Trump e sua equipe de demolidores liquidam a Agência de Proteção Ambiental e o Departamento de Ciências da Terra da NASA

Donald Trump resolveu que todas as informações da Agência de Proteção Ambiental – EPA, na sigla em inglês – serão objeto de avaliação política antes de tornadas públicas.   Essa decisão inclui até mesmo monitoramentos de rotina de qualidade do ar (no Brasil, tudo isso já é feito informalmente).

Continuar lendo Trump e sua equipe de demolidores liquidam a Agência de Proteção Ambiental e o Departamento de Ciências da Terra da NASA

Sobre sonhos, ciência & tecnologia, desenvolvimento econômico

O conhecimento aplicado ou mesmo a mera compreensão dos fatos sempre estiveram entre os principais fatores de unidade social e avanço econômico.  Isso valeu até mesmo para a invenção da roda, o domínio sobre o fogo, a utilização da pólvora para fins bélicos e por aí afora.

Ao final da II Guerra Mundial, as tropas vitoriosas, tanto norte-americanas quanto soviéticas, procuravam por Wernher von Braun e sua equipe.  O inventor das “bombas voadoras” – que trabalhara para Hitler – terminou transferido para os EUA.  Em 1950, já liderava as equipes que desenvolviam foguetes militares e, em 1960, tornou-se o diretor do principal centro espacial da NASA, criada dois anos antes.  Há muito von Braun tinha o sonho de sair da órbita da Terra.

Desde então, a NASA é uma referência mundial em tecnologia espacial.  Mas, além da colocação de satélites de comunicação, de espionagem e de monitoramento de fenômenos de interesse humano – como tempestades e furacões – ou puramente científicos, de que serve a NASA?

Serve para manter vivo o sonho unificador de ser a primeira nação a viajar até a Lua e, mais recentemente, planetas distantes.  O que usualmente não se diz é que a NASA é talvez o mais importante instrumento norte-americano de organização da ciência e da tecnologia do país, com impactos fortíssimos sobre a economia dos EUA, conferindo-lhe razoáveis vantagens competitivas.

Apenas como exemplo, periodicamente a NASA anuncia que está disponibilizando patentes com potencial interesse comercial.  No último anúncio, foram nadas menos do que 56 patentes disponibilizadas para usos comerciais.  Na verdade, a NASA joga limpo e há muito tempo disponibiliza patentes que não são mais de seu interesse através de uma página na internet que tem como apelo a expressão “trazendo a tecnologia da NASA de volta à Terra”.

O chefe do Programa de Tecnologia da NASA, Daniel Lockney, afirma sem hesitações:

“Disponibilizando essas tecnologias para o domínio público, estamos ajudando a impulsionar uma nova era de empreendedorismo que vai novamente colocar a América na liderança da manufatura de produtos de alta tecnologia e de competitividade econômica.”

Isso talvez valha para abrir a mente de Henrique Meirelles, que acha que a economia é só uma questão de volume de trocas e de equilíbrio entre a coluna da direita e a coluna da esquerda.  Parafraseando a equipe da primeira campanha presidencial de Clinton que adotou o lema “é a economia, seu idiota”, há que lembrar ás autoridades econômicas brasileiras: é o conhecimento científico e tecnológico, seus otários.

O Brasil não vai sair de seu atual atoleiro político só produzindo commodities de baixo valor agregado.  E mais: de nada adianta termos reservas de Lítio e Nióbio se exportamos esses minerais raros em estado bruto, como ainda fazemos com o Silício, exportado em “grau siderúrgico” (pouco beneficiamento) e importado já incorporado a produtos finais por um preço cerca de 50 vezes mais elevado (sem falar na geração de empregos nos países que detém a tecnologia para o beneficiamento e para a sua incorporação – por exemplo – em células fotovoltaicas.

Basta lembrar que há cerca de 30 anos os produtos chineses e coreanos eram considerados de qualidade muito inferior e hoje já estão no topo da cadeia tecnológica… e tentar repetir em algumas dimensões a experiência desses países.

Além de acordos políticos, o Brasil precisa voltar a ter algum sonho de unificação nacional, algo voltado para o futuro e não limitado à cordialidade, ao “jeitinho brasileiro” e às riquezas que permitiam alguma unidade enquanto “deitado eternamente em berço esplêndido”.

 

Enchentes no Acre e em Rondônia: A “Culpa” é da Bolívia”

Enchentes sem precedentes na Inglaterra – inclusive com ondas anormalmente altas e fortes atingindo e causando danos patrimoniais no litoral; secas na California com graves perdas de produção agrícola juntamente com ondas de frio igualmente fora dos registros históricos; cidades isoladas no Acre e em Rondônia em decorrência de cheias igualmente anormais, falta d’água em São Paulo e uma briguinha de fingimento com o Rio de Janeiro para ambos os governadores ganharem espaço na mídia.

A Califórnia já vem tomando sérias medidas de proteção do habitat humano há muito tempo.  O seu Plano de Controle de Cheias não é um improviso do tipo “declaração de estado de alerta”, da mesma forma que o seu Plano de Gestão de Recursos Hídricos tem sido revisto periodicamente e não se resume a um blá-blá-blá acadêmico-burocrático contendo generalidades, mas envolve ações concretas.  Ambos os documentos merecem no mínimo uma leitura cruzada ou de seus sumários executivos por gente que se interessa pelo assunto.

Inglaterra, Alemanha, Holanda e outros não ficam atrás em sua preparação para a ocorrência de extremos climáticos,incluindo a segurança alimentar e energética de suas populações, além do conjunto de iniciativas orientadas para aquilo que denominam “adaptação a uma sociedade de transição”.

Aqui, quando a presidente Dilma Roussef visitou as regiões alagadas no noroeste do país saiu-se com algo como “a culpa é da Bolívia”.  Não consta que especialistas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE  estivesse na comitiva ou tenha sido consultado.

De fato, a NASA e outras fontes de informação vêm reportando chuvas anormalmente fortes na Bolívia há alguns anos, mas as ocorridas em fevereiro deste ano foram de severidade “nada usual” – segundo informações do Observatório da Terra.  As chuvas deste ano foram além dos recordes históricos, é verdade, mas foram detectadas bem antes de chegarem ao território brasileiro.  E não havia qualquer plano de contingência, as autoridades federais e estaduais não se prepararam, os danos já são imensos.

Há uma correlação entre essas chuvas de grande intensidade e o desaparecimento de importantes geleiras andinas, (clicando no campo em azul é possível visualizar imagens dessas geleiras).  Em palavras simples, a umidade que ao longo de milhares de anos se transformava em gelo – que, escorrendo lentamente, abastecia de água a Bolívia e o Peru – agora está dando origem às chuvas anormalmente intensas que impactam o lado brasileiro da cordilheira andina.  “A culpa é da Bolívia.”

O rio Madeira já se encontra 19,42 metros acima de seu nível máximo histórico e a previsão é de que as chuvas continuem intensas em suas cabeceiras até o final de março/início de abril de 2014.  Do ponto de vista climatológico, a questão, agora, é saber se durante o período na região conhecido como “vazante” – quando os rios atingem os seus níveis mais baixos – haverá uma grande seca (ou estiagem muito acentuada), com grandes prejuízos para a economia local e para a geração de eletricidade das unidades hidrelétricas do rio Madeira já em operação – além dos impactos potenciais para aquelas que se encontram em fase de implantação.

Afinal, as três maiores secas na Amazônia ocorreram em 1998, 2005 e 2010.  O último recorde atingiu quase metade da região, conforme avaliação da NASA – com grandes danos à população, chegando a resultar em estado de emergência em 37 municípios.  Da mesma forma, é bom lembrar, 9 dos 10 anos mais quentes constantes dos registros históricos ocorreram no século XXI.

Mas… quem se importa com esses detalhes ou com o futuro no Brasil da Copa e das disputas meramente partidárias, sem substância, ainda quando as mudanças ja estejam ocorrendo e tendam a se acentuar nor próximos poucos anos?

 ***

O monitoramento dos “snowpacks” – isto é, da neve acumulada no topo das montanhas – vem sendo feito em diversas partes do mundo.  Na Califórnia, diariamente, porque é dessa neve que depende a vazão dos rios e o abastecimento de água – inclusive para irrigação – no período seco.

Já é hora do Brasil ouvir um pouco mais os seus órgãos de meteorologia.  Grandes produtores estrangeiros de cana de açucar em território brasileiro já estão atentos à baixa produtividade gerada pela escassez de água.

Praias do Rio – Um Mar de Lama – VI

Em 30 de janeiro de 2014, a página da NASA na internet divulgou a imagem de uma mancha de cerca de 800 km no litoral brasileiro, desde Santa Catarina até o Rio de Janeiro.  A imagem foi feita por um satélite e pode ser vista com diversos níveis de resolução no link acima (até em formato TIFF, com 29 MB).

O Globo ouviu especialistas brasileiros que falaram sobre a temperatura da água, florações de algas e tais, mas não consideraram um comentário da própria NASA, ao final do texto: “Mais próximo da costa – ver Rio e São Paulo – a mancha tem uma cor esverdeada, talvez indicando um tipo diferente de bloom de fitoplancton ou de sedimentos lançados pelas recentes inundações na região” (os grifog são nossos).

Os especialistas consultados pelo jornal ativeram-se à primeira hipótese -formação de algas que teria se originado das altas temperaturas -, sem comentar o “tipo diferente de bloom”.  Nada sobre a alternativa de sedimentos mencionados pela NASA!  E olha que a NASA é capaz de medir com precisão coisas como o teor de umidade subsuperficial nos solos agrícolas e os volumes de água nos aquíferos profundos para apoiar o governo  norte-americano na previsão de safras!

Ampliando-se a imagem, pode se ver que a mancha parece originar-se nas proximidades da Baía de Guanabara (canto superior direito), estendendo-se para o sul.

Essa hipótese não deve ser descartada, considerando-se que, entre 2005 e 2011, o INEA autorizou a dragagem de cerca de 20 milhões de metros cúbicos de sedimentos na Baía de Guanabara, conforme parecer do Grupo de Apoio Técnico Especializado – GATE do Ministério Público do Rio de Janeiro – MPRJ (cf. páginas 12 e 13), e sua disposição nas proximidades do litoral, através de muitas licenças individuais.

Desde então, promotores do Núcleo de Ação Especializada em Meio Ambiente – GAEMA passaram a solicitar ao INEA um estudo dos efeitos cumulativos de tantas licenças de dragagem.

Como as respostas às informações prestadas e esforços para alcançar um maior controle sobre a disposição desse lodo nas áreas escolhidas pelo INEA não foram consideradas satisfatórias pelos promotores, o GAEMA/MPRJ ajuizou Ação Civil Pública – ACP requerendo a imediata paralisação das dragagens e do lançamento de lodo no litoral, em petição assinada conjuntamente por 5 (cinco!) promotores de justiça.

Sinceramente, não é difícil pedir ao INPE ou à NASA as imagens de satélite do longo de um ciclo de alguns meses anteriores à imagem agora divulgada, assim como as imagens nas semanas subsequentes.  Se as autoridades ambientais tiverem interesse em saber quando e onde começou a se formar essa pluma (mancha), não hesitarão em fazer isso.  E poderão saber, também, como ela está se movendo, dispersando, ou se mantendo.

Recomenda-se aos promotores do MPRJ que façam isso.  E que solicitem os detalhes do modelo matemático do INPH relativos às medições de correntes profundas, para que as informações fornecidas pelo órgão ambiental não sejam vagas.

Aliás, 0 Google Earth Pro (a versão profissional do Google Earth, paga) também pode ajudar a visualizar tais imagens.  Se a licença do INEA para seu uso não estiver vencida….

***

A seleção dos locais de “bota-fora” desses sedimentos – uma das duas opções mencionadas pela NASA – teria sido feita com base num modelo matemático do Instituto de Pesquisas Hidroviárias – INPH.  Esse modelo tem que incluir estudos de correntes profundas ao longo de um ciclo de tempo suficiente para avaliar de maneira apropriada a dispersão da pluma de sedimentos.  Considerar apenas aspectos relacionados aos locais de pesca, ao Parque Nacional das Ilhas Cagarras e às correntes superficiais é mais do que insuficiente, considerando os eventos recentes de poluição no litoral do Rio de Janeiro!

Uma consulta ao Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira – IEAPM e/ou à Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha – DHN! – já que a a Petrobras é parte interessada nas dragagens, o que torna o CENPES vulnerável para a finalidade em questão.

Amazônia, Mudanças Climáticas e Código Florestal

Enquanto o Brasil perde tempo com o debate infindável sobre um “Código” Florestal inútil, absurdo, com traços de Ordenações Manoelinas, tem gente fazendo pesquisa séria, e não são as ONGs.

A “suspeitíssima” NASA acaba de divulgar uma análise dos impactos da seca de 2010 sobre as florestas amazônicas.

“Entre julho e setembro de 2010, uma seca severa atingiu a bacia Amazônica. O rio Negro, tributário do rio Amazonas, atingiu o seu mais baixo nível em 109 anos. E incêndios espontâneos foram de controle esparramaram fumaça nas áreas de seca. Mas como isso tudo afetou as árvores?”

Os cientistas – e não as ONGs – já observaram que um maior número de brotos de folhas de árvores ocorre durante os períodos de vazante. Talvez uma reação da vegetação à escassez de água. Mas a seca de 2005 matou árvores e reduziu esse crescimento em locais cuidadosamente monitorados. Com essas observações conflitantes, os cientistas têm um novo desafio: obter indicadores sobre o que acontece com essas florestas nos períodos de seca.

Uma análise mais apurada “permitirá estimar o que acontecerá em decorrência da aceleração das mudanças climáticas, quando os períodos de seca serão mais freqüentes e mais acentuados” – afima a NASA.

Há anos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE entregou ao Governo brasileiro – e, em particular, à Marina Silva – um extenso relatório sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil, indicando a tendência à transformação das florestas amazônicas em savanas.  Mas quem cuida de “política partidária” ou é “defensor da lei” não se importa nadinha com a opinião de cientistas, e o relatório foi para a gaveta.

Talvez, aí, haja necessidade do IBAMA intensificar a sua fiscalização e determinar que os proprietários façam o replantio das áreas atingidas por incêndios, e que o MP leve à prisão os proprietários que não forem bem sucedidos nessa empreitada.  Afinal, eles devem ser considerados os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas.  E que se danem, juntamente com a tal da realidade.   Que ela – a tal da realidade – adeque-se às leis!

A imagem abaixo mostra as áreas monitoradas pelos satélites da NASA depois de feitas as correções necessárias em decorrência da presença de nuvens e aerossóis.

Seca na Amazônia em 2010

Os pontos em tons vermelhos indicam os de maior redução da vegetação e da fotossíntese em relação às médias normais.

A NASA disponibiliza imagens e suas interpretações através de seu Observatório da Terra.  Com frequência, enchentes anormalmente duradouras e incêndios espontâneos até mesmo em áreas de pastagens podem ser vistas.  E uma newsletter encontra-se disponível para subscrição.

As imagens em vários graus de definição, o artigo e a bibligrafia – que certamente não são de interesse eleitoral dos Pallocis da vida – podem ser encontrados en  2010 Drought in the Amazon Forest.

A NASA também disponibiliza as imagens consolidadas de seus satélites superpostas à imagem Google Earth, para uma melhor localização das áreas afetadas e também para a melhor visualização daqueles que não “curtem muito” essa tal da realidade.