Rio de Janeiro – BRT e BRS – Embalagem Nova Para Conceitos Antigos… e Sem Planejamento

Quando uma indústria quer vender mais do mesmo, faz algo que os marqueteiros denominam “reposicionar o produto no mercado”.    Muda-se o formato da embalagem para dar a impressão de que se trata de novo produto, ou algo assim.  É isso que a prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo ao falar de BRT e BRS para dar a impressão que o muito antigo – e na Cidade Maravilhosa sem planejamento – e uma grande novidade.

Aos fatos!

Nos países mais avançados, sistemas de vias exclusivas para veículos de transporte de massa são da década de 50 – já que o sistema verdadeiro de transporte de massa é o metrô, bastante anterior.  Mesmo no Rio de Janeiro, já existem pistas exclusivas para ônibus e táxis na Avenida Brasil há pelo menos 20 anos.  Sistemas similares existem em muitas outras cidades brasileiras há bastante tempo, sem nomes e siglas estrangeiras.

Em Curitiba, líder brasileira nesse campo, o “Sistema Expresso” foi implantado em 1974!  E com planejamento!  O sistema foi precedido de estudos de demanda de transporte de massa – não é difícil fazer uma pesquisa do tipo origem-destino com os usuários – e a partir daí foi implantado um “tronco-alimentador”.  Há linhas expressas, linhas que abastecem esse tronco, linhas circulares locais, e assim por diante.

No Rio de Janeiro, o que se está propondo não é a supressão de um grande número de linhas de ônibus como resultado da implantação de um sistema racional, mas apenas a implantação de um sistema adicional.  A supressão será apenas de vias de circulação de veículos.

A alegação de que o sistema de veículos leves sobre trilhos não ficaria pronto para a Copa ou para as Olimpíadas é desonesta.  Primeiro, porque não há qualquer indício de que esse tipo de estudo de alternativas tenha sido feito.  Segundo, porque os sistemas que estão sendo adotados terão pouco ou nenhum uso para aqueles que visitarão a cidade nesses dois eventos.  Ninguém supõe, sequer, que alguém pegará um ônibus – articulado ou não – no Aeroporto Internacional Tom Jobim, depois de uma longa viagem e com malas, para chegar à Barra da Tijuca depois de mais de duas dezenas de paradas.

O atraso do Rio de Janeiro em relação a Curitiba no que se refere às vias exclusivas para ônibus será, então, de meros 40 anos quando os sistemas Transcarioca e Transoeste forem inaugurados.  E o atraso em relação ao planejamento do transporte de massas não terá sequer começado a se reduzir.

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A pergunta que não quer calar: quem serão os donos das novas linhas, implantadas com vultosos investimentos públicos?

A concessão já foi dada ou ao final será feita uma licitação com prazo de 45 dias, da qual só poderão participar quem já tiver assinado contrato de fornecimento de veículos com um fabricante?

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Que engenheiros de transporte assinam esses projetos?  Que pesquisas de demanda?  Ou eles saíram apenas dos interesses das empreiteiras que executam as obras civis?