Greenpeace – Quando o Rabo Sacode o Cachorro

Novamente, o Greenpeace foi atingido por um escândalo na Europa, não divulgado no Brasil: perdas milionárias com especulação financeira, desta vez no cassino do jogo com taxas cambiais.  No ano fiscal de 2013, o Greenpeace terá acumulado um deficit de cerca de R$ 21 milhões, levantando quuestionamentos sobre a capacidade de gestão financeira da organização.  De fato, os problemas de gestão financeira do Greenpeace já se arrastam há anos.

Comparadas com o seu orçamento anual – algo como R$ 227 milhões -, as perdas recentemente descobertas não parecem ser tão grandes – cerca de R$ 11,6 milhões, ou 5% da receita anual.  Qualquer coisa semelhante resultaria na demissão de executivos de uma empresa séria, mas na sede do Greenpeace em Amsterdam ocorreu apenas a responsabilização de um funcionário de segundo ou terceiro escalão que teria feito previsões erradas sobre oscilações de câmbio.  Ou seja, um bode expiatório.

No entanto, o problema não se limita à persistência da má gestão financeira, mas no tipo de aplicação dos recursos -, isto é, a mera especulação no mercado cambial,  que pode impactar a percepção dos doadores (90% dos quais são pessoas físicas ou considerados pequenos doadores).

Para minimizar os danos à sua imagem, o Greenpeace apressou-se a apresentar o seu pedido de desculpas ao “distinto público” e assegurar que o funcionário responsável pelo “deslize” não teve “interesses pessoais” nas operações financeiras realizadas e que ele havia sido demitido (ainda que as operações desse tipo requeiram o consentimento de diretores) e tentar reassegurar os doadores de que “todos os esforços serão feitos para que algo similar não volte a acontecer no futuro”.  Business as usual.

O Greenpeace tem cerca de 2.000 empregados em 28 escritórios espalhados por diferentes países.

Essas informações inicialmente divulgadas pelo Der Spiegel logo repercutiram nos principais órgãos de imprensa europeus.  Na sequência, o presidente de uma ONG criada para monitorar a qualidade da gestão de outras ONGs – a NGO – Monitor – declarou: “eles pedem transparência, consistência e boa gestão nas ações dos governos, coisas que eles próprios não têm sob muitos aspectos”.

E prosseguiu: “Essas ONGs ainda se vêem como insurgentes contra o establishment,  mas agora elas são o establishment, e devem ser vistas como organizações corporativas sem as estruturas necessárias para administrar organizações desse porte.

O Greenpeace ainda tem a maior parte de seus fundos oriunda de pequenos doadores.  Mas outras organização – como o WWF-US – têm a maior parte de seus fundos oriunda de grandes doadores e de investimentos no mercado financeiro.  O WWF-US tem, hoje, cerca de R$ 60 bilhões de “capital próprio” (lá sob a denominação de endowement, o valor total doado ao longo do tempo).

Uns e outros são casos típicos do rabo sacudindo o cachorro.

ONGs financiadas pelo poder público são comuns no Brasil – não apenas e nem principalmente na área das causas ambientais – merecem auditorias ainda mais atentas.  Não apenas p0rque a mera ideia de organizações não-governamentais sustentadas com dinheiro do governo é um contra-senso, como também  porque é imensa a falta de prestação de contas e os escândalos de corrupção.

A gestão das “compensações ambientais” no Brasil – desde a sua criação, em 2000 -, com arrecadação média de 1% dos valores de todos os investimentos em grandes projetos públicos e privados, é no mínimo altamente questionável tanto em seus aspectos técnicos quanto financeiros.

E isso para não falar das “compensações ambientais” não previstas em lei mas apenas impostas, na prática, como condição para a liberação de licenças.

Ao trabalho!

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Outro bom exemplo do grau de comprometimento de grandes ONGs ambientalistas com os projetos de corporações até mesmo na área do petróleo encontra-se num recente livro de autoria de Naomi Klein intitulado “Isso Muda Tudo: Capitalismo X Clima” (que provavelmente não será publicado no Brasil.   A resenha do livro chama a atenção para algo já muito conhecido: a Nature Conservancy, que já aprontou muitas estrepolias no Brasil, com os seus R$ 15 bilhões em caixa, faz “qualquer negócio por uns dólares a mais” (desde que não perca a clientela e a máscara, é claro).  Naomi Klein cita-a apenas como um de muitos exemplos daquilo que diz ser “o fracasso catastrófico” de algumas organizações ambientais.

 

 

 

 

 

 

 

Greenpeace e IBAMA – Uma Coalizão de Organizações Antiquadas

Uma ONG antiquada – o Greenpeace – fez um levantamento sobre um assunto muito antigo, de pelo menos duas décadas: siderúrgicas que usam madeira de florestas nativas para fazer carvão.  O jornal O Globo publicou a reportagem como se tudo fosse uma grande novidade, apesar das siderúrgicas não serem exatamente clandestinas ou pouco visíveis.  Todas encontram-se instaladas há muito tempo no entorno de Carajás, na divisa dos estados do Pará e do Maranhão, e são grandes exportadoras.  E o tal Greenpeace teria levado 2 anos para fazer esse levantamento.  Que gênios!

As siderúrgicas exportam uma parcela considerável de sua produção para os Estados Unidos: “… apenas quatro siderúrgicas instaladas em Açailândia (Viena Siderúrgica, Gusa Nordeste, Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré e Fergumar) exportaram perto de US$ 390 milhões em 2011, sendo 87,88% deste valor para os Estados Unidos”.

Ah – provavelmente as indústrias americanas que usam esse ferro-gusa para fazer aço têm “certificação ambiental”, mas o Greenpeace preferiu não divulgar o nome dos importadores, apesar de dizer que entre eles há indústrias de automóveis.   Estranha opção.  Ou uma opção que acoberta interesses?

A ação foi feita em clara coordenação com o IBAMA.  Isso já é usual.  O mais estranho, no entanto, é o IBAMA nunca ter feito nada e no dia seguinte da reportagem divulgar iniciativas para coibir…. os carvoeiros, não para punir as siderúrgicas.  Essas indústrias têm CNPJ, licença ambiental e suas atividades são visíveis para quem por lá passa a pé, em lombo de burro, de caminhão, ou quem sabe até mesmo pelo Centro de Sensoriamento Remoto do IBAMA, que conta uma vantagem danada de seu Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real – DETER, bem como do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite – PRODES.  Quem sabe a área a área encontra-se permanentemente coberta por nuvens há muito tempo por determinação superior.

O fato é que os fiscais do IBAMA estão sempre muito preocupados em agir contra outros madeireiros e contra produtores rurais, buscando confirmar a teoria de que os “ruralistas” é que são responsáveis por todo e qualquer desmatamento.  Assim, com um inimigo único, é mais fácil enganar a juventude urbana e os artistas da Globo, sempre tão conscientes e atuantes no que se refere aos problemas sócio-ambientais.

Como cereja do bolo, o navio do Greenpeace, que agora vive no Brasil.  É fantástico que as autoridades permitam a intromissão em assuntos de política interna por uma embarcação de bandeira estrangeira.  Se fosse num país sério, a bronca seria certa.

 

Brazilian “Environmental” Law and the Arguable Role of Foreign NGOs – The Case of River Margins

There is a great difference between the widespread acceptance of the need for some level of protection and restorartion of  river borders or marginal strips of rivers, in the one side, and the many lies foreign NGOs which unduly with franchises in Brazil try to present the ongoing debate about the so called “forest code” which is taking place in the Brazilian Congress.

Straight to the facts!

First, the Brazilian so called Forest “Code” was initially passed during the Vargas dictature in 1934; and then it was revised in the beginning of the military dictature, in 1965; it has been never democratically voted prior to be enacted.  This is the first time it has been subject to a large number of public hearings all over the country and in the Congress.

Second, the so called “code” issued in 1965 established fixed figures for the width of the river margins to be totally protected from any kind of human occupation, including agriculture.  In this “code”, the width of the strip along the edge of any river keeps a relationship to the width of the river.   Most evidently, there is no necessary relation between one and the other.   In the Amazonian region, flood plains are very large, as opposed to rivers in mountaineous Southern Brazil.

The population of the Amazonian region NEED to be close to the water for fishing, transportation and water supply.  This population can not be displaced to a distance of 1 km river edge as measured during flood season because in the dry season they would be located to far from the water.  The current “code” establishes a standard 500 meter fully protected area in all rivers larger than 600  meter counting from the highest level of the river during the flood season.   The local population got acquainted to live up to  flood seasons by building still houses (palafitas).

Third, the Law was changed in 1989 and extended such marginal strips to a minimum of 30 meters from previous 5 meters  and to a  maximun of 500 meters from previous 15o meter (sse Artigle 2 of the text).  Nothing against it.  The only point is that the Law is not expected to be in force retroactively!  No citizen can go to bed in a legal situation and wake up in the morning as an environmental criminal.  The way the revised Law is being interpreted is such that 35 million hectares of currently productive agriculture land in Brazil would have to be destroyed with no compensation to their owners – not to speak about food security, of course.

Are you suprised?  That is it, this is Brazil!  No National Park is 100% owned by the Government – not even the ones created in the 1950s – due to lack of land acquistion procedures!  No National Park has its borders set in GIS – Geographic Information System,  but GIS is what is being asked to private owners of land at river margins and other protected areas now. Is it reasonable?  No protected area in the river edge has been defined by authorities except in very small tracts of private land when someone requested an authorization to build… and paid for it.

So, human history – human settlements over time – is not at all being considered by these foreign NGOs – and local NGOs funded with foreign money.  They need to pretend that the new proposal authorizes deforestation, and reduced protection of surface water and biodiversity.  They need to claim that there is an iminent risk of destruction of nature in order fo fund raise abroad.

Do not fund charities like WWF, Greenpeace and alike, because they are simply lying by prividing their donors with a partial vision of what is under discussion… just to get more funds.

 

Amazonian Forests, Brazilian “Environmental” Law and the Arguable Role of Foreign NGOs

Brazilian franchises of international environmental NGOs are attempting to attack the Brazilian Congress and Executive Branch under the pretext that changing an old law on forestry and soil protection will result in great damage for the environment.  It is a lie, ocasionally with the intention of promoting international fund raising or even to protect US agribusiness interests.  Not to adapt the current so named “forest code” would result in the destruction of 30 million hectares – at least – of existing Brazilian agriculture, including most vineyards and fruit production in the Southern part of the country, coffee and also production in the State of Minas Gerais, and much more.  As for the Amazonian rainforest, it is worth hightlighting that about 50% of it is already totally protected and conservation units (parks and other) and indian reserves.  Therefore, one can say that these foreign NGOs – such as Greenpeace and WWF – are attacking the Brazilian agricultural production and food security.

The so called “forest code” was enacted in the early stage of military regime and its first article states that “forests and other forms of vegetation are of public interest when designated as such for the purpose of protecting the soil”.  This focus on erosion and soil losses was later “forgotten” on behalf of the mask of a “modern environmental law”.  It is not the case at all.  Even after the military regime, when the Congress had no effetive powers, several amendments were made to the law based on instruments of that regime such as Provisory Measures – Medida Provisoria (MP)-, a sort of decree issued by the Executive Branch which was turned into a law when NOT voted by the Congress within a certain short period.  In a later stage,  MPs had to be voted within a short period but could be reissued unlimitedly.  A from the US ambassador in Brazil published by Wikileaks expresses his suprise with the fact that a MP on the “legal reserves” in the Amazonian region was reissued more than 70 times and was strangely considered as effective although never approved by the Congress.]

A “legal” reserve is an old concept of the first version of the so called “forest code”, enacted in the 1930s: 20% of each individual property should be kept as a forestry reserve.  At the time, the Brazilian Government was concerned about fuel supplies – then existing railroads fuel supply was wood – and 20% of rural properties were expected to produce wood (the British navy had similar concerns about wood reserves for shippyards before the times of iron and steel).  This concept was kept in the version of the law passed by the military, except for the Amazonian region, where the legal reserve was 50% of individual properties.  Was that a signal of environmental concerns?  Not really.

As a matter of fact, in a previous period – in the 1950s – , the Brazilian government was promoting human occupation of the Amazonian region by donating land to farmers from the Southern part of the country who were willing to migrate, the rule of thumb to prove that such individuals were effectively settled they HAD TO remove 50% of the forested area.  Very similar to the occupation of the West in the US.  Then, in the 1990s, when the French Le Monde published data from sattelites demonstrating that rates of deforestation in the Amazonian region were very high, the government of then president Cardoso decided to enact… a Provisory Measure – a non-democratic provision created by the military rulers – increasing the “legal reserve” in the region to 80% from prior 50%.  It was just for international public image – a major concern of president Cardoso –, and this was the MP reported by the US ambassador as strangely “reenacted more than 70 times, never voted by usually considered as effective”.  As a result, farmers that were invited to colonize the Amazonian region went to bed at night in compliance with the law and woke up with their properties in illegal status.  Who cared?  Not even themselves, who live and work in remote áreas!

These are among the folks who foreign NGOs now claim that will be benefited by an “amnesty” for deforestation and even “environmental crimes”.

It is worth remarking that the last census indicated that there are about 25 million people Brazilians living in the Amazonian region.

(To follow… but WHO FUNDS these foreign NGOs’ activities against the Brazilian agriculture?)

Extra! Extra! – Greenpeace e Outros Ongolóides Descobrem “Gente Pobre” na Amazônia

Franquias brasileiras de ONGs estrangeiras e suas parceiras locais também financiadas com dinheiro externo anunciaram uma sensacional descoberta (para o padrão mental delas): existem “humanóides” na Amazônia.  A notícia foi veiculada numa “reportagem” feita no quadro de contenção de despesas de O Globo que se propõe a fazer jornalismo telefônico e sem sair da redação.  De São Paulo, o repórter descobriu que de uma população de 7 milhões de habitante do Estado do Pará, cerca de 1,5 milhão ou metade da população rural vivem em “assentamentos”.

Os números da “reportagem” de O Globo limitam-se ao Pará, por falta de informações, falta de interesse pela pesquisa ou por se tratar de reportagem induzida pelas próprias ONGs (sim, O Globo se presta a esses papéis).  O fato é que a população da região Norte do Brasil é de 15,9 milhões e, como os ongolóides gostam de confundir Amazônia Legal com Amazônia quando isso lhes interessa, pode-se falar de uma população superior a 20 milhões.

No passado recente foi moda falar nos “povos da floresta”, mas essa expressão foi rapidamente banida do jargão ongolóide talvez pelo incômodo que os tais “povos” causavam à conveniente fantasia das florestas intocadas.  Agora, são esses povos que incomodam a floresta, e os ongolóides querem mais “fiscalização”.  Talvez um destacamento da Guarda Nacional em cada assentamento ou um programa de governo com um belo nome de fantasia: “bolsa polícia federal”, assegurando a cada família um poloicial.

Para o representante do Greenpeace, “o desmatamento causado por assentamentos é como um cupim que vai comendo a floresta pelas bordas”.   Imagina, então, se essa gente resolve comer e ainda por cima plantar ou criar algum gado para abastecer os centros urbanos – de todos os tamanhos – na Amazônia?  Pobre tem cada uma!!!  Se esse “cupim” – “gentinha” – não for bem fiscalizado, daqui a pouco vai querer até serviços de saúde, acesso à educação, energia elétrica e quem sabe celulares!!!  Tsc, tsc, tsc.  Pobre tem cada uma!….

Ongolóide não gosta mesmo de gente, e ainda menos de pobres!  Gente só é tolerável quando faz doações para as suas campanhas!

A “reportagem” de O Globo segue entrevistando apenas ongolóides.  Um representante do WWFR no Brasil – que atende pelo sugestivo nome de Scaramuzza – afirma que é preciso ensinar os pequenos produtores a praticar uma agropecuária sustentável, além do agroextrativismo.  Quem sabe uma pequena parcela dos 22 bilhões de dólares de investimentos financeiros do WWF possam ser destinados a demonstrar que é possível alguém viver do tal agroextrativismo?  Ou será que ele está se referindo ao tipo de agricultura praticado na terra-natal do WWF, nos EUA, onde são necessárias de 7 a 10 calorias de combustíveis fósseis para produzir uma caloria de alimentos?

Para simplificar uma longa história, vale rever fotos já aqui públicadas sobre como é a vida real em qualquer pequena cidade às margens da bacia hidrográfica da Amazônia – não tão diferente do que acontece no Tietê ou na baía de Guanabara.  Essa história de gente pobre é realmente insuportável para quem fala de Amazônia nas redações refrigeradas da grande imprensa ou nos restaurantes paulistanos.

Divirtam-se!   Afinal, para eles os problemas ambientais se ressumem às florestas.  E nunca dirão aos seus patrocinadores que cerca de 45% da Amazônia já são unidades de conservação ou terras indígenas.  Se não, arriscam perder a bolsa-teta.

Manacaparu - Às Margens do Soiimões
Manacapru - Margens do Solimões