Estocagem de energia solar e eólica em mega-baterias – Austrália inaugura uma com capacidade de 100 MW

Um dos problemas centrais das energias renováveis – excetuadas as células de combustível/hidrogênio – é que nem sempre a geração se dá nos momentos de maior consumo.  Daí a preocupação com a estocagem, entre outras como as redes inteligentes (smart grids).

O Brasil tem um sistema de estocagem já implantado mas mal utilizado no que se refere à sua integração com a energia solar e eólica: os reservatórios das hidrelétricas.  Se as assim chamadas autoridades setoriais soubessem fazer contas ligeiramente mais sofisticadas e cuidassem da automação das hidrelétricas, estocaria água – e portanto energia – nesses reservatórios no período da geração com energias renováveis fora dos horários de demanda de pico.

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Estocagem de energia – Mercado explosivo

O mercado de equipamentos de estocagem de energia continua “explodindo”, crescendo a taxas exponenciais.  Só nos EUA, as previsões são de que em 2017 as novas instalações atinjam 6.000 MW, saindo de uma base de apenas 340 MW em 2012-2013.  As previsões constantes da página da Associação de Estocagem de Energia dos EUA indicam que a instalação anual de capacidade adicional deve atingir 40.000 MW em 2022.

Os sistemas de estocagem de energia vêm avançando de maneira acelerada, viabilizando mais instalações solares e eólicas tanto para gestão eficiente das redes de transmissão e distribuição inteligentes quando para assegurar a autonomia dos clientes (após o medidor de consumo individual – industrial, comercial ou residencial).

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O Chile dispara na energia solar e os preços da eletricidade caem

O Chile adotou uma política inovadora no campo da geração de energia: em leilões abertos, qualquer fonte concorre com qualquer outra fonte.  Uma concepção bem diferente da brasileira, na qual o poder público faz leilões periódicos para a aquisição de energia de cada fonte, mas não larga o osso das hidrelétricas de grande interesse das empreiteiras.

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Energias renováveis – O Uruguai atinge o recorde de 95% de sua eletricidade dessas fontes

O Uruguai lidera na adoção de energias limpas na América Latina, com 95% de sua eletricidade oriundos dessas fontes.  Isso aconteceu em menos de 10 anos, sem subsídios do governo ou aumento de preços para os consumidores – afirma Ramón Méndez, diretor de políticas de mudanças climáticas.

“De fato, agora que as energias renováveis são responsáveis por 94,5% do abastecimento de eletricidade, os preços para os consumidores são menores do que no passado – se considerada a inflação – e há menos cortes de energia em decorrência da diversificação das fontes.

“Não há milagres tecnológicos.  A energia nuclear está totalmente fora desse mix de fontes de energia, nenhuma fonte hidrelétrica foi adicionada nos últimos 20 anos.  A chave para o sucesso é bastante simples e facilmente replicável: um processo decisório claro, um ambiente regulatório favorável e uma forte parceria entre os setores público e privado.”

Com isso, os custos da eletricidade caíram mais de 30% nos últimos 3 anos. e a vulnerabilidade às secas foi reduzida em 70% – afirma Méndez.

“Nos últimos 3 anos, não importamos um único kW/h.  Nós costumávamos importar eletricidade da Argentina, mas agora nós exportamos para ela.  No último verão, nós vendemos para ela 1/3 de nossa geração com energias renováveis”.

Enquanto isso, os investimentos globais em carvão e gás natural caíram à metade dos investimentos em energias limpas, com a China liderando: US$ 103 bilhões em 2015, um aumento de 17% em relação a 2014.  De acordo com especialistas, em grande parte esses avanços se devem à redução dos custos dos painéis fotovoltaicos, cujos preços caíram cerca de 60% desde 2009.

Enquanto isso, cresce o número de fundos de investimento – incluindo os grandes fundos de pensão – que decidiram retirar o seu dinheiro da área do petróleo. Agora foi a vez de mais um fundo da família Rockefeller, que sabe que nessa área tende a perder dinheiro e, mais, considera imorais esses investimentos.

E o Brasil, onde fica nessa história?  Entre as política públicas, incluindo os avanços na regulamentação da ANEEL, a distância continua imensa, os preços são altos, as linhas de crédito de longo prazo são de difícil acesso – em particular para a micro-geração distribuída (isto é, o uso de painéis solares em residências e edificações comerciais – continua sendo largamente boicotado pelas concessionárias.

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Até os países árabes dispararam na direção da energia solar.  Muitos exemplos já foram dados aqui.  Agora é a vez de Oman, que anuncia a implantação de 1 GW (1.000 MW) com a tecnologia que eles estão preferindo para grandes centrais: espelhos que seguem o sol e concentram energia numa torre na qual é aquecido sal e que pode gerar eletricidade por várias horas após o pôr do sol.  A nova planta, que estará operacional em 2017, chama-se Miraah (espelho, em árabe), é uma parceria entre o governo e as petroleiras Shell e Total.

A Miraah foi construída após a conclusão e operação bem sucedida de uma planta piloto d 7 MW em Amal, com apenas 7 MW.  Esta, foi implantada dentro do cronograma e do orçamento (isto é, sem aditivos contratuais, como é a regra das empreiteiras brasileiras).  Cerca de 40% dos materiais foram fornecidos por empresas de Oman!

As empreiteiras brasileiras não gostam nada de energia solar ou fotovoltaica porque nesses casos não podem ficar colocando concreto e faturando por volume medido.

Preços do Petróleo Despencam, Obama Vê Oportunidade para Alavancar Energias Renováveis, e a Petrobras…..

O preço do petróleo no mercado internacional continua a cair, tendo chegado a US$ 28/barril.  A Agência Internacional de Energia alerta para o fato do cartel de países produtores e exportadores estarem aumentando a sua produção, o que faz com que analistas do setor digam que não se surpreenderão se o preço chegar a US$ 20/barril quando o petróleo iraniano começar a inundar o mercado.

Enquanto isso, a Venezuela, que tem as maiores reservas mundiais do planeta, começa a importar petróleo dos EUA.  Ah – logo a Venezuela “bolivariana” – um modismo passageiro que lá sobreviveu demais – que sempre colocou a “culpa” de tudo no “imperialismo norte-americano”.

Aproveitando a onda dos baixíssimos preços da gasolina nos postos norte-americanos – bargain prices -, Obama fala, agora, na introdução de um imposto adicional de US$ 10/barril de petróleo para financiar os programas de energia renováveis.  Os economistas convencionais – como é o caso da esmagadora maioria – esperneiam, dizem que esse imposto será transferido para os consumidores finais (como são brilhantes, esses economistas), mas nem levantam a hipótese que esses consumidores simplesmente não reclamem.

De fato, com a gasolina a US$ 1,73 por galão – na média nacional -, ou cerca de R$ 1,83/litro (considerado o câmbio atual), talvez os consumidores finais nem percebam, já que foram muitas as quedas recentes nos preços e, US$ 10 por barril que tem 159 litros significam US$ 0,06 por litro.  Obama e sua equipe conseguiriam, com esse imposto adicional num momento em que os ventos são favoráveis, uma imensa alavancagem de suas propostas de consolidar o mercado norte-americano de energias renováveis, que em 2014 e 2015 cresceu mais do que a geração de qualquer outra fonte nos EUA.

E isso por uma gasolina de qualidade – octanagem – muito superior à brasileira, que é obrigatoriamente batizada com álcool para subsidiar os grandes produtores de álcool, com a mistura em percentuais que variam ao sabor de seus interesses conjunturais.

Esses baixos preços do petróleo beneficiam o conjunto da economia norte-americana, enquanto os altos preços aqui mantidos apenas subsidiam o rombo da Petrobrás, que tende a crescer ou mesmo a se tornar inviável em função de suas imensas dívidas, dos altos custos de extração do petróleo de grande profundidade (custos que já inviabilizaram projetos no pré-sal de Angola) e pelas bilionárias multas que lhe devem ser aplicadas pela Justiça norte-americana por manipulação de informações ao mercado e pela corrupção.

Assustada, a Petrobras encaminha ao órgão que regula o mercado acionário norte-americano notas informando que se defenderá com unhas e dentes – coisas que nem aparecem na imprensa brasileira.  O próprio juiz encarregado da ação já informou à empresa que valor total dessas multas e indenizações pode chegar a US$ 100 bilhões, segundo algumas fontes, ou “apenas” US$ 30 bilhões, segundo outras.

De toda forma, um valor muito alto para a mais endividada entre as grandes empresas de petróleo do mundo: algo em torno de US$ 127 bilhões.

Em todo caso, o julgamento se iniciará em breve e, ainda sendo responsável por grande parte do faturamento da grande mídia no Brasil, o governo e a Petrobras não conseguirão contê-la.

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Agora, uma nova ação judicial, a ser movida na Holanda, ameaça a Petrobras.

Vamos combinar uma coisa: a Petrobras faliu.  Ou o governo federal terá que injetar dinheiro dos contribuintes para cobrir o rombo da corrupção e da incompetência (estão associados), como fez recentemente o México com a Pemex.  Que tal 12% do PIB nacional em dinheiro dos contribuintes?