ONS e CHESF demonstram despreparo ou irresponsabilidade mesmo

De repente, a vazão de um rio passa de 550 m³/segundo para 1.000 m³/segundo.  E sai inundando tudo rio abaixo, com perdas para a população ribeirinha.  Não é a primeira vez que isso acontece, mas uma estatal do governo – a CHESF – acusa um órgão do mesmo governo – o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, que teria dado uma ordem “emergencial”.  No marasmo geral em que o país se encontra na área de políticas públicas, a notícia passou meio desapercebida.  O  ministro de Minas e Energia não foi questionado e nem se pronunciou.  Ganha uma passagem para Petrolina quem souber o nome de memória e algo da experiência dele no setor energético.

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Agência Nacional de Águas (ANA) – A Omissão Continuada e os Pareceres de Ocasião

Você sabia que existe no Brasil uma Agência Nacional de Águas (ANA)?  Se você não tem um interesse direto numa outorga de uso de água – como as concessionárias de geração de energia, que usualmente a comandam – ou na contração de algum serviço de consultoria, dificilmente sabe o que essa “agência” faz ou deveria fazer, além da cobrança por outorgas.  Essa cobrança resulta numa arrecadação que desaparece num Triângulo das Bermudas orçamentário, exatamente como as “compensações ambientais” do IBAMA!

Pois bem, o órgão é ligado ao Ministério do Meio Ambiente, território de grandes, pequenas, médias e outras ONGs ambientalistas.  Não se tem notícia de que um ou outro tenha algum dia determinado às empresas que operam hidrelétricas de qualquer porte que apresentem o georreferenciamento de seus perímetros em regime de cheias, ou dos rios à montante de maneira a prever o reflorestamento que reduza os processos erosivos com impacto direto sobre a vida útil desses reservatórios.    Sonâmbula, a “agência” fantasmagórica vaga pelos corredores e escaninhos do Ministério ao qual de vez em quando procura agradar!

Eis que do nada – ou do tudo do lobby das ONGs que comandam o MMA – a imprensa paulistana descobre que a “agência” deu um parecer informando que a área de preservação permanente mínima para qualquer riacho, em qualquer situação topográfica ou geológica, deve ser de 30 metros.  O parecer chegou à imprensa intencionalmente, é claro.  Ninguém jamais divulgaria um parecer da EMBRAPA dizendo que  essa área pode ser de 30 ou de 5 metros, tudo dependendo, por exemplo da taxa de impermeabilização na bacia drenante ou da vazão e profundidade do lençol freático que assegura a disponibilidade de água superficial.  Parecer encomendado e elaborado para atender a interesses políticos de ocasião.

Não se discute aqui a importância da vegetação ou mata ciliar – onde ela exista – para a proteção dos cursos d’água, não tanto para assegurar a infiltração e recarga das águas subterrâneas mas, sobretudo, para evitar processos erosivos e o assoreamento do leito dos rios.  Daí aos 30 metros cravados vai a distância que existe entre o conceito geral e a preguiça, a inapetência ou a incompetência para fazer algo no mundo real, além do usual processamento de papéis  burocráticos.  Só faltará à “agência” dizer a partir de onde se medem os tais 30 metros!  Ah – dirão que da vazão de cheias, sem dizer o nível da vazão de cheias nos riachos e córregos que afirma querer proteger.  Um bando de farsantes, portanto!  Nunca farão diretrizes para assegurar sequer que a água de escorrimento superficial (de chuvas) das cidades seja parcialmente retida para recarga do lençol freático, evitando o lançamento direto em corpos d’água superficiais.  Talvez pudessem pelo menos copiar essas diretrizes de alguma cidade americana ou européia.

Se a tal Ana da Silva estivesse falando de diretrizes, de recomendações, anda se admitiria esse tipo de parecer de ocasião.  Mas a máscara de “parecer técnico” definitivamente não disfarça o oportunismo político.   Os produtores rurais que trabalham com técnicas de conservação dos solos em toda a região sul do Brasil – mantendo a palha sobre o solo e assegurando também, a retenção e a lenta infiltração de água que mais tarde harmoniza a vazão dos rios – fizeram e fazem muito mais para a proteção dos recursos hídricos do que muitas Agência dedicadas à omissão continuada.

Em tempo – como dizem essas burocratas do planalto: os autores do parecer só responderam a uma pergunta que lhes foi feita.  Talvez, se lhes fosse perguntado que impacto terá essa medida fixa sobre a pequena produção rural quando levada à realidade brasileira do Oiapoque ao Chui, tivessem dito o óbvio: é melhor perguntar a quem possa responder com maior chance de não errar muito pela demasiada abstração.