Singapura aproxima-se rapidamente da alta suficiência em água

Com uma capacidade de planejamento próxima a um século no futuro, Singapura aproxima-se da resolução total de seus problemas de abastecimento de água.  E não adianta dizer que Singapura é um dos países mais ricos do mundo, porque quando tornou-se independente, em 1965, era apenas um país pobre, subdesenvolvido, sem recursos naturais e com uma população de imigrantes de baixa qualificação profissional ou tradição.

Muitas iniciativas foram tomadas, sempre mantendo o governo pequeno, com elevada reputação de honestidade, e capacidade de formular e implementar programas estratégicos.

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Consumidor doméstico: não economize água

Parece politicamente incorreto – ou é politicamente incorreto -, mas o objetivo é o esclarecimento e não a mesmice do marketing verde!  Para os consumidores domésticos de pequeno e médio porte, em geral não vale a pena economizar água porque a conta não será maior ou menor.  E a conta não será maior ou menor porque a concessionária rouba descaradamente – ainda que legalmente – tanto porque os hidrômetros são velhos, obsoletos e já não medem mais nada, quanto porque num condomínio a concessionária tem o privilégio de cobrar a assim chamada “pena d’água”, ou um valor por unidade habitacional do condomínio em função de sua área ou número de cômodos, não importando o real consumo.

Então, por este último caminho, você pagará a conta use ou não use a água.

E, de toda forma, todos sabem que os hidrômetros dos grandes consumidores são usualmente tão antigos que medem até 50% menos do que a água efetivamente consumida, fazendo com que seja necessária aumentar a arrecadação geral para manter os serviços – de péssima qualidade.

Além disso, é claro, as concessionárias brasileiras são, elas mesmas, obsoletas, pessimamente gerenciadas, avessas à modernização e à tecnologia, e chegam a ter perdas absurdas, entre 40 e 50% do volume total da água produzida (esses são percentuais reconhecidos por elas, sem auditorias externas independentes).  O que aconteceria com uma empresa privada que perdesse entre 40 e 50% de sua produção?  Isso não significa uma defesa da privatização, já que nos países desenvolvidos as concessionárias de água e esgoto são usualmente da cidade… e não se comportam com esse descaso e essa péssima gestão!

Supõe-se que metade dessa perda é por vazamentos na rede – também obsoleta -. que eles chamam de “perdas técnicas” em lugar de “perdas por incompetência técnica” – e outra metade aquilo que eles chamam de “perdas comerciais”, mas que são fundamentalmente água não cobrada em favelas – ou comunidades, se o politicamente correto for preferível.  De toda forma, criou-se no Brasil a tradição de que não se pode cortar a água do fulano e, em decorrência, o fulano não paga mesmo porque sabe que a água não vai ser cortada.

Com as perdas, vêm os aumentos nas contas de tratamento de água, energia com transmissão à longa distância (adutoras), má gestão, fundos de aposentadoria abusados, corrupção e aversão à modernização tecnológica.

Por que, por exemplo, dar início à substituição progressiva dos hidrômetros convencionais – aqueles tipo relojoaria das antigas – por medidores de leitura automática, tecnologia já consolidada em todos os países desenvolvidos e que (a) enviam o sinal com informações de vazão e de pressão pela internet ou por algum sistema wi-fi com a frequência desejada, isto é, sem a necessidade de despesas com pessoas que têm que se deslocar e (b) dando ao cliente a possibilidade de detectar vazamentos em tempo real.

A adoção dessa tecnologia esbarra com o que, além da burrice e da aversão á inovação: com interesses já consolidados e.. preguiçosos.  Mais ou menos como as lâmpadas LED para iluminação pública, com drástica redução de consumo, a tecnologia só chega onde há representantes do poder público de maior visão – ou interesse, se a coisa for feita por PPP, que agora anda na moda e dificilmente é auditada -, ou quando as lâmpadas dos modelos anteriores já não são nem mais fabricadas nos países de origem.

Apenas muito lentamente começam a entrar no Brasil os medidores automáticos de água e gás.

Abaixo, um curto vídeo de 2010, quando os primeiros medidores de leitura remota começaram a ser implantados na Califórnia.  Nos países e cidades sérias, com concessionárias sérias e agências reguladoras sérias, esse é, hoje, a tecnologia padrão de medição de água.

De lá para cá, tais sistemas se disseminaram rapidamente nos países sérios, permitindo até mesmo a detecção de vazamentos através da leitura remota.

Divirtam-se.  E, sobretudo, não economizem água até que sua concessionária tome um mínimo de vergonha na cara.

Isso, apenas para começar.  Porque é imprescindível que estejam disponíveis online para qualquer interessado as quantidades de água produzidas, os volumes de água faturados, as vazões e os níveis de tratamento das estações de tratamento de esgotos.

É inaceitável que essas concessionárias continuem – um dos últimos “monopólios naturais” – continuem a meter a mão no bolso dos cidadãos e a abrir rombos nos cofres públicos sem qualquer transparência.

 

 

Agência Nacional de Águas (ANA) – A Omissão Continuada e os Pareceres de Ocasião

Você sabia que existe no Brasil uma Agência Nacional de Águas (ANA)?  Se você não tem um interesse direto numa outorga de uso de água – como as concessionárias de geração de energia, que usualmente a comandam – ou na contração de algum serviço de consultoria, dificilmente sabe o que essa “agência” faz ou deveria fazer, além da cobrança por outorgas.  Essa cobrança resulta numa arrecadação que desaparece num Triângulo das Bermudas orçamentário, exatamente como as “compensações ambientais” do IBAMA!

Pois bem, o órgão é ligado ao Ministério do Meio Ambiente, território de grandes, pequenas, médias e outras ONGs ambientalistas.  Não se tem notícia de que um ou outro tenha algum dia determinado às empresas que operam hidrelétricas de qualquer porte que apresentem o georreferenciamento de seus perímetros em regime de cheias, ou dos rios à montante de maneira a prever o reflorestamento que reduza os processos erosivos com impacto direto sobre a vida útil desses reservatórios.    Sonâmbula, a “agência” fantasmagórica vaga pelos corredores e escaninhos do Ministério ao qual de vez em quando procura agradar!

Eis que do nada – ou do tudo do lobby das ONGs que comandam o MMA – a imprensa paulistana descobre que a “agência” deu um parecer informando que a área de preservação permanente mínima para qualquer riacho, em qualquer situação topográfica ou geológica, deve ser de 30 metros.  O parecer chegou à imprensa intencionalmente, é claro.  Ninguém jamais divulgaria um parecer da EMBRAPA dizendo que  essa área pode ser de 30 ou de 5 metros, tudo dependendo, por exemplo da taxa de impermeabilização na bacia drenante ou da vazão e profundidade do lençol freático que assegura a disponibilidade de água superficial.  Parecer encomendado e elaborado para atender a interesses políticos de ocasião.

Não se discute aqui a importância da vegetação ou mata ciliar – onde ela exista – para a proteção dos cursos d’água, não tanto para assegurar a infiltração e recarga das águas subterrâneas mas, sobretudo, para evitar processos erosivos e o assoreamento do leito dos rios.  Daí aos 30 metros cravados vai a distância que existe entre o conceito geral e a preguiça, a inapetência ou a incompetência para fazer algo no mundo real, além do usual processamento de papéis  burocráticos.  Só faltará à “agência” dizer a partir de onde se medem os tais 30 metros!  Ah – dirão que da vazão de cheias, sem dizer o nível da vazão de cheias nos riachos e córregos que afirma querer proteger.  Um bando de farsantes, portanto!  Nunca farão diretrizes para assegurar sequer que a água de escorrimento superficial (de chuvas) das cidades seja parcialmente retida para recarga do lençol freático, evitando o lançamento direto em corpos d’água superficiais.  Talvez pudessem pelo menos copiar essas diretrizes de alguma cidade americana ou européia.

Se a tal Ana da Silva estivesse falando de diretrizes, de recomendações, anda se admitiria esse tipo de parecer de ocasião.  Mas a máscara de “parecer técnico” definitivamente não disfarça o oportunismo político.   Os produtores rurais que trabalham com técnicas de conservação dos solos em toda a região sul do Brasil – mantendo a palha sobre o solo e assegurando também, a retenção e a lenta infiltração de água que mais tarde harmoniza a vazão dos rios – fizeram e fazem muito mais para a proteção dos recursos hídricos do que muitas Agência dedicadas à omissão continuada.

Em tempo – como dizem essas burocratas do planalto: os autores do parecer só responderam a uma pergunta que lhes foi feita.  Talvez, se lhes fosse perguntado que impacto terá essa medida fixa sobre a pequena produção rural quando levada à realidade brasileira do Oiapoque ao Chui, tivessem dito o óbvio: é melhor perguntar a quem possa responder com maior chance de não errar muito pela demasiada abstração.