“Código” Florestal e ONGs-Multinacionais do Mercado Financeiro

Um assunto árido mas que não quer calar: qual a relação entre os interesses das grandes ONGs estrangeiras pelo mercado de créditos de carbono, de um lado, e a campanha por elas desencadeada contra as alterações democráticas no “código” florestal brasileiro, do outro?

Algumas dessas ONGs vêm atuando, há muito, como “certificadoras” do agora falido mercado de carbono que elas tentam ressuscitar.  E perderiam a clientela se houvesse insegurança ainda maior no setor.  Elas precisam reativar esse mercado de papéis, derivativos, dinheiro imaginário sem resultados práticos sobre as emissões totais de carbono).  Certamente foram pressionadas pelos clientes com os quais já tinham contratos ou estavam em negociações e que não queriam ver uma mudança nas regras do jogo que pudessem resultar em insegurança adicional na certificação e na compra dos créditos de carbono.

Outras dessas ONGs talvez tenham avançado na direção dos investimentos diretos, alcançando algum nível de exposição com recursos próprios na expectativa de lucrar mais no futuro próximo.  Afinal, o WWF-US – que é quem realmente tem grana e, portanto, manda -, há muito se transformou num grupo financeiro com atividades ambientais (além atividades puramente financeiras).  E não é um grupo pequeno, se considerarmos que o WWF-US tem algo como US$ 22 bilhões investidos!

A Nature Conservancy – aqui conhecida como TNC – não fica atrás nessas atividades financeiras de caráter nada diferente do restante do mundo financeiro que parece exausto de tanta especulação sem qualquer vaga relação com a economia real.

Todas essas ONGs multinacionais mais americanas do que qualquer outra coisa trabalham para aliviar a consciência pesada dos EUA – que continua sendo o país que mais emite carbono per capita, e não consegue aprovar qualquer regra para reduzir suas emissões.  Trabalham, também, fundamentalmente, para o agro-negócio dos EUA, que teme a competição dos produtos agrícolas brasileiros.

Não há mágicas!  As florestas não compensarão as crescentes emissões de carbono do mundo, nem mesmo que consigam plantá-las no sertão!  As ONGs sabem que estão mentindo, e para evitar o desmascaramento total do lero-lero sobre o tema trazem à mesa desses negócios o intangível que é a biodiversidade.  Ocultam que para a biodiversidade existem as unidades de conservação, no Brasil, totalmente abandonadas.

Ficam, entre outras, duas questões:

a – Em que medida os assessores de Dilma Roussef a tem mantido informada das fontes de recursos para essas campanhas que antecederam a aprovação do novo “código”, e dos interesses por trás de tais fontes?

b – Quais os riscos de que esses grupos captem recursos no BNDES ou na “Bolsa Verde” do Rio de Janeiro?

Afinal, é bem estranho que o BNDES tenha lançado um “fundo de carbono eficiente” num momento em que o mercado de carbono já se encontra totalmente desacreditado pelo naufrágio das tentativas de ressuscitar o Protocolo de Kyoto e quando todos os relatórios internacionais indicam no sentido de recordes nas emissões de carbono, até mesmo na União Européia, que tem metas rigorosas e investimentos massivos em energias limpas.

Sempre é bom lembrar, por exemplo, que o JP Morgan, que comprou a EcoSecurities, há dias anunciou um rombo da ordem de US$ 2 bilhões ainda não claramente auditada.  Os bancos centrais dos países ricos correrão para salvá-lo… ou mesmo para explicar o rombo?

***

Aproveitando o tema: alguém sabe dizer onde foi parar aquela Brasil Ecodiesel que, na administração Lula, ia transformar uma imensidão de pequenos produtores rurais em fornecedores de mamona para o biodiesel, e assim pegou um trem de dinheiro no Banco do Nordeste do Brasil – BNB?