Mega-Seca e Incêndios Florestais na Califórnia – Um Alerta Adicional: O Futuro Chegou

Nestes dias, na Califórnia em decorrência de incêndios florestais fora de controle e que ontem – domingo, 13/9/2015 – já havia devastado 250.000 hectares e incendiado um número estimado de 500 casas nas primeiras 12 horas.  Esse é um dos resultados do 4° ano de seca no estado, já considerada uma das mais severas dos últimos 100 anos, e que levou o governo a decretar estado de emergência.

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Sistemas de Estocagem de Energia em Grande Escala – Avanços Decisivos para Solar e Eólica

Reduz-se rapidamente um dos principais obstáculos à disseminação ainda maior das fontes de energias renováveis tais como eólica e solar: a estocagem de energia em escala comercial nos horários em que a oferta é maior do que a demanda.  Atualmente, uma parte dessa energia é simplesmente desperdiçada.

O mais recente notícia nessa área foi o anúncio feito pelo grupo Alevo de que implantará uma fábrica de “bancos de baterias” do tamanho de conteineres com capacidade unitária de estocar 2 MW de eletricidade.  O grupo não entra em detalhes sobre a composição química de sua baterias mas assegura que sua nova fábrica será capaz de produzir 480 bancos de baterias desse tipo por ano a partir de meados de 2015.

Ainda sob o impacto desse anúncio, o mercado vem se ampliando rapidamente.  Num relatório publicado recentemente, a empresa Navigant Research estima que os novos sistemas de estocagem de energia  totalizaram 362,8 MW só no ano fiscal 2013-2014, com 103,3 MW na América do Norte, 100,5 MW na Ásia e no Pacífico, e 91,1 MW na Europa Ocidental.  A distribuição regional dos novos projetos pode ser vista na página 3 do Sumário Executivo do relatório da Navigant (que cobra caro por seus relatórios completos).

O assunto não se esgota nesse relatório.  Recentemente, criou-se a Aliança Global de Estocagem de Energia, fundada por organizações semelhantes existentes nos EUA, na Alemanha, na China, na Índia e na Califórnia (com participação individual, além da nacional), além da Aliança para Eletrificação Rural dos EUA.  Grandes avanços científicos e tecnológicos para a disseminação das energias limpas como, também, vê nessa área um conjunto de oportunidades de negócios.

Segundo outras fontes confiáveis de informação, a capacidade dos variados sistemas de estocagem de energia crescerá para 6 GW por ano em 2017, atingindo 40 GW por ano em 2022.

Segundo a Base de Dados Global de Estocagem de Energia do Departamento de Energia dos EUA, 104 projetos desse tipo encontram-se em fase de planejamento ou de implantação, além de 158 outros em diversos países.

A forma mais antiga de estocagem de energia é o retorno da água das grandes hidrelétricas através de bombeamento, mas na maioria dos países avançados essa alternativa já se encontra praticamente esgotada (o que será do Brasil?).

Agora, o que está em questão são as novas tecnologias, que não se limitam às baterias “gigantes” e com novos materiais, maior ciclo de vida e menor tempo de recarga.  A compressão do ar durante os períodos em que há excesso de geração em relação à demanda para posterior liberação e movimentação de turbinas nos horários em que aumenta a demanda, líquidos especiais com alto teor de sal aquecidos para gerar eletricidade através de trocadores de calor e outras tecnologias vêm sendo testadas de maneira a reduzir o desperdício e ampliar a utilização da energia gerada por usinas eólicas e solares.

Na Califórnia, uma lei estadual determinou que as três maiores concessionárias incorporem uma capacidade de estocagem de 1,3 GW até 2020.  No Arizona, o projeto Solana de estocagem de energia solar já permite que a eletricidade continue a alimentar as redes de transmissão e distribuição durante seis horas após o pôr do sol.

E no Brasil, onde estamos para aumentar a eficiência e reduzir os preços da geração de energia solar e eólica?

Vale esperar, pelo menos, que no futuro próximo não apareçam ec0-fascistas e “esquerdistas” dizendo que “o capitalismo é ganancioso” por deter novas tecnologias que os cidadãos das economias periféricas desejam ou mesmo necessitam.  Ganância de conhecimento e da capacidade de fazer acontecer é algo muito bom!

 

 

Ciclos de Seca – Califórnia X São Paulo

Monitor da Seca nos EUA” é o nome de uma iniciativa conjunta de diversas instituições norte-americanas, entre as quais a Administração do Espaço e da Atmosfera que, com vários satélites, tem um dos melhores sistemas de previsão do tempo e do clima do país.  O sistema de informações sobre a seca foi criado em 1999 e conta com a participação do Departamento de Agricultura (equivalente ao nível ministerial no Brasil), do Centro Nacional de Mitigação da Seca, com uma galeria de fotos que merece ser vista por aqueles que não querem se aprofundar muito no tema.  Ambas as iniciativas contam com a participação de centros de pesquisa acadêmicos, que hospedam as páginas na internet.  Coisa de país sério.

Há poucos dias, o Monitor da Seca dos EUA mostrou que cerca de 80% do território da California encontra-se em situação de seca severa ou extrema.  O ano passado – 2013 – já havia sido o segundo ano mais seco da Califórnia desde o início dos registros históricos, em 1840.  E as autoridades da área de meteorologia não se atrevem a dizer por quanto tempo a seca pode se prolongar – já que o estado teve períodos extremamente úmidos.

Mas já existe uma nova ciência, a paleoclimatologia, que estuda os ciclos climáticos a partir das rochas, sedimentos, conchas, microfósseis, árvores e outras fontes.  E a professora Lynn Ingram, do Laboratório de Geoquímica Sedimentar e Meio Ambienta da Universidade de Berkeley, afirma que a California nunca esteve tão seca desde 1580 e que o que parece uma situação excepcional pode se tornar numa “nova normal”.  A professora Ingram é coautora do livro “O oeste sem água: o que as enchentes, secas e outras informações climáticas podem nos dizer sobre o futuro“.

“Se você retornar no tempo alguns milhares de anos, verá que as secas podem durar anos, senão décadas, e que ocorreram períodos de seca que duraram cerca de um século, como na Idade Média e no Holoceno” (que na escala geológica do tempo iniciou-se há 11.500 anos e estende-se até o presente).

Para descrever grandes enchentes, Lynn Ingram usa uma linguagem fascinante, como a expressão “rios atmosféricos”: “é quando uma enorme quantidade de umidade vinda dos trópicos atravessa o oceano Pacífico ao longo de milhares de quilômetros até a costa Oeste dos EUA trazendo chuvas equivalentes a – digamos – 10 rios Mississippi.  Durante dois ou três dias as chuvas são extremamente fortes.  Todas as grandes enchentes na Califórnia resultaram desses rios atmosféricos.  A última dessas enchentes – em 1861-1862 – foi realmente imensa e inundou completamente o Vale Central com cerca de 3 metros d’água.  A cidade de Sacramento (capital da California) ficou totalmente debaixo d’água.”

Nos EUA, o Serviço de Observação Geológica coordenou os estudos de 100 cientistas ao longo de dois anos para simular as perdas econômicas na Califórnia em caso de uma nova cheia dessas proporções.  Ao final, denominou o estudo e a correspondente modelagem como ArkStorm e estimou que uma nova cheia como as ocorridas no passado (a última em janeiro de 1969) causaria perdas de cerca de US$ 300 bilhões.

Enquanto isso, no Brasil, quem fala sobre a gravíssima situação do abastecimento d’água em São Paulo é a SABESP.  E trata o assunto como um tema político-eleitoral, fingindo que não há riscos de racionamento, como já ocorre, de maneira severa, na Califórnia.  Não chegam sequer a propor um bom programa de reuso de água pelas indústrias e até mesmo comunidades, bairros, NA-DA.  Só falam no “volume morto” e fazem chamanismos, com bombardeamento de nuvens.

Da mesma forma, a hidrovia Paraná-Tietê tem o tráfego de embarcações interrompido e tudo o que se pensa e afirma é que há necessidade de novas obras e que elas dependem de licenciamento ambiental.   O preço da preço da energia aumenta de maneira imprevisível e nada, nem uma palavra dos serviços do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ou iniciativa de um trabalho conjunto com o Serviço Meteorológio da Marinha.  Abulia, omissão, ou proibição mesmo de esses órgãos se manifestem (como fez George W. Bush com a NASA no quesito mudanças climáticas)?

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No estado do Rio de Janeiro, anuncia-se o lançamento de um Mapa de Ameaças Naturais, notícia de muitos órgãos de imprensa.  O trabalho, iniciado ao final de julho de 2012, tinha previsão inicial de seis meses para a conclusão.  Ou faltaram recursos ou a opção foi pelo anúncio em tempos de eleição.  De toda forma, é bastante estranho que na página da Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro não conste absolutamente nada sobre o assunto e, é claro, nenhum informação sobre a metodologia utilizada (ainda que fosse a usual observação visual após os acontecimentos).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A California Divulga Plano Estadual (Revisado) de Proteção Contra as Mudanças Climáticas

Países sérios vêm elaborando, há bastante tempo, os seus planos de adaptação às mudanças climáticas voltados para a proteção de suas populações, bem como de seu patrimônio e dos recursos mais vulneráveis: agricultura, energia, abastecimento de água, saúde pública, barragens de proteção contra enchentes,  gestão de situações de emergências, etc.  Não ficam gastando tempo e muito dinheiro plantando “arvrinhas” para “compensar” as emissões de carbono de eventos isolados ou mesmo das emissões causadoras dessas emissões!  E, quando o governo da União não o faz, como é o caso dos EUA, os estados assumem a liderança, e fazem.  Num país de dimensões continentais, esse é certamente um caminho melhor do que ficar esperando por decisões federais, como ocorre no Brasil.

De fato, esses países – assim como suas corporações – já estão abandonando as questões tradicionais de meio ambiente, antes mais relevantes, porque os seus rios, lagos e lagoas já estão limpos – ou quase totalmente limpos, segundo os critérios deles, muito mais exigentes.  E seus parques já estão implantados (nunca foram meros “parques de papel”, como aqui).  Com o advento e a maneira com que se agravaram os problemas relacionados às mudanças climáticas, adotaram – tanto os países quanto as corporações – o conceito de “resiliência”, palavra utilizada pela Física para a capacidade dos materiais de resistirem a mudanças abruptas de pressão, temperatura e outras.  As diretorias de “sustentabilidade” das grandes corporações estão sendo simplesmente extintas.

As mudanças climáticas são consideradas irreversíveis em todos os países sérios, sobretudo em virtude do aumento constante das emissões dos gases que as causam e do consumo de combustíveis fósseis, com ou sem redução do desmatamento na Amazônia (o tema preferido da mesmice ambientalista e dos setores econômicos norte-americanos que se opõem à redução das emissões por suas termelétricas e por seu agro-negócio).

Protegendo a Califórnia: Reduzindo os Riscos Climáticos, com 289 páginas, uma atualização de um documento anterior, divulgado em 2009 com o título “A Estratégia da Califórnia para a Adaptação às Mudanças Climáticas”.  Foi disponibilizado recentemente para consulta pública e comentários, antes da redação da versão final. Uma consulta ao índice desse trabalho mostra a ordem de prioridades: (a) agricultura, (b) biodiversidade e habitats, (c) gestão de situações de emergência, (d) energia, (e) florestas, (f) oceanos e recursos/ecossistemas costeiros, (g) saúde pública, (h) transporte, e (i) água.

No Apêndice C, encontram-se mais de 600 referências às fontes consultadas, demonstrando a seriedade do trabalho, que envolveu agências variadas do governo, além de universidades, instituições de pesquisa, comunidades locais e outras.

A versão revisada do plano relata, entre outras coisas: (a) um modelo que permite aos cidadãos e instituições a visualização dos impactos climáticos sobre as diversas localidades, para uso dos governos locais (municipais) e administrações regionais, (b) a criação de um Consórcio de Mudanças Climáticas para as Colheitas de Perecíveis (frutas, verduras e legumes, por contraposição aos grãos que se incluem na categoria de “commodities” e podem ser estocados por longos períodos), (c) padrões de eficiência energética que já resultaram na economia de US$ 74 bilhões de dólares resultantes de economias nas contas de energia (desde 1975) e no aumento da segurança energética, (d) a preparação da Califórnia para ondas de calor. “Reduzir os riscos climáticos protege o povo, a economia e os recursos naturais da Califórnia.”

O documento foi disponibilizado poucos dias antes do governador da Califórnia, Jerry Brown, declarar um tipo de estado de emergência, como noticiou, entre outros meios de imprensa norte-americana, o New York Times: “o Estado está sofrendo de uma das mais graves secas já registradas”.  Em pleno inverno, algo que usualmente só acontece no pico do verão!  Produtores de gado tiveram que vender parte de seus rebanhos por falta d’água e, em áreas nas quais usualmente a pastagem é abundante, passaram a ter que comprar feno.  Se a disponibilidade de água não aumentar, cerca de 100.000 hectares de terras que usualmente produzem perecíveis não serão sequer semeadas.

Estudos recentes mostraram que a elevação do nível do oceano na costa da California, com a intrusão da língua salina no delta do rio São Francisco, resultará na necessidade de altos investimentos no reposicionamento dos sistemas de captação de água para o abastecimento da cidade.

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Já é tempo do Brasil – União e Estados – trabalharem no planejamento integrado para minimizar as consequências das inevitáveis mudanças climáticas, com especial atenção para a segurança alimentar e energética (que não inclui apenas a produção de mais energia), bem como no abastecimento de água.  Aqui, isso é bem mais difícil dada a prevalência das políticas de curto prazo, com cunho eleitoral, e do loteamento de cargos que se convencionou de “formação da base aliada”, levando cada ministro ou secretário a cuidar apenas de seu “feudo”.

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Lá, eles também propõem o plantio de árvores em áreas urbanas para amenizar os episódios de ondas de calor.  Mas não anunciam o plantio de 10 milhões de mudas de essências nativas com dinheiro de “compensações ambientais”, e depois ninguém fica sequer sabendo se e onde foram plantadas, como no Rio de Janeiro.

 

 

Mudanças Climáticas e Sociedade de Transição na Califórnia

Em junho de 2005, o Governo da Califórnia determinou à sua Agência de Proteção Ambiental que prepara-se relatórios científicos periódicos sobre os potenciais impactos das mudanças climáticas sobre a economia desse estado norte-americano.  A Agência pediu à Comissão de Energia da Califórnia e ao Centro de Mudanças Climaticas que liderassem esse trabalho.  O sumário do terceiro relatório resultante dessa avaliação periódica já se encontra disponível para download, com o título de Vulnerabilidade e Adaptação – Os Crescentes Riscos das Mudanças Climáticas na Califórnia.  De sua elaboração participaram também a Agência de Recursos Naturais, o Departamento de Recursos Hídricos, o Conselho de Proteção do Oceano, o Departamento de Alimentos e Agricultura e mais nove órgãos do governo do estado.  É notável a integração entre os órgãos de governo (não submetidos a qualquer tipo de loteamento) e em muitas das páginas desses órgãos já se encontram iniciativas relacionadas à transição que se impõe diante das mudanças climáticas.

O relatório examina opções de adaptação através de estudos de caso regionais e sugere iniciativas legais, regulatórias e sócio-econômicas de maneira que a adaptação possa ser feita de forma efetiva (isto é, com resultados práticos) em níveis local e estadual.

Os 30 estudos que resultaram no relatório abordaram assuntos relacionados à temas como energia, água, agricultura, saúde pública, transportes, áreas costeiras e recursos ecológicos considerados vitais para a Califórnia.

O relatório ressalta, entre outras coisas, que (a) o sistema elétrico do estado é mais vulnerável do que indicaram avaliações anteriores, (b) o Delta dos rios Sacramento-San Joaquin está “afundando” de modo a colocar em risco as barragens de terra que protegem as terras agrícolas,e (c) os ventos e ondas, além da elevação dos oceanos, farão com que as inundações sejam mais extensas.

Tudo muito parecido com o trabalho similar que vem sendo feito no Brasil, em nível federal e dos estados, com o estabelecimento de limites para emissões de gases causadores de mudanças climáticas?  Qual nada!  O governo brasileiro ignorou o estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que recomendou entre outras coisas, que o país se preparasse para remover 46 milhões de habitantes do litoral.  Preferiu uma lei genérica sobre emissões e foi dormir com a “barriga cheia”, saciada de vaidades.

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Só recentemente o PIB do Brasil superou o da Califórnia que, se comparada com as maiores economias do mundo, passou de oitava para a nona posição.  A população da Califórnia é de pouco menos de 38 milhões de habitantes.