Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação às Mudanças Climáticas – Linguagem Diplomática X Projeções e Iniciativas de Países Desenvolvidos

Já se encontram disponíveis para download o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas intitulado (IPCC), intitulado Mudanças Climáticas 2014 – Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, na versão integral, ainda sujeita a revisões formais, e numa versão compacta intitulada Sumário para os Elaboradores de Políticas.

A apresentação do Sumário é muito confusa e nada recomendável para quem quer ter uma visão geral do conteúdo do relatório.  Então, vale o ícone da versão integral, que conduz a uma página com os varíos temas, acessando cada um em separado (à direita de cada capítulo encontra-se o ícone para download).

Os capítulos I e II não se referem a temas específicos, mas aos “pontos de partida” e “fundamentos para a tomada de decisões”, e assim não são de interesse do público em geral.  Na sequência, capítulos sobre (a) “água fresca”, isto é, não salina, com informações sobre secas e inundações, (b) águas terrestres e interiores (isto é, acessível para as populações), (c) sistemas costeiros e áreas de pouca elevação, (d) sistemas oceânicos, (e) segurança alimentar e sistemas de produção de alimentos, (d) áreas urbanas, (e) áreas rurais, (f) setores econômicos-chaves e infraestrutura, (g) saúde humana, (h) segurança, (i) modos de subsistência e pobreza, e outros, finalizando com capítulos sobre as diversas regiões do mundo.

O relatório faz referência ao fato de que em diversas regiões do mundo já vêm sendo tomadas medidas de adaptação às mudanças climáticas até mesmo no nível das municipalidades e microregiões, além das iniciativas de caráter nacional.

O relatório do IPCC insiste numa elevação dos oceanos “de até um metro, até 2100”, mas não é claro sobre se isso significaria até meio metro na metade do caminho, isto é, 0,50 centímetros até 2060, por exemplo.

Nos EUA, um estudo do Serviço Geológico Nacional no qual se afirma que “embora a elevação global projetada dos oceanos seja de 66 cm a 1 metro ou mais até o final do século, ela não ocorrerá da mesma forma em todas as regiões (…)”.  Da mesma forma, o capítulo sobre as regiões Sudeste e do Caribe de um estudo intitulado Avaliação Nacional do Clima dos EUA indica que na região de Miami a elevação do nível do oceano pode chegar a 61 cm até 2060 (o grifo é nosso) em decorrência das configurações geológicas e oceanográficas locais.

Já para a região sudeste da costa atlântica dos EUA as projeções indicam que a elevação de apenas 50 cm no nível dos oceanos pode levar a perdas de US$ 6 trilhões com danos à propriedade nas áreas de Baltimore, Boston, Nova York, Filadélfia e outras, com grandes riscos para o porto de Boston, onde foram investidos milhões de dólares.

O IPCC tende a ser mais “diplomático” do que os relatórios de países como EUA, Inglaterra, Alemanha, Holanda e outros, nacionais ou a nível de estados/províncias e municipalidades.  Todos já estão bastante avançados na elaboração de seus planos de segurança alimentar e energética, além de proteção contra cheias.

Quando o Brasil começará a identificar as suas áreas mais vulneráveis, planejar e agir.  Pelo jeito, não vale contar com o governo federal (à exceção de núcleos de excelência na EMBRAPA) e é mais recomendável que os próprios municípios comecem a avaliar as medidas de transição e adaptação para uma nova realidade climática, já que as mudanças são irreversíveis (os gases já emitidos que estão em sua origem continuarão fazendo os seus efeitos durante décadas) e a lenga-lenga sobre a floresta amazônica não reduzirá o consumo de derivados de petróleo e carvão no mundo.

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Comentários e ilustrações do New York Times são bastante interessantes.  Uma reportagem e um curto vídeo sobre os impactos que já se fazem sentir em Bangladesh, publicados nesse mesmo jornal, também merecem pelo menos uma visualização.