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Florestas Amazônicas, Florestas Boreais e Verdades Inconvenientes para as Grandes ONGs “Ambientalistas”

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As grandes ONGs internacionais mentem de acordo com as conveniências de seus patrocinadores, nunca informados ao público.  Mentem pelo que dizem e também pelo muito que ocultam cuidadosamente.   Mentem quando falam sobre a importância das florestas amazônicas para as emissões de carbono e sonegam informações sobre as florestas boreais.  Elas sabem que essas florestas situam-se  em países que não as levam a sério: os escandinavos e os EUA, o Canadá e a Rússia (sempre logo abaixo do Ártico).

A estocagem de carbono por florestas não é relevante num mundo em que a produção de combustíveis fósseis tende a se elevar rapidamente.  Nem que todas as áreas agrícolas do planeta fossem reflorestadas,  o carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis seria capturado.  As autoridades dos países sérios sabem disso.  Mas sempre é bom dizer que as florestas boreais estocam muito mais carbono por unidades de área do que as florestas tropicas!

 

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As verdades jogadas para baixo do tapete pelas grandes ONGs que licenciam franchises em outros países, como WWF e Greenpeace, salta mais aos olhos quando a NASA vem a público para mostrar imagens do que está sendo feito com as florestas boreais do Canadá.  E, o que é pior, para extrair um combustível fóssil extremamente sujo – muito mais sujo do que o petróleo – conhecido como areais betuminosas (tar sands em inglês).  Na página da NASA sobre a extração de areias betuminosas – ou asfalto – no Canadá, é possível ver o rápido avanço dos estragos entre 1984 e 2011 movendo o cursor nos pontos logo abaixo da imagem.  Essa é apenas uma das muitas áreas de extração desse petróleo ultra-sujo nesse país que se retirou recentemente do protocolo de Kyoto.

Hoje, as grandes empresas de petróleo do mundo aceitam que as reservas de contidas nas areias betuminosas do Canadá – 173 bilhões de barris de petróleo – só são superadas pelas da Arábia Saudita.  Com o atual ritmo de concessões de novas áreas para mineraçã0, projeta-se a remoção de até 145 mil quilômetros quadrados de florestas boreais para a extração de areais betuminosas.  Nada mal!  Até 2011, apenas cerca de 663 quilômetros quadrados haviam sido atingidos por esse tipo de mineração.

A NASA ressalta que o processo de extração de petróleo dessas reservas no Canadá requer tanto a mineração de superfície quanto quanto a extração das areias a até 80 metros de profundidade.  É necessária a extração de duas toneladas de areia para produzir um barril de petróleo, usando imensas quantidades de água que depois fica estocada em reservatórios (visíveis nas imagens).

“Legalmente, as companhias devem restaurar as áreas depois que terminam de minerá-las.  Na série de imagens, os reservatórios de água foram gradualmente drenados e preenchidos a partir de 1967 (início das operações).  Embora as empresas mineradoras tenham plantado variedades de grama nos locais, as imagens não mostram qualquer sinal de crescimento vegetal nessas áreas (recuperadas) até 2011.”

Bingo!  A imprensa sempre engole fácil as notícias sobre o desmatamento na Amazônia, que acaba servindo para encobrir o que é de interesse das grandes petroleiras, bem como do Canadá e… dos EUA.

De fato, o Canadá já é, hoje, o maior fornecedor individual de petróleo dos EUA!  E logo será aprovado um projeto para a construção de 3.500 quilômetros de oleoduto (numa primeira fase)para o transporte de areias betuminosas diluídas de Alberta, no Canadá, até refinarias norte-americanas.  O compromisso de Obama para com as energias renováveis foi engolido pelas razões de “segurança energética”!  Que político se posicionaria contra tal segurança para os cidadãos dos EUA, responsáveis pelo mais alto consumo per capita de petróleo no mundo?

E, como se não bastasse, o Ministro dos Recursos Naturais do Canadá (equivalente ao nosso Ministério do Meio Ambiente) divulgou há dias uma carta acusando organizações estrangeiras radicais e celebridades da mídia de “tentarem sequestrar o governo”.

“Eles usam fundos de grupos de interesse estrangeiros para enfraquecer os interesses econômicos nacionais do Canadá.  Eles atraem celebridades da mídia que tem algumas das mais elevadas pegadas carbônicas do mundo para dizer aos canadenses para não desenvolverem os seus recursos naturais. (…)  O objetivo deles é paralisar qualquer grande projeto, não importando o custo para as famílias canadenses que perdem empregos e crescimento econômico.  Nenhuma extração de florestas.  Nenhuma mineração.  Nenhum petróleo.  Nenhum gás.  Basta de hidrelétricas.” – atacou o ministro Joe Oliver numa carta-aberta aos cidadãos.

Alguém, sinceramente, tem dúvida sobre quem vencerá essa disputa entre a destruição das floresta boreais para a produção de um combustível que é entre 10 e 45% mais poluente do que o petróleo convencional em termos de emissões de carbono, de um lado, e os clamores da sociedade norte-americana e canadense por mais empregos e mais consumo?

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Na Venezuela,  espertamente, a coalizão entre petroleiras e governo optou pela designação “petróleo extra-pesado”.  Tanto no Canadá quanto na Venezuela, as concessões às grandes petroleiras já foram feitas e a produção tende a crescer rapidamente nos próximos anos.

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Um vídeo sobre os impactos da extração de areias betuminosas produzido por grupos ambientalistas sérios como o Environmental Defence contem imagens e informações interessantes.  Numa verdadeira guerra de informações, a Associação Canadense de Produtores de Petróleo reagiu com outra peça publicitária.

Mudanças Climáticas – Rasgando as Fantasias

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A lastimável qualidade da cobertura jornalística da Conferência de Durban, e em particular da grande imprensa paulistana, repetindo press releases de ONGs e dando a impressão de que o fracasso se deve apenas à má vontade X boa vontade dos países, obriga à repetição de considerações já aqui feitas no passado: o que esteve e está em jogo não são questões relacionadas apenas à decisão de investir, mas às noções fundamentais de como “contabilizar” responsabilidades pela emissão de gases causadores de mudanças climáticas.

Há maneiras muito diferentes de avaliar as emissões desses gases!  O total emitido por um país ou as emissões per capita – que representam à grosso modo o consumo per capita de derivados de petróleo?  Pelas emissões desses gases ou pelo consumo dos produtos cuja produção requer o uso de energias fósseis?  Pelas emissões acumuladas ao longo da história do desenvolvimento econômico desde o início da era do petróleo ou apenas pelas emissões atuais?

Como há uma forte correlação entre o assim chamado desenvolvimento econômico e o consumo de energia, primeiramente há que se falar de emissões per capita, deixando completamente de lado a idéia de emissões totais atuais de um país.

Desconsideradas as mudanças no uso da terra, que de toda forma tendem a se estabilizar no futuro próximo e para as quais a margem de erro é muito grande, em 2008 as emissões per capita consideradas apenas o carbono encontravam-se assim: EUA – 17,5 toneladas (t); Canadá – 16,4 t; Austrália – 18,9 t; Rússia – 13,7 t; a maior parte dos países europeus na faixa de 9 a 11, com variações decorrentes do uso intensivo de energia nuclear, como ocorre com a França – 6,1 t; China – 5,3 t; Índia – 1,4 t; Brasil – 1,9 t.

A tabela do Departamento de Enegia dos EUA mas elaborada com base na Divisão de Estatísticas da ONU, é suficiente para evidenciar as disparidades nas emissões per capita dos países e, daí, as dificuldades em se chegar a qualquer acordo.  O que a Índia alega, claramente, é que boa parte de sua população não tem sequer acesso à energia e que não seria justo propor ao país metas similares às dos países altamente desenvolvidos.

Essa tabela já nos coloca diante de outra questão: como contabilizar as emissões ligadas ou mesmo inerentes à extração do petróleo?  Sim, porque dependendo dessa concepção, os maiores responsáveis por emissões per capita são países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Antilhas Holandesas, Bahrain, Brunei e Kuwait.

Mas essa é apenas a ponta do icerberg de uma questão mais profunda!  Quando o Brasil exporta ferro e aço – produtos intensivos em energia, com a queima de carvão – para a fabricação de carros que serão vendidos em outros países, onde devem ser contabilizadas as emissões?  Ou se os EUA abrem novas minerações de carvão para exportar para a China para depois comprar os seus produtos manufaturados, as emissões da queima desse carvão devem ser contabilizados na China ou nos EUA?

Como nem todos são tão simplórios quanto o “jornalismo ambiental” paulistano, estudos já foram feitos sobre a pegada carbônica real por país, e simulações mostram as emissões reais por país baseadas no consumo efetivo de bens, per capita e por setor de atividade.

São esses questionamentos estruturais, essas divergências de princípios que comprometem qualquer acordo.  E justamente em decorrência dessa percepção é que o naufragado Protocolo de Kyoto – cujo texto foi elaborado por “crentes na mão invisível do mercado” – já previa que países como Brasil, Índia e China não teria que fazer reduções em suas emissões durante a vigência do acordo.  Naufragado parece uma palavra forte, mas o fato é que apesar dele e dos grandes investimentos em energias renováveis, as emissões globais continuaram a crescer, e alguns países europeus conseguiram alcançar ou superar as suas metas simplesmente exportando indústrias “sujas”.

Agora, os países altamente industrializados já perceberam que mesmo que eles cortem drasticamente as suas emissões – para além do que as tecnologias disponíveis possibilitam - as emissões globais continurão a crescer se não forem impostos limites às emissões dos países em desenvolvimento.  Em seu discurso em Oslo, Obama colocou essa questão de forma direta.  Agora, Rússia, Canadá e Austrãlia juá disseram que não subscreverão a um outro tratado.  E a Índia sabe que seus líderes não podem voltar para casa e dizer – “ei, vocês que não têm acesso à energia, continuem como estão”.

O Brasil lá ficou de pires na mão sonhando com um fundo global ambiental que atingiria a fenomenal quantia de 100 bilhões de dólares por ano, em particular para a proteção de florestas.  Num cenário de crise, é no mínimo altamente improvável que isso aconteça.  Mas, em especial num cenário em que países não conseguem assegurar transparência na prestação de contas e a efetividade dos investimentos nem em áreas prioritárias do interesse nacional, como a saúde pública - que não funciona, como ocorre  com o SUS, no Brasil -, esses potenciais doadores tendem a deixar a visão caritativa del lado e investir em outras áreas.

O Brasi finge, também, que não sabe que mesmo que o desmatamento na Amazônia seja zerado, as emissões da extração de petróleo e gás das novas reservas profundas o colocará no topo dos países que mais emitem.  É a política do avestruz.  E isso para não falar no acelerado aumento da frota de veículos – o Brasil é fraquinho quando se trata de transporte de massa por trilhos – e da total inexistência de políticas de estímulo a veículos híbridos (eletricidade e combustível fóssil).  Quanto ao álcool, bem, com as contínuas restrições ao desmatamento logo o crescimento da produção para atender até mesmo o mercado interno estará comprometido.  E o governo sabe disso.

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Prorrogar Kyoto é prorrogar algo que já fracassou.

Durban – A Farsa do REDD e a Pirataria do Carbono

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Dias antes do início do encontro turístico que se realiza neste momento em Durban, na África do Sul, a Associação Inter-Étnica de Desenvolvimento da Selva Peruana denunciou a nova farsa conhecida como REDD – Reduzindo Emissões do Desmatamento e da Degradação: comunidades de povos da floresta peruana vêm sendo induzidas a assinar documentos objetivando a preservação de milhões de hectares e  acabam perdendo os seus direitos sobre os recursos financeiros do próprio REDD e até ao uso da própria terra.

Algo muito similar ao que já acontece aqui, há tempos, no momento da criação de “reservas extrativistas”.

denúncia - cuidadosamente sonegada pelas grandes ONGs “ambientalistas” envolve dezenas de projetos com uma área total de 20 milhões de hectares.  Esta, sim, é uma verdade altamente inconveniente às vésperas do pré-naufragado encontro de Durban.

O documento, elabora em conjunto com a organização Forest People Programme, encontra-se disponível em inglês e em espanhol.  ONGs, consultores na área de carbono e investidores tem vasculhado as florestas peruanas convencendo comunidades e povos locais que algumas vezes mal dominam o espanhol para propor acordos com promessas de conseguir milhões de dólares em troca da cessão do controle de suas terras para terceiros.

Muitos desses contratos incluem cláusulas de confidencialidade e foram negociados sem qualquer assessoria jurídica para as comunidades vulneráveis à “pirataria do carbono”.

Segundo uma reportagem do The Guardian, esse tipo de pirataria já havia sido detectada em Papua Nova Guiné, na África e na Indonésia.  Mais recentemente, tornou-se uma febre na Amazônia, “comparável apenas à corrida de multinacionais para descobrir petróleo ou cultivar látex na região”.

É bem mais fácil para a meia dúzia de ongoleiros em Durban falar sobre mudanças na lei que se pretende um “código florestal” no Brasil e apenas fazer referências à extração de petróleo das areias betuminosas do Canadá do que falar nas dezenas de termelétricas a carvão que vem sendo implantadas nos EUA e das muitas novas frentes de mineração de carvão para exportação para a China que estão sendo desenvolvidas nos EUA e na China.

O “jornalismo ambiental” classe Y da Folha de São Paulo e de O Globo também sonegou esse relatório porque sabe que a juventude urbana “entende” melhor mensagens mais fáceis, já impregnadas na mente da juventude urbana.  Da mesma forma que nada fala sobre as emissões que decorreram da extração de óleo do pré-sal – assunto nada “conveniente”.

E que se danem os “povos da floresta”.  Recomenda-se às autoridades brasileiras – inclusive ao abúlico MMA – que estejam atentos às atividades desses “piratas do carbono” na Amazônia.  Afinal, TODO o problema do REDD e das doações ao miraculoso “Fundo Amazônico” consiste justamente em como fazer a grana chegar até os milhões de brasileiros que vivem na Amazônia sem saneamento, saúde, e outras “pequenas conveniências” tão acessíveis aos Klabins e “ambientalistas” de grandes ONGs estrangeiras ou por elas financiados.

Banco Mundial – Garantia de Mentira

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Balanço fechado, o Banco Mundial informa que no ano passado investiu US$ 3,4 bilhões no combustível fóssil mais sujo: o carvão.

Mas como essa instituição sempre mascara fatos e números, e a mentira tem pernas curtas, o Centro de Informações do próprio Banco discordou da informação e informou que pelo menos US$ 1 bilhão a mais foram gastos com o mega-sujo carvão.  O Centro de Informações incluiu em seus cálculos os investimentos em linhas de transmissão de novas unidades de geração de eletricidade que utilizam carvão como combustível.  Faz sentido.  Fatiar os investimentos que fazem parte de um conjunto é um hábito do Banco para mascarar os seus trampos, assim como no Brasil se fatiam projetos para fins de licenciamento ambiental.

Malandro é o gato, que rouba a sardinha e esconde o próprio cocô!  Ou alguém já ouviu falar de grandes centrais de geração de eletricidade sem linhas de transmissão?  Mentiras vis…  ou infantis!

Como a vida útil de uma termelétrica situa-se na faixa de 40-50 anos, os países induzidos e/ou apoiados pelo Bloody Bank nesses projetos são reféns da energia muito suja por igual período.  Isso no caso otimista de que as unidades de geração térmica não continuem a funcionar além de suas vidas úteis, como é bem o caso de boa parte da geração térmica em sistemas isolados na Amazônia brasileira.

Acrescentem-se a esses investimentos em energia ultra-suja, um bilhãozinho de dólares em extração de petróleo.  Como se sabe, a indústria petroleira é a que mais subsídios recebe no mundo – US$ 470 bilhões em 2010, noves-fora as despesas militares com invasões – e necessita muito de uma “mãozinha” do Banco Mundial.

O Greenpeace e o WWF não se pronunciaram.  Mas a organização Christian Aid - bem mais séria e não comprometida com fontes de financiamento com interesses ocultos – botou a boca no trombone.

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Os números relativos aos empréstimos do Banco Mundial variam ligeiramente em função das fontes, devido à conversão de moedas.

O valor dos subsídios ao petróleo e ao gás tem fonte segura: a Agência Internacional de Energia.  É a tuma dos subsídios que depois fala em “créditos de carbono” através da preservação de florestas.  Eles não têm qualquer pudor em relação ao cinismo deslavado, pelo menos enquanto isso estiver sendo útil para os seus eleitores.  Ao contrário, os subsídios à indústria petrolífera cresceram em US$ 110 bilhões de 2009 para 2010.  É preciso salvar florestas para deter ou adiar mudanças climáticas – insistem!  Esses valores de subsídios não incluem, é claro, as gigantescas despesas militares necessárias às invasões para assegurar os interesses da indústria petroleira.

Vazamentos de Petróleo “Secretos” e a Marcha da Hipocrisia

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“Vazamentos potencialmente letais de petróleo e gás ocorrem no Mar do Norte com freqüência semanal” – noticiou o jornal inglês The Guardian nesta semana.  As informações só foram fornecidas pelo governo da Inglaterra com base numa lei que assegura a liberdade de informações e de acesso a documentos do governo ou sob a sua guarda.

O império da hipocrisia não cessa de brindar o grande público com novidades desse tipo.  Há que proteger a Amazônia para evitar o caos climático… mas sem deixar de abrir novas fronteiras de exploração de petróleo no Ártico ou no tal do pré-sal (denominação marqueteira).  E sem rampouco deixar de abrir novas e imensas minas de carvão que será exportado para a China que depois será responsabilizada por emitir CO em demasia para produzir produtos que serão consumidos os países que mais se dizem engajados no combate às mudanças climáticas.

Os documentos obtidos pelo The Guardian fazem parte do banco de dados da autoridade de regulação da saúde e da segurança ocupacional na Inglaterra.  Esse banco de dados é alimentado voluntariamente desde um grande acidente ocorrido em 1988 no qual 167 trabalhadores morreram.   Tais documentos referem-se apenas a vazamentos classificados como “grandes” ou “significativos” – aqueles que podem resultar em muitas mortes.

A Shell (anglo-holandesa) e a Total (francesa) aparecem na lista como as empresas que causaram mais vazamentos no Mar do Norte.

Na opinião do jornal, essas novas informações representam um sério golpe para a credibilidade do governo que apóia o “fervoroso desejo” das petroleiras de explorarem o petróleo do Ártico.  Recentemente, o ministro da energia, Charles Cairn, afirmou que tais operações nas águas do Ártico são “totalmente legítimas” desde que respeitado a “robusta” regulação de segurança da Inglaterra. (as aspas são do próprio The Guardian).

“Outros acidentes são mantidos em silêncio, afirmam ativistas, porque os trabalhadores temem perder os seus empregos caso os reportem.  Segundo um veterano, ainda que a todos seja dito que qualquer coisa errada deve ser reportada, na prática as equipes aderem a um código de conduta informal para manter o silêncio e evitar paralisar o bombeamento de petróleo em função dos prejuízos que podem ocorrer para as empresas.”

Metas de redução de emissões de CO só podem ser alcançadas com a redução do consumo de combustíveis fósseis.   Isso ainda não foi alcançado apesar de signficativos avanços no uso de energias renováveis e no campo de eficiência energética.  A mera conservação de florestas como forma de assegurar que essas emissões não aumentem é tolice.

Nem mesmo plantando florestas em áreas maiores do que as originàis à época da chegada de Cabral seria possível ”compensar” as crescenes emissões de carbono.  Os países europeus que se comprometeram com metas investem em coisas rentáveis – seja na área de energias renováveis ou de eficiência energética, e exportam indústrias com altas emissões de CO.  Ou promovem a destruição de florestas na Ásia e na África para produzir bioombustíveis! 

Então, seria bem mais produtivo parar de fazer de conta com discursos de folhetim!

Mudanças Climáticas – Aumentam as Emissões de Carbono

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A possibilidade de conter as emissões de carbono nos limites considerados seguros pelos cientistas para que não seja ultrapassada uma elevação de 2º C nas temperaturas da Terra pode ser apenas uma “bonita utopia” – na expressão do economista-chefe da Agência Internacional de Energia.  Há unanimidade na comunidade científica internacional de que a mencionada elevação de 2º C é o limite para mudanças climáticas “potencialmente perigosas” (a turma do IPCC gosta do dialeto diplomático; a NASA é mais contundente, não precisa de tantos salamaleques).

Em 2010, apesar da mais forte recessão econômica global dos últimos 80 anos, as emissões alcançaram um recorde histórico de crescimento.  Investimentos massivos em energias renováveis tampouco foram suficientes para conter o crescimento contínuo das emissões globais de carbono.  Esse crescimento resultou sobretudo do aumento do consumo de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional de Energia, considerada a referência internacional para as estimativas de emissões de carbono.  O crescimento foi de 1,6 Gt (giga-toneladas).

Nos relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, que o governo brasileiro deveria ler, com essa elevação as chances de amplas áreas da Amazônai se transformarem em savana são significativas.  O efeito será de lá para cá.

O renomado Nicholas Stern, ex-vice-presidente do Banco Mundial e hoje professor da London School of Economics, que coordenou o mais aprofundado estudo sobre os impactos das mudanças climáticas para a economia e para a sociedade, afirmou que as perspectivas são “desesperadoras” (ou mesmo horrorosas, dependendo da tradução da palavra “dire”).  O eatudo, conhecido como  O relatório resultante do trabalho de dezenas de cientistas com diferentes formações foi patrocinado pelo Tesouro da Inglaterra e, publicado em 2006, ficou conhecido como Relatório Stern.  No mínimo o Sumário Executivo é de leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto.

“As mudanças climáticas levarão a migrações massivas e a conflitos”  afirmou Stern.  Com isso, é bem fácil compreender porque a Europa está fechando cada vez mais as suas fronteiras.

Com esses novos resultados e as tendências que dele se deduzem, as mudanças climáticas serão inevitáveis e resultarão em graves abalos no modo de vida de centenas de milhões de pessoas.

Já é devida à Nação brasileira a formulação de uma política de segurança alimentar e energética com base no potencial de cada região.  E os governos estaduais não precisam esperar pelos dinossauros do governo federal para fazerem isso.

Fatih Birol, economista-chefe (ou principal) da Agência Internacional de Energia, disse que além dessas más notícias, 80% das novas plantas de geração de energia que estarão em operação em 2020 serão térmicas que utilizam energia fóssil, já em operação ou em fase de implantação.  Elas não serão desativadas até 2020, e em conseqüência “as reduções das emissões terão que ocorrer em outros setores”.

Entrevistado sobre o assunto, Sir David King, ex-chefe do conselho de cientistas do governo da Inglaterra, declarou que os resultados agora divulgados mostram que o elo entre o crescimento econômico e o crescimento das emissões de carbono não foi quebrado.

“Os únicos que duvidavam disso eram aqueles que não estavam lendo a situação de maneira apropriada” – afirmou.

Segundo ele, as pesquisas em curso mostram que o principal caminho utilizado pelos países altamente industrializados para reduzirem as suas emissões foi transferir a produção para outros países, como a China. (No Brasil, talvez o melhor exemplo seja a Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro, que ganhou “créditos de carbono” para vir da Alemanha para cá.)

O relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) ainda não foi publicado e as informações foram conseguidas pelo jornal inglês The Guardian.

Segundo o jornal, os vazamentos das usinas nucleares japonesas tornam as perspectivas ainda piores.

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A Inglaterra está entre os países que não conseguem reduzir as suas emissões de carbono mas com frequência manda uns trocados, uns recados, e até príncipes e ministros para falar ou pagar para que falem sobre a necessidade do Brasil proteger as florestas amazônicas em nome do combate às mudanças climáticas.

Com a palavra, a turma que acha que o desmatamento na Amazônia é uma das principais causas das mudanças climáticas.

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Em suas projeções,  a Agência International de Energia – IEA não contabilizou os mega-projetos de exploração de novas reservas de carvão para exportação que estão sendo licenciados nos EUA e na Austrália.

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Os que cantam em prosa e verso a necessidade de replantio de reservas legais nas florestas amazônicas em função das mudanças climáticas não têm mais este argumento farsante.  Entre eles, a estranha aliança entre os ruralistas norte-americanos e ONGs ambientalistas “brasileiras” (manda quem paga, obedece que tem juízo).

 

Amazônia, Mudanças Climáticas e Código Florestal

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Enquanto o Brasil perde tempo com o debate infindável sobre um “Código” Florestal inútil, absurdo, com traços de Ordenações Manoelinas, tem gente fazendo pesquisa séria, e não são as ONGs.

A “suspeitíssima” NASA acaba de divulgar uma análise dos impactos da seca de 2010 sobre as florestas amazônicas.

“Entre julho e setembro de 2010, uma seca severa atingiu a bacia Amazônica. O rio Negro, tributário do rio Amazonas, atingiu o seu mais baixo nível em 109 anos. E incêndios espontâneos foram de controle esparramaram fumaça nas áreas de seca. Mas como isso tudo afetou as árvores?”

Os cientistas – e não as ONGs – já observaram que um maior número de brotos de folhas de árvores ocorre durante os períodos de vazante. Talvez uma reação da vegetação à escassez de água. Mas a seca de 2005 matou árvores e reduziu esse crescimento em locais cuidadosamente monitorados. Com essas observações conflitantes, os cientistas têm um novo desafio: obter indicadores sobre o que acontece com essas florestas nos períodos de seca.

Uma análise mais apurada ”permitirá estimar o que acontecerá em decorrência da aceleração das mudanças climáticas, quando os períodos de seca serão mais freqüentes e mais acentuados” – afima a NASA.

Há anos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE entregou ao Governo brasileiro – e, em particular, à Marina Silva – um extenso relatório sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil, indicando a tendência à transformação das florestas amazônicas em savanas.  Mas quem cuida de “política partidária” ou é “defensor da lei” não se importa nadinha com a opinião de cientistas, e o relatório foi para a gaveta.

Talvez, aí, haja necessidade do IBAMA intensificar a sua fiscalização e determinar que os proprietários façam o replantio das áreas atingidas por incêndios, e que o MP leve à prisão os proprietários que não forem bem sucedidos nessa empreitada.  Afinal, eles devem ser considerados os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas.  E que se danem, juntamente com a tal da realidade.   Que ela – a tal da realidade – adeque-se às leis!

A imagem abaixo mostra as áreas monitoradas pelos satélites da NASA depois de feitas as correções necessárias em decorrência da presença de nuvens e aerossóis.

Seca na Amazônia em 2010

Os pontos em tons vermelhos indicam os de maior redução da vegetação e da fotossíntese em relação às médias normais.

A NASA disponibiliza imagens e suas interpretações através de seu Observatório da Terra.  Com frequência, enchentes anormalmente duradouras e incêndios espontâneos até mesmo em áreas de pastagens podem ser vistas.  E uma newsletter encontra-se disponível para subscrição.

As imagens em vários graus de definição, o artigo e a bibligrafia – que certamente não são de interesse eleitoral dos Pallocis da vida – podem ser encontrados en  2010 Drought in the Amazon Forest.

A NASA também disponibiliza as imagens consolidadas de seus satélites superpostas à imagem Google Earth, para uma melhor localização das áreas afetadas e também para a melhor visualização daqueles que não “curtem muito” essa tal da realidade.

Mudanças Climáticas e “Segurança Naval” dos EUA

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“Atendendo a uma determinação do Comando de Operações Navais (CNO, na sigla em ingles), o Conselho Nacional de Pesquisas designou um um comitê que trabalhou sob a orientação do Consellho de Estudos Navais para avaliara as implicações das mudanças climáticas sobre as forças navais dos EUA. Com o estudo, o comitê concluiu que se mesmo as mais moderadas tendências atuais no clima continuarem, elas resultarão em desafios para a Marinha dos Estados Unidos, para os Corpos de Marinheiros (Marine Corps) e para a Guarda Costeira. Ainda que dimensões temporais, de grau e as consequências futuras dos impactos das mudanças climáticas sejam incertas, muitas mudanças já estão ocorrendo em regiões do mundo, tais como o Ártico, e demandam ações da liderança naval dos Estados Unidos.”

Esse não é um texto de ficção mas um relatório oficial do governo norte-americano! O relatório afirma que as disputas sobre fronteiras e zonas econômicas exclusivas ocorrerão em decorrência da abertura de novas rotas marítimas e da competição por recursos (econômicos). Aumentará a demanda sobre a capacidade militar naval para resposta rápidas em novas áreas marítimas nacionais e internacionais. Da mesma forma, instalações navais costeiras serão colocadas em risco pela elevação do nível dos oceanos e pela maior frequência de eventos climáticos extremos, como tempestades. Será necessário o fortalecimento das alianças e a formação de parcerias das forças militares navais.

Se o leitor acha que eles estão alucinados ou buscando criar uma situação de pânico para obter mais recursos do governo norte-americano, vale ressaltar que o relatório enfatiza a necessidade de que os EUA subscrevam à Convenção das Nações Unidas proposta pela primeira vez em 1967, o que resultou em negociações formais iniciadas em 1973. Essas negociações tiveram a participação de 160 países ao longo de 9 anos, ao fim dos quais, em 1982, foi adotada a Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar, à qual os EUA nunca subscreveram (como de hábito, quando os seus interesses não são imediamente evidentes). Em 2010, o Comando de Operações Navais dos EUA continuava a insistir na necessidade de que o país aderisse à Convenção, sem sucesso.

O relatório aqui citado prossegue afirmando que “a situação geopolítica do Ártico tornou-se complexa e com muitas nuances, à despeito do fato da região ter sido ignorada desde o final da Guerra Fria”.

“O Conselho do Ártico, do qual participam o Canadá, a Noruega (a mesma que vive falando que vai fazer doações ao Fundo Amazônico), Dinamarca e Rússia, com a adesão posterior da Islândia, da Suécia e da Finlândia, é um veículo diplomático para lidar com os problemas na região. No entanto, disputas sobre fronteiras marítimas são abundantes. Assim, por exemplo, há disputas sobre o mar territorial e as zonas de interesse econômico exclusivas entre o Canadá e a Dinamarca, bem como entre os Estados Unidos e o Canadá. A Rússia e a Noruega discordam sobre áreas off-shore no entorno de Svalbard. A situação da Passagem Noroeste através do Arquipélago Canadense – áreas territoriais canadenses ou ou um estreito internacional? – constituem-se numa preocupação do Canadá pelo menos desde 1985. O assunto não está resolvido e o tráfego de embarcações só é permitido com base em acordos bilaterais para o uso de embarcações quebra-gelo.”

De fato, o Comando de Operações Navais, os Corpos de Marinheiros (Marine Corps) e a Guarda Costeira concordam sobre o impacto potencial das mudanças climáticas sobre a capacidade e as operações navais norte-americanas, em particular no que se refere à região do Ártico.

“Mudanças dramáticas estão acontecendo na região do Ártico em decorrência das mudanças climáticas, incluindo reduções significativas na cobertura de gelo do Oceano Ártico e o desaparecimento do gelo mais espesso formado ao longo do tempo. O comitê espera que o degelo ocorrido durante o verão na região continue a crescer a uma taxa de 10% ou mais a cada dez anos ao longo das próximas décadas. Isso permitiria o acesso a zonas sem gelo em amplas áreas do Ártico no verão de 2030.”

Como resultado, aponta o Serviço Geológico dos EUA, grandes depósitos de petróleo, gás natural e minérios poderão ser explorados. E o comitê expressa a sua preocupação com a capacidade militar naval dos EUA no Ártico: ela é muito limitada qauando comparada à crescente demanda de segurança nesses novos domínios marítimos.

Para quem acredita em acordos internacionais de interesse global no que se refere às mudanças climáticas, a transcrição desses trechos do Sumário do relatório pode ser útil, ao menos para um teste do nível de ingenuidade de setores “neo-socialistas” e ambientalitas das nações de menor poder militar.

O download da versão preliminar do relatório sobre as mudanças climáticas na visão das forças navais militares dos EUA, na versão original em ingles, pode ser feito aqui.

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Há poucos meses, quando foi concedido autorização para sondagens de petróleo e gás no Artico a uma empresa inglesa, quatro ativistas do Greenpeace subiram numa das plataformas que ainda se encontrava ancorada, numa baía na Groenlândia.  O governo ingles – esse que tanto fala nas florestas amazônicas – enviou uma pequena embarcação de guerra para afastá-los.  Pano rápido, é claro!  Não se tem notícia de que o Greenpeace daqui tenha feito algo semelhante em relação as sondagens do pré-sal em profundidades equivalentes àquela do recente acidente no Golfo do México.  

Manaus – Bailes de Máscaras, Jogos de Cena e Outras Mentiras Convenientes

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O ex-presidente Bill Clinton afirmou em Manaus que o Brasil tem que refletir sobre os impactos da construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.  Em qualquer país sério, um ex-chefe de estado dando palpites em assuntos de política interna seria muito mal visto e imediatamente repudiado pelas autoridades locais.

Já um tanto senil, Clinton defendeu o que ele acredita ser a proteção da Amazônia em benefício do oxigênio planetário, e afirmou: “Não tenho paciência para pessoas que criticam e não dão alternativas”.

“Qual a alternativa? Vocês precisam de eletricidade e querem preservar a floresta. E 20% do oxigênio mundial vem de vocês. Não é fácil, mas vocês têm que pensar sobre essas coisas, sobre o futuro de seus filhos e netos. É preciso pensar na população indígena, nos animais, nas espécies de plantas que podem ter a cura para doenças.”

Ah, bom!  A cura para as doenças?  Clinton nunca lutou seriamente para que o Congresso norte-americano referendasse a Convenção Sobre a Biodiversidade que garantiria “uma remuneração justa” para os países de onde venham o material genético que permite o desenvolvimento de novos medicamentos!  A “uma remuneração justa” só pode se contrapor “uma remuneração injusta”! E os EUA nunca aderiram a esse tratado internacional!

Ainda mais gagá – ou mais alienado -, o ex-play boy e ocasional governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger confundiu o Brasil com o México e elogiou o calor das mulheres brasileiras como fonte potencial de energias renováveis.  Em condições normais de pressão e temperatura, as feministas considerariam isso uma ofensa.  Mas no ôba-ôba da “sustentabilidade” de Manaus, valeu tudo.

Pois bem, na véspera desse encontro de ex-trelas, tietes e alguns cientistas para falar de mudanças climáticas, o Secretário (Ministro) do Interior do governo dos EUA anunciava a autorização para uma vertiginosa expansão da mineração de carvão em seu país.  Estima-se que quando utilizado esse carvão resultará na elevação das emissões globais de carbono em cerca de 50% das atuais emissões norte-americanas, ou o equivalente a 300 usinas térmicas convencionais que usam carvão para a geração de energia.

Esse tipo de jogo de cena para agradar os diversos grupos de pressão não é uma novidade.  Também no Brasil o governo andou se ufanando da redução do desmatamento na Amazônia e, simultaneamente, do potencial econômico da extração do petróleo em grandes profundidades (para as quais as tecnologias de extração ainda não se encontram totalmente desenvolvidas).  E a tuma do meio ambiente fez e faz cara de paisagem, mesmo quando Obama declara abertamente, em discurso durante a sua viagem ao Brasil, “nós precisamos do petróleo de voces”.

Segundo a imprensa internacional, na mesma entrevista em que anunciou essa mega-ampliação dos negócios da indústria do carvão e das termelétrica que o utilizam, o ministtro norte-americano murmurou algumas palavras sobre a intenção de autorizar a implantação de 12.000 MW de energia limpa até o final do próximo ano.  Eles são divertidos!  A nova área de mineração de carvão possibilita a ampliação da capacidade instalada de geração a partir do carvão em cerca de 300.000 MW de energia suja.  O Greenpeace, Clinton, Arnold, e os “zambientalistas” brasileiros ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

As imagens da mineração de carvão em Wyoming (abaixo), onde foi autorizada a expansão da atividade, mostram bastante  bem a preocupação dessa turma com florestas, reservas legais, topos de morro, encostas íngremes, fundos de vale, e mudanças climáticas.

 

 

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E por falar em proteção de florestas,  a empresa farmacêutica inglesa Beacon Hill Resources acaba de receber permissão para realizar sondagens em busca de magnetita nas mais valiosas florestas da Tasmânia, na Australia.  Nessa área, denominada Trakine, encontra-se a maior floresta úmida do hemisfério sul, e nela vivem numerosas espécies em extinção e encontram-se impressionantes sítios arqueológicos indígenas, além de extensas áreas de cavernas.

A inglesa Beacon Hill Resources é uma das tres grandes que estão solicitando autorização para a mineração de céu aberto – isto é, com a total remoção das florestas – nessa área.  Em sua página na internet, a empresa anuncia com orgulho essa iniciativa, bem como a aquisição de uma das maiores regiões de carvão ainda não desenvolvidas no mundo, ma Província de Tete, em Moçambique.

Haja cara de pau e cinismo!

A “Bagulheira” Que Vem da China e Outros “Detalhes” da Segurança Alimentar e das Políticas de Mudanças Climáticas

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Há dias,  a presidente Dilma declarou que “o Brasil é exportador de commodities para a China, mas importa muita bagulheira (sic).  Noves fora o palavreado chulo, não muito adequado ao cargo – ao menos em declarações públicas – e ainda menos às relações exteriores, a dúvida é se ela não sabia o que estava dizendo ou se estava jogando para a arquibancada.

Essa frase foi dita poucos dias antes do anúncio de que a China desbancou os EUA como maior potência industrial do mundo.  A produção de manufaturas da China representou 19,8% dos produtos industriais do mundo, contra 19,4% dos EUA.  Nada mal.

No caso das relações comerciais entre o Brssil e a China, alguns fatos e números são melhores para colocar as coisas em perspectiva adequada.

Em maio de 2010, a estatal chinesa State Grid anunciou a compra de sete concessionárias de transmissão de energia elétrica por R$ 3,1 bilhões: Ribeirão Preto, Paracatu, Poços de Caldas, Itumbiara e Serra da Mesa, além de 75% da Expansión Transmissão de Energia Elétrica, que opera no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, e da Expansión Tansmissão Itumbiara Marimbondo.  Nada mal para uma primeira entrada no setor elétrico brasileiro.  No caso, a bagulheira é capital e tecnologia que permite a redução significativa das perdas na transmissão de eletricidade em longas distâncias.

No Brasil, essas linhas de transmissão operam no máximo em corrente contínua de 600 KV, enquanto a China é o único país a deter tecnologia que permite alcançar um padrão de 1.000 KV, muito mais eficientes nas transmissões a distâncias de até 2.000 km.

Em outubro, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, Nelson Hubner, viajou para Pequim e constatou que uma linha de transmissão chinesa consegue substituir quatro linhas similares convencionais com a tecnologia utilizada no Brasil. Nelson Hubner reconheceu que a adoção dessas novas tecnologias possibilitá aos chineses um mais rápido retorno sobre o capital investido.

Para evitar o usual lero-lero sobre a transferência de tecnologia – como se fosse possível transplantar cérebros -, os chineses preferiram liquidar a dívida quea as concessionárias que compraram tinham com o BNDES.

A State Grid cobre 88% do território chinês e é a maior empresa de transmissão e distribuição de energia do mundo, com faturamento de US$ 164 bilhões em 2008. Com 1,5 milhão de empregados, a estatal é a 15º maior companhia do planeta de acordo com o ranking da revista Fortune.

Na área de energia, o Brasil também anda buscando tecnologia chinesa para os chamados smart-grids (linhas de transmissão inteligentes), iluminação de alta eficiência energética – LED, energia eólica e outras.

Até então, os chineses haviam concentrado os seus investimentos no Brasil nas áreas de petróleo, mineração e de siderurgia.   De fato, em 2009 o Banco de Desenvolvimento da China fez um empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras tendo como garantia a entrega de petróleo por um período de 10 anos.

Poucos meses depois da aquisição das empresas de transmissão de eletricidade, entraram na produção de soja em Goiás e na Bahia.

Em novembro de 2010, o governo de Goiás assinou com o governo chinês um termo de cooperação prevendo investimentos de até US$ 7,5 bilhões para expandir a produção de soja do estado em pelo menos 6 milhões de toneladas.  Em fevereiro de 2011, a estatal chinesa Chongging Grain Group anunciou investimentos de US$ 900 milhões para a produção e a industrialização de soja na Bahia.  Em entrevista ao canal de televisão estatal da China, o prefeito de Chongging – isso mesmo, o prefeito de um município com 32 milhões de habitantes, situado a 2.000 km de Pequim – declarou:  “assim teremos disponíveis 200 mil hectares de terra” (ainda não comprando a terra, ao controlar o beneficiamento e a comercialização da soja, controla-se a produção e os preços).   Eles definem, com iniciativas desse tipo, uma política de segurança alimentar.

Já aqui, se toda a região do noroeste da Bahia for transformada numa grande “plantation” de soja, sem qualquer cuidado com a segurança alimentar da população local, essa população terá a opção de mudar-se para a periferia das grandes cidades ou de comprar comida mais cara vinda de locais distantes.

Esses são alguns exemplos da bagulheira que a China anda exportando para o Brasil: capital e tecnologia.  Há outros, como a aquisição de composições de trens feitas há cerca de dois anos pelo governador Sergio Cabral há cerca de 2 anos para a Supervia – que deverão chegar em breve, para a alegria da Odebrecht, que comprou a concessão e assim poderá receber créditos pela melhoria da operação desse sistema de transporte de massa.  Vale dizer, os trens chineses adquiridos pelo governo do Rio de Janeiro consomem apenas uma fração da eletricidade dos que ainda se encontram em operação.   O Rio de Janeiro já teve uma pujanta fábrica de vagões ferroviários.

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Aqui, falando na soja e outras commodities agrícolas que o Brasil exporta sob o controle de grandes grupos de comercialização estrangeiros, vale dizer que a “política de segurança alimentar” do Brasil se restringe à bolsa-família.  Vale dar uma espiada no que está acontecendo com a pegada carbônica – e o preço – dos alimentos de consumo dos brasileiros em decorrência desse modelo… ou falta de modelo.  Basta olhar para a imagem publicada no ano passado numa reportagem de um jornal de São Paulo, na qual são mostrados apenas aqueles alimentos de consumo diário da maior parte da população (o famoso PF, sigla popular para o prato-feito).