O “Programa Caos no Trânsito”, concebido por empreiteiras sob os auspícios de Eduardo Paes – seu representante na administração pública -, permite aos trabalhadores nos canteiros de obras tirar e colocar cones de sinalização coloridos fechando pistas de trâfego de veículos sempre que acharem conveniente. A execução das obras é feita ao sabor dos interesses imediatos das empreiteiras, que decidem sobre metódos construtivos, bem como sobre períodos, prazose e horários de maneira a reduzir os seus próprios custos. Puro descaso com o tal do interesses público.
Os assim chamados “custos sociais” – ou externalidades, na gíria dos burocratas do Banco Mundial – não fazem parte dos cálculos dos custos das obras, como ocorre nos países sérios. Engarrafamentos de trânsito aumentam o consumo de combustível, a exposição das pessoas a “bolhas” com altas concentrações de poluentes atmosféricos, o stress, etc.
O aumento do consumo de combustível em decorrência dos engarrafamentos de trânsito são bem conhecidos dos países desenvolvidos, onde a rotina é a medição do fluxo de veículos – coisa quase totalmente inexistente (senão totalmente inexistente) na cidade do Rio de Janeiro. Esses custos, adicionados aos custos estimados dos atrasos nos variados tipos de entregas de produtos, foi estimado em US$ 4 bilhões de dólares durante os 6 anos de construção de um elevado conhecido como Artéria Central, em Boston, nos EUA, entre 1953 e 1959 (em valores da época).
Na verdade, custos sociais / externalidades desse tipo são objetos de estudos e cálculos desde o início do século XX, e ignorá-los no planejamento de obras públicas – ou privadas com impactos públicos – é só uma demonstração de atraso mental / cultural. No Rio, o atraso anda travestido de modernidade e os despachantes das empreiteiras ainda acreditam na máxima de que as pessoas percebem o caos no trânsito como indicador seguro de que estão sendo feitas obras importantes. O prefeito limita-se a pedir paciência, como se o caos fosse inevitável, mas não tem vôo ou interesse na avaliação de métodos construtivos.
Assim, por exemplo, a colocação de uma rede de esgotos pode ser feita sem interrupção do trânsito com o uso de “técnicas não destrutivos” ou escavação subterrêanea mecanizados ou perfuratrizes horizontais.
Mas, como quem decide na Cidade Maravilhosa é a disponibilidade de equipamentos e vontade das empreiteiras, que se faça o caos.
Entre as promessas de campanha do prefeito Eduardo Paes estava a demolição do elevado conhecido como Perimetral, que margeia o cais do porto e depois segue até as proximidades do Aeroporto Santos Dumont e do acesso ao Parque do Flamengo. Mais tarde, o prefeito afirmou que não sabia essa obra custaria tão caro – noves for a o custo social. Ou seja, promessas não embasadas em estudos de engenharia e, menos ainda, em projetos (sequer projetos básicos). Mais ou menos como prometer uma Ferrari para a amante e depois de consumado o ato sexual afirmar que não sabia que esse carro era tão caro.
Mas, tudo foi esquecido porque o pensamento mágico brasileiro ainda permite usar alternadamente a palavra projeto para uma mera idéia ou isca eleitoral. No Pindorama, assim são as promessas de campanha!
A demolição da Avenida Perimetral demanda a construção de pistas subterrâneas, e aí o uso de técnicas não destrutivas seria fundamental para evitar o caos no trânsito: primeiro a construção das pistas e só depois a demolição do elevado.
Desconsiderando o tal do interesse público e com base apenas no método construtivo decidido pelas empreiteiras, a administração pública – ou que deveria ser pública – autorizou, recentemente, o fechamento da Rua Primeiro de Março, uma das principais artérias do centro da cidade do Rio de Janeiro. Zero estudo sobre impactos no fluxo de tráfego, como é o “normal” e a decisão teve que ser revertida no dia seguinte.
Para além das técnicas construtivas – que requerem sondagens e uma engenharia que as empreiteiras brasileiras não têm -, há um “detalhe” não informado à população: qual o custo desse projeto e o seu cronograma de execução?! Ou trata-se de só mais uma mega-teta?
De repente, as empreiteiras estão pensando mesmo é numa outra Cidade da Música, um monumento à dissipação de recursos da cidade, cuja construção foi iniciada em 2002 com previsão inicial de custos da ordem de R$ 80 milhões e inauguração prevista para 2004, e que já consumiu bem mais de R$ 600 milhões e não se encontra em operação e nem tem previsão de conclusão – em fevereiro de 2012.
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O prefeito Eduardo Paes, que ainda sonha ser governador, precisa – e ainda pode – melhorar a qualificação de seus assessores para obras públicas e para relacionamento com as empreiteiras se não quiser ter o triste destino do seu ex-líder e chefe Cesar Maia!

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