Os EUA Enfim se Rendem – O Mais Extenso Relatório Sobre Mudanças Climáticas: 1.300 Páginas, 240 Cientistas Envolvidos

A Casa Branca divulgará, nos próximos dias ou semanas, um relatório sobre os impactos das mudanças climáticas nos EUA com cerca de 1.300 páginas, produzido por mais de 240 renomados cientistas norte-americanos.  Uma das principais consequências do relatório será a gigantesca alavancagem do desenvolvimento científico e tecnológico nesse campo, algo que já vinha acontecendo nos EUA mas sem dúvida se amplificará muito.

“As mudanças climáticas, antes consideradas um conjunto de eventos para o futuro distante, moveu-se com firmeza para o presente.  As evidências são visíveis desde a mais alta atmosfera até o fundo dos oceanos.  Os norte-americanos estão percebendo as mudanças climáticas em todos os lugares à sua volta.  Os verões estão mais longos e quentes, e os períodos de calor extremo se estendem mais do que qualquer norte-americano jamais experimentou.  Os invernos tornaram-se mais curtos e quentes.  A chuva chega em pesadas tempestades, embora em muitas regiões ocorram prolongadas secas entre elas.” – afirma o relatório preliminar (que se encontra disponível para download em sua totalidade e em capítulos, já que o arquivo completo é muito pesado, com 147 MB).

O relatório afirma que a temperatura média nos EUA subiu 0,8º C desde o início dos registros, em 1895, mas que desse aumento cerca de 6,4º C ocorreram depois de 1980.  A última década foi a mais quente da história dos EUA desde o início das medições.  A temperaturas estão subindo mais rapidamente do que a média nas latitudes mais altas, como no Alaska.

“Períodos de extremo calor, que batem todos os recordes, estão acontecendo até mesmo à noite, e espera-se que ocorram mais secas e incêndios por combustão espontânea no sudoeste.  Ao mesmo tempo, o nordeste (dos EUA), o meio-oeste e os estados situados nas Grandes Planícies verão aumentar as tempestades e as enchentes.” – afirma o relatório (de acordo com a mesma fonte).

Aqueles que vivem na costa atlântica, no golfo do México e no Alaska já sentem os efeitos da elevação do nível dos mares e da maior  intensidade e frequências das tempestades.  Eles devem se preparar o aumento dessas ocorrências.  Os que residem na Flórida, onde enchentes já são constantes durante as tempestades, devem se preparar para a intensificação desses fenômenos.  O mesmo pode ser dito das pessoas que vivem no interior às margens de rios.

Algumas mudanças já estão tendo efeitos mensuráveis na produção de alimentos e na saúde pública, afirma o relatório.
Por determinação do Congresso, esse tipo de relatório deveria ser produzido a cada quatro anos, mas isso nunca ocorreu antes, desde o período de George W. Bush ou no primeiro mandato de Obama.
Logo saberemos se o relatório norte-americano estará à altura de estudos semelhante produzidos em outros países, como o coordenado por por Sir Nicholas Stern e contratado pelo Banco Central da Inglaterra (UK Treasury) e os de outros países.  E, além disso, se os EUA estarão dispostos a cooperar ao menos com a Europa ou se tentarão apenas transformar o assunto em mais uma “área de negócios” puramente comerciais.
Há informações de que a Casa Branca pretende fazer uma série de eventos para assegurar a máxima divulgação do relatório.  De fato, a página da Casa Branca já tem toda uma área com informações de fácil visualização sobre o tema.  Pelo jeito, Obama ousou escolher as mudanças climáticas como um dos assuntos principais, senão o mais importante, de seus dois anos de mandato.
Muitas coisas diferenciam os países, mas que mais diferencia a riqueza de um para o outro é o conhecimento. O conhecimento científico,a capacidade de organizar esse conhecimento científico de maneira a gerar e a disseminar tecnologias úteis.
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E no Brasil?  Onde foram feitos avanços relacionados à proteção da nação ou iniciativas orientadas para uma sociedade de transição para uma nova realidade?  As políticas de segurança alimentar resumem-se ao programa Bolsa Família?  E as políticas estaduais para os extremos climáticos, onde estão?

Obama, Derrotado pelo Congresso dos EUA, Pretende “Comprar” a Amazônia?

Nesta quinta-feira, 10 de março de 2011, os republicanos passarão o trator na proposta de Obama e dos democratas de estabelecer regras para a redução de gases causadores de mudanças climáticas.  De acordo com a proposta republicana, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em ingles) fica simplesmente proibida de regulamentar a emissão de CO e mesmo o estabelecimento de metas de eficiência para os veículos automotores (emissões por quilometragem) não poderá mais ser feito a partir de 2016.

Os EUA disputam com a China a liderança nas emissões globais desses gases, e em matéria de emissões per capita estão sem dúvida na liderança absoluta (as emissões per capita são certamente um melhor indicar da “pegada carbônica” dos cidadãos de um país).  Como se não bastasse, é crescente a exportação de carvão para as usinas térmicas que impulsionam a economia chinesa para exportar mais para os EUA e para o mundo.  À conta de quem devem ser lançadas essas emissões: do país de origem ou do país de destino dos bens produzidos?

A vantagem do Congresso norte-americano é que não há essa tentativa tão brasileira de ficar no meio do caminho.  Os republicanos, tradicionais defensores (ou empregadinhos, dependendo do congressista e do ponto de vista) da indústria petrolífera, simplesmente negam a existência de mudanças climáticas causadas ou aceleradas pelas atividades humanas.  Não importa o que diga a NASA ou qualquer outra instituição científica do próprio país.   Danem-se as evidências e os cientistas.

Jay Inslee, um democrata de Washington, já desanimado diante da derrota certeira, comentou que nem mesmo que Copérnico, Galileo, Newton e Einstein testemunhassem perante o Congresso os republicanos aceitariam a ciência.

Derrotado no Congresso norte-americano e querendo dar um exemplo de que apesar disso fará alguma coisa, não será uma surpresa se na agenda dos encontros de Obama com Dilma surgir algum dinheiro para a proteção das florestas amazônicas.  Na tradição norte-americana, comprar consciências (baratinhas) e políticas públicas em outros países não é corrupção.  Para ficar bem na fita em casa, tudo; para eliminar a pobreza dos tais “povos da floresta” – sem saneamento, sem acesso à educação e à saúde primária -, nada.

Além de abrir uma janela para que Obama fique bem na fita com os seus eleitores, esse gesto permitiria atender à crescente demanda do agro-negócio norte-americano: deter a crescente competitividade dos produtos brasileiros.  E ele não vão dizer que cerca de 45% da Amazônia já estão legamente protegidos sob a forma de terras indígenas e unidades de conservação, como demonstrou a EMBRAPA – Monitoramente por Satélites.

Uma organização (ONG) financiada por grandes produtores de soja, carne e madeira norte-americanos divulgou, há algum tempo, estudo demonstrando que deter a expansão da fronteira agricola em países como o Brasil – ou principalmente no Brasil – resultaria em benefícios diretos para o agro-negócio norte-americano: um aumento de receita entre US$ 190 bilhões e US$ 270 bilhões entre 2012 e 2030, aí incluídos um aumento direto da receita dos setores de soja, carne, madeira e óleos vegetais na faixa de US$ 141 bilhões a US$ 221 bilhões.

O relatório, em inglês (é claro, eles não seriam inocentos a ponto de disponibilizá-lo em portugues) pode ser lido aqui, em como como o agro-negócio brasileiro prentede ganhar muito dinheiro “salvando o planeta”.  Os principais números encontram-se logo no início do estudo, na página 7.

Evidentemente, ninguém de bom senso acredita que essa canalha esteja efetivamente interessada em mudanças climáticas, já que em momento nenhum mobilizou-se para defender as propostas de Obama para reduzir as emissões de carbono em seu próprio país.   Além disso, nenhum deles – e nem as ONGs por eles financiadas para atuar no Brasil – defende a constituição de reservas legais ou de áreas de preservação permanente lá.  O mote é: florestas lá, fazendas aqui!

As mudanças climáticas, prevêem os cientistas, transformarão as florestas amazônicas numa vegetação do tipo savana com ou sem a reserva legal e o inútil Código Florestal brasileiro, sem similar no mercado mundial.

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O Greenpeace ainda não se pronunciou sobre essa votação decisiva no Congresso norte-americano.  Lá, eles não se atrevem a fazer lobby.

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Visitar a ultra-cínica página dos grandes produtores rurais norte-americanos na internet em http://adpartners.org é sempre bom, até para ver como financiam ONGs “ambientalistas” com forte presença no Brasil.  Recomenda-se à Confederação Nacional da Indústria – CNA e à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG a tradução e a disponibilização do relatório para os brasileiros em geral, e em particular para os membros do Congresso Nacional e das cooperativas de produtores rurais.