Inglaterra – O Lema É: Emissões Aqui, Florestas Lá

O governo da Inglaterra – que tanto fala sobre a necessidade de proteção das florestas amazônicas e das reservas indígenas – não está adotando medidas suficiente para cumprir com as metas legais do pais para a redução da emissão de gases causadores de mudanças climáticas.

É o que afirma um recente relatório do Comitê sobre Mudanças Climáticas   entregue ao Parlamento: “da maneira que está agindo, o governo não atingirá as metas legais para 2020”.

Resumindo, a Inglaterra se prepara para descumprir a sua própria lei sobre mudanças climáticas. “Florestas lá, Emissões Aqui” – poderia ser o lema dos governos da Inglaterra e dos EUA (onde uma lei sobre a redução da emissão de gases causadores de mudanças climáticas permanece engavetada no Senado).

Os cientistas afirmam que a continuidade das emissões dos países altamente industrializados pode resultar na destruição de boa parte das florestas amazônicas, com amplas áreas se transformando em algo semelhante às savanas africanas.  Ou seja, não importa quais sejam as medidas adotadas no Brasil, essas florestas tendem a serem altamente impactadas pelas mudanças climáticas se os demais países não cumprirem metas de redução de suas emissões.

O relatório do Comitê Sobre Mudanças Climáticas – independente – pode ser encontrado em sua página na internet, em www.theccc.org.uk.

Nele, o Parlamento é informado que a redução de 8,6% nas emissões inglesas ocorrida no ano de 2009 decorre, em sua quase totalidade, da recessão econômica, e não da implementação de políticas consistentes com as metas.

O Comitê alerta para o fato de que com o fim da recessão as taxas de redução das emissões não serão compatíveis com a meta de redução de 34% do CO até 2020 em relação ao ano-base de 1990. E ainda ressalta que o cenário é bastante pior se a meta for de uma redução de 42%, que está sendo negociada com a União Européia.

“A recessão criou a ilusão de que estão sendo feitos progressos em direção ao cumprimento das metas” – declarou Lord Turner, presidente do Comitê e ex diretor geral da Confederação da Indústria Britânica.

O Comitê, independente, foi estabelecido exatamente para monitorar as ações do governo e reportar ao Parlamento sobre a adoção e a implementação de políticas consistentes com as metas legais.

No relatório, o Comitê manifesta a sua preocupação com o fato de que o orçamento do Ministério do Transporte para subsidiar a infra-estrutura necessária ao aumento do número de carros elétricos, bem como a substituição da frota atual de veículos seja insuficiente e mesmo de que seja drasticamente reduzido em função das medidas de contenção de despesas que o governo britânico pretende adotar.

O interessante – para os que tentam acusar a ‘bancada ruralista” no Congresso de propor mudanças no caduco Código Florestal brasileiro – é que o Comitê enfatiza a necessidade de que sejam estabelecidas novas regras para o uso de fertilizantes nitrogenados pela agricultura britânica, já que esses fertilizantes liberam óxidos de nitrogênio, que também contribuem de maneira significativa para as mudanças climáticas.

Em resumo, o governo inglês está na rota de descumprimento de sua própria lei enquanto fala sobre o “desmatamento ilegal’ em outros países.

O Greenpeace da Inglaterra permaneceu em silêncio depois de divulgado o relatório do Comitê.

The Nature Conservancy – Cai a Máscara da Proteção Ambiental?

Abaixo, em “azul petróleo”, a tradução integral de uma notícia recentemente publicada pelo The Washington Post, o principal jornal da capital dos Estados Unidos.  A notícia mostra alguns dos vínculos da The Nature Conservancy – também conhecida como TNC – com a British Petroleum – BP.

A The Nature Conservancy tem forte presença no Brasil e não perde a oportunidade de se meter nos debates do Congresso Nacional sobre o Código Florestal, algo que, em seu país de origem, já teria motivado uma investigação sobre as suas fontes de recursos financeiros.

Entre as suas inúmeras peraltices já feitas no Brasil, The Nature Conservancy ganhou dinheiro intermediando a aquisição de terras no Brasil para assegurar créditos de carbono para a General Motors, para American Electric Power – AEP e para a Chevron Oil.  Só a ADP, que é responsável pelas mais elevadas emissões de carbono nos EUA com o uso de carvão muito sujo, financiou a compra de uma área maior do que a ilha de Manhattan.

Um curto documentário sobre o assunto, em inglês mas com trechos em português, foi feito por Mark Schapiro para a rede pública de rádio e televisão pública dos EUA: PBS.  O vídeo, no qual estão sendo colocadas legendas em português, pode ser visto no link ao final deste post.

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A NATURE CONSERVANCY SE DEFRONTA COM POTENCIAIS DANOS DECORRENTES DE SUAS LIGAÇÕES COM A BRITISH PETROLEUM.  

 
Nos dias que sucederam à evidência de quer era imenso o derramento de óleo no Golfo do México, muitos dos que apoiavam a Nature Conservancy nos EUA usaram a sua própria página na internet para expressar a sua raiva.
 
 “A primeira coisa que eu fiz foi vender as minhas ações da BP, não querendo manter qualquer tipo De relação com uma empresa tão irresponsável” – escreveu um.  O outro adicionou: “Eu gostaria de forçar todos os executivos da BP, as secretárias e os acionistas a sairam para o litoral para recolher óleo e para limpar os pássaro”.  Reagan De Leon, do Havai, conclamou a um boicote de “tudo o que a BP tocar”.
 
“Oh, waw”, De Leon disse quando soube da profundidade de relação entre a ONG sem fins lucrativos que ela ama e a companhia que ela odeia.  “Isso é muito perturbador”.
 
A Nature Conservancy, já lutando para proteger os bancos de ostras do vazamento de óleo, agora se defronta com um novo problema: a forte impacto da percepção negativa que as pessoas que a apoiam tem quando ficam sabendo que o gigante do petróleo e uma das maiores ONGs ambientalistas do mundo forjaram, há muito tempo para emprestar à BP a imagem de amiga da Terra e ajudar a Nature Conservancy a lutar pelas causas que ela ama.
 
O oléo que vaza do poço da BP agora ameaça um bom número de alianças entre conglomerados de energia e ONGs sem fins lucrativos.  Pelo menos um grupo, o Conservation International, reconhece que deve reavaliar as suas conexões com as empresas petroleiras, de maneira a proteger a sua própria reputação.
 
“Esse vai ser o verdadeiro teste para as doações que recebem grupos como a Nature Conservanc”, declarou Dean Zerbe, um advogado que vem investigando as relações da ONG com os seus doadores desde que trabalhou para o Comitê de Finanças do Senado norte-americano.
 
“O vazamento não apenas mancha a BP, mas se não tivermos respostas apropriadas, também mancha aqueles que receberam as doações e o apoio.”   Alguns puristas acreditam que os grupos ambientalistas deveriam manter uma razoável distância de alguns tipos de corporação, particularmente daquelas cujo principal negócio causa riscos ambientais.
 
Eles argumentam que se o vazamento da BP mostrar o seu lado mais negativo eles serão vistos como teno feito acordos com o demônio.   No lado oposto encontram alguns que se descrevem como pragmáticos que, como a Nature Conservancy, afirmam que é através de parcerias como essas que se cria a mudança em larga escala.
 
“Qualquer pessoa séria sobre o conservacionismo nessa região deve unir-se a essas empresas, de maneira a que não sejam apenas uma parte do problema mas possibilitando a que essas corporações restaurem uma parte significativa desse incrível ecossistema”, o escreveu o presidente da Nature Conservancy, Mark Tercek, na página da ONG na internet depois das críticas daqueles que apoiam a ONG.
 
A ONG, baseada em Arlington, não fez segredo de suas relações com a BP, um entre muitos que forjou com grandes corporações multinacionais.
 
A página da Nature Conservancy na internet lista a BP como membro do Conselho de Lideranças Internacionais da Nature Conservancy.   A BP foi um dos maiores doadores para um projeto da Nature Conservancy que teve por objetivo a proteção de uma floresta na Bolívia.
 
Em 2006, a BP doou à ONG cerca de 300 hectares de terra no Condado de York, na Virgínia, onde se planeja fazer uma gestão da vida silvestre.  No Colorado e em Wyoming, a Nature Conservancy trabalhou com a BP para limitar os danos ambientais da extração de gás natural.
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Uma pergunta “indiscreta”: qual será o salário de Mark Tercek, presidente da The Nature Conservancy.  Ainda entendendo e aprovando o princípio adotado nos EUA de que diretores de instituições sem fins lucrativos, o salário do presidente de um WWF-US – na faixa de US$ 30.000 / mês – parece bem elevado, mesmo para padrões norte-americanos.
Vale notar que uma ONG pode ajudar pouco ou nada em matéria de “limitar danos ambientais” de uma grande petroleira.    Aqui, o vídeo da PBS – Public Broadcasting System – dos EUA.

Nele, representantes da The Nature Conservancy se recusam a falar com o jornalista norte-americano diante das câmeras, enquanto o “parceiro” brazuca deita falação.

http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/video/flv/generic.html?s=frow03n3f67qead

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Pelo jeito, depois da época em que esse artigo foi escrito e agora – 2017 – ou mesmo muito  antes, a TNC mudou muito o seu comportamento.  Talvez já não receba mais doações de petroleiras.  Mas, certamente, têm profissionais altamente qualificados e com as melhores intenções.