Agência regulatória de energia dos EUA rejeita proposta anacrônica de Trump – Como seria algo assim no Brasil?

Em países onde as agências regulatórias são sérias, “ordens” presidenciais são rejeitadas como sugestões e propostas de quaisquer outras organizações e entidades.  Isso ocorreu há dias com uma proposta de Trump voltada para subsidiar a geração de eletricidade de fontes térmica a carvão e nuclear.  A decisão dos 7 conselheiros da agência regulatória de energia dos EUA foi unânime, mesmo com 4 deles tendo sido indicados pelo atual presidente.

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Greenpeace e IBAMA – Uma Coalizão de Organizações Antiquadas

Uma ONG antiquada – o Greenpeace – fez um levantamento sobre um assunto muito antigo, de pelo menos duas décadas: siderúrgicas que usam madeira de florestas nativas para fazer carvão.  O jornal O Globo publicou a reportagem como se tudo fosse uma grande novidade, apesar das siderúrgicas não serem exatamente clandestinas ou pouco visíveis.  Todas encontram-se instaladas há muito tempo no entorno de Carajás, na divisa dos estados do Pará e do Maranhão, e são grandes exportadoras.  E o tal Greenpeace teria levado 2 anos para fazer esse levantamento.  Que gênios!

As siderúrgicas exportam uma parcela considerável de sua produção para os Estados Unidos: “… apenas quatro siderúrgicas instaladas em Açailândia (Viena Siderúrgica, Gusa Nordeste, Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré e Fergumar) exportaram perto de US$ 390 milhões em 2011, sendo 87,88% deste valor para os Estados Unidos”.

Ah – provavelmente as indústrias americanas que usam esse ferro-gusa para fazer aço têm “certificação ambiental”, mas o Greenpeace preferiu não divulgar o nome dos importadores, apesar de dizer que entre eles há indústrias de automóveis.   Estranha opção.  Ou uma opção que acoberta interesses?

A ação foi feita em clara coordenação com o IBAMA.  Isso já é usual.  O mais estranho, no entanto, é o IBAMA nunca ter feito nada e no dia seguinte da reportagem divulgar iniciativas para coibir…. os carvoeiros, não para punir as siderúrgicas.  Essas indústrias têm CNPJ, licença ambiental e suas atividades são visíveis para quem por lá passa a pé, em lombo de burro, de caminhão, ou quem sabe até mesmo pelo Centro de Sensoriamento Remoto do IBAMA, que conta uma vantagem danada de seu Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real – DETER, bem como do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite – PRODES.  Quem sabe a área a área encontra-se permanentemente coberta por nuvens há muito tempo por determinação superior.

O fato é que os fiscais do IBAMA estão sempre muito preocupados em agir contra outros madeireiros e contra produtores rurais, buscando confirmar a teoria de que os “ruralistas” é que são responsáveis por todo e qualquer desmatamento.  Assim, com um inimigo único, é mais fácil enganar a juventude urbana e os artistas da Globo, sempre tão conscientes e atuantes no que se refere aos problemas sócio-ambientais.

Como cereja do bolo, o navio do Greenpeace, que agora vive no Brasil.  É fantástico que as autoridades permitam a intromissão em assuntos de política interna por uma embarcação de bandeira estrangeira.  Se fosse num país sério, a bronca seria certa.

 

Banco Mundial – Garantia de Mentira

Balanço fechado, o Banco Mundial informa que no ano passado investiu US$ 3,4 bilhões no combustível fóssil mais sujo: o carvão.

Mas como essa instituição sempre mascara fatos e números, e a mentira tem pernas curtas, o Centro de Informações do próprio Banco discordou da informação e informou que pelo menos US$ 1 bilhão a mais foram gastos com o mega-sujo carvão.  O Centro de Informações incluiu em seus cálculos os investimentos em linhas de transmissão de novas unidades de geração de eletricidade que utilizam carvão como combustível.  Faz sentido.  Fatiar os investimentos que fazem parte de um conjunto é um hábito do Banco para mascarar os seus trampos, assim como no Brasil se fatiam projetos para fins de licenciamento ambiental.

Malandro é o gato, que rouba a sardinha e esconde o próprio cocô!  Ou alguém já ouviu falar de grandes centrais de geração de eletricidade sem linhas de transmissão?  Mentiras vis…  ou infantis!

Como a vida útil de uma termelétrica situa-se na faixa de 40-50 anos, os países induzidos e/ou apoiados pelo Bloody Bank nesses projetos são reféns da energia muito suja por igual período.  Isso no caso otimista de que as unidades de geração térmica não continuem a funcionar além de suas vidas úteis, como é bem o caso de boa parte da geração térmica em sistemas isolados na Amazônia brasileira.

Acrescentem-se a esses investimentos em energia ultra-suja, um bilhãozinho de dólares em extração de petróleo.  Como se sabe, a indústria petroleira é a que mais subsídios recebe no mundo – US$ 470 bilhões em 2010, noves-fora as despesas militares com invasões – e necessita muito de uma “mãozinha” do Banco Mundial.

O Greenpeace e o WWF não se pronunciaram.  Mas a organização Christian Aid – bem mais séria e não comprometida com fontes de financiamento com interesses ocultos – botou a boca no trombone.

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Os números relativos aos empréstimos do Banco Mundial variam ligeiramente em função das fontes, devido à conversão de moedas.

O valor dos subsídios ao petróleo e ao gás tem fonte segura: a Agência Internacional de Energia.  É a tuma dos subsídios que depois fala em “créditos de carbono” através da preservação de florestas.  Eles não têm qualquer pudor em relação ao cinismo deslavado, pelo menos enquanto isso estiver sendo útil para os seus eleitores.  Ao contrário, os subsídios à indústria petrolífera cresceram em US$ 110 bilhões de 2009 para 2010.  É preciso salvar florestas para deter ou adiar mudanças climáticas – insistem!  Esses valores de subsídios não incluem, é claro, as gigantescas despesas militares necessárias às invasões para assegurar os interesses da indústria petroleira.

Manaus – Bailes de Máscaras, Jogos de Cena e Outras Mentiras Convenientes

O ex-presidente Bill Clinton afirmou em Manaus que o Brasil tem que refletir sobre os impactos da construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.  Em qualquer país sério, um ex-chefe de estado dando palpites em assuntos de política interna seria muito mal visto e imediatamente repudiado pelas autoridades locais.

Já um tanto senil, Clinton defendeu o que ele acredita ser a proteção da Amazônia em benefício do oxigênio planetário, e afirmou: “Não tenho paciência para pessoas que criticam e não dão alternativas”.

“Qual a alternativa? Vocês precisam de eletricidade e querem preservar a floresta. E 20% do oxigênio mundial vem de vocês. Não é fácil, mas vocês têm que pensar sobre essas coisas, sobre o futuro de seus filhos e netos. É preciso pensar na população indígena, nos animais, nas espécies de plantas que podem ter a cura para doenças.”

Ah, bom!  A cura para as doenças?  Clinton nunca lutou seriamente para que o Congresso norte-americano referendasse a Convenção Sobre a Biodiversidade que garantiria “uma remuneração justa” para os países de onde venham o material genético que permite o desenvolvimento de novos medicamentos!  A “uma remuneração justa” só pode se contrapor “uma remuneração injusta”! E os EUA nunca aderiram a esse tratado internacional!

Ainda mais gagá – ou mais alienado -, o ex-play boy e ocasional governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger confundiu o Brasil com o México e elogiou o calor das mulheres brasileiras como fonte potencial de energias renováveis.  Em condições normais de pressão e temperatura, as feministas considerariam isso uma ofensa.  Mas no ôba-ôba da “sustentabilidade” de Manaus, valeu tudo.

Pois bem, na véspera desse encontro de ex-trelas, tietes e alguns cientistas para falar de mudanças climáticas, o Secretário (Ministro) do Interior do governo dos EUA anunciava a autorização para uma vertiginosa expansão da mineração de carvão em seu país.  Estima-se que quando utilizado esse carvão resultará na elevação das emissões globais de carbono em cerca de 50% das atuais emissões norte-americanas, ou o equivalente a 300 usinas térmicas convencionais que usam carvão para a geração de energia.

Esse tipo de jogo de cena para agradar os diversos grupos de pressão não é uma novidade.  Também no Brasil o governo andou se ufanando da redução do desmatamento na Amazônia e, simultaneamente, do potencial econômico da extração do petróleo em grandes profundidades (para as quais as tecnologias de extração ainda não se encontram totalmente desenvolvidas).  E a tuma do meio ambiente fez e faz cara de paisagem, mesmo quando Obama declara abertamente, em discurso durante a sua viagem ao Brasil, “nós precisamos do petróleo de voces”.

Segundo a imprensa internacional, na mesma entrevista em que anunciou essa mega-ampliação dos negócios da indústria do carvão e das termelétrica que o utilizam, o ministtro norte-americano murmurou algumas palavras sobre a intenção de autorizar a implantação de 12.000 MW de energia limpa até o final do próximo ano.  Eles são divertidos!  A nova área de mineração de carvão possibilita a ampliação da capacidade instalada de geração a partir do carvão em cerca de 300.000 MW de energia suja.  O Greenpeace, Clinton, Arnold, e os “zambientalistas” brasileiros ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

As imagens da mineração de carvão em Wyoming (abaixo), onde foi autorizada a expansão da atividade, mostram bastante  bem a preocupação dessa turma com florestas, reservas legais, topos de morro, encostas íngremes, fundos de vale, e mudanças climáticas.

 

 

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E por falar em proteção de florestas,  a empresa farmacêutica inglesa Beacon Hill Resources acaba de receber permissão para realizar sondagens em busca de magnetita nas mais valiosas florestas da Tasmânia, na Australia.  Nessa área, denominada Trakine, encontra-se a maior floresta úmida do hemisfério sul, e nela vivem numerosas espécies em extinção e encontram-se impressionantes sítios arqueológicos indígenas, além de extensas áreas de cavernas.

A inglesa Beacon Hill Resources é uma das tres grandes que estão solicitando autorização para a mineração de céu aberto – isto é, com a total remoção das florestas – nessa área.  Em sua página na internet, a empresa anuncia com orgulho essa iniciativa, bem como a aquisição de uma das maiores regiões de carvão ainda não desenvolvidas no mundo, ma Província de Tete, em Moçambique.

Haja cara de pau e cinismo!

Cresce a Geração de Energia Usando Carvão Como Fonte Primária – Mas É Preciso Preservar a Amazônia!

Historicamente, quem se encarregou de resolver problemas de meio ambiente nas mais diversas áreas não foram as ONGs, mas cientistas e tecnólogos das mais diversas formações.  Isso não mudou em nada com o advento dos problemas relacionados às mudanças climáticas.  Mas, agora, à farsa ambientalista somaram-se até mesmo os financistas, que fazem “índices” de carbono eficiente e – se bobear – colocam derivativos de opções de derivativos nos mercados de carbono, para resgate dentro de uma década.

A farsa da “transição para uma sociedade de baixo carbono pode ser parcialmente avaliada pelo fato de que carros elétricos continuam usando eletricidade com o mesmo potencial de emissões de carbono da matriz energética de cada país.  A origem do desenvolvimento de veículos elétricos não esteve nas preocupações com as mudanças climáticas, mas nos problemas de poluição do ar em áreas urbanas e metropolitanas de altíssimo tráfico de veículos de transporte individual.  Nesse campo, a Califórnia foi pioneira.  Mas a produção de eletricidade nos EUA – que será usada para carregar a bateria desses veículos – não mudou de maneira substancial de uma fonte primária para outra.

É compreensível que as pessoas gostem do marketing sobre um problema ainda não resolvido pelos cientistas e tecnólogos: a geração de energias limpas, ou menos sujas.  Afinal, a esperança é componente essencial da vida humana, e a sua manipulação sempre ocorreu.  Em muitos casos, as pessoas e sociedades optam por não ver o óbvio. 

Também nos países desenvolvidos há um pacto de silêncio sobre o uso de carvão como fonte de geração de energia.  Restrições aqui e ali, promessas mais adiante de que em cinco anos uma empresa inglesa já terá desenvolvido a tecnologia, mercado negro de créditos de carbono, e ao final ninguém diz que crescem a passos largos as exportações de carvão dos EUA (diretamente ou através de portos canadenses, ao estilo dos navios de bandeira panamenha), da Austrália, da Colômbia e da África do Sul e outros para a Ásia e, em particular, para o crescente mercado da China e da Índia (além da Japão, Coréia e outros), de onde os produtos saem de volta para os grandes mercados consumidores sem que estes avancem na marcação de sua “pegada carbônica”.

Afinal, as notícias sobre as reduções locais das emissões de carbono e o plantio de óleo de palma “certificado” para fazer biodiesel servem como bons lubrificantes sociais.

Traçar a “pegada carbônica” é algo mais conveniente para shows de bandas musicais que salvarão o planeta do que para o grosso do cmércio internacional.  Fazer isso com os produtos finais seria muito inconveniente para empresas que têm selo verde e que fazem marketing sobre o controle da cadeira produtiva da madeira, para a boa consciência dos consumidores dos países altamente industrializados, para o desempenho eleitoral de alguns políticos, e para muita gente mais.

Tradicionalmente, o carvão era queimado próximo ao seu local de extração, mas agora cresce, as exportações de longas distância, bem como o preço, que duplicou nos últimos 5 anos.

Novos projetos de mineração de carvão estão em desenvolvimento das Montanhas Rochosas até a costa do Pacífico dos EUA, sem que isso prejudique a boa consciência de quem consome e defende a produção de “energia verde” no país (essa é, de fato, uma boa causa!).  Novas terras públicas são arrendadas para mineração e novos portos estão sendo construídos para a exportação de carvão.

Fazem leis estaduais que limitam ou taxam emissões de carvão nos estados ou mesmo nacionalmente e a seguir exportam o carvão, para importar produtos manufaturados com a sua queima.  Eles são umas gracinhas, não são?  Quem os vê assim tão orgulhosos de seus selos verdes, de seus certificados de responsabilidade socioambiental, os compra.  Licenciam uma térmica a carvão e no dia seguinte dão uns trocados para limpar uma lagoa ou para plantar umas árvores com a denominação de “compensação ambiental”, sem que ninguém vá lá conferir onde foi parar o dinheiro.

As exportações australianas de carvão para a China cresceram de US$ 508 milhões no ano 2000 para US$ 5,6 bilhões em 2009.  Ainda que o Japão e a Coréia continuem sendo os maiores importadores do carvão da Austrália, gigantes locais do setor estão investindo bilhões na mineração em novas áreas para cumprir contratos futuros de exportação para a China.

Agora, chega.  É melhor ir tomar um Chateau alguma coisa em algum restaurante da moda.  Empresários espertos, ambientalistas de ocasião e políticos que se utilizam do imaginário infanto-juvenil na área ambiental preferem falar da Amazônia como estoque de carbono fixo do que do pré-sal como fonte emissora de carbono para a atmosfera.  Há assuntos que viram tabus e para o os quais a maioria prefere não estabelecer qualquer relação entre os pontos A e B, ainda quando notícias tão conflitantes estejam na mesma página dos jornais.