Durban – A Farsa do REDD e a Pirataria do Carbono

Dias antes do início do encontro turístico que se realiza neste momento em Durban, na África do Sul, a Associação Inter-Étnica de Desenvolvimento da Selva Peruana denunciou a nova farsa conhecida como REDD – Reduzindo Emissões do Desmatamento e da Degradação: comunidades de povos da floresta peruana vêm sendo induzidas a assinar documentos objetivando a preservação de milhões de hectares e  acabam perdendo os seus direitos sobre os recursos financeiros do próprio REDD e até ao uso da própria terra.

Algo muito similar ao que já acontece aqui, há tempos, no momento da criação de “reservas extrativistas”.

denúncia – cuidadosamente sonegada pelas grandes ONGs “ambientalistas” envolve dezenas de projetos com uma área total de 20 milhões de hectares.  Esta, sim, é uma verdade altamente inconveniente às vésperas do pré-naufragado encontro de Durban.

O documento, elabora em conjunto com a organização Forest People Programme, encontra-se disponível em inglês e em espanhol.  ONGs, consultores na área de carbono e investidores tem vasculhado as florestas peruanas convencendo comunidades e povos locais que algumas vezes mal dominam o espanhol para propor acordos com promessas de conseguir milhões de dólares em troca da cessão do controle de suas terras para terceiros.

Muitos desses contratos incluem cláusulas de confidencialidade e foram negociados sem qualquer assessoria jurídica para as comunidades vulneráveis à “pirataria do carbono”.

Segundo uma reportagem do The Guardian, esse tipo de pirataria já havia sido detectada em Papua Nova Guiné, na África e na Indonésia.  Mais recentemente, tornou-se uma febre na Amazônia, “comparável apenas à corrida de multinacionais para descobrir petróleo ou cultivar látex na região”.

É bem mais fácil para a meia dúzia de ongoleiros em Durban falar sobre mudanças na lei que se pretende um “código florestal” no Brasil e apenas fazer referências à extração de petróleo das areias betuminosas do Canadá do que falar nas dezenas de termelétricas a carvão que vem sendo implantadas nos EUA e das muitas novas frentes de mineração de carvão para exportação para a China que estão sendo desenvolvidas nos EUA e na China.

O “jornalismo ambiental” classe Y da Folha de São Paulo e de O Globo também sonegou esse relatório porque sabe que a juventude urbana “entende” melhor mensagens mais fáceis, já impregnadas na mente da juventude urbana.  Da mesma forma que nada fala sobre as emissões que decorreram da extração de óleo do pré-sal – assunto nada “conveniente”.

E que se danem os “povos da floresta”.  Recomenda-se às autoridades brasileiras – inclusive ao abúlico MMA – que estejam atentos às atividades desses “piratas do carbono” na Amazônia.  Afinal, TODO o problema do REDD e das doações ao miraculoso “Fundo Amazônico” consiste justamente em como fazer a grana chegar até os milhões de brasileiros que vivem na Amazônia sem saneamento, saúde, e outras “pequenas conveniências” tão acessíveis aos Klabins e “ambientalistas” de grandes ONGs estrangeiras ou por elas financiados.