Mudanças Climáticas e Sociedade de Transição na Califórnia

Em junho de 2005, o Governo da Califórnia determinou à sua Agência de Proteção Ambiental que prepara-se relatórios científicos periódicos sobre os potenciais impactos das mudanças climáticas sobre a economia desse estado norte-americano.  A Agência pediu à Comissão de Energia da Califórnia e ao Centro de Mudanças Climaticas que liderassem esse trabalho.  O sumário do terceiro relatório resultante dessa avaliação periódica já se encontra disponível para download, com o título de Vulnerabilidade e Adaptação – Os Crescentes Riscos das Mudanças Climáticas na Califórnia.  De sua elaboração participaram também a Agência de Recursos Naturais, o Departamento de Recursos Hídricos, o Conselho de Proteção do Oceano, o Departamento de Alimentos e Agricultura e mais nove órgãos do governo do estado.  É notável a integração entre os órgãos de governo (não submetidos a qualquer tipo de loteamento) e em muitas das páginas desses órgãos já se encontram iniciativas relacionadas à transição que se impõe diante das mudanças climáticas.

O relatório examina opções de adaptação através de estudos de caso regionais e sugere iniciativas legais, regulatórias e sócio-econômicas de maneira que a adaptação possa ser feita de forma efetiva (isto é, com resultados práticos) em níveis local e estadual.

Os 30 estudos que resultaram no relatório abordaram assuntos relacionados à temas como energia, água, agricultura, saúde pública, transportes, áreas costeiras e recursos ecológicos considerados vitais para a Califórnia.

O relatório ressalta, entre outras coisas, que (a) o sistema elétrico do estado é mais vulnerável do que indicaram avaliações anteriores, (b) o Delta dos rios Sacramento-San Joaquin está “afundando” de modo a colocar em risco as barragens de terra que protegem as terras agrícolas,e (c) os ventos e ondas, além da elevação dos oceanos, farão com que as inundações sejam mais extensas.

Tudo muito parecido com o trabalho similar que vem sendo feito no Brasil, em nível federal e dos estados, com o estabelecimento de limites para emissões de gases causadores de mudanças climáticas?  Qual nada!  O governo brasileiro ignorou o estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que recomendou entre outras coisas, que o país se preparasse para remover 46 milhões de habitantes do litoral.  Preferiu uma lei genérica sobre emissões e foi dormir com a “barriga cheia”, saciada de vaidades.

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Só recentemente o PIB do Brasil superou o da Califórnia que, se comparada com as maiores economias do mundo, passou de oitava para a nona posição.  A população da Califórnia é de pouco menos de 38 milhões de habitantes.