A Índia comprova a viabilidade de barcas solares de passageiros

O estado de Kerala, na Índia, comprovou a viabilidade técnica e econômica de embarcações solares, com redução de 97% nos custos operacionais de embarcações de transporte público com capacidade para 75 passageiros sentados.

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Rio de Janeiro – “Gestão Ambiental” Entope a Drenagem de Águas Pluviais, Assoreando Rios e Lagoas

Aqui, um assunto que já foi tratado há alguns anos com a publicação de todos do início das obras da Odebrecht para a construção do estádio Olímpico.  As imensas pilhas de terra utilizadas na terraplanagem vadia (do ponto de vista ambiental) ficaram expostas às chuvas às margens da lagoa, carreando sedimentos para as mesmas.  E note-se que a Odebrecht tinha uma coligada ainda mais disfuncional que a empreiteira e que atendia pelo codinome de Odebrecht Ambiental – assunto do qual nunca entendeu nem uma vírgula.

webgrande.Pilhas de terra

Ao longo de 2015, a mesma ausência de qualquer traço de gestão ambiental na prefeitura do Rio de Janeiro se repetiu, como se pode ver na imagem abaixo da duplicação de um viaduto para o assim chamado BRT – eles são “mudernos”, preferiram a velha sigla em inglês -, na Barra da Tijuca.

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Com as chuvas – não necessariamente torrenciais -, essa terra exposta ao longo de meses era sempre carreada para a rua, acumulava-se junto ao meio-fio, e dali tornavam-se uma bela contribuição para o entupimento das redes de águas pluviais e para a sedimentação nas lagoas que as recebem sem qualquer sistema de retenção de sólidos, como nos países sérios.

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Em muitos casos, essas águas se acumulam na buraqueira constante, frequentemente abandonada durante semanas.

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E depois eles querem gastar “dinheiro público” – entendam-se, o dinheiro arrecadado com os impostos pagos pelos cidadãos – para fazer a dragagem das lagoas, que continuam a receber toneladas de esgotos sem tratamento, diariamente… e fedem, em muitos trechos.

E o tal Comitê Olímpico, abúlico, apático, só acompanhando prazos de obras.

Rio de Janeiro: Cidade Olímpica.

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Dessa esculhambação, pode-se tirar uma grande lição: de nada adianta ter um órgão governamental de meio ambiente no modelo antiquado, primitivo, que não interage com os outros por falta de iniciativa, porque os outros estão ocupados por personagens de outros partidos ou bandos e sub-facçõesque não se interessam pelo assunto.

Nos países sérios, todos “remam na mesma direção”, e as questões ambientais são tratadas com igual seriedade pelos órgãos de obras públicas, de energia, de estradas, de agricultura e até mesmo pelas forças armadas.

 

 

 

 

 

 

Dragagens Nada Prioritárias e Inquérito Criminal do MPRJ – IV

Quando os vencedores da concorrência para a dragagem (semi-inútil)) das lagoas da Barra da Tijuca foram anunciados com antecipação pela revista Época, não restou outra solução às autoridades exceto suspendê-la (ainda que provisoriamente.  Antes mesmo de que isso acontecesse, um par de dragas antigas e algo caquéticas já se encontravam ancoradas sob o viaduto que liga à Barra da Tijuca a São Conrado.  Com o cancelamento ou adiamento da concorrência, em poucos dias chegaram outras máquinas pesadas e a dragagem começou a ser feita, como se pode ver nas fotos abaixo.

 

Dragagem 1 - web pequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dragagem 2 - tamanho pequeno

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dragagem web pequena palno amplo

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se trata de coisa pequena, é claro.  Uma draga já se encontra mais ao largo e essas escavadeiras trabalham sem cessar.  Algo como 1.000 metros cúbicos por dia , agora ao longo de cerca de 30 dias?   E num trecho que inevitavelmente seria coberto pela dragagem que recebeu o nome de fantasia de “programa de recuperação ambiental das lagoas”, já que bem na proximidade do único canal que as conecta ao mar.

Mas ão há nenhuma placa indicando o responspável pela dragagem, os valores envolvidos as autorizações ambientais, NADA.  Além disso, podem ser vistos, com alguma frequência, caminhões da Prefeitura ali estacionados, não se sabe se fazendo algum serviço auxiliar para essa dragagem.

 

Dragagem - caminhão prefeitura

 

 

 

 

 

 

 

 

Os moradores do local  dizem que a areia está sendo levado para Sepetiba, o que, evidentemente, é uma versão para enganar otários.    Há excesso de areia em Sepetiba e a distância seria demasiadamente grande para justificar esse transporte.

Então, a pergunta é simples: quem está fazendo a dragagem e com autorização de que órgão ambiental?  Qual a destinação dessa areia?  Construção civil – ainda que com algum grau de salinidade, por se encontrar muito próxima ao canal que liga a lagoa ao mar -. nivelamento de terrrenos privados?  Em qualquer dos casos, a areia tem um valor econômico. Trata-se de uma extração mineral numa das áreas mais valorizadas do Rio, e não poderia ser feita sem licenciamento ambiental e não há por que o poder público pagar por essse trabalho se o material é utilizado de maneira econômica.

O que não vale é incluir esses grandes volumes dragados na fatura do poder público.  Aliás, onde está a Delegacia de Polícia do Meio Ambiente – DPMA?

Como se pode ver em posts anteriores, a dragagem será inútil, ou quase inútil, ou não há estudos de conhecimento público demonstrando qual o seu impacto na hidrodinâmica das lagoas, ou sequer apresentando as batimetrias e onde é que as dragagens serão feitas.

O assunto merece toda a atenção, devido aos imensos valore envolvidos – R$ 670 milhões -, que poderiam ser muito melhor utilizados na ampliação ou na conclusão da rede de coleta – para que se desse fim à enganação das “ligações clandestinas” com fonte da sujeira – ou, no mínimo, para que haja transparência no que se refere aos locais da dragagem e que ela não beneficie apenas um par de empreendimentos, como por exemplo o Península, da Carvalho Hosken, numa área onde, segundo moradores, manguezais vêm sendo queimados durante a noite.

Dragagens Nada Prioritárias e Inquérito Criminal do MPRJ – III

O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou procedimento investigatório criminal para investigar uma concorrência para dragagem feita pela Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro (no Brasil inteiro, a denominação é meio ambiente, mas no Rio de Janeiro a mudança do nome foi anunciada como grande inovação).  Diante das contundentes denúncias de que as cartas estavam marcadas, não restou à Secretaria outra opção além de cancelar a concorrência.  Mas anunciou que outra, com os mesmos objetivos, será feita dentro de um mês.

Como não existem tantas dragas assim dando sopa por aí, sugeres-se que o MPRJ inclua a confrontação das dragas constantes do edital – ainda que pela capacidade necessária ao tempo do trabalho -com as dragas efetivamente disponíveis no Rio de Janeiro e estados vizinhos.  Isso porque os editais foram vencidos por consórcios de grandes empreiteiras que não costumam ter dragas entre seus ativos.

De fato, não se pode descartar a possibilidade de que a denúncia tenha sido feita pelas empresas que no passado fizerem dragagens menores e que talvez tenham sido impedidas de se associar por alguma cláusula do edital totalmente irrelevante para o trabalho proposto, tal como capital mínimo.

A quebra do sigilo telefônico dos diretores das grandes empresas envolvidas no escândalo, bem como daqueles proprietários das dragas,  também pode ajudar bastante as investigações do MPRJ.  Contratos antecipados de aluguel das dragas também seria ótijma linha de investigação!

Por enquanto, fica uma pergunta – talvez sem qualquer relação com os fatos: o que faziam as dragas das fotos abaixo – um tanto caquéticas – estacionadas na margem da lagoa em local discreto, sob o viaduto do Joá (sentido São Conrado) desde cereca de 3 semanas antes da abertura dos envelopes da concorrência?  E mais: com a colaboração da Prefeitura,  que interditou o usual acesso dos ônibus ao terminal que ali se situa!

 

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Nenhuma placa indicava nada e equipamentos mais pesados já começaram a ser retirados.

Por que não um edital que localize claramente onde serão feitas as dragagens e quais os volumes, de maneira a incentivar a participação direta de empresas menores – e não como subcontratadas das usuais grandes empreiteiras-predadoras?  Isso só não será feito se a manutenção dos parâmetros do edital for de interesse das grandes empreiteiras e de seus aliados dentro do governo.

(Aliás, tornados públicos os locais que serão dragados, todos poderão saber que áreas às margens das lagoas serão mais beneficiadas e valorizadas.)

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Com ou sem modificações no edital, essa proposta de gastar R% 600 milhões numa dragagem inútil, um péssimo uso do dinheiro público, enquanto o lançamento de sedimentos no interior das lagoas continuar elevado.

Ampliação do Quebra-Mar da Barra da Tijuca – Impactos Positivos Imaginários, Hipotéticos e Reais – I

Há cerca de uma década, a Prefeitura do Rio de Janeiro tentou justificar a construção de dois imensos molhes paralelos em frente ao canal do Jardim de Alá – na divisa entre os bairros de Ipanema e Leblon – sob a alegação de que eles assegurariam  maior renovação da água da Lagoa Rodrigo de Freitas.  Na tentativa de justificar essa obra, contratou um instituto de engenharia costeira de Portugal para fazer os estudos sobre a renovação da água em questão, e divulgou-o.  O estudo mostrou que o aumento da renovação da água da lagoa seria desprezível, a imprensa acompanhou o assunto de perto, e o projeto foi esquecido.  Bons tempos em que obras de engenharia desse porte eram precedidas de estudos e os estudos tornados acessíveis ao público!

Agora, fala-se numa grande ampliação do quebra-mar da Barra da Tijuca, que pode ser visto na imagem abaixo.  Trata-se de encontrar um “bota-fora” para as pedras oriundas de um túnel em fase de construção para uma ampliação do metrô, como de um programa de recuperação ambiental do sistema lagunar.

Ao mesmo pretexto – a renovação da água do sistema lagunar – acrescenta-se o marketing vazio da redução das emissões de carbono e da diminuição dos impactos sobre o tráfego de veículos resultantes do transporte dessas pedras para um área mais distante.

Não há sequer indícios de que essa extensão do quebra-mar beneficiará a renovação das águas do sistema lagunar ou diminuirá o processo de sedimentação no trecho da embocadura do canal.

Quebramar.web pequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O questionamento é simples: como e por que o prolongamento do pier – quase triplicando o seu comprimento – aumentaria a entrada de água do mar na lagoa se a largura do atual canal não será aumentada?  Ao contrário, o prolongamento do pier pode até mesmo reduzir a velocidade dessa entrada ao criar uma retenção ou arraste lateral hoje inexistente.

Na verdade, nem mesmo a profundidade do atual canal pode ser aumentada de maneira significativa  já que nele se encontram diversos pilares da Ponte da Joatinga (indicada na imagem).  Alguma dragagem no interior da entrada do canal trará pequenos benefícios para a circulação de água, mas esses sedimentos não são transportados do mar para a lagoa, e sim o contrário, da lagoa para o mar, e voltarão a se depositar na mesma área muito em breve se não forem drasticamente reduzidos os processos erosivos que trazem sedimentos para o interior do complexo lagunar (e sobre isso, ao que parece, não há qualquer reflexão, para não falar de algum estudo sério).

Aliás, por que é mesmo que o prolongamento do pier atual foi estabelecido em 180 metros adicionais?  Numerologia?  Baralho cigano?  Ou estimativa da quantidade de pedras que será retirada durante a escavação do túnel para o metrô naquele trecho?  Algum benefício do prolongamento do atual pier – se existir -, certamente não será para o sistema lagunar.  180 metros de comprimento multiplicados por uma largura média de 15 metros (entre a base, no solo marinho, e a parte superior) e uma (hipotética) profundidade média de 10 metros ao longo do percurso….27.000 metros cúbicos.  É muita pedra jogada fora!

E o impacto sobre a paisagem é, no mínimo, altamente questionável.  Se usado o argumento da criação de um ponto turístico, certamente construir uma pirâmide invertida atrairia muito mais turistas.

Mas se o benefício é para a empreiteira que está fazendo as escavações, o assunto é totalmente outro, e aí essa economia deveria reverter para os cofres públicos.  Porque se for para pagar por uma obra inútil, daí realmente é melhor colocar esses recursos na finalização do sistema de coleta de esgotos cujas obras se arrastam há 30 anos, sem data prevista para a conclusão (além das cíclicas propagandas políticas).  Os esgotos lançados em bruto pela CEDAE constituem-se em fonte de assoreamento – além da poluição, da imundície – do sistema lagunar.  Há outros processos erosivos e de transporte de sedimentos que contribuem para a redução da lâmina d´água das lagoas, mas eles merecem uma análise em separado.

Sobre a proposta injustificada de prolongamento do quebra-mar vale dizer, ainda, que há riscos potenciais para a forma atual das praias em decorrência das mudanças nos padrões das correntes costeiras e do transporte de sedimentos.

Para avaliar essas questões servem – ou deveriam servir – os estudos de impacto ambiental, dos quais não se têm notícias neste caso.

Uma excelente alternativa para o descarte das pedras poderia ser o seu uso na contenção das margens da sistema lagunar onde se fizerem necessárias ou recomendáveis de maneira a assegurar a sua estabilidade e a contenção de processos erosivos.  Mas, cabe há pergunta: existe um estudo das áreas mais vulneráveis à erosão nas margens do sistema lagunar, ou um plano que aumente as possibilidades de acesso das pessoas à orla do mesmo?

Projetos de contenção de processos erosivos e de estabilização das margens de lagos, lagoas, rios e canais são feitos desde sempre nas mais diversas partes do mundo, e uma boa visualização do que foi feito em Lake Gaston, nos EUA, pode ser visualizada numa rápida apresentação de slides no link. Outras iniciativa no gênero pode ser vistas em vídeos como o que pode ser visualizado aqui  e certamente podem ser encontrados melhores usos para um material tão nobre quanto a pedra numa área da cidade em que ela é escassa (ao menos para extração).

Além disso, até mesmo para uso como brita na construção civil seria um uso mais nobre dessa pedra toda, em particular num período de grandes obras na região, tanto públicas quanto privadas.  Alternativas menos monumentais, sem o estilo “Cidade das Artes”, mas certamente úteis.

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Até mesmo no Facebook já se encontra uma página com imagens do uso de pedras para a restauração do Lago Minnetonka.  Nada como uma boa engenharia – inclusive econômica – para encontrar boas soluções para a restauração ambiental com o uso de recursos naturais.