Parque Nacional da Tijuca transforma-se aos poucos em mais um parque que afasta visitantes

A entrevista abaixo foi dada no dia 19/02/2017. com foco no abandono crescente – intencional ou por omissão – que vem marcando a atual gestão do Parque Nacional da Tijuca.

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A Floresta da Tijuca Abandonada – V

Que o marco a Taunay em frente à Cascatinha que leva o seu nome – e onde ele viveu – esteja totalmente abandonado, já é supreendente.  Que uma nova divisão da Guarda Municipal estacione quase encostado nesse marco é uma ofensa aos visitantes, além de uma demonstração de descaso dos encarregados da gestão do Parque Nacional.  E note-se que trata-se de um “grupo” da Guarda especializado em “Defesa Ambiental”.  O estacionamento é amplo, mas talvez as assim chamadas “autoridades” quiseram demonstrar que a tal “Defesa Ambiental” está presente num sábado de maior visitação.  Um pouco de treinamento e orientação por parte da “gestão” do Parque não seria ruim (para que não coloquem a “culpa” nos próprios guardas e finjam que o próprio não é um problema, pelo abandono).

 

Guarda Muinicipal X Marco.webpeqquena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na mesma Cascatinha Taunay – talvez o ponto de maior visitação do Parque Nacional – há uma captação de água da CEDAE – a concessionária dos serviços de água e esgoto que atormenta o Rio de Janeiro.  Não se sabe se ela paga uma “compensação ambiental” ao Parque, como determina o Art. 47 da Lei que criou o SNUC.

Art. 47. O órgão ou empresa, público ou privado, responsável pelo abastecimento de água ou que faça uso de recursos hídricos, beneficiário da proteção proporcionada por uma unidade de conservação, deve contribuir financeiramente para a proteção e implementação da unidade, de acordo com o disposto em regulamentação específica,

Mas quem visita o Parque com alguma frequência sabe essa captação reduz consideravelmente a vazão de água e o enchimento do açude que fica à jusante e que ela é interrompida nos fins de semana, quando a visitação é mais intensa.  Ocasionalmente, funcionários da CEDAE são vistos coletando amostras de água no pequeno reservatório onde se encontra a Cascatinha.  Uma tela de proteção para evitar a passagem de folhas e galhos é colocada num vertedouro lateral.  Infelizmente, às vezes é deixada ali mesmo, “adornando” a paisagem natural do Parque e a beleza da Cascatinha.

 

Cascatinha X CEDAE.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nada como toda uma equipe bem treinada para gerir e para atuar dentro de um Parque Nacional!

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A saída do Parque pelo caminho usual está fechada há meses, desde que jornalistas tentaram saber como seria a dragagem ou retirada dos sedimentos que assorearam o Açude da Solidão, qual o valor dos serviços, qual o volume de material e para onde seria levado.

 

 

 

 

 

 

A Floresta da Tijuca Abandonada – II

Um dos mais belos pontos de visitação do Parque Nacional da Tijuca é a Mesa do Imperador.  Uma rápida pesquisa na internet permite encontrar a seguinte informação:

“Desde 1856 o Jardim Botânico estava ligado ao Alto de Boa Vista por uma estrada carroçável, aberta por influência do Barão do Bom Retiro e cuja execução e manutenção foi contratada a Thomas Cochrane. (…), um local preparado para servir como ponto de repouso nos freqüentes passeios da Família Real ganhou o nome de Mesa do Imperador.”

Há algum tempo, os bancos de pedra situados dos dois lados da mesa foram levados.  Não há informações sobre uma eventual restauração ou data para que sejam recolocados em seus lugares (da mesma forma que a placa que se encontrava sobre a mesa com informações sobre a mesma).  As marcas no chão sempre chamam a atenção dos visitantes.

Mesa do Imperador - Bancos desaparecidos.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A mesa situa-se em local onde um corte foi feito na encosta.  Difícil imaginar que algo assim pudesse ser feito novamente nos dias de hoje sem que algum ambientalista ou mesmo o Instituto Chico Mendes não arumentassse que essa é uma “área de preservação permanente” em função do declive na encosta nos termos do Código Florestal.  Mas as obras de conteção são magníficas, em pedras – e não em concreto projetdado -, com escadarias.  Os corrimãos encontram-se em estado deplorável, como se vê na foto abaixo.

Mesa do Imperador - gradil.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também a fonte situada em frente à mesa está abandonada, sem a bica d’água em ferro fundido, tendo se transformado em local de acúmulo de folhas, o que induz alguns visitantes menos educados a nela depositarem até lixo.

 

Mesa do Imperador - Fonte.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os sistemas de drenagem são perfeitos, mas encontram-se entupidos por folhas e terra.  Em visitas subsquentes pode-se notar que nunca são limpos.

Mesa do Imperador - Bueiro.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para os que não conhecem essa maravilha que é a Floresta – e que merece melhor manutenção -, imagens e um pouco da história do Parque pode ser encontradas em www.clubedosaventureiros.com/guia-de-trilhas/61-parque-nacional-da-tijuca-setor-a-rj/753-parque-nacional-da-tijuca

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Será que a mesma turma que “gerencia” assim os parques nacionais vai tomar conta das reservas legais e “áreas de proteção permanente” em terras privadas?