A Petrobras e o Brasil em questão – Até quando essa estatal será um bom investimento

Novamente, um estudo de grande seriedade indica que o petróleo pode perder rapidamente o seu peso relativo na economia internacional em decorrência dos rápidos avanços nas energias renováveis e na área de eficiência energética em geral.

“A rápida redução na demanda por combustíveis fósseis poderá resultar em perdas econômicas entre US$ 1,3 e US$ 5.3 trilhões até 2035”, afirma o estudo (cf. reportagem do The Guardian com o cursor no trecho acima sublinhado, que contem um link para o estudo em negritos).

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Combustíveis – O poder público e a Petrobras sonegam informações

O debate em torno dos elevados preços dos combustíveis fósseis no Brasil não é produtivo porque sonegam informações básicas.

De fato, todos os países têm acesso aos mesmos preços internacionais de petróleo, e segundo fontes internacionais as diferenças nos preços ao consumidor são devidas aos impostos e taxas locais.

No entanto, tais fontes não são suficientes para explicar as imensas diferenças de preços entre os diversos países.  Ainda sabendo que os impostos sobre combustíveis fósseis no Brasil sejam elevados, nesse raciocínio não encontram incluídos fatores como (a) a situação de monopólio de fato da Petrobras e (b) os custos de extração do petróleo em águas profundas quando comparados com os preços internacionais.

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Preços do Petróleo Despencam, Obama Vê Oportunidade para Alavancar Energias Renováveis, e a Petrobras…..

O preço do petróleo no mercado internacional continua a cair, tendo chegado a US$ 28/barril.  A Agência Internacional de Energia alerta para o fato do cartel de países produtores e exportadores estarem aumentando a sua produção, o que faz com que analistas do setor digam que não se surpreenderão se o preço chegar a US$ 20/barril quando o petróleo iraniano começar a inundar o mercado.

Enquanto isso, a Venezuela, que tem as maiores reservas mundiais do planeta, começa a importar petróleo dos EUA.  Ah – logo a Venezuela “bolivariana” – um modismo passageiro que lá sobreviveu demais – que sempre colocou a “culpa” de tudo no “imperialismo norte-americano”.

Aproveitando a onda dos baixíssimos preços da gasolina nos postos norte-americanos – bargain prices -, Obama fala, agora, na introdução de um imposto adicional de US$ 10/barril de petróleo para financiar os programas de energia renováveis.  Os economistas convencionais – como é o caso da esmagadora maioria – esperneiam, dizem que esse imposto será transferido para os consumidores finais (como são brilhantes, esses economistas), mas nem levantam a hipótese que esses consumidores simplesmente não reclamem.

De fato, com a gasolina a US$ 1,73 por galão – na média nacional -, ou cerca de R$ 1,83/litro (considerado o câmbio atual), talvez os consumidores finais nem percebam, já que foram muitas as quedas recentes nos preços e, US$ 10 por barril que tem 159 litros significam US$ 0,06 por litro.  Obama e sua equipe conseguiriam, com esse imposto adicional num momento em que os ventos são favoráveis, uma imensa alavancagem de suas propostas de consolidar o mercado norte-americano de energias renováveis, que em 2014 e 2015 cresceu mais do que a geração de qualquer outra fonte nos EUA.

E isso por uma gasolina de qualidade – octanagem – muito superior à brasileira, que é obrigatoriamente batizada com álcool para subsidiar os grandes produtores de álcool, com a mistura em percentuais que variam ao sabor de seus interesses conjunturais.

Esses baixos preços do petróleo beneficiam o conjunto da economia norte-americana, enquanto os altos preços aqui mantidos apenas subsidiam o rombo da Petrobrás, que tende a crescer ou mesmo a se tornar inviável em função de suas imensas dívidas, dos altos custos de extração do petróleo de grande profundidade (custos que já inviabilizaram projetos no pré-sal de Angola) e pelas bilionárias multas que lhe devem ser aplicadas pela Justiça norte-americana por manipulação de informações ao mercado e pela corrupção.

Assustada, a Petrobras encaminha ao órgão que regula o mercado acionário norte-americano notas informando que se defenderá com unhas e dentes – coisas que nem aparecem na imprensa brasileira.  O próprio juiz encarregado da ação já informou à empresa que valor total dessas multas e indenizações pode chegar a US$ 100 bilhões, segundo algumas fontes, ou “apenas” US$ 30 bilhões, segundo outras.

De toda forma, um valor muito alto para a mais endividada entre as grandes empresas de petróleo do mundo: algo em torno de US$ 127 bilhões.

Em todo caso, o julgamento se iniciará em breve e, ainda sendo responsável por grande parte do faturamento da grande mídia no Brasil, o governo e a Petrobras não conseguirão contê-la.

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Agora, uma nova ação judicial, a ser movida na Holanda, ameaça a Petrobras.

Vamos combinar uma coisa: a Petrobras faliu.  Ou o governo federal terá que injetar dinheiro dos contribuintes para cobrir o rombo da corrupção e da incompetência (estão associados), como fez recentemente o México com a Pemex.  Que tal 12% do PIB nacional em dinheiro dos contribuintes?

Exxon Mobil – Quando o Crime Talvez Não Compense… Tanto

Há poucos dias, uma profunda investigação objetivando determinar em que medida a Exxon Mobil – a maior petroleira privada do mundo – se a empresa mentiu para o público e para os acionistas sobre os riscos para as suas próprias atividades decorrentes das mudanças climáticas foi iniciada pelo procurador-geral do estado de Nova York. Continuar lendo Exxon Mobil – Quando o Crime Talvez Não Compense… Tanto

Estudos de Impacto Ambiental “Escangalhados” e (Outros) Desmandos da Petrobras

Já se disse, aqui, que o Estudo de Impacto Ambiental – EIA que levou ao licenciamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ foi a pá de cal na validade desse dispositivo da legislação ambiental brasileira.  Entre outras coisas, por não conter uma definição final de dois pilares imprescindíveis para o licenciamento até mesmo de uma oficina mecânica de pequeno porte: a fonte de abastecimento de água e o local de descarga dos efluentes.

O responsável por este “desmanche” da gestão ambiental no Brasil tem nome e endereço.

A partir daí, o COMPERJ tornou-se objeto de escândalos diversos, entre os quais a elevação do orçamento original de R$ 8,4 bilhóes para R$ 47,7 bilhões, segundo dados de relatório do Tribunal de Contas da União – TCU divulgados pela imprensa.  E isso para não falar nos lucros cessantes não contabilizados em decorrência do imenso atraso nas obras: previsto para entrar em operação em setembro de 2013, agora já se fala em agosto de 2016, esculhambando o município de Itaboraí, em vez de estruturá-lo.

Mas a bagunça não termina aí: só agora aproxima-se a fase final de licenciamento do gasoduto que levará a matéria-prima até o COMPERJ, gasoduto cuja construção pode levar alguns anos.  Seria essa uma das muitas caras da má gestão nos projetos da Petrobras?

Os documentos do EIA-RIMA encontram-se disponíveis na pagina da Rede Ambiente Participativo – RAP (mês de dezembro), o correto seria realizar mais de uma audiência pública (e não apenas uma, em Maricá, já que o gasoduto atravessa mais de um município), e o Grupo de Apoio Técnico – GATE do Ministério Público do Rio de Janeiro deu, há algum tempo, um parecer técnico bastante contundente contra o traçado originalmente proposto (além de apontar diversas outras insuficiências críticas no próprio EIA).

O essencial do parecer técnico é a total omissão de alternativas tecnológicas: por que passar pela bucólica praia de Jaconé e como?  Por algum costão, com tubulações enterradas, ou talvez por outra localização.  Um estudo de impacto ambiental elaborado “nas coxas” não vai considerar esses “detalhes” e nem a redução de valor turístico/paisagìstico potencial da praia ou das propriedades na praia.  Que se dane quem ali investiu para ter algum tipo de “aposentadoria” no futuro ou o fato do Município não conter previsões de uso do solo para esse tipo de ocupação.

A desconsideração de alternativas tecnológicas e locacionais é com frequência desconsiderada, ainda que exigida pela Resolução 001/86 do CONAMA.  Ou alguém ja ouvir falar de alguma licença ambiental – ao menos com base em EIA-RIMA – que tenha sido recusada no Brasil, ou forçada a considerar, de fato, alternativas tecnológicas e locacionais.

Fora essa parte do engodo, vale mencionar que o parecer do GATE ressalta a inexistência de análise de risco, também obrigatória em casos desse tipo.

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Aqui, o inteiro teor de uma petição inicial contra a Petrobras, ação já ajuizada nos EUA, e na qual se menciona claramente Sergio Grabrielli  e Graça Foster como tendo assinado documentos contendo informações falsas para os investidores (parágrafo 5).  A Odevrecht é mencionada na petição como tendo superfaturado contratos no valor de US$ 835 milhões (parágrafo 8). O  COMPERJ é mencionado no parágrafo 35 como objeto de superfaturamentos.

Note-se, esta é apenas a petição inicial, não um julgamento.  Há outras petições similares já ajuizadas pedindo que os acionistas norte-americanos – individuais ou fundos de investimento – sejam compensados pelas perdas.  E os brasileiros, onde ficam?

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Como perguntar não ofende, quais as razões de tão estrondoso silêncio por parte do sindicato dos petroleiros diante de tantos escândalos, quando fizeram tanto  barulho no passado denunciando supostas tentativas de privatização da Petrobras?  Silêncio obtido em troca de cargos e contratos?