Desperdício de Eletricidade ou “Modernidade” dos Estádios Padrão FIFA?

Grama crescendo com luz artificial nos estádios “padrão FIFA”, com o qual o governo brasileiro concordou? A foto mostra esse tipo de uso da eletricidade na “Arena” Fonte Nova, em Salvador! Estádio Padrão FIFA - Salvador II.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mesmo está acontecendo no Estádio Nacional, em Brasília, na “Arena” São Paulo, e no Maracanã, no Rio de Janeiro. Afinal, houve uma exigência da FIFA de que quase a totalidade das arquibancadas ficasse ao abrigo da chuva, e isso ocasionou uma drástica redução da incidência da luz solar nos gramados, fazendo com que fosse necessário importar equipamentos da Holanda para assegurar o crescimento adequado dos gramados… com iluminação artificial. E isso num momento em que o Brasil se defronta com uma crise energética, com todas as usinas térmicas funcionando à plena capacidade e aumentando muito o preço de energia (algo que ainda não repercutiu nas contas dos consumidores porque, em ano eleitoral, o governo resolveu subsidiar essas térmicas).

A imagem abaixo foi obtida por trabalhadores na “Arena” Nacional, em Brasília.

Estádio Padrão FIFA - Brasília.web pequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cada equipamento – uma enorme estrutura que se desloca ao longo do estádio ou “arena” – gera uma conta adicional de eletricidade na faixa de R$ 100.000/mês.

Não são poucos os  estádios europeus com cobertura retrátil, um sistema muito utilizado, também, nos EUA.  Com esse tipo de abordagem na arquitetura dos estádios brasileiros, o problema simplesmente desapareceria, além de outras vantagens relacionadas ao conforto.  Em muitos outros estádios, para evitar esse custo adicional de eletricidade, o gramado se move para fora do estádio, ocupando o local destinado ao estacionamento de automóveis ou outros espaços abertos, evitando esse custo adicional com iluminação artificial, como se pode ver na imagem abaixo do Estádio Sapporo, no Japão, que sediou jogos da Copa do Mundo em 2002, no Japão.

Gramado retrátil para fora do estádio - Sapporo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa gente não deve saber fazer contas….

***

O Brasil nunca chegou a ter uma política nacional de eficiência energética, em particular do que, já nos anos 1980, os países sérios denominavam “gerenciamento da demanda“, isto é, a redução da demanda através da introdução de medidas que resultassem em igual desempenho e menor consumo.  O exemplo mais claro disso é o atraso na introdução de iluminação pública com lâmpadas LED (sigla em inglês para “lighting emitting diode”, ou “diodo emissor de luz”), que reduz o consumo em 50%-60%, além de muitos outros benefícios, como o aumento da vida útil das lâmpadas e a redução dos custos de substituição.

Uma lista (não atualizada) de cidades que já adotaram a iluminação pública com lâmpadas LED inclui Nova York, Los Angeles, Toronto, Budapeste e muitas outras.

Mas, como nas cidades brasileiras a conta de luz sai do bolso dos contribuintes, direta ou indiretamente, quem se interessaria por isso?

***

Neste momento, os proprietários de termelétricas temem que o governo os force a interromper as manutenções programadas, já planejadas, o que colocaria os equipamentos em risco (exatamente como ocorre com uma turbina de avião sem manutenção).

 

 

O Rio de Janeiro da Copa do Mundo, dos Jogos Olímpicos e do “Porto Maravilha” na Visão da Grande Imprensa dos EUA

Nas últimas semanas, dois grandes jornais norte-americanos publicaram extensas reportagens com visões bastante negativas sobre a preparação do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, com fatos e uma abordagem evitados pela imprensa local.

A primeira delas, do Washington Post, o maior jornal da capital dos EUA, recebeu o seguinte título: “As águas do Rio das Olimpíadas ainda estão cheias de lixo e de esgotos, restando pouco tempo para os Jogos”.  Além de fotos bastante impressionantes, a reportagem inclui um vídeo sobre a Baía de Guanabara (precedido de um anúncio de 30′) que merece ser visto, ainda que apenas pelas imagens.

Nela, afirma-se que “as infindáveis praias e luxuriosas florestas tropicais do Rio de Janeiro serão um sonho para os fotógrafos durante os Jogos Olímpicos de 2016.  Mas, fazendo-se um zoom sobre as antes pristinas águas da Baía de Guanabara, as imagens são de lixo doméstico e esgoto sem tratamento.  (…) Nas águas verde-neon ao redor do futuro Parque Olímpico, as taxas de coliformes fecais são 76 vezes superiores aos limites considerados ‘satisfatórios” pelo governo brasileiro e 195 vezes os limites considerados seguros nos EUA.  (…)  Faltando apenas dois anos e meio para os jogos, especialistas afirmam que os esforços para a limpeza dessas águas avançam a passos de caramujos (ou de cágado, na expressão brasileira)…”.

“A alta concentração de resíduos humanos não tratados significa a presença de patógenos e organismos transmissores de doenças – afirma o Dr. Casey Brown, professor de engenharia civil e ambiental da Universidade de Massachusetts Amhrest.  Se eu fosse tomar parte (nos Jogos), eu me certificaria de que todos os meus atletas teriam tomado todas as vacinas. ”

Depois de mencionar os altos índices de poluição aquática na região da Barra da Tijuca, “onde metade dos Jogos Olímpicos ocorrerão” – não há referência ao fato de que o programa de saneamento dessa área começou há mais de 30 anos e ainda não tem data para ser concluído -, a reportagem do Washington Post faz referências aos altos índices de coliformes fecais da praia de Copacabana e às frequentes mortandades de peixes da Lagoa Rodrigo de Freitas, “onde ocorrerão competições de remo e canoagem”.

“Outro problema arraigado encontra-se nos 383 km quadrados da Baía de Guanabara que se comunica com o mar por apenas um pequeno canal.  Até os anos 70, local de intensa pesca artesanal e praias populares adornadas com coqueiros, a Baía se tornou num local de descarte de resíduos de estaleiros e de áreas portuárias comerciais, assim como de material lixiviado, subproduto tóxico de montanhas de lixo apodrecido proveniente do que foi o maior aterro da América do Sul, cujas atividades só se encerraram em 2012.”  Com justa razão, os jornalistas do Washington Post preferiram ignorar os anúncios factóides de que o chorume decorrente da decomposição do lixo de aterros encerrados às margens da Baía de Guanabara – Caju e Gramacho –  estaria recebendo tratamento minimamente adequado.  Não, esse chorume continua e continuará poluindo a Baía de Guanabara por décadas caso as autoridades ambientais continuem apenas improvisando “soluções” para dar a impressão de que foi feito um trabalho sério.

“O governo japones ajudou no financiamento para limpar a Baía de Guanabara com US$ 700 milhões num projeto que começou em 1992 mas duas décadas depois ainda apresenta poucos resultados.  Pelo menos 5 estações de tratamento foram concluídas, mas a maioria opera com capacidade ociosa porque as redes coletoras não foram totalmente implantadas.  Uma estação de tratamento, em São Gonçalo, nunca tratou uma gota de esgoto.”

A reportagem não menciona que o empréstimo japonês foi atrelado a um outro, do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, bem maior, que destinava-se a implantar as redes coletoras, e que o relatório final do BID considerou que o programa havia fracassado em grande parte pela incapacidade local de executá-lo.  (Nada diferente de programas de despoluição similares com financiamento internacional, como o do Tietê, do Guaíba, e da Grande Vitória, incluindo Guarapari).  O dinheiro foi gasto, a dívida contraída, mas as redes de coleta não foram implantadas, e ninguém nunca auditou nada, até porque as empreiteirasa continuam as mesmas.  E o BID – coitado! – se faz auditorias, limita-se à contabilidade, nada em campo para ver se a fatura emitida para a implantação de 30 km de troncos coletores não foi apenas.. uma fatura.  Afinal, obras enterradas podem simplesmente ser cobradas sem que nada ou quase nada tenha sido feito.

Com toda a razão, a reportagem ironiza as unidades de tratamento de rios, “com elevados custos operacionais por requererem caminhões para transportar os resíduos para aterros sanitários” e apenas faz referência as “eco-barreiras” que apenas recolhem uma parte do lixo mais visível e flutuante depois de lançado nos rios ou de atingirem a Baía.  Convenhamos, para um especialista qualquer proveniente de um país minimamente sério, essas iniciativas são apenas maquiagens, senão pura e simples enganação.  De toda forma, uma declaração oficial de incompetência para resolver os problemas de maneira tecnicamente correta.

Essa não é uma visão puramente norte-americana, já que especialistas brasileiros também são citados nas severas críticas feitas à qualidade das águas dos rios da região da Barra da Tijuca e da Baía de Guanabara.

E note-se que só a Copa do Brasil já custa mais caro do que as três últimas somadas (cf. link ao final do texto).

***

A outra reportagem, do New York Times, intitulada Um Rio de Janeiro dividido, tentando ir além para o mundo, também tem um slide-show que pode ser visto clicando em sua primeira fotografia ou aqui.  (A palavra usada – “overreaching” – tem o duplo sentido de “indo além” ou de “tentando enganar dando a impressão de que se faz mais do que realmente se consegue”.)

Esta reportagem se concentra mais nos aspectos urbanísticos do Rio de Janeiro e em suas divisões sociais.  “Essa divisão é mais evidente no pantagruélico  (gargantuan, no texto original, algo exagerado em termos de tamanho ou quantidade) plano do prefeito, que prevê investimentos de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) para a área portuária, com a visão de transformar uma parte amplas, antes industrial, da cidade, numa concentração de arranha-céus para um novo Rio global.  (…) Mas o projeto de redesenvolvimento da área portuária é muito mais um projeto de comercial imobiliário de um governo em busca de investidores, com um novo Museu do Amanhã – seja lá no que isso vena a ser -, na forma de um gigantesco crustáceo com formas perfecionistas mas com objetivos nada claros, desenhado por Santiago Calatrava, um arquiteto de ontem.  Não existe um plano diretor real (…) garantindo que a área portuária não será sacrificada para a construção de um mar de torres de escritórios.  As recentes promessas do prefeito de incluir na área 2.000 unidades de habitações populares são tardias e vagas, e parecem mais destinadas a apaziguar opositores sem assustar os investidores.”

“No coração da Barra da Tijuca há um símbolo de esbanjamento de dinheiro público e da divisão de classes: um novo centro de artes, a Cidade da Música, desenhada pelo arquiteto francês Christian de Portzamparc, próximo a um gigantesco shopping center onde há uma réplica da Estátua da Liberdade na parte exterior.  O projeto, iniciado durante a administração anterior, com um orçamento que ao final foi duplicado, atingindo US$ 250 milhões, está situado no meio de uma via de tráfego intenso (uma auto-estrada, no texto original), e despertou críticas de que não tem qualquer contato com as necessidades reais ou com a cultura da cidade”.

Depois de mencionar as ameaças (?) de remoção da Vila Autódromo, a reportagem elogia iniciativas nos bairros de Madureira, Olaria e no Meier.  Mas afirma que simultaneamente outras iniciativas públicas “não fazem sentido: o Projeto Minha Casa-Minha Vida são melancólicos quarteirões para os pobres, construídos de maneira barata, distantes de onde as pessoas viviam”.  (…) Já o programa “Morar Carioca”, que tinha como objetivo a consulta pública – algo incomum – com a participação de arquitetos, terminou levando a uma decisão judicial contrária à decisão da prefeitura de construir mais um sistema de bondes e um funicular (como o do Cristo Redentor), juntamente com um centro cultural para celebrar a vida na favela, resultante de uma ação movida pela associação de moradores do Morro da Providência”.

“Nós queremos o diálogo, mas eles nunca nos ouvem realmente – afirma Roberto Marinho, 38 anos, presidente da Associação de Moradores”.  É, eles nunca ouvem ninguém além daqueles que têm muito dinheiro ou influência partidária, exceto as pencas de puxa-sacos que usualmente os cercam.  Odeiam ideias que possam destoar da opinião que desejam ouvir.

***

“O custo da Copa do Mundo no Brasil será maior do que a soma do total investido nas últimas três edições do evento, no Japão/Coreia (que se uniram para realizar um único torneio), Alemanha e África do Sul. Além disso, se os orçamentos das obras dos estádios e de infraestrutura urbana e de transporte continuarem a ser reajustados para cima no ritmo atual, a Copa do Mundo do Brasil terminará custando mais do que todas as outras juntas.”  A conclusão é de um estudo é da consultoria legislativa do Senado Federal, cujo resumo encontra-se resumo publicado pelo UOL/Folha de São Paulo.  Segundo Alexandre Guimarães, consultor do Senado, “o Poder Público já investiu quase R$ 50 bilhões no evento, mas o legado e benefícios para o país e a população brasileira ainda não foram colocados em primeiro plano nos debates.”

“- Haverá retorno de todo esse investimento? – questionou.”, durante recente seminário.

 

 

 

 

 

Código Florestal – Como Driblá-lo – II – ou O Mito de um “Código” Florestal Urbano

Ambientalóides que não conhecem o mundo real e não gostam dele, de acordo com as conveniências do momento usam uma justificativa diferente para a manutenção da vegetação nativa nas margens dos rios, riachos, córregos.  Ora é a proteção das margens e das calhas dos rio contra processos erosivos, ora a taxa de infiltração de água; se esses dois não funcionarem em qualquer caso específico, vale apelar para a biodiversidade ou até mesmo para a proteção de vidas humanas contra enchentes. Todos esses argumentos são válidos!  Nenhum deles justifica uma faixa padrão que é função da largura do rio é válida para todo o território nacional!!!  Em países sérios, as bacias e sub-bacias hidrográficas são estudadas caso a caso, trecho a trecho, e a biodiversidade de um rio como o Ruhr está totalmente ou quase totalmente restaurada sem nada de APP genérica, mas com projetos reais implantados num mundo real.

Ambientalóides defendem, também, a aplicação do “código” em áreas urbanas.   Isso é algo tão absurdo quanto falar em “crescimento sustentável”.  Exerça-se o direito de espernear – jus esperneandi – mas as pessoas que conceberam os parques do Ibirapuera e do Flamengo fizeram mais pelas cidades do que o “código”.   As cidades são ambientes humanos.  De fato, para lidar com as forças da natureza há necessidade de conter cheias e de assegurar que a impermeabilização dos solos seja mantida dentro de limites técnicos, entre outras..  É longo o cardápio de soluções e experiências bem sucedidas no países sérios.  Mas ambientalóides  desconhecem totalmente e não gostam da engenharia – é sempre a atitude do “não vi, recuso-me a ouvir, e não gostei”.  Coisa de avestruz e de incompetentes.  Eles – incluindo o MMA – não se perguntam por que, afinal, estão sentados em cima dessa lei há 47 anos – ou há 77 anos, dependendo do ponto de vista – e nunca a usaram para mudar a realidade ou para impedir que ela se deteriorasse!  A razão é simples, demasiadamente simples: essa lei é inútil, inaplicável, e eles estão apenas se masturbando.  Não será com generalidades e conceitos abstratos que as coisas mudarão de rumo.

Na prática, o que acontece em áreas urbanas está mostrado nas fotos abaixo, e novos projetos de desenvolvimento urbana – ou mesmo simples loteamentos – que cuja implantação esbarrem nas licenças ambientais podem e devem estar atentos.  As prefeituras sempre podem declarar as áreas de preservação permanente de interesse público ou social de maneira a que as cidades não percam o seu dinamismo natural.

Nas duas primeiras fotos, obras recentes na cidade do Rio de Janeiro.  A primeira obra de contenção mostra que a paisagem urbana agradeceria se alguma vegetação tivesse sido acrescida ao projeto para encobrir um pouco a feiura da arquitetura (apud Lúcio Costa, falando sobre Brasília).  Um pouco de paisagismo, sem a imposição da  “vegetação nativa”.  A segunda, espera-se, foi projetada tendo como base um mínimo de informações sobre a vazão do pequeno rio naquele local e considerando-se a crescente impermeabilização das ruas nas proximidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ambientalóides protestaram?  Não!  O Ministério Público que atua na área do meio ambiente abriu investigações para ver se pelo menos a liturgia do licenciamento ambiental pregada pelo CONAMA foi respeitada?  Se abriu, o respeitável público não foi informado!

Agora, uma foto feita há cerca de dois anos em Brumadinho, Minas Gerais.  Como se pode notar pela cor da água, a empreiteira não havia tomado precauções para evitar o transporte de sedimentos para a calha do rio na fase de obras.  E, pelo jeito, ninguém pensou em fazer, ali, uma área de lazer como as muitas que existem pela Europa e nos EUA às margens dos rios.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Finalmente, uma imagem de um lago no maravilhoso Instituto de Arte Contemporânea – e agora também Jardim Botânico – de Nhotim.  Ah, se o proprietário de uma fazenda ou o dono de uma pequena propriedade quiser ter um gramado às margens de um corpo d’água….   Se for pequeno, vira criminoso,  e a não “revegetação” com espécies nativas recebe o nome de “passivo ambiental”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todas as fotos foram feitas pelo autor do blog que sabe que são muitas as opções que poderiam ser adotadas para reduzir o escorrimento superficial de águas de chuvas em áreas urbanas, mas que os zambientalóides vão continuar em seu mundinho de sempre devido à preguiça mental e à incapacidade de ouvir ou estudar.

***

Quem quiser conhecer como se faz proteção de cheias no mundo real – e não apenas com uma lei conceitual de poucas páginas – pode e deve ver o último documento da Conselho de Proteção Contra Cheias do Vale Central da Califórnia.  A página permite  ver a evolução dos trabalhos e dos documentos elaborados.  Amanhã, dia 11 de maio, será feita mais uma audiência pública, na  cidade de Sacramento, capital do estado.  O trabalho mostrou-se necessário quando grandes inundações ocorreram na região do Vale.  Ainda bem que eles não deixam assuntos sérios nas mãos de “ambientalistas” e ongueiros (e ainda menos financiados por outros países), desses que povoam o MMA no Brasil.

***

Ah – E antes que eu me esqueça…

Brice Lalonde!  Vai à merda!  Na França, onde você foi ministro do meio ambiente, não tem nem vestígio de “código florestal” ou de áreas de preservação permanente.  Você passou pelo poder sem resolver NADA dos problemas de conservação dos solos agrícolas da França, enquanto o Brasil está anos-luz á frente do seu país no uso do plantio direto (no-till, em inglês).  O plantio direto protege MUITO MAIS as águas subterrâneas e superficiais do que as regrinhas brasilienses do “código florestal”.  Além de proteger os solos, é claro.

Rio de Janeiro – BRT e BRS – Embalagem Nova Para Conceitos Antigos… e Sem Planejamento

Quando uma indústria quer vender mais do mesmo, faz algo que os marqueteiros denominam “reposicionar o produto no mercado”.    Muda-se o formato da embalagem para dar a impressão de que se trata de novo produto, ou algo assim.  É isso que a prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo ao falar de BRT e BRS para dar a impressão que o muito antigo – e na Cidade Maravilhosa sem planejamento – e uma grande novidade.

Aos fatos!

Nos países mais avançados, sistemas de vias exclusivas para veículos de transporte de massa são da década de 50 – já que o sistema verdadeiro de transporte de massa é o metrô, bastante anterior.  Mesmo no Rio de Janeiro, já existem pistas exclusivas para ônibus e táxis na Avenida Brasil há pelo menos 20 anos.  Sistemas similares existem em muitas outras cidades brasileiras há bastante tempo, sem nomes e siglas estrangeiras.

Em Curitiba, líder brasileira nesse campo, o “Sistema Expresso” foi implantado em 1974!  E com planejamento!  O sistema foi precedido de estudos de demanda de transporte de massa – não é difícil fazer uma pesquisa do tipo origem-destino com os usuários – e a partir daí foi implantado um “tronco-alimentador”.  Há linhas expressas, linhas que abastecem esse tronco, linhas circulares locais, e assim por diante.

No Rio de Janeiro, o que se está propondo não é a supressão de um grande número de linhas de ônibus como resultado da implantação de um sistema racional, mas apenas a implantação de um sistema adicional.  A supressão será apenas de vias de circulação de veículos.

A alegação de que o sistema de veículos leves sobre trilhos não ficaria pronto para a Copa ou para as Olimpíadas é desonesta.  Primeiro, porque não há qualquer indício de que esse tipo de estudo de alternativas tenha sido feito.  Segundo, porque os sistemas que estão sendo adotados terão pouco ou nenhum uso para aqueles que visitarão a cidade nesses dois eventos.  Ninguém supõe, sequer, que alguém pegará um ônibus – articulado ou não – no Aeroporto Internacional Tom Jobim, depois de uma longa viagem e com malas, para chegar à Barra da Tijuca depois de mais de duas dezenas de paradas.

O atraso do Rio de Janeiro em relação a Curitiba no que se refere às vias exclusivas para ônibus será, então, de meros 40 anos quando os sistemas Transcarioca e Transoeste forem inaugurados.  E o atraso em relação ao planejamento do transporte de massas não terá sequer começado a se reduzir.

***

A pergunta que não quer calar: quem serão os donos das novas linhas, implantadas com vultosos investimentos públicos?

A concessão já foi dada ou ao final será feita uma licitação com prazo de 45 dias, da qual só poderão participar quem já tiver assinado contrato de fornecimento de veículos com um fabricante?

***

Que engenheiros de transporte assinam esses projetos?  Que pesquisas de demanda?  Ou eles saíram apenas dos interesses das empreiteiras que executam as obras civis?

Porto Maravilha e Programa Caos no Trânsito

O “Programa Caos no Trânsito”, concebido por empreiteiras sob os auspícios de Eduardo Paes – seu representante na administração pública -, permite aos trabalhadores nos canteiros de obras tirar e colocar cones de sinalização coloridos fechando pistas de trâfego de veículos sempre que acharem conveniente. A execução das obras é feita ao sabor dos interesses imediatos das empreiteiras, que decidem sobre metódos construtivos, bem como sobre períodos, prazose e horários de maneira a reduzir os seus próprios custos. Puro descaso com o tal do interesses público.

Os assim chamados “custos sociais” – ou externalidades, na gíria dos burocratas do Banco Mundial – não fazem parte dos cálculos dos custos das obras, como ocorre nos países sérios. Engarrafamentos de trânsito aumentam o consumo de combustível, a exposição das pessoas a “bolhas” com altas concentrações de poluentes atmosféricos, o stress, etc.

O aumento do consumo de combustível em decorrência dos engarrafamentos de trânsito são bem conhecidos dos países desenvolvidos, onde a rotina é a medição do fluxo de veículos – coisa quase totalmente inexistente (senão totalmente inexistente) na cidade do Rio de Janeiro. Esses custos, adicionados aos custos estimados dos atrasos nos variados tipos de entregas de produtos, foi estimado em US$ 4 bilhões de dólares durante os 6 anos de construção de um elevado conhecido como Artéria Central, em Boston, nos EUA, entre 1953 e 1959 (em valores da época).

Na verdade, custos sociais / externalidades desse tipo são objetos de estudos e cálculos desde o início do século XX, e ignorá-los no planejamento de obras públicas – ou privadas com impactos públicos – é só uma demonstração de atraso mental / cultural. No Rio, o atraso anda travestido de modernidade e os despachantes das empreiteiras ainda acreditam na máxima de que as pessoas percebem o caos no trânsito como indicador seguro de que estão sendo feitas obras importantes. O prefeito limita-se a pedir paciência, como se o caos fosse inevitável, mas não tem vôo ou interesse na avaliação de métodos construtivos.

Assim, por exemplo, a colocação de uma rede de esgotos pode ser feita sem interrupção do trânsito com o uso de “técnicas não destrutivos” ou escavação subterrêanea mecanizados ou perfuratrizes horizontais.

Mas, como quem decide na Cidade Maravilhosa é a disponibilidade de equipamentos e vontade das empreiteiras, que se faça o caos.

Entre as promessas de campanha do prefeito Eduardo Paes estava a demolição do elevado conhecido como Perimetral, que margeia o cais do porto e depois segue até as proximidades do Aeroporto Santos Dumont e do acesso ao Parque do Flamengo. Mais tarde, o prefeito afirmou que não sabia essa obra custaria tão caro – noves for a o custo social. Ou seja, promessas não embasadas em estudos de engenharia e, menos ainda, em projetos (sequer projetos básicos). Mais ou menos como prometer uma Ferrari para a amante e depois de consumado o ato sexual afirmar que não sabia que esse carro era tão caro.

Mas, tudo foi esquecido porque o pensamento mágico brasileiro ainda permite usar alternadamente a palavra projeto para uma mera idéia ou isca eleitoral. No Pindorama, assim são as promessas de campanha!

A demolição da Avenida Perimetral demanda a construção de pistas subterrâneas, e aí o uso de técnicas não destrutivas seria fundamental para evitar o caos no trânsito: primeiro a construção das pistas e só depois a demolição do elevado.

Desconsiderando o tal do interesse público e com base apenas no método construtivo decidido pelas empreiteiras, a administração pública – ou que deveria ser pública – autorizou, recentemente, o fechamento da Rua Primeiro de Março, uma das principais artérias do centro da cidade do Rio de Janeiro. Zero estudo sobre impactos no fluxo de tráfego, como é o “normal” e a decisão teve que ser revertida no dia seguinte.

Para além das técnicas construtivas – que requerem sondagens e uma engenharia que as empreiteiras brasileiras não têm -, há um “detalhe” não informado à população: qual o custo desse projeto e o seu cronograma de execução?! Ou trata-se de só mais uma mega-teta?

De repente, as empreiteiras estão pensando mesmo é numa outra Cidade da Música, um monumento à dissipação de recursos da cidade, cuja construção foi iniciada em 2002 com previsão inicial de custos da ordem de R$ 80 milhões e inauguração prevista para 2004, e que já consumiu bem mais de R$ 600 milhões e não se encontra em operação e nem tem previsão de conclusão – em fevereiro de 2012.

 ***

O prefeito Eduardo Paes, que ainda sonha ser governador, precisa – e ainda pode – melhorar a qualificação de seus assessores para obras públicas e para relacionamento com as empreiteiras se não quiser ter o triste destino do seu ex-líder e chefe Cesar Maia!