Congresso Nacional institucionaliza o roubo, estimulando a ineficiência do setor elétrico

O Mecanismo – como descrito na excelente minissérie sobre a Lava Jato, dirigida por José Padilha – age em muitas frentes simultaneamente.  São matilhas de lobos famintos no topo de todas as esferas de poder.  Agora, uma dessas matilhas age em prol de um pequeno grupo de concessionárias de energia elétrica.  E o Congresso Nacional prepara mais um bote nos bolsos dos brasileiros honestos, em detrimento de toda a economia do país.

A Câmara dos Deputados aprovou a institucionalização do roubo, da caridade com o dinheiro alheio, a ineficiência e a incompetência das concessionárias, ou tudo junto?

De fato, ao aprovar a gratuidade do fornecimento de eletricidade para as “famílias de baixa renda”, os parlamentares fizeram um pouco disso tudo e certamente beneficiaram as concessionárias com o repasse dessa conta para os consumidores residenciais em geral.

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Agência regulatória de energia dos EUA rejeita proposta anacrônica de Trump – Como seria algo assim no Brasil?

Em países onde as agências regulatórias são sérias, “ordens” presidenciais são rejeitadas como sugestões e propostas de quaisquer outras organizações e entidades.  Isso ocorreu há dias com uma proposta de Trump voltada para subsidiar a geração de eletricidade de fontes térmica a carvão e nuclear.  A decisão dos 7 conselheiros da agência regulatória de energia dos EUA foi unânime, mesmo com 4 deles tendo sido indicados pelo atual presidente.

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Estocagem de energia – Mercado explosivo

O mercado de equipamentos de estocagem de energia continua “explodindo”, crescendo a taxas exponenciais.  Só nos EUA, as previsões são de que em 2017 as novas instalações atinjam 6.000 MW, saindo de uma base de apenas 340 MW em 2012-2013.  As previsões constantes da página da Associação de Estocagem de Energia dos EUA indicam que a instalação anual de capacidade adicional deve atingir 40.000 MW em 2022.

Os sistemas de estocagem de energia vêm avançando de maneira acelerada, viabilizando mais instalações solares e eólicas tanto para gestão eficiente das redes de transmissão e distribuição inteligentes quando para assegurar a autonomia dos clientes (após o medidor de consumo individual – industrial, comercial ou residencial).

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Tarifas de pico e fora do pico na energia elétrica – o Brasil avança ou a ANEEL coloca a mão no freio?

Sem sombra de dúvidas, a adoção da assim denominada “tarifa branca” pela ANEEL representa algum avanço, ainda que tardio, de implantação lenta, e sem especificações mínimas sobre que tipos de medidores de eletricidade serão adotados.

Além disso, de um modo geral, o populismo prevalece e tenta-se vender a iniciativa como de interesse apenas do consumidor, e não do conjunto do sistema elétrico, da nação (se esse conceito ainda existe no país) ou, em particular, das concessionárias (tal é a elevação das tarifas nos horários de pico).

Afinal, a arrecadação das geradoras e das concessionárias de distribuição aumenta, permanece estável… ou a ANEEL vende gato por lebre ao afirmar que os consumidores serão beneficiados (se deixarem para tomar seus banhos com chuveiro elétrico  ou usarem suas máquinas de lavar roupa depois das 10 da noite, apesar de terem que acordar às 5 da manhã)? Alô, alô, ANEEL, queremos os números, as planilhas, ainda que com estimativas.

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Recomendações ao Ministro Eduardo Braga – Eficiência na Gestão e Apagão Mal Disfarçado

A adoção das tarifas com bandeiras são apenas uma forma de aumento das tarifas e desconsidera a experiência internacional na área da gestão da demanda de eletricidade.  Um mero aumento das tarifas tem impactos negativos generalizados e não possibilita a utilização economicamente ótima ou mais adequada da energia gerada por hidrelétricas ou termelétricas.

O paradigma adotado pelos países mais amigáveis da utilização saudável da teoria econômica entenderam muito cedo a necessidade de harmonizar a curva da demanda de maneira a utilizar ao máximo e da melhor maneira possível a capacidade instalada de geração.

A compreensão dos princípios econômicos da gestão eficiente é bastante fácil: o sistema elétrico – como o de água, de telefonia e tantos outros – está dimensionado para atender à demanda máxima em qualquer instante,  também conhecida como demanda de pico.  Assim, as instalações permanecem ociosas durante uma boa parte do ciclo de 24 horas, em particular quando muitas as indústrias e o comércio não estão operando, e mesmo a demanda residencial está em seu mínimo.

A linguagem dos países que avançaram no gerenciamento da demanda denomina – há décadas – esses dois extremos de “picos” e “vales” (fazendo um paralelo com a geografia).

Como uma parte do preço da energia está relacionada à remuneração do investimento fixo feito nas instalações geradoras – novamente, hidrelétricas ou termelétricas -, tem-se uma utilização ótima ou muito mais eficiente do sistema quando se desloca a demanda de pico para os horários fora do pico ou de demanda mínima.

Isso não é novidade.  E tanto que há muito as tarifas para os grandes consumidores são diferenciadas de maneira a estimulá-los a deslocar certas atividades de alto consumo energético para a madrugada.

Os avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento daquilo que veio a ser conhecido como smart grids e smart meters.  Basicamente, as concessionárias e os responsáveis pela operação do sistema (no caso do Brasil, o Operador Nacional do Sistema) têm um instrumento para informar aos consumidores em tempo real qual o preço da eletricidade em qualquer momento, bem como qual será o preço da energia ao longo do ciclo de 24 horas, ou nos fins de semana.

Assim, os consumidores residenciais e outros também podem optar por deslocar atividades de intenso consumo energético para horários de menor demanda, quando as instalações físicas estão operando muito abaixo de sua capacidade.  A implantação de tais sistemas não requer mudanças nas redes, mas apenas nos medidores e nos sistemas de gerenciamento de cargas.  Os benefícios são enormes para toda a economia e para o conjunto da sociedade.

Com medidores inteligentes, até mesmo uma dona de casa pode optar por ligar a sua máquina de lavar uma hora mais tarde, deslocando a demanda de pico.

Smart grids e smart meters – cuja presença vem se universalizando nos países mais desenvolvidos – não são exatamente uma novidade no Brasil.  De fato, em meados de 2012, um dos gigantes mundiais de todos os tipos de equipamentos e de gestão de energia – a Siemens – anunciou a aquisição de uma empresa brasileira que já vinha atuando no ramo.

Mais ou menos na mesma época, a Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL – maior grupo do setor elétrico brasileiro – iniciou o primeiro projeto piloto com alguma escala objetivando atender 20.000 usuários.

Com a já usual – demasiadamente usual – instabilidade dos marcos regulatórios brasileiros, já em janeiro de 2013 a ANEEL mudou as regras do jogo, o que resultou numa redução do mercado – estimado de US$ 10 bilhões – à metade, com prejuízos para a geração de empregos e para a boa gestão do sistema elétrico brasileiro.

Como é crescente a velocidade com que medidores inteligentes vêm sendo adotados em países com políticas de eficiência energética verdadeiramente sérias, já é tempo de deixar de lado as oscilações de humor da ANEEL E fazer algum planejamento para deixar de lado as “bandeiras” que punem os consumidores sem, lhes dar opção ou aumentar a eficiência da gestão, acelerando a opção pela adoção dessas novas tecnologias.

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Há décadas, os “apagões” ou o racionamento de eletricidade é feito com previsão de horários, o que fazia com que pessoas não pegassem elevadores minutos antes dos cortes de eletricidade e evitassem outros inconvenientes.  Isso já ocorria quando a canção dizia “Rio de Janeiro/cidade que me seduz/de dia falta água/de noite falta luz.  Assim como está sendo feito agora, fingindo acidentes, os prejuízos e incômodos são muito maiores, com riscos de queima de aparelhos e equipamentos, além de muita gente presa nos metrôs de São Paulo.

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Já é mais do que tempo de incentivar e facilitar a micro geração distribuída, além de muitas outras iniciativas de eficiência energética, na geração, na transmissão, e na distribuição.  Não dá para ficar de braços cruzados esperando que a área econômica resolva todos os problemas do país!