para quem mora na cidade-caótica e é obrigado a caminhar olhando para o chão por causa das calçadas esburacadas, desniveladas, cheias de obstáculos para pessoas, carrinhos de bebê e cadeiras de rodas – vale bricar de contar o número de tampas de ferro num único quarteirão.  Cada um tem a sua – é uma farra do boi.

Conta a lenda que à época em que fez um programa de esburacar as calçadas para facilitar a colocação de cabeamento de fibra ótica por uma grande rede de televisão – era o iníico da tv a cabo -, empresas de telefonia e de internet pediram que a oportunidade lhes fosse estendida e não foram atendidas.  Depois daí, cada provedor de internet ou outro que quisesse fazer cabeamento teve que fazer os seus próprios buracos.  E a cidade é uma permanente buraqueira!  Nenhuma coordenação entre os programas de obras dos vários prestadores de serviços públicos, abre aqui, quebra ali, a denominação precisa seria “uma zona”.. mas “zonas” são mais organizadas.

E, o que é pior – ainda que isso não se restrinja à cidade do Rio de Janeiro – , não há um sistema centralizado de informações sobre o que se encontra instalado no subsolo – desde manilhas de drenagem improvisadas até redes de água e esgotos, de distribuição de gás (mal instaladas por firmas teceirizadas), e por aí afora.  No passado, qualquer um que fosse fazer uma instalação subterrânea tinha que enviar cópias de plantas para as outras concessionárias e para a prefeitura, mas esse hábito se perdeu no tempo.  Nas cidades dos países sérios, essa infraetrutura pode ser visualizada num terminal de computador, com precisão.

Assim, quando explodem bueiros improvisa-se uma empresa ninguém-sabe-de-que para fazer inspeções para a prefeitura e a concessionária de gás (Petrobras) anuncia que vai trocar dezenas de quilômetros da rede que ninguém sabia que tinham que ser substituídas.  Afinal, que instalações de concessionárias de serviços públicos já ultrapassaram a vida útil e precisam ser substituídas?

Enquanto não há nem indícios de um planejamento de médio prazo para resolver essas bagunça, valem duas imagens de como as assim chamadas autoridades permitem que se enfeie a cidade.  Poucos metros antes da praia da Barra, na altura do quebra-mar, as imagens abaixo, que encantam os olhos… depois que se ultrapassam essas “pequenas” contribuições da prefeitura à arte da feiura.

Imagens do Rio de Janerio

 

E, diante da mesma obra de arte urbana, ao olhar para o chão para evitar o tombo…

a arte na calçada

Como se vê, o meio fio, que nas cidades do primeiro mundo tem altura padrão em relação ao asfalto, está à altura do restante da manutenção da Cidade Maravilhosa.  Como as calçadas em geral, a pavimentação das ruas, e por afora.

 

Rio de Janeiro – Algumas Feiuras, Descasos, Arrogâncias….

A atual da administração municipal do Rio de Janeiro criou uma Secretaria de Ordem Pública – SEOP que até foi útil para retirar mendigos das ruas – para onde eles foram, ninguém sabe -, bem como afastar os camelôs de certas áreas.  Boa iniciativa.

Alguns grupos dentro da tal SEOP são, no entanto, bastante abusados.  E agem estranhamente.  Assim, por exemplo, aos domingos, fazem uma blitz mais ou menos rápída para rebocar veículos estacionados irregularmente na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, onde há uma linda feira.  Um dos pontos estranhos desse tipo de operação é que mesmo os proprietários chegando quando os veículos ainda estão sendo preparados para o reboque, eles não liberam os veículos mediante o pagamento da multa – ou mesmo do reboque.  Dizem alguns que isso é ilegal, já que não tem sentido rebocar um veículo cujo proprietário está presente e pode removê-lo do local onde encontra-se irregularmente estacionado.

Independente da legalidade e do bom senso, o mais divertido é que também os reboques estacionam de forma irregular enquanto se preparam para a tal operação, como se pode ver na fotografia abaixo (feita hoje, 1/5/2011, em torno das 11 da manhã).

Reboque da Secretaria da Ordem Pública estacionado sobre a calçada

Também é muito divertido nas operações feitas nesse local o fato de a poucos metros dali existir uma churrascaria onde, nesse mesmo horário, os funcionários já colocaram cones sobre as calçadas para reservá-las para o estacionamento de seus clientes.   Pouco depois, as calçadas em frente e na lateral da churrascaria estão lotadas de carros desses clientes, e os fregueses que assim desejarem podem simplesmente parar em frente e entregar a chave do veículo para o manobrista do estabelecimento.  Os guardas muncipais que realizam a operação com os reboques NUNCA SE INCOMODARAM com os carros dos clientes da churrascaria estacionados irregularmente do outro lado da rua.

A autoridade exacerbada, metódica e arrogante sabe com quem está falando.

Coisas para a SEOP estar atenta.

Outro evento “divertido” são as raves ou bailes funk que acontcem com frequência nas sextas e sábados num parque de diversões mal ajambrado chamado Terra Encantada, também na Barra da Tijuca.  Evidentemente, os organizadores da festa arranjaram um “laudo” de que o nivel de ruído não ultrapassava as normas municipais.  Diminuiram o volume do som durante o laudo e nunca mais se preocuparem com isso.  Muito próximo dali há um hospital público – o Lourençao Jorge.  Durante a lastimável “administração” Cesar Maia, comissões de médicos do hospital foram diversas vezes ao gabinete do prefeito e de seus assessores para pedir que as tais festas cessassem pelo enorme stress que causavam nos pacientes internados, inclusive na UTI.  Os esforços foram inúteis.  Depois, as festas cessaram durante alguns meses, mas voltaram, e ninguém mais tem ânimo para protestar.  Quem sabe a SEOP providencia um laudo independente, sem avisar antes os promotores das festas!  Ou coloca um registro contínuo de volume no hospital!

Talvez o Secretário da Ordem Pública possa fazer uma “visitinha” ao Hospital Lourença Jorge e conversar com os pacientes ali hospitalizados.  E, quem sabe, observar uma operação de reboque na Praça do Ó de dentro de um carro não oficial.  Atitudes simples…

Finalmente, entre as muitas belezas do Rio, o autor deste blog registrou recentemente uma outra: o lixo em frente ao prédio administrativo do governo do estado, na Nilo Peçanha, em plena luz do dia, e num dia de trabalho.  Nesse caso, não dá para dizer como faz de vez em quando o prefeito Eduardo Paes, que a população é mal educada.

É caso de ficar na dúvida: quem será que o “varreu”?  Os camelôs ou a prefeitura?  Porque o fato é que durante horas ninguém passou para fazer a coleta.

Tim-tim.  Na coleção de Geilberto Chateaubriand no Museu de Arte Moderna há uma tela  de autor contemporâneo – não anotei o nome – na qual pode-se ler: a recusa do conflito é um traço marcante da personalidade brasileira na busca de uma harmonia que acaba não ocorrendo.